sábado, 31 de outubro de 2009

XVII CAMPEONATO IBÉRICO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE: ESPANHA ADIANTA-SE!


O XVII Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre teve hoje o seu início. Em Toledo, bem no coração de Espanha, Vera Alvarez, Mariana Moreira, David Sayanda e Armando Santos Sousa destacaram-se pela positiva, alcançando saborosos títulos ibéricos de Distância Média.

Disputada esta manhã, a prova de Distância Média marcou o arranque do XVII Campeonato Ibérico de Orientação – Toledo 2009. Um pouco mais de um milhar de atletas, distribuídos por 31 escalões de competição e 3 escalões abertos, tomaram parte no evento pontuável para a Liga Espanhola 2009 e para a Taça de Portugal 2009/2010. O XVII Campeonato Ibérico contou ainda com a participação dos seleccionados português e espanhol (28 atletas cada), distribuídos por doze escalões de competição.

No particular embate entre portugueses e espanhóis, o primeiro “round” foi claramente favorável a “nuestros hermanos”. Oito títulos espanhóis contra quatro dos portugueses e um “score” que vai valendo, até ao momento 104 pontos face aos 94 pontos do seleccionado português permite antever a forte possibilidade da mudança de mãos do Título Ibérico.

Vitórias dos irmãos Rafols Perramón nos escalões de Elite

No escalão Sénior, o grande destaque vai para as vitórias dos irmãos Biel Rafols Perramón e Ona Rafols Perramón, dois atletas bem nossos conhecidos e que em Portugal representam o Grupo Desportivo 4 Caminhos. No sector masculino, Biel Rafols Perramón gastou 38.38 par completar a sua prova, deixando o seu colega Daniel Portal Gordillo a 2.59 e Miguel Silva, o primeiro português, a 3.01. No sector feminino, Ona Rafols Perramón alcançou uma vitória mais folgada ainda, completando o seu percurso em 36.03 contra os 41.55 da também espanhola Alicia Gil Sanchez e os 42.28 da portuguesa Raquel Costa, respectivamente segunda e terceira classificadas.

A nota de destaque vai naturalmente para Vera Alvarez (Cadetes Femininos), David Sayanda (Juvenis Masculinos), Mariana Moreira (Juniores Femininos) e Armando Santos Sousa (Veteranos II Masculinos) que alcançaram títulos ibéricos nas respectivas categorias. Merecem igualmente referência os segundos lugares de Rita Rodrigues (Cadetes Femininos), Luís Silva (Cadetes Masculinos), Ana Coradinho (Juvenis Femininos), Joaquim Sousa (Veteranos I Masculinos), Susana Pontes (Veteranos I Femininos), Manuel Luís (Veteranos II Masculinos) e Luísa Mateus (Veteranos II Femininos). Os restantes seis títulos ibéricos de Distância Média pertenceram aos espanhóis Eduardo Gil Marcos (Cadetes Masculinos), Violeta Feliciano Sanjuan (Juvenis Femininos), António Martínez Pérez (JunioresMasculinos), Alberto Minguez Viñambres (Veteranos I Masculinos), Anna Amigó Beltran (Veteranos I Femininos) e Antónia Sanchez Martinéz (Veteranos II Femininos).

Andreia Silva e Ionut Zinca levam a melhor

Na restante competição, assistiu-se igualmente a um domínio bastante acentuado por parte dos atletas espanhóis. Mas houve várias e honrosas excepções que passamos a enumerar: Tiago Brito (COC) venceu em H18, o mesmo acontecendo com Inês Pinto (GafanhOri) em D20, Palmira João (COC) em D45, Fábio Silva (ADFA) em H16, Luís Tenreiro (COC) em H40, Mário Duarte (ADFA) em H45 e Jacinto Eleutério (ADFA) em H55. Em D14 assistiu-se ao esmagador domínio das atletas do GafanhOri, com Rute Coradinho, Ana Anjos, Teresa Maneta e Joana Palhinha a concluírem por esta ordem nas quatro primeiras posições. Também em D16 os três primeiros lugares foram ocupados por atletas portuguesas, com Inês Domingues (COC) a ser a mais forte, logo seguida de Ana Salgado (GafanhOri) e Catarina Dias (GD4C).

Andreia Silva (COC) foi a grande vencedora do escalão de Elite Feminina, à frente de Monica Jiménez Jiménez (Imperdible Madrid) e com Lena Coradinho (GafanhOri) a alcançar a terceira posição no mesmo escalão. Quanto à Elite Masculina, a vitória coube ao romeno Ionut Zinca, com a camisola do Grupo Desportivo 4 Caminhos. Zinca gastou 35.28, deixando atrás de si, por esta ordem, Stepan Kodeda (Farra-O Barcelona), Chris Terkelsen (Sant Joan Alicante), Jan Mrazek (Farra-O Barcelona) e o português Pedro Nogueira (ADFA).

Consulte os resultados preliminares desta primeira etapa em
http://www.orientoledo.com/resultados_media.htm.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

VENHA CONHECER... LEANDRO LIMA


Chamo-me… LEANDRO André Vieira LIMA
Nasci no dia… 06 de Fevereiro de 1986, em Viana do Castelo
Vivo em… Viana do Castelo
A minha profissão é… Estudante
O meu clube… Associação Amigos da Montanha
Pratico Orientação desde… 2001

Na Orientação…

A Orientação é… um desporto para todos!
Para praticá-la basta… ter vontade!
A dificuldade maior… reorientar-me!
A minha estreia foi em… Amorosa!
A maior alegria… subir ao escalão de Elite!
A tremenda desilusão… um ‘pastanço’ completo!
Um grande receio… lesionar-me a sério!
O meu clube é… os Amigos!
Competir é… um prazer!
A minha maior ambição… continuar a praticar Orientação por muitos anos!

… como na Vida!

Dizem que sou… divertido!
O meu grande defeito… persistente!
A minha maior virtude… ser amigo!
Como vejo o mundo… complicado!
O grande problema social… excesso de ambição!
Um sonho… ser feliz!
Um pesadelo… perder os meus amigos!
Um livro… “Os Maias”!
Um filme… “60 Segundos”!
Na ilha deserta não dispensava… as minhas pernas!

Na próxima semana venha conhecer Gabriela Coelho.

Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO
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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

PELO BURACO DA FECHADURA...


Dois dias, três provas, uma cidade Património Mundial da Humanidade. Com a prestimosa ajuda de Vicