segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

NUNO LEITE E A NOVA PÁGINA DO ORI-ESTARREJA: "PÁGINAS WEB, BLOGS, YOUTUBE, FACEBOOK, TWITTER... ESTÁ TUDO AÍ PARA SER USADO... E GRATUITAMENTE!"

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O Clube de Orientação de Estarreja acaba de apresentar a remodelada página do clube. Pouco mais de 24 horas após o acontecimento, o Orientovar conversou com Nuno Leite, principal mentor do projecto. Uma conversa que se projecta muito para lá dos singelos domínios da nova página, colocando o dedo na ferida do sector da Comunicação e Imagem da Federação Portuguesa de Orientação e assumindo-se, de pleno direito, como um assunto na ordem do dia.

Na sequência desta “febre” recente que levou “sites” e “blogues” – Orientovar incluído! – a remodelarem-se na forma e no conteúdo, eis que mais um clube decidiu mudar o visual da sua página. Trata-se, nem mais nem menos, do Ori-Estarreja, que nos brinda finalmente com um cartão de visita adequado aos seus pergaminhos.

Possuidor dum historial vasto e riquíssimo, o novel Clube de Orientação de Estarreja tem sabido manter ao longo dos seus quase dezoito anos de vida uma pujança invejável. Aliando uma extraordinária capacidade de mobilização à qualidade técnica dos seus eventos, o Ori-Estarreja foi cimentando o seu prestígio, prova após prova, mas acabou por descurar um aspecto fundamental nos dias que correm: a Comunicação e Imagem. Quando, por deveres do ofício, se era obrigado a visitar a página do Ori-Estarreja, justo é reconhecer que aquele visual “pobre como Job” e a deficiente ou mesmo inexistente actualização de conteúdos provocavam, no mínimo, um enorme constrangimento. Era incompreensível um clube enorme apresentar uma página daquelas!…

Um pouco de história

Surgido em Março de 1992, como Secção do Clube Desportivo de Estarreja, o Ori-Estarreja terá sido dos primeiros clubes a possuir uma página na web. Mas o melhor é ouvirmos, a este propósito, Nuno Leite, o grande dinamizador da nova página do Clube: “Estávamos em 1995/96, penso eu, quando o António Amador lançou o nosso site. Recordo que era um domínio algo complicado e que o António Amador conseguiu sediado no Inegi. Ainda feita no “notepad”, com "html" puro e duro, era um verdadeiro milagre fazermos o que fazíamos com tão parcos recursos.”

Com o evoluir das tecnologias, o “site” foi sofrendo alterações. É ainda Nuno Leite, na primeira pessoa, a explicar como tudo se passou: “Em 2000/2001 meti mãos à obra, aprendi a mexer com vários programas e saiu a primeira versão já com o
www.ori-estarreja.com/.” Mais vistosa e organizada, a página do clube foi sofrendo algumas mudanças ao longo dos anos, a principal das quais foi a introdução do SplitsBrowser em Portugal, em 2003/2004 e que, de acordo com o nosso interlocutor, “existe agora standard no OASIS”. Mais tarde, pela mão de Joaquim Rendeiro, foi criado um sistema que permitia colocar notícias no site de uma forma mais simples. Só que “o problema era sempre o mesmo, não havia quem as escrevesse e as publicasse”, observa Nuno Leite.

Portugal O’Summer, uma experiência de sucesso

É ainda Nuno Leite a assumir as despesas da conversa: “Após a experiência com o site do Portugal O’ Summer 2009, decidimos criar um novo site e mudar de domínio.” E assim nasce o
www.ori-estarreja.pt/, o qual, desde já o convidamos a visitar. Nuno Leite lançou as bases, criou o esqueleto e o grafismo mas o resto é trabalho de equipa: "Bruno Oliveira assume o grafismo dos Nacionais de Orientação em BTT e os diversos conteúdos têm a assinatura de elementos tão diversos como Diogo Miguel, Jorge Fortunato, Rafael Miguel, Bruno Oliveira e António Amador, entre outros." De acordo com Nuno Leite, “isto tornou o processo mais célere, é a velha premissa 'divide and conquer', muito usada na programação."

Com o novo “site” abre-se um manancial de soluções com enorme potencial. Desde logo a possibilidade de os elementos do clube registados poderem inserir notícias com fotos, links, carregar ficheiros e tudo o mais. Entretanto, pode ver-se já a integração do ‘twitter’ do clube, permitindo a inserção de curtas notícias via telemóvel. Nuno Leite lembra que esta funcionalidade do twitter “foi muito explorada no Campeonato do Mundo de Corridas de Aventura.” E acrescenta: “Era fantástico estar a receber no telemóvel tudo o que se passava na prova e inclusivé comentários de diferentes pontos do mundo.” Posto isto, percebem-se claramente os motivos que levaram os responsáveis do clube a investir neste particular aspecto.

Que futuro?

Voltando à página do Ori-Estarreja, “está à vista que pretendemos algo mais dinâmico, mais apelativo e construído por um número mais vasto de atletas do clube. É muito importante para a Orientação que a produção de conteúdos relativos à nossa modalidade cresça e isso só é possível se houver mais pessoas dispostas a fazê-lo. E a fazê-lo!”, afirma Nuno Leite.

Para o principal dinamizador deste projecto, “ainda estão diversos conteúdos por transferir e actualizar no novo site, sobretudo na parte que diz respeito à Formação, onde vamos colocar informação técnica básica relativamente à Orientação, entre muitas outras. Com o tempo irão aparecer, mas era urgente ter a informação das nossas provas de Março no ar”, afirma. E faz questão de salientar que, “em jeito de comemoração dos 18 anos, é mais um salto de maturidade do Clube!”

"Engolir um sapo demasiado grande"

Estabelecendo um paralelismo entre o que se passa com a página do Clube Ori-Estarreja e com a actual página da Federação Portuguesa de Orientação, Nuno Leite faz questão de notar que “esta plataforma existe há muito tempo, inclusivé a página da FPO assenta numa versão antiga, mas parou no tempo. A informação actualizada escasseia, os conteúdos estão confusos, não há uma produção constante de conteúdos”. Mas vai mais longe: “Não há uma versão em inglês e este é um ponto de especial importância. Os conteúdos em inglês constituem uma porta muito importante para quem nos quer visitar mas aquilo que se constata é a total ausência dum calendário de provas facilmente acessível para quem pretende programar uma vinda a Portugal. Este Portugal O’ Meeting que se avizinha deve fazer-nos reflectir sobre a imagem que Portugal tem projectada lá fora, uma imagem muito melhor do que a maioria pode pensar. E a web é, quer queiramos quer não, a janela aberta para nos darmos a conhecer mais facilmente.”

As últimas palavras de Nuno Leite são merecedoras duma profunda reflexão: “Que retorno teve até hoje o O-TV? Estudo sobre o investimento versus retorno, simplesmente não há! Fico indignado quando no Portugal O’ Summer tivemos de pagar 1200 euros por uma peça de 12 minutos. Os clubes são "obrigados" a esse investimento. Se pensarmos que 1200 euros davam para organizarmos vários estágios para os nossos jovens ou pagariam as inscrições do Ori-Estarreja em 3 provas da Taça de Portugal, facilmente concluímos que são os clubes que suportam integralmente as parcas acções de ‘marketing’, quando essa devia ser uma responsabilidade da Federação Portuguesa de Orientação.” Para Nuno Leite, “a política de Comunicação e Imagem da Federação Portuguesa de Orientação tem de mudar rápida e drasticamente! Espero que olhem para o Campeonato do Mundo de Corridas de Aventura como referência, mas temo que para muitos era engolir um sapo demasiado grande! Páginas web, blogs, youtube, facebook, twitter... está tudo aí para ser usado... E gratuitamente!”, conclui.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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7 comentários:

Luís Santos disse...

Pode ser polémica mas é a minha visão do problema.

O Nuno faz um excepcional trabalho ao serviço do Ori-Estarreja tal como outros fazem em prol dos seus clubes porque felizmente na Orientação é fácil "vestir a camisola" dos clubes. Mas vestir a "camisola" da FPO é que é coisa mais rara e poucos o fazem.

À excepção do Paulo Franco, do José Domingos e de mais um ou dois carolas ninguém se preocupa com o trabalho do site FPO e com outras tarefas ligadas à comunicação da FPO.

É fácil criticar, mas o Nuno que se lembre que a FPO... somos todos nós.

Saudações desportivas,
Luís Santos

Nuno Leite disse...

John F. Kennedy escreveu:
"O conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento"

Uma coisa é sentir-se que há vontade de mudar e ter as mãos e pés atados.
Outra é nem isso se notar...

Eu sei muito bem a diferença entre "trabalho visível" e "trabalho não visível".
E sobretudo na FPO é muito importante que exista trabalho não visível tornado visível!

Ao fim de 10 anos a viver o associativimo no Ori-Estarreja já vi muitos entrarem e a sairem e não será por acaso que me mantenho e digo que NÃO é fácil "vestir a camisola" de um clube.

As tuas palavras fazem da minha intervenção um acto "brejeiro" mas nao falo sem conhecimento de causa e nunca desvalorizei o trabalho dos que na FPO estão. Admiro!
Mas isso não me deve impedir de ser crítico quando achar que o devo.

Precisamente por a FPO sermos todos nós como referes devemos todos sentir quando algo não está bem e pelo menos começar a falar nisso.

Chama-se "dever cívico" e a frase que invoco no início penso dizer tudo!

