domingo, 10 de janeiro de 2010

I MEETING INTERNACIONAL DE ARRAIOLOS: VITÓRIAS DE TERO FÖHR E MARIA SÁ

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Abrindo da melhor forma o ano de 2010, Tero Fohr e Maria Sá venceram com brilhantismo o I Meeting Internacional de Arraiolos, prova de Orientação Pedestre que decorreu ao longo do fim-de-semana na vila branca de tapetes colorida.

Entrados num novo ano e quase sem darmos por isso, eis que de novo o pelotão da Orientação se faz à floresta, ao encontro daquilo que ela tem de melhor: Ambiente, paisagem, emoção, competição e salutar convívio. Da pequenina aldeia de S. Pedro da Gafanhoeira, no concelho de Arraiolos, veio o convite: Dois dias, três provas e um mão cheia de propostas irrecusáveis, a mobilizar a atenção de todos. Aí está o I Meeting Internacional de Arraiolos, ponto culminante duma meteórica ascensão que faz do Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos um caso ímpar na história da modalidade em Portugal e um exemplo a seguir.

Com duas etapas pontuáveis para a Taça de Portugal 2009/2010, uma das quais também designada World Ranking Event (pontuável para o ‘ranking’ mundial da modalidade), a prova chamou a Arraiolos um número superior a 800 atletas, 640 dos quais distribuídos pelos escalões de competição e os restantes participando nos escalões abertos. Um número que terá defraudado em certa medida as expectativas dos organizadores - Clube de Orientação da Gafanhoeira – Arraiolos e Câmara Municipal de Arraiolos – sobretudo no que ao número de atletas estrangeiros diz respeito e que se quedaram pelas quatro dezenas, entre espanhóis, finlandeses, italianos, noruegueses e russos.

Tero Föhr confirma favoritismo

A etapa de Distância Longa teve lugar no sábado e estendeu-se pela tarde fora. O sol fez questão de marcar presença ao longo da jornada, colocando mais força no mar de verde que cobre os campos do Alentejo nesta altura do ano e ajudando a disfarçar as baixas temperaturas que se fizeram sentir. O mapa de Santana do Campo constituiu um intenso desafio aos participantes, colocando à prova as qualidades físicas de cada um face à distância dos traçados e à relativa dureza dos percursos. As capacidades técnicas e de interpretação do mapa foram igualmente testadas por essa novidade chamada 'cartografia nórdica' e, tudo somado, permitiu perceber quem tinha “melhores unhas para aquela guitarra.”

Confirmando o favoritismo que lhes era atribuído, o finlandês Tero Föhr (Vehkalahden Veikot) e Patrícia Casalinho (COC) venceram nos escalões de Elite respectivos, batendo inapelavelmente a forte concorrência. No sector masculino, Föhr garantiu a vitória já na parte final da prova, terminando os 14,4 km (30 pontos, 570 m de desnível) em 1.28.25, um tempo muito aquém do estimado pela organização (1.17 a 1.22) e que permite adivinhar algumas dificuldades ao longo do percurso. Na segunda posição, com mais 1.11, classificou-se o também finlandês Aapo Summanen (Vaajakosken Terá) enquanto Miguel Silva (CPOC) foi o melhor português, alcançando um excelente terceiro lugar com o tempo de 1.30.22. Quanto às damas elite, Patrícia Casalinho foi a mais rápida, perfazendo um tempo de 1.31.39 para 10,2 km de prova (25 pontos de controlo, 405 m de desnível). Atrás de si, com mais 2.31, Maria Sá (GD4C) acabou por marcar de forma muito positiva a sua estreia em provas da Taça de Portugal na presente temporada. Na terceira posição, com mais 8.39, classificou-se Catarina Ruivo (COC). Também aqui os tempos ficaram muito longe do previsto e que estava estimado em 1.07 a 1.12.



Maria Sá recupera e vence

Desengane-se o “general Inverno” se julga ter sido ele o grande protagonista da jornada derradeira deste I Meeting de Orientação de Arraiolos. Fez-se anunciar aos primeiros alvores da manhã, encheu-se de brios e deixou nos campos pequenos farrapos de neve. Depois trouxe uma gélida chuva e, como se não bastasse, açoitou a planície com um vento de cortar à faca. A verdade, porém, é que tal não foi suficiente para quebrar o ânimo dos participantes que tinham à sua espera uma prova de Distância Média WRE num terreno de altíssima qualidade e num mapa superiormente desenhado por Tiago Aires e Raquel Costa. A cereja no topo dum bolo que, seguramente, irá permanecer durante muito tempo nos cinco sentidos de todos quantos tiveram a oportunidade de o saborear.

