quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

PORTUGAL O'MEETING 2010: HOJE FALO EU!

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Mil histórias ficarão por contar, mil imagens por mostrar, mil emoções por descrever. Ao colocar um ponto final no Portugal O’ Meeting 2010, o Orientovar reserva uma mão cheia delas para esta última crónica. É isto que lhe propomos, caso não tenha esgotado ainda a sua paciência.

Festa é a palavra que encontro para descrever este grande encontro mundial da Orientação que foi o POM 2010. Mas não é isso que se espera e exige dum Portugal O’ Meeting? A companhia da minha filha nos três primeiros dias de prova tornou esta festa ainda mais alegre e valiosa, ela que sentiu pela primeira vez a competição numa festa realmente grande, ela que trouxe, igualmente, mil histórias, mil imagens e emoções que – acredito! – um dia irá mostrar.

O Portugal O’ Meeting foi também uma enorme maratona jornalística que, em rigor, começou no Orientovar a 16 de Maio de 2009, no preciso momento em que era inaugurada a página oficial do evento. Ao longo de dez crónicas, aqui apresentámos o evento e os grandes nomes presentes na Figueira, aqui traçámos o dia-a-dia da prova, aqui publicámos as elogiosas impressões de quase quatro dezenas de atletas presentes – de Simone Niggli a Thierry Gueorgiou, de Helena Jansson a Scott Fraser, de Yulia Novikova a Fabien Hertner, de Maria Sá a Mikhail Mamleev - aqui fizemos o balanço dos seus Directores. Agora, chega a vez de fazermos o nosso próprio balanço. Positivo, muito positivo, adianto já!

O bom e… o mau

Para ser imaculado, este POM não podia ter tido a tremenda ‘gaffe’ de levar ao lugar mais alto do pódio e mostrar ao mundo um vencedor que, afinal… foi “apenas” segundo. A história foi já contada mas dessa marca este POM não se livra. Como não se livra das condições sanitárias oferecidas nos três últimos dias. Aquelas valas a céu aberto, sem condições de privacidade, de dignidade até, são inenarráveis. Da (quase) ausência de ‘speaker’ na prova do terceiro dia e da falta que isso fez para aquecer um pouco mais a manhã terrivelmente húmida e fria também já aqui se falou, mas por sinal “supervisor não pode ser pau para toda a colher”. E só podemos estar de acordo com isso.

No resto, simpatia e disponibilidade a rodos, um ‘team’ na cozinha que merece um Voto de Louvor pelo bem que me fez (pelo bem que me soube!), uma Direcção da Prova sempre atenta, preocupada, disponível, um “staff” incansável e pleno de compreensão para quem, na ânsia de informar, nem sempre surgia na melhor altura. E depois aquela cumplicidade com o Jorge Dias e o Nuno Neves, fotógrafos perdidos e logo encontrados no coração da floresta, aquele olhar nostálgico do Rui Antunes, recordando os dias e dias ali passados a esquadrinhar cada palmo de terreno e a desenhar esse valiosíssimo património que são os mapas deste POM, aquela passagem dos melhores do mundo pelo ponto de espectadores na prova WRE, aquelas dezenas ou centenas de fotos "queimadas" porque os pinheiros teimavam em correr ao lado dos atletas, aquela atenção do Paulo Franco em colocar na página oficial do evento os ‘links’ para as notícias aqui publicadas, aquela surpresa de reencontrar amigos numa roda que aumenta a cada dia que passa. Tudo isto, tintado com as mimosas em flor, o azul do céu e o espelho de água em que se transformou a Lagoa da Vela na cálida tarde de terça-feira, compõe um dos mais belos quadros que tive a felicidade de contemplar.


Ideia mais fixe!

