sábado, 6 de fevereiro de 2010

A MINHA ESCOLA: ESCOLA BÁSICA DOS 2º E 3º CICLOS, D. AFONSO, IV CONDE DE OURÉM

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Depois da Escola Básica Integrada da Apúlia e da Escola Secundária de Pinhal Novo, a rubrica “A Minha Escola” volta-se para o Centro do País, ao encontro do Professor João Vítor Alves. Com ele vamos ficar a conhecer um pouco mais do Grupo-Equipa de Orientação da Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos, D. Afonso, IV Conde de Ourém.

Vale a pena conhecer um bocadinho da história de Ourém. Originariamente conhecida por Abdegas, Ourém passou a ter a designação actual em data incerta. Este topónimo aparece pela primeira vez documentado no séc. XII numa doação aos Templários do Castelo de Ceras e seu termo, em cujos limites existia um local assinalado com o nome “Portum Ourens.” Tomada aos mouros em 1136 por D. Afonso Henriques, Ourém passa a integrar o domínio cristão tendo-lhe sido atribuído em 1180 o primeiro Foral pela rainha D. Teresa; nasce assim um dos primeiros concelhos do País (convencionou-se a data de 20 de Junho como data de atribuição do Foral, data que se celebra localmente com o feriado Municipal). Sucede-lhe o Foral de sentença de D. Manuel em 1515 e o Foral concedido pelo regente D. Pedro, em 1695.

Mas a história do burgo atinge o seu auge com D. Afonso, IV Conde de Ourém, um ilustre do século XV, neto de D. Nuno Álvares Pereira e de D. João I, que instala a Corte em Ourém, deixando importantes marcas da sua vida e obra na zona histórica. O terramoto de 1755 abateu-se fortemente sobre o velho burgo, arrasando-o quase por completo e as Invasões Francesas também não deixaram o concelho ileso. Mas o espírito dedicado e as mãos laboriosas dos oureenses devolveram-lhe um semblante rejuvenescido. Em 1841 a sede de concelho era transferida para o sopé do morro, que em 1991 recebeu o título de cidade juntamente com a antiga Ourém, passando ambas a constituir o «coração do concelho». Também Fátima, em virtude do fenómeno Mariano, seria elevada a cidade em 1997. Hoje Ourém é composto por duas cidades (Ourém e Fátima), três vilas (Caxarias, Freixianda e Vilar dos Prazeres), 18 freguesias e… recomenda-se vivamente!

Uma Escola e um Professor

De D. Afonso, IV Conde de Ourém, recebeu o nome a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos que hoje visitamos. Sob o lema “… por uma escola de valores, educar para a cidadania 2009-2012”, este estabelecimento de ensino constitui, juntamente com outras treze Escolas Básicas e seis Jardins-de-Infância, o Agrupamento de Escolas Conde de Ourém.

Professor Titular no Departamento de Expressões (Educação Física - 2º Ciclo), Coordenador do Desporto Escolar, responsável pelo Grupo-Equipa de Orientação do Desporto Escolar (Escola de Referência Desportiva desta modalidade) e Director de Turma de Ensino Articulado, João Vítor Carvalho Alves é o nosso convidado. Nascido em Tomar, a 24 de Setembro de 1961, iniciou a sua carreira de professor na antiga Escola Preparatória de Ourém - hoje EB 2,3, D. Afonso, IV Conde de Ourém - em Novembro de 1985, ainda sem Licenciatura em Educação Física, a qual concluiu na Escola Superior de Educação de Leiria (ESEL) em 1994.

Leccionou na Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos, D. Afonso, IV Conde de Ourém, de 1985 a 1991/1992. Em 1992/1993 esteve na Escola Secundária de Ourém e em 1993/1994 fez estágio na Escola Guilherme Stephens, na Marinha Grande. De 1990 a 1994 foi trabalhador-estudante, leccionando em Ourém e, em simultâneo, estudando na ESEL. Passou de seguida por Alvaiázere (1994/1995), Pedrógão Grande (1995/1996) e Castanheira de Pêra (1996/1997). Regressou à EB 2,3 D. Afonso em 1997/1998, permanecendo até 2001/2002. Seguidamente, esteve um ano em Caxarias e, mais tarde, foi requisitado, por dois anos, pelo Ministério do Trabalho, para leccionar no PIEF de Tomar Educação Física e Informática. Regressou definitivamente à Escola onde está efectivo desde o ano lectivo de 2005/2006.

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“Este será o Grupo-Equipa de Orientação com uma actividade ininterrupta mais antigo do país”

Orientovar – O Professor João Vítor Alves e a Orientação na Escola Conde de Ourém é um “casamento” que dura há quantos anos?

