quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: HOJE FALO EU!

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1. “As coisas vulgares que há na vida não deixam saudade”. O Banquete – repito, Banquete! – do Norte Alentejano O’ Meeting 2010 ficará como um dos momentos altos do evento. Àquele espaço mágico, àquelas salas apinhadas de gente, ao convívio e à cordialidade entre todos, à satisfação com que se degustaram iguarias mil, à emoção e orgulho estampados no rosto dos anfitriões, juntou-se esse brinco da nossa cultura, esse toque mágico do Fado, numa voz que o soube cantar e encantar. Alexandra Martins foi o final perfeito dum dia mais que perfeito!

2. Todos compreenderão que o particular aspecto da Comunicação e Imagem dum evento, dum Clube ou duma Federação é algo que me diz muito e ao qual não fico nunca indiferente. E neste ponto, a organização do Norte Alentejano O’ Meeting deu uma vez mais um exemplo único de qualidade e capacidade de trabalho. A cobertura mediática, antes, durante e depois do evento esteve muito acima da média. O cuidado em nomear um “public relations”, a capacidade e entusiasmo da Isabel Sá no papel de ‘speaker’, a presença dos embaixadores do evento – Mário Zambujal e Fernanda Ribeiro – nos locais de prova e o trabalho da Diana Magalhães e do Pedro Silva a debitar informação contínua, cuidada e pertinente para o Facebook –
espreitem em
http://www.facebook.com/group.php?gid=304850509255 e saberão do que estou a falar – deram uma imagem notável do evento neste particular aspecto. Uma referência muito especial para o cuidado em convidar um jornalista do suplemento Fugas do jornal Público. Foi meu companheiro e "confidente" nestas lides da Orientação e uma companhia excelente ao longo dos dois dias do evento. Para o Tiago, um grande e forte abraço!

3. Fernando Gorgulho, Francisco Amieiro, Maria Luísa Bello de Morais. Três presenças constantes ao longo do evento, três pessoas que, nesta atitude tão simples, revelaram o enorme amor que devotam ao Crato. Foi tão bonito perceber a sua atenção, o interesse com que acompanharam o desenrolar dos acontecimentos, a forma como interpretaram a importância do que ali estava em causa, a disponibilidade para ajudar e apoiar naquilo que fosse preciso, o saber estar ao lado duma organização, esbatendo diferenças, encurtando distâncias. Que grande exemplo de solidariedade e de cumplicidade!

4. “Esse está aí há mais de quarenta anos. E trabalha bem.” O homem saiu da penumbra e vi o rosto daquela voz. Referia-se ao velho termómetro da Singer, na parede da loja voltada para a rua. Aceitei o convite e entrei. Vincada nas paredes sujas e gastas das ruas que percorrera, a desertificação do nosso interior espalhava-se agora pelo espaço triste e atingia, nas palavras resignadas daquele “resistente”, uma dimensão brutal. Há um par de décadas, por detrás do longo balcão corrido, eram seis pessoas a atender a freguesia e não tinham mãos a medir. Agora… “Quando fechar, fechou. Tenho pena, porque isto foi a minha vida toda. Mas pelo menos é bom saber que os filhos estão bem, não precisam disto para nada.” Neste País, cada vez somos menos pessoas. Neste País, cada vez mais somos mais um número. Apenas e só um número!

5. A Cerimónia de Entrega de Prémios chegara ao fim. Dava o meu trabalho por terminado e tratava apenas de acertar pormenores com a Fernanda Ribeiro quanto à boleia até Pombal. Foi então que o vi aproximar-se timidamente. Olhei para ele e devo ter sorrido. Então, estendeu-me duas peças muito bonitas e, na sua vozita sumida, disse: “Os meus pais pediram-me para lhe dar isto por tudo quanto tem feito pela Orientação.” Fiquei sem palavras. A emoção apoderou-se de mim, selei a minha gratidão com dois beijinhos e vi-o partir a correr, dentro do seu macacão verde-cinza. E ali fiquei, menino também, a olhar para os pequeninos losangos cor-de-laranja a brilhar na minha mão. Só bem mais tarde vim a saber o seu nome. André. André Sérgio. Obrigado!

[foto gentilmente cedida por Luís Sérgio]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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6 comentários:

Ricardo Telmo disse...

Excelente relato..Parabens!
Abraco
RF

fernando disse...

Bom dia

Também tive a sorte de receber uma balizinha do André.
Nessa altura estava a falar com a vencedora do NAOM (Eva Jurenikova)que ficou tão espantada como eu da beleza desse momento.
São estes pequenos gestos que nos levam a continuar a lutar.

Luis disse...

Caro Margarido,
Estou tentado a concordar que deve ter de facto gasto muita tinta. Diria mesmo que continua a gastar, mesmo que agora seja mais tinta virtual.
No entanto uma coisa posso afirmar:
Nem uma gota foi desprediçada! E isto sei-o por deleite proprio.

Um abraço com votos para que continue a investir tinta.

Luís Sérgio

Cláudio Tereso disse...

Acho mal o André a mim não me ter dado nada!
Aliás, antes pelo contrário, quando me abordou foi para me pedir o cromo do bolicao!

Assim não brinco :(

corridas disse...

O exemplo desta "seita" ser uma família é lembrar-me de ver a Maria (mãe) em Portel a ajudar nas partidas com um barrigão enorme e acompanhar também o crescimento desta criançada. E há tantos assim...

tiago pimentel disse...

Caro Joaquim,

Um grande abraço para si também e muito obrigado por todo o apoio e entusiasmo transmitido! Assim que souber a data em que vai ser publicado o texto aviso.

Até breve,
Tiago Pimentel