Não poderia colocar um ponto-final nesta crónica e no próprio Portugal O’ Meeting 2010 sem mencionar três eventos paralelos que merecem, também eles, figurar entre as melhores coisas que este POM nos ofereceu. Refiro-me, naturalmente, ao Sprint Nocturno, à Estafeta da Amizade e à Prova de Orientação de Precisão. Falando do Sprint Nocturno, começo por recordar um pôr-do-sol daqueles de cortar a respiração e a pedir que lhe descarregam em cima o rolo inteiro da máquina. E depois 800 atletas às voltas por ruas e ruelas, becos e recantos, gavetos e passadiços, numa miríade de pontos luminosos duma beleza ímpar, foram qualquer coisa de inesquecível. Ponto de espectadores e ‘finish’ em pleno areal deram um toque de charme à prova e, na realidade, só ficou a perder quem lá não esteve. De parabéns está o Grupo de Elite do Clube de Orientação do Centro, com Tiago Romão à cabeça, pela forma empenhada como soube organizar um evento de superior dimensão e pelo espectáculo oferecido, um verdadeiro regalo que fez as delícias de todos.

A Estafeta da Amizade ocupou parte do início da tarde do segundo dia de provas e foi o momento alto dum “cantinho” que não passou despercebido a ninguém: A Escolinha de Orientação do COC, um espaço particularmente procurado pela criançada desde bem cedo. Foram três dias intensos que viram passar pela Escola mais de uma centena de crianças (38 no primeiro dia, 50 no segundo e 27 no último), que ali brincaram e se divertiram, que ali fizeram questão de levar os pais e os avós para, também eles, brincarem e se divertirem. A introdução da Estafeta da Amizade conferiu, nas palavras do seu mentor, Hélder Ferreira, “um ar profissional” ao conjunto de iniciativas da Escolinha e contou com a participação de 5 equipas. Para a história ficam os nomes dos participantes: André Sérgio - André Ferreira - Gonçalo Pardal (5º), Ana Macedo - Bruno Lima - Sara Barros (4º), Pedro Roberto - Carlos Carlota - Miguel Baltazar (3º), João Pedro Casal - Gabriel Brás - Alexandre Rodrigues (2º) e António Ferreira -Vasco Duarte - Diogo Delgado (1º). Diplomas e guloseimas para todos e, em especial para os primeiros, a honra de entregar um ramo de flores aos pódios masculino e feminino da prova WRE. Ideia mais fixe!

Afinal, o POM não nos disse nada… ou será que disse?

Finalmente a Orientação de Precisão, no magnífico espaço verde do Parque de Campismo da Figueira da Foz, um verdadeiro desafio aos cerca de oitenta participantes e mais um exemplo do primado da Orientação para Todos. Foi tocante ver Joaquim Sousa, Celso Moiteiro e Albano João, três nomes maiores da Orientação portuguesa, a empurrar as cadeiras de rodas dos quatro atletas com incapacidade motora presentes, todos eles pertencentes ao Núcleo de Desporto Adaptado do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada. Uma vez mais, uma palavra de apreço pelo trabalho desenvolvido por Tiago Romão, um homem que agarrou a iniciativa desde a primeira hora e, com enorme coragem, a soube levar até ao fim, dando mais um contributo precioso para a afirmação da Orientação de Precisão em Portugal.

De malas aviadas para o Crato, não posso partir sem me perguntar se este POM existiu mesmo ou foi apenas fruto dum sonho de quem vive e sente intensamente a Orientação. Na Comunicação Social não existiu, tenho a certeza - e aquilo de que não se fala, não existe. Nos Comentários dos visitantes do Orientovar – salvo duas ou três honrosas excepções – tão pouco. Afinal, este foi um POM apenas virtual? Este POM não nos trouxe nada, não nos disse nada?… Ou será que disse?

[Fotos da Estafeta da Amizade gentilmente cedidas por Hélder Ferreira]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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5 comentários:

Cláudio Tereso disse...

É bem verdade que somos tomos uma cambada de calões e não contribuímos com os comentários que devíamos.
Por isso, e para responder ao teu apelo, cá estou a dar o corpo ao manifesto :)

Este POM foi uma verdadeira festa e, para mim, isso é o mais importante.

Correu tudo de um modo geral muito bem de onde gostaria de salientar:

o ambiente : A arena - especialmente no último dia - estavam bem montadas e movimentadas e criaram um ambiente fora de série.