Professor João Vítor Alves – Tudo começou com o Professor Luís Vicente e com o lançamento dum conjunto de actividades de ar livre. Foi a partir daí que começou a surgir a Orientação. Não posso precisar ao certo mas estaríamos no princípio da década de 90. Mais a sério, estabelecemos o Grupo-Equipa de Orientação no ano lectivo de 1993/1994, numa altura em que estava a terminar a Licenciatura em Educação Física em Leiria. Se não estou em erro, este será o Grupo-Equipa de Orientação com uma actividade ininterrupta mais antigo em todo o país.

Orientovar – Como foram esses primeiros tempos?

Professor João Vítor Alves – Eu já leccionava na Escola Conde d’Ourém desde 1985 e, apesar duma ou outra interrupção pelo meio como professor, nunca deixei de estar ligado à Escola precisamente por via da Orientação. Embora a minha área fosse o Basquetebol, quando surgiram as Actividades de Ar Livre, eu e o Professor Vítor Delgado aderimos ao projecto e passámos a coadjuvar o Professor Luís Vicente. Estávamos juntos em tudo, éramos “os três da vida airada”, como se costuma dizer. Quando o Professor Luís Vicente deixou a Escola e se transferiu para Tomar, fui eu que tomei conta da Orientação.

“São miúdos que, se eu disser “vamos a uma prova” e houver condições para tal, alinham todos”

Orientovar – Que avaliação faz do trajecto do Grupo-Equipa de Orientação?

Professor João Vítor Alves – O ano mais fraco foi em 2004/2005 quando o professor Luís Vicente saiu para Tomar e coincidiu com o segundo ano do meu destacamento no PIEF - Programa Integrado de Educação e Formação. Foi uma colega que pegou no Grupo-Equipa de Orientação, era uma professora que não estava muito ligada à modalidade, tinha conhecimentos muito limitados mas lá se conseguiu manter o grupo e ter alguma participação no quadro competitivo da modalidade. Depois disso voltei a pegar no Grupo-Equipa, não foi tarefa fácil mas consegui reactivá-lo.

Orientovar – Que ponto da situação se pode fazer no momento presente?

Professor João Vítor Alves – Posso-me orgulhar de dizer que o Grupo-Equipa de Orientação está de boa saúde. Convém dizer que a Escola Conde d’Ourém, desde 2007, é uma Escola de Referência Desportiva de Orientação, englobando os Grupos-Equipa da própria Escola e ainda da Escola Secundária de Ourém. Este ano lectivo temos 25 alunos a integrar as actividades regulares de Orientação. O “miolo” da Equipa são miúdos Infantis, nascidos em 1997 e 1998 e este ano tenho mesmo uma menina nascida em 2000. Até aqui nunca uma aluna tão nova tinha integrado o Grupo-Equipa de Orientação da Escola Conde d’Ourém. No que diz respeito às provas, como as carrinhas que temos no Agrupamento são de nove lugares, só posso levar um máximo de 16 alunos. Mas são miúdos que, se eu disser “vamos a uma prova” e houver condições para tal, alinham todos.

“Gostaria de termos um equipamento para envergar nas provas do Desporto Escolar e que nos identificasse”

Orientovar – Como é que fazem para treinar?

Professor João Vítor Alves – Na última reunião do Desporto Escolar do passado ano lectivo, sugeri que, a título excepcional, me cedessem a quarta-feira à tarde. Seriam três horas contínuas nas quais poderíamos desenvolver as actividades de Orientação, tanto ao nível do treino como da competição, duma forma mais efectiva e melhor. Isso acabou por não ser autorizado e, resumindo, tenho uma hora e meia à terça-feira e uma hora e meia à quinta-feira. Felizmente temos mapas bons para treinar sem ter de fazer grandes deslocações e acabamos por jogar com isso. Aliás, em termos de mapas e de material, devemos ser das Escolas mais privilegiadas do País. Temos o mapa da própria Escola, cartografado por mim à escala de 1:1 000, os mapas do Castelo de Ourém (Este e Oeste), com cerca de 6 km2, o mapa do Parque Linear numa zona muito bonita e, num pequeno aparte, excelente para desenvolver uma actividade de Orientação de Precisão, temos estacas e balizas, temos 37 bússolas, somos uns felizardos... E depois aproveitamos toda uma série de provas que se desenrolam aqui à volta para dar aos miúdos a possibilidade de treinarem e competirem noutros mapas e noutros terrenos.

Orientovar – Isso é o que têm. E o que é que não têm?

Professores João Vítor Alves – Uma coisa que eu gostaria de ter, mas que penso será muito difícil, era um espaço de tempo que pudesse conciliar os horários dos alunos da Escola Conde d’Ourém e da Escola Secundária, poder juntá-los e trabalharmos em grupo. Felizmente a maior parte dos alunos da Escola Secundária de Ourém foram alunos da Escola Conde d’Ourém, já têm uma noção de como as coisas se processam e lá se vão desenrascando. E também gostaria de termos um equipamento para envergar nas provas do Desporto Escolar e que nos identificasse.

Uma grande mágoa

Orientovar – Como é que funciona a articulação entre o Desporto Escolar e o Desporto Federado?

Professores João Vítor Alves – Dos nossos 25 miúdos, apenas três se encontram federados e todos no Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. Uma coisa que eu já pensei, que gostaria imenso mas que nunca revelei publicamente, prende-se com o facto de poder vir a federar uma boa parte dos restantes também no Grupo Desportivo dos Quatro Caminhos. Tenho aqui miúdos com 11 ou 12 anos e que revelam muito potencial. Se o Clube assegurasse a formação deles eu daria os meus conhecimentos, naturalmente, e daria também as carrinhas da Escola para os transportar.

Orientovar – Mas não fazia mais sentido lançar a proposta ao CLAC Entroncamento, por exemplo, até por uma questão de proximidade geográfica?

Professor João Vítor Alves – O CLAC já presta apoio à Escola Secundária do Entroncamento e a capacidade logística para nos dar também apoio acaba por ser muitolimitada . Em 2000 a escola criou o CACO - Clube Académico IV Conde de Ourém, o qual possuía a modalidade de Orientação e permitia, assim, dar continuidade ao trabalho desenvolvido no Desporto Escolar. Foi um clube com quem articulámos na perfeição entre 2002 e 2005 e com bons resultados. A verdade é que a Secção de Orientação acabou por ser extinta, segundo o órgão de gestão da altura “por não haver dinheiro para andarmos a passear a família…”. Essa é a minha grande mágoa. Gosto muito do meu trabalho, gosto sobretudo da Orientação e esta situação magoou-me imenso. Hoje o clube ainda existe, apenas com o Tiro com Arco, vá-se lá saber porquê. Aliás, não quero saber nem tão pouco me interessa.

“Estas pequeninas coisas também puxam pela auto-estima dos alunos”

Orientovar – A Escola de Referência Desportiva tem um blogue muito bem concebido, actualizadíssimo e percebe-se que todo esse trabalho se deve essencialmente a ti. Porquê o blogue e qual a sua utilidade?

Professor João Vítor Alves – Utilizamos o blogue como mais uma ferramenta para comunicar. Ainda na última deslocação para uma prova, confirmei uma vez mais que as horas de partida atribuídas a cada um, eles sabiam-nas. Eu sei que eles visitam o blogue com muita frequência, incentivo-os a deixarem um comentário, uma opinião, mas também sei que não estão muito à vontade com a Internet e o ‘feed-back’ que me dão é, sobretudo, de uma forma oral. Para além do blogue, tenho também um ‘placard’ na Escola onde afixo notícias e informações várias e faço-as também chegar à Comunicação Social Local que vai dando eco daquilo que vamos fazendo. Tenho orgulho em dizer que este clube foi galardoado, em 2003, com o prémio "Jovens no Desporto - Um Pódio para todos" atribuído pelo IDP, que a Escola, na Gala do Desporto Escolar de 2001, foi galardoada com o “Prémio Escola” da Direcção Regional de Educação de Lisboa, que o Grupo-Equipa recebeu uma Menção Honrosa da Câmara Municipal de Ourém nas Festas da Cidade de 2008 pelo “esforço, empenho e dedicação demonstrada na modalidade” e que, dos vários lugares de destaque conseguidos pelos nossos alunos, alcançámos o 3º lugar colectivo de Juvenis Masculinos no Campeonato Nacional realizado em Évora, de 22 a 25 de Maio de 2008. Não é por pura vaidade, mas gosto de mostrar o trabalho que desenvolvemos, os resultados desse trabalho e sei que estas pequeninas coisas também puxam pela auto-estima dos alunos.

Orientovar – Até quando vai continuar ligado à Orientação?

Professor João Vítor Alves – Faltam 15 anos para me reformar e enquanto tiver saúde e for continuando aqui na Escola quero manter-me ligado à Orientação. Quando começar a ver que se está a aproximar a hora de me afastar, irei procurar encontrar alguém a quem passar o testemunho. Ao longo destes anos, tenho conseguido levar muitos miúdos a praticar Orientação e também alguns colegas meus. É isso que pretendo continuar a fazer.






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Não deixe de visitar o excelente blogue da Escola em http://condeourem-orientacao.blogspot.com/. Ainda um desafio a todos os alunos de todas as Escolas: Não deixem de comentar aqui o artigo, neste vosso Orientovar. A vossa Escola pode ser a próxima!

Artigos relacionados:
ESCOLA BÁSICA INTEGRADA DA APÚLIA
ESCOLA SECUNDÁRIA DE PINHAL NOVO

[fotos gentilmente cedidas pelo Professor João Vítor Alves]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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1 comentário:

Adriana disse...

Muito mais que um desporto, a orientação permite-nos contactar com a natureza e abstrair de tudo o que há lá fora...
Professor João Vítor, admiro a sua dedicação e espero que este desporto perdure em Ourém por longos anos.

Boa entrevista :)