domingo, 31 de janeiro de 2010

LUÍS PEREIRA, O "BERDADEIRO" ORIENTISTA

.

Chegou de mansinho à Orientação e foi registando, num estilo muito próprio, as aventuras e desventuras dum peculiar percurso. Hoje, passados quase três anos, os seus artigos são, cada vez mais, uma autêntica lufada de ar fresco neste pequeno mundo da nossa escrita. De “espécie” a “berdadeiro”, é com enorme prazer que revisitamos hoje uma pessoa por quem nutro especial admiração e carinho, um digno senhor que dá pelo nome de Luís Pereira.

Fez-se anunciar às 5 para as 9 da manhã duma quinta-feira, 5 de Abril de 2007. Foi no fórum “O Mundo da Corrida” e rezava assim: “Bom dia a todos. Depois de um período como observador do fórum, decidi finalmente registar-me. Quero enviar um abraço a toda a malta da orientação e dizer: ‘Fernando Costa, chegou mais um’.” E veio para ficar, diria eu! Hoje, com 120 crónicas publicadas nos portais O Mundo da Corrida e Atletismo Magazine Modalidades Amadoras, Luís Pereira tem sabido construir um repositório de situações e soluções dignas de registo, ao encontro dos seus êxitos e fracassos, num percurso feito de histórias que se confunde com a própria história recente da nossa Orientação.

Mas quem é Luís Pereira, perguntam vocês? Pois bem, melhor do que ninguém é ele próprio quem o poderá dizer. Basta para tanto debruçarmo-nos sobre um pouco da sua prosa, na certeza duma agradável leitura, feita de momentos hilariantes, situações constrangedoras, ocasiões eufóricas, estados de alma a roçar a depressão, circunstâncias comoventes e sempre, sempre emoções ao rubro. Aliando uma enorme maturidade a um extraordinário sentido de auto-crítica, Luís Pereira é dotado dessa qualidade única que lhe permite dizer coisas muito sérias enquanto vai brincando com a sua própria pessoa. Ao lê-lo, descobriremos certamente um homem puro e sensível, particularmente sensato e incapaz de ofender quem quer que seja.

Como tudo começou?

“Numa manhã de domingo outonal, por sinal bastante solarenga, estava com a minha mulher a desfrutar duma esplanada, viradinha ao mar, com o ritual de “cimbalino” já concluído, a fazer a leitura obrigatória do “nosso” JN, quando ela me chama a atenção para um artigo da revista. Pois é, adivinharam. A prosa era nem mais nem menos, que a apologia à modalidade, que se propõe colocar a malta dos sete aos setenta e sete (até me fez lembrar o Tintin) a competir em pé de igualdade. O verdadeiro desporto de famílias. O único que consegue congregar avós, filhos e netos, todos na mesma competição. E ainda com a mais valia de se desenvolver ao ar livre, com todos os benefícios que daí podem advir. Uma modalidade que se pode praticar em grupo, com diferentes graus de dificuldade, se quer fazer competição séria pode fazer, se prefere dar uma bela duma caminhada, tem também essa possibilidade. Uau!!! Era mesmo duma coisa destas que estávamos à procura.”

E foi assim que, segundo Luís Pereira, tudo começou. Faltará apenas ressalvar duas pequenas particularidadezinhas. A primeira tem a ver com o título do artigo – “Coincidências” – e remete para a vivência de muitos de nós nesses momentos marcantes do primeiro contacto com a modalidade; a segunda é de índole mais pessoal e vai ao encontro duma frase que está sempre presente na minha mente e constitui um verdadeiro estado de espírito: A vida é feita de pequenos nadas, só temos que os saber aproveitar.

Mil histórias para contar

Mergulhando a fundo na Orientação, Luís Pereira e a esposa, Cláudia Figueiredo, passaram a ser figuras notadas em tudo quanto era prova de Orientação: Local, Regional, Nacional e mesmo Internacional. Assumindo-se como “uma espécie de orientista”, Luís Pereira foi-nos brindando com os relatos vividos e sentidos de cada uma das provas e partilhando connosco momentos verdadeiramente antológicos: Pego (“foi um slalom que apelidei de lamaboard”), Viana do Castelo (“dão-se alvíssaras a quem encontrar a minha mulher), Pavia (“a culpa foi da bússola, que me foi emprestada pelo José Moutinho, devia estar sabotada”), Canha (“então não querem lá ver que eu tinha 23 pontos para controlar e esbarrei com mais de 50? A desilusão foi de tal ordem, que pensei meter baixa ao fim do primeiro dia ”) ou Praia das Paredes (“Pum!!! Ai Jesus credo, que foi isto? Estamos em guerra?”).

Mas também o Campo de Tiro de Alcochete (“o raio dos azimutes nos pontos 3 e 6 estavam fora de prazo”), Foz do Arelho (“em desespero de causa, ainda pensei contactar a bruxa do Monte Lírio”), Montemor-O-Velho (“na descida vertiginosa para o ponto 11, talvez por excesso de velocidade, só parei no ponto 12”), Pataias (“a pernada seguinte levou-me a revisitar a célebre e imponente duna “lunar” do WMOC, a tal que se sobe de joelhos”) e o mais recente Meeting de Arraiolos (“fui um dos infelizes contemplados com os choques terapêuticos da cerca eléctrica e fiquei com tal carga radioactiva que o meu chip passou a dar dois bips”), para além de tantos, tantos outros episódios.

De “espécie” a “berdadeiro”

No início desta temporada, Luís Pereira filiou-se no Grupo Desportivo 4 Caminhos. Este novo estatuto levou-o a abandonar o “espécie” e a assumir-se como um “berdadeiro” orientista. Apesar da mudança, os textos lá continuam “pelo prazer de escrever”, como ele próprio confessa. Todavia, nunca deixou de perceber porque é que Deus Nosso Senhor pôs “pedrolas” neste mundo, agora mais do que nunca tem no cronómetro o seu grande inimigo e, de forma subreptícia, vai-se instalando no seu mais íntimo um conflito de amor-ódio pelo Albano João.

Esta crónica não ficaria completa sem deixar aqui o convite a que saboreiem pelo menos um dos seus textos. Assim, atrever-me-ía a propor “Saudade” [pode lê-lo AQUI
], aquele que faz a ponte entre o “espécie” e o “berdadeiro”, um texto difícil de adjectivar pela emoção que dele imana mas que é, no mínimo, simplesmente fabuloso. E o tanto que mais havia por dizer…

Termino reafirmando a minha admiração pelo Luís Pereira, pelo seu altruísmo e pelo verdadeiro amor que nutre pela Orientação. Bem hajas, Luís, e muito obrigado por seres meu amigo.

Leia todas as Crónicas de Luís Pereira em
http://www.ammamagazine.com/Reportagens/Orientacao/Luis_Pereira_intro.htm.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

.

1 comentário:

ILCO disse...

Para quando o livro?