Vincando a sua superioridade e fazendo jus ao facto de ser o número 11 do ‘ranking’ mundial, Tero Föhr voltou a impor-se à concorrência. O finlandês terminou com o tempo de 37.19 (7,6 km, 28 pontos de controlo, 195 m de desnível), batendo o seu compatriota e colega de equipa Jonne Lehto e Miguel Silva, segundo e terceiro classificados, por diferenças de 0.35 e 2.34, respectivamente. Miguel Silva acabou por ascender ao segundo lugar final enquanto o norueguês Per Harald Johansen (Lillomarka OL) ocupou o lugar mais baixo do pódio no Meeting, depois de ter sido quarto classificado em ambas as etapas. Nas senhoras, Maria Sá virou a seu favor o resultado da véspera, terminando na primeira posição com o tempo de 44.04 (5,6 km, 22 pontos de controlo, 140 m de desnível) e garantindo a margem necessária para levar de vencido o seu escalão. Com mais 11.01 que a vencedora, Patrícia Casalinho não foi além do quinto lugar na etapa, caindo para a segunda posição final no Meeting. Andreia Silva (COC), sexta classificada na véspera, alcançou a segunda posição apenas a nove segundos da vencedora e ascendeu ao terceiro lugar final.

Vitória colectiva do GD4C

Colectivamente, o Grupo Desportivo 4 Caminhos foi o grande vencedor com um total acumulado de 3530.4 pontos. COC, ADFA e CPOC ocuparam por esta ordem os lugares imediatos com 3375.0, 3355.8e 3302.4 pontos, respectivamente. A quinta posição coube ao Ori-Estarreja com 2721.0 pontos.

Mobilizando por inteiro a aldeia de S. Pedro da Gafanhoeira, o I Meeting Internacional de Arraiolos colocou novos e menos novos unidos e solidários em torno dum ideal: Fazer desta uma prova memorável. E memorável será mesmo o mínimo que se poderá dizer dum evento que teve de tudo para agradar a todos, tanto na vertente meramente competitiva como nas componentes cultural e social. Prometemos voltar a este tema ao longo da semana, abordando a qualidade e capacidade organizativa demonstrada pelo Clube GafanhOri e ainda os defeitos e virtudes da cartografia nórdica aplicada aos mapas dos dois dias. Quanto a si, não deixe de colaborar com os seus comentários, ajudando a enriquecer ainda mais o evento.

Saiba tudo sobre a prova em
http://www.gafanhori.pt/meeting10/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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4 comentários:

Luisa disse...

Mais um belo relato do nosso (já nos habituámos) "jornalista da orientação". O meu/nosso obrigado pela sua disponibilidade!!
É sempre com muita curiosidade que acedo ao "jornal da orientação" para espreitar o relato e as opiniões dos orientistas.
Tenho acompanhado as organizações do Gafanhori neste dito "jornal" e, sendo a primeira vez que participei, queria aqui deixar o meu agradecimento, pois foi uma prova excelente a todos os níveis.
Parabéns a toda a equipa do Gafanhori e ao Margarido.
Luisa Mateus

fernando disse...

Bom dia

Assim dá gosto fazer Orientação!

Penso que foi o evento da Taça de Portugal que juntou o maior apoio logístico de sempre. Os terrenos e os percursos do melhor que houve até hoje em Portugal,simpatia e vontade de fazer bem de toda a organização e programa social preenchido foram a fórmula mágica para tão grande sucesso.

S.Pedro da Gafanhoeira, deve ser considerado um caso de estudo no que ao Desporto Nacional diz respeito. Tavez as Universidades que ministram os cursos de Desporto, possam aqui estudar e perceber as sinergias que podem ser criadas entre o Desporto e a sociedade.
Mas aqui terão que estudar a Paixão que existe neste projecto!

Para os jovens licenciados do curso de Educação Física e Ciência do Desporto, tem aqui um belo exemplo de como se pode criar uma carreira e influênciar a história do Desporto.

Obrigado ao Gafanhori e ao Município de Arraiolos por este fabuloso fim-de-semana.

José disse...

Óptima organização.
Terreno extraordinário para a prática da modalidade.
Mapas bons, quer se goste ou não do estilo nórdico.
Só um pequeno reparo: alguns pontos estavam ligeiramente escondidos,um quebra-cabeças para os menos experientes. É apenas uma opinião pessoal.
Mas extraordinário é constatar
como é que um pequeno clube mobiliza a população e instituições da região à volta da causa da ORI. Foi gratificante ver aqueles proprietários associarem-se à festa.

A toda a equipa do Gafanhori os meus parabéns.

Rafael da Silva Miguel disse...

Noas.

Muitos parabéns à organização do Meeting de Arraiolos.
Foram até ao mais pequeno pormenor!

Cumps
Rafael Miguel