segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

NAOM CRATO 2010: AS REACÇÕES DE ALGUNS ATLETAS

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De regresso ao Norte Alentejano O’ Meeting e à grande prova que reuniu no Crato perto de 1200 participantes, passamos agora em revista alguns dos intervenientes no evento.

Ao longo dos dois dias de prova, o Orientovar teve a oportunidade de auscultar uma série de impressões. Da prova-rainha de sábado e da opinião dos grandes vencedores – Olav Lundanes e Helena Jansson -, aqui demos conta na devida altura.
Ouçamos mais um punhado de atletas.
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Começando pela sueca Liis Johanson (Naz MS Parma), a 6ª classificada deste NAOM Crato 2010 adiantou: “Foi uma excelente competição. Penso que os terrenos são excelentes e as corridas foram muito boas. Embora não tivesse criado grandes expectativas em relação às minhas provas, fico com a sensação que podia ter feito melhor. Cometi alguns erros muito grandes e assim não foi possível um resultado melhor. Mas estou muito contente pelo facto de ter estado aqui.”

“São tão bonitos estes terrenos com este sol”

O suíço Sebastian Hägler (Sun-O / A-Team) mostrava-se igualmente satisfeito com a sua prestação. “Alguns pequenos erros, mas duas boas provas. Estive no Portugal O’ Meeting há uns dias atrás e fiquei surpreendido com estes terrenos tão diferentes. Penso que aqui são mais rápidos embora não tão técnicos, apesar de algumas zonas verdes exigirem uma orientação muito atenta. É um terreno muito agradável. Apenas as minhas pernas… sinto-me um pouco cansado. Tentei dar o meu melhor. Estou contente.”

Também Wojciech Kowalski, o atleta que representa o Grupo Desportivo dos 4 Caminhos e que terminou no 6º lugar da Geral, falou para o Orientovar: “A primeira boa impressão tem a ver com o sol do primeiro dia. São tão bonitos estes terrenos com este sol, tão diferentes daquilo que temos na Polónia nesta altura do ano.” Recordámos-lhe a sua vitória no XI MOC de Pataias, a prova WRE imediatamente a seguir ao POM 2009, e o atleta polaco respondeu desta forma: “Infelizmente não consegui vencer desta vez, mas gostava de ter podido dedicar um resultado melhor ao GD4C. É um clube admirável, é uma autêntica família. Apesar de ser de fora, sou sempre tão bem recebido e fico muito feliz por poder representar este clube.”

“Da forma como está é que não pode ser”

A ausência no Sprint Nocturno, explica o 94º lugar na Geral de Tiago Aires (GafanhOri). No final da prova WRE falámos com ele de forma circunstanciada e recolhemos um punhado de impressões bem interessantes: “A prova correu bem. Cometi logo um grande erro para o primeiro ponto, o que não é normal, mas são coisas que não se podem levar muito a sério e têm de ser encaradas a pensar no futuro. Nestas situações custa um bocado aguentar uma prova de 15 km mas ainda me senti forte nos dez pontos seguintes e depois foi razoável até ao fim, apenas com uma má opção.” O I Meeting Internacional de Arraiolos iniciou um ciclo que prosseguiu com o Portugal O’ Meeting e termina neste Norte Alentejano O’ Meeting. Em jeito de balanço, Tiago Aires é peremptório: “Isto é muito importante para a Orientação portuguesa. Eventos como o Portugal O’Meeting, com mais de 1200 atletas estrangeiros, é algo que está farto de ser falado por nós. Tem de ser falado é lá fora, tem de passar para a Comunicação Social, para os Governantes, para as Empresas de Turismo, para tudo. Nós organizadores e nós atletas temos de aproveitar a vinda dos melhores do Mundo a Portugal para todos evoluirmos, para a Orientação portuguesa, no fundo, evoluir.”

