domingo, 7 de fevereiro de 2010

MADEIRA: ORIENTAÇÃO COM MUITO CHÁ

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Regressado da Madeira, onde participou no Madeira Orienteering Festival e no V Troféu de Orientação CMO Funchal, Manuel Dias brinda-nos hoje com mais um excelente relato dessa jornada dupla. Relaxe, saboreie e deixe-se sonhar… porque hoje é domingo!


6 dias, 6 provas, 5 mapas. Distância a partir de Lisboa: € 53,00. Ou, se preferirem, 80 minutos de avião. É o MOF, Madeira Orienteering Festival, associado a uma prova regional dupla. Depois da edição do ano passado, abrilhantada pela presença de Thierry Gueorgiou, este 3º MOF contou apenas com 106 participantes. E, se pensarmos que a quase totalidade dos OPT e H17 e 20 só fez o sprint urbano, ficamos reduzidos a cerca de 80 “efectivos”. É um escândalo. O MOF merece mais, muito mais. Porque proporciona uma semana de férias económicas na “Pérola do Atlântico”, para quem for sensível a esse argumento e porque, na realidade, oferece um apreciável lote de desafios em termos de Orientação.

Deixem-me começar pela carteira. Quando a EasyJet iniciou os voos para o Funchal, a TAP teve de responder com preços competitivos. Hoje não é difícil, com antecedência, comprar, numa das duas operadoras, um bilhete de ida e volta por menos de € 100,00. Eu paguei € 53,00. Dormi a € 11,00 por dia na Pousada da Juventude, que fica no centro da cidade numa antiga casa senhorial, com a vantagem de albergar, numa dependência, a sede do Clube de Montanha, que organiza o MOF. Para alimentação há, a cerca de 500 metros, um Centro Comercial com uma variadíssima oferta de comida a peso onde é possível fazer uma refeição normal por € 5,00. As inscrições para o MOF custaram € 5,00; as duas provas do fim-de-semana, outros € 8,00; o transporte em autocarro para as provas, € 20,00. Façam as contas e vejam quanto custa uma semana na Madeira.

É claro que, para quem viajar sem tantas restrições, o Funchal oferece uma enorme variedade de hotéis e restaurantes para todas as bolsas. Eu recomendaria um bife no Golden Gate e um misto de peixe no Barqueiro. Ou, fora do Funchal, uma espetada no Central do Caniço e um rosbife na Eira do Cerrado, sobranceiro ao Curral das Freiras.

Para deslocações dentro da ilha, há carreiras de autocarros para vários destinos, mas o MOF conta, entre os seus patrocinadores, com uma empresa de aluguer de automóveis. A preços francamente interessantes.

Vamos aos mapas

A 1ª etapa, dia 26 ao princípio da tarde, com sol, foi no Caniçal, um terreno de duna rija, absolutamente careca em mais de 90% do mapa, com um relevo caprichoso em resultado sobretudo da erosão eólica: muitas ravinas e fossos, muitas depressões e pequenas colinas, muitas falésias. Falem com o Rui Antunes, que foi o autor do mapa.

A 2ª etapa, dia 27 de manhã, com nevoeiro cerrado e um frio de rachar, foi no Chão da Lagoa. Um mapa completamente diferente do anterior. Relevo mais regular, com o essencial da prova a disputar-se numa zona de planalto aberto mas com boas manchas de floresta. O principal desafio foram os verdes. O cartógrafo, António Olival, vai estar no POM. Aproveitem para se informar sobre a zona.
A 3ª etapa, dia 27 à noite, foi um sprint no Machico. Ruas, pontes, escadas, jardins, zonas cobertas e, até, praia. Os desafios do costume num Sprint Urbano. A cartografia é de Sidónio Freitas. Metralhem-no com perguntas sobre o MOF em geral. Ele é o Director da Prova, o chefe da equipa que monta este Festival.

A 4ª etapa, dia 28 de manhã, novamente com frio e nevoeiro, foi num dos mapas mais antigos da ilha, o Santo da Serra, desenhado em 2002 pelo russo Viktor Dobretsov. É outro planalto, com relevo interessante, algumas zonas pedregosas, vegetação rasteira, mata limpa, em suma, uma boa mistura.

O dia 29 foi de descanso e o S. Pedro brindou o Funchal com um magnífico dia de sol, que já parecia o fim da Primavera.

Novos dias, novas provas

O V Troféu de Orientação CMO Funchal, prova regional para a Taça FPO Madeira, decorreu, sábado e domingo, no Poiso II, um mapa elaborado há seis anos por três suecos e revisto no mês passado por Rui Antunes. Para mim, que gosto de terrenos fisicamente difíceis, este foi o mapa mais desafiante. Relevo bastante acentuado, muita pedra, muito tronco, muito verde. Reentrâncias bem definidas a contrastarem com apontamentos de pormenor que requeriam atenção na zona dos pontos. Terreno perigoso, propenso a entorses, a exigir força e agilidade. Pena que, no último dia, o vento e a chuva tenham sido quase tempestuosos. Mas, enfim, foi menos mau do que no ano passado, quando a neve obrigou a cancelar a última etapa do MOF.

Já deu para perceber que o final de Janeiro nas serras madeirenses é um totoloto no que respeita ao clima. Mas posso garantir-vos que, no final de todas as etapas, há muito chá quentinho, bolachas e fruta à discrição. E, já agora, o chá do MOF não é só desse que se bebe, é também do outro, que se traduz no trato afável, na simpatia, na vontade de agradar. Pessoalmente, gostei dos mapas e dos percursos, com o senão de serem no geral demasiado curtos. Competidores mais exigentes teriam talvez alguns reparos a fazer, mas uma das imagens que associo ao MOF é um certo ambiente de família e camaradagem, em tudo oposto à quezília e à crítica fácil. Aquilo não é só competição, são férias também.

Resumindo, deixo já aqui a minha pré-inscrição para o MOF 2010. E espero que a brigada do Continente seja nessa altura muito mais nutrida. Se ainda não estão convencidos, falem com o Dionísio, José Pires, Visetti, Vincenzo, Roy e Cathy. Ou com o Norman, Coelho, Armando, Guida, Catarina e Carlos, que estiveram lá no ano passado.


Manuel Dias

[Foto do finlandês Juha Suntila, vencedor do MOF em H21, gentilmente cedida por Duarte Sá]

Saiba mais sobre os eventos em
MADEIRA ORIENTEERING FESTIVAL

V TROFÉU DE ORIENTAÇÃO CMO FUNCHAL

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

Vitor disse...

Qual crise qual carapuça...esses preços vem confirmar a velha máxima de que "viver não custa o que custa é saber viver",e o Manel sabe.