Como sei bem o teu gosto por números ;) deixo um para pensarmos:
Públicamente são pagas para trabalhar a tempo inteiro 3 pessoas na FPO o que representa 528 horas mensais (legais)!
Equivale a uma pessoa trabalhar 22 dias NON STOP!

O meu trabalho voluntário para com a FPO terminou quando após ter perdido várias horas de volta de uma contribuição para o site da FPO ele foi recusado com base em pura CENSURA clubística!! Não posso admitir isto numa Federação!

Abraços,
Nuno

ALIX disse...

Olá,
Finalmente há alguma reacção ao tema que propus para discussão - a mediatização.

Parabéns ao Nuno pela frontalidade como expõe o tema e sobretudo uma forte censura ao Luís que mais uma vez teima em ignorar o problema considerando intocável a actual mediocridade.

A Orientação necessita de ajuda neste capitulo e não é repreendendo quem se atreve a por o dedo na ferida que irá evoluir. Nós na APCA demo-vos o exemplo de como se deve fazer. Como se deve construir um projecto de comunicação eficaz e assertivo e como se devem maximizar os parcos recursos que nos são atribuidos. Copiem-nos SFF e se não souberem como, perguntem, que teremos todo o gosto em partilhar a nossa experiência!!!

Mas não queiram iludir com falsos populismos ( FPO ... somos todos nós) um problema real e que irá seguramente condicionar o sucesso futuro desta modalidade.

Um abraço fraterno,
Alexandre

P.S: Eu pessoalmente deixei de ser FPO o que não significa que não continue a ter a paixão da Orientação.

Luís Santos disse...

Nuno, mea culpa. Tens toda a razão. A crítica tem razão de ser e há muito mais coisas que podem ser feitas no site da FPO. E devia ter começado por te dar os parabéns pelo novo site porque está mesmo muito bom.

No entanto, não deixa de ser preocupação minha que tão pouca gente esteja disposta a trabalhar pela FPO, principalmente nos difíceis tempos que aí vêm devido às incompatibilidades de funções definidas nos novos estatutos.

Quanto ao Alix, tu estás preocupado é com as Corridas de Aventura, não é com a Orientação. Sem desvalorizar as CAs, mas elas são apenas uma das disciplinas da orientação portuguesa e tu estás-te nas tintas para as outras. Aliás, da tua parte até ameaças já o meu clube recebeu para impedir a realização de eventos de orientação pelo que é óbvio que não estás nem nunca estiveste preocupado com o desenvolvimento da Orientação.

Saudações desportivas,
Luís Santos

ALIX disse...

Caro Luís Santos,

São de facto risíveis e ultrajantes as afirmações que produzes e que, com a covardia que sempre te caracterizou, não concretizas porque te pesa a consciência.

Desconhecerás porventura que fui eu quem criou a OriAegist quando presidi à Associação de Estudantes Graduados do Instituto Superior Técnico, berço dos mais activos elementos que hoje a Orientação dispõe e principal impulsionadora de duas das três disciplinas da Orientação - OriBTT e Corridas de Aventura.

Desconheces também que produzi e realizei 69 magazines televisivos para a FPO, onde claro está todas as disciplinas foram e seriam sempre acarinhadas.

Ou seja, infelizmente considerarás que te faço SOMBRA pois dificilmente terás um currículo semelhante, sobretudo no tema da Divulgação e Mediatização da Orientação.

Ora, é exactamente sobre este tema que te escusas a falar e que, sobretudo, insistes em não querer ver os erros cometidos e a infeliz trajectória para a qual também contribuíste e participaste.

Assume as tuas responsabilidades e faz, se fores capaz, uma verdadeira autocrítica pois como já referi à saciedade "a mediatização" é o actual gargalo que condiciona o desenvolvimento da Orientação em Portugal, sobretudo junto dos mais jovens.

Um abraço fraterno,
Alexandre

Luís Santos disse...

Realmente nos últimos 10 anos devo ter tido um papel muito nocivo para a modalidade.

Gostei da "SOMBRA" com letra grande. Seria mesmo uma grande sombra...

Saudações,
Luís

ALIX disse...

Luís,

Nenhum de nós é intocável e seguramente em 10 anos tiveste oportunidade de construir e comprometer o progresso desta modalidade. O que importa é que faças uma reflexão honesta e compreendas onde erraste e que nos próximos 10 anos não cometas os mesmos disparates, sobretudo no tema em apreço - a Comunicação.

Como decerto já tivestes oportunidade de ler no ORI em Revista eu estou de saída e a minha única preocupação é preparar quem fica e contribuir para criar consciência em relação aos temas críticos do nosso desenvolvimento. O resto é Carnaval....

Boa sorte para as tuas novas ambições, que não sendo ainda publicas, transparecem de uma forma clara nas tuas genuínas preocupações federativas.

Um abraço fraterno,
Alexandre

P.S: A CORAGEM é uma qualidade que também se "treina"..... e que te fará muita falta.