No próximo ano, cabe ao Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos organizar um evento WRE imediatamente após o Portugal O’ Meeting. E o trabalho já começou: “Estamos a trabalhar em coisas simples, os primeiros mapas, as escolhas exactas, esse tipo de coisas. Vamos ter de dar uma pausa de três meses antes de pôr o resto do pessoal a trabalhar porque, se queremos ter o mesmo envolvimento por parte das pessoas, o importante agora é que descansem. Foi muito duro, houve muitas famílias envolvidas, muita gente a ficar doente na semana seguinte e as pessoas precisam agora de pensar é noutras coisas. Daí esta pausa ser propositada.” Quanto à fórmula destes ciclos de provas e à necessidade de serem repensados nalguns aspectos, Tiago Aires não tem dúvidas: “No que toca à quantidade, quantos mais melhor. Só há uma coisa que tem de ser repensada e que é o escalão de Elite. É impensável e incomportável termos quase trezentos atletas no POM e duzentos atletas aqui, a competirem no mesmo escalão. Na realidade há soluções para isso, como se faz noutros países. Dou como exemplo a Spring Cup na qual, tendo por base o ‘ranking’ internacional, se dividem os atletas em Super-Elite, Elite A, Elite B, Elite C... o que for preciso. Penso que nas grandes provas do próximo ano certamente terá de ser decidido algo do género. Da forma como está é que não pode ser. Isto pode, ao contrário do que seria suposto, afastar os melhores atletas que não estão para se expor dessa forma. Resta às entidades competentes analisar a situação e encontrar a melhor solução.”

“Há sempre um mas…”

Partiu para a etapa decisiva na primeira posição, fez uma prova de Distância Média abaixo das expectativas e acabou por cair para o 4º lugar. Falo de Ionut Zinca (GD4C), que nos deixou também as suas impressões, a última das quais bem curiosa, por sinal: “É natural que estivesse à espera de ganhar o NAOM. O que acontece é que, após duas semanas de treino intenso, sem dar tréguas, a prova de Distância Longa de ontem foi muito dura e fiquei muito castigado. Mas não foi a questão física, apenas. Fiz um erro muito grande no ponto 15, perdi cerca de 40 segundos, desconcentrei-me e foi tudo por água abaixo. Depois fui o primeiro a partir, não sei se teria sido melhor partir mais tarde, mas não vale a pena encontrar agora desculpas, o único responsável sou eu.”

Presença assíduo nas principais provas portuguesas – e um pouco por todo o Mundo – Ionut Zinca é um espectador atento e interessado daquilo que por cá vai ocorrendo e adianta o seguinte: “A Orientação em Portugal está a evoluir muitíssimo. Gosto muito de Portugal, das organizações, sempre mapas muito bons, corridas muito boas. Se olharmos para o Portugal O’ Meeting, percebemos que vai na direcção certa e que os clubes portugueses têm feito um excelente trabalho ao longo dos anos. Se compararmos com aquilo que acontece em Espanha, podemos encontrar lá algumas corridas boas mas em Portugal as corridas em que tenho participado são sempre muito boas. O nível é muito bom e por isso volto sempre que me é possível.” Mas, há sempre um mas…: “É uma pena esta alteração das regras impostas pela Federação Portuguesa de Orientação no que diz respeito aos Campeonatos Nacionais de Estafetas. Sempre pode correr um estrangeiro por equipa e, este ano, isso não vai poder acontecer. Se outros países dão passos em frente, neste particular aspecto Portugal dá um passo atrás. Restringir a entrada de bons atletas doutros países, atletas que podem trazer um valor acrescentado a uma prova com estas características, é algo que não passa pela cabeça de ninguém. Basta atentarmos naquilo que acontece com o Futebol. Creio que o Futebol Clube do Porto só tem 4 jogadores portugueses. Não compreendo.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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2 comentários:

Ricardo Telmo disse...

Concordo completamente com o Zinca, afastar assim atletas de grande valia que correm por clubes portugueses, tanto esforco fazemos para traze-los ca em grande competicoes, e depois criamos estas regras.
Abraco
RF

José disse...

Os nossos atletas precisam de contacto internacional para poderem evoluir.
Todas as regras criadas que não facilitem
esse contacto de que tanto necessitamos devem ser banidas.
Na minha opinião, atletas de alto nível como o Zinca devem ser bem aceites e acarinhados. A nossa orientação só tem a ganhar com isso.
Vamos lá criar regras federativas apelativas para que os bons atletas estrangeiros possam integrar os nossos clubes e possam participar nas provas nacionais, sem aquelas restrições esquisitas.