A qualidade dos terrenos : Apesar de eu não gostar de pinhal - gosto mais de pedras -, o terreno - especialmente das provas longas - era "porreirito".

a emoção do WRE : Um final de prova realmente emocionante..

e não podemos esquecer,

O bar : pois claro, a malta gosta é de comidinha.

Ana disse...

Claro que não foi nenhum sonho! Foi até muito real e foi uma grande festa e, talvez por isso, possa parecer um sonho daqueles que gostamos que se concretizem mas, como sempre acontece nos sonhos, quando o melhor está para acontecer… acordamos!
Pois é, globalmente foi tudo muito bom, os terrenos (aqueles pinhais são uma maravilha!), os mapas e os percursos excelentes. As arenas bem localizadas, principalmente a do último dia. A comida era óptima, e até aquele chazinho, no final de cada etapa, que sabe sempre bem, principalmente quando está frio, pois aquece tanto o físico como a alma e, por vezes, bem precisamos!
Quanto aos poucos aspectos negativos que já foram aqui referidos (instalações sanitárias), sobre as quais ouvi bastantes comentários, penso que não se admitem, numa prova desta categoria.
Também a colocação de placas informativas da distância para o local das partidas, principalmente no 2º dia, teria sido uma boa ideia, atendendo a que o estacionamento se estendia ao longo de alguns quilómetros.
Só há uma reclamação a fazer ao autor do ORIENTOVAR. Na realidade, o POM não é todo ele um “WRE”, ou seja, só um dos dias é que é um “WRE”. Então e aqueles velhinhos/as que andaram ali a correr que nem uns desalmados (ou a arrastarem-se…), não merecem uma referência?! E os outros não têm direito a nada!? Na realidade aparecem lá muitos desses ‘aspirantes’ a atletas nas fotografias, mas quanto ao resto… nada. Desta vez está desculpado. Da próxima, logo se vê!

catarina ruivo disse...

olá!

Que este POM foi fantástico, disso não tenho qualquer duvida! Pelas varias vertentes já aqui ditas vezes sem conta pelo Margarido: as arenas, os mapas, o espirito do staff, a comida, o convivio, o ambiente orientista e muito muito mais...

Enquanto atleta (apesar de suspeita por ser do clube organizador) devo dizer que no global foi tudo 5 estrelas e desde já o meu muito obrigado pelos 4 dias fantásticos!

Gostaria de comentar apenas algumas criticas:
em relação aos WC's, devo confessar que me senti desconfortável ao utiliza-los; no entanto penso que também não faz sentido pagar imenso dinheiro pelas conhecias "toi-toi", representando esse aspecto uma grande fatia da despeza... penso que a alternativa passaria pelo modelo que foi implementado, mas de forma individual, conferindo um pouco de privacidade....
ainda nesta linha, quero so dizer que num evento organizativo desta dimensão, de um desporto onde os atletas se dizem amantes da Floresta, é LAMENTÁVEL a pega ecologica deixada por todos os parcipantes... Não querendo acusar ninguem, eventualmente aqueles que criticaram os WC's foram também aqueles que deixaram lixo abandonado na floresta ou não o reciclaram...

Espero que seja um aspecto a melhorar no Futuro! E que deixem a Floresta tal como a encontraram ;)

Albano disse...

Sem duvida que o Margarido é uma mais valia para a nossa modalidade. As suas opiniões plenas de oportunidade e de isenção dão uma credibilidade de informação que muito me satisfaz. Estou de acordo a 100% em todos os pontos positivos e negativos apresentados relativos ao POM 2010.
O meu bem haja.
Albano João

José disse...

Queria reforçar o reparo da Ana:
O POM não é todo ele um WRE, é-o apenas um dia.
Não gostaria de ver o Orientovar virar elitista.
Afinal, todos os escalões,incluindo os veteranos, fizeram a festa do POM.
Sejamos justos,as elites fazem o papel principal na cena da orientação, mas os restantes escalões não devem ser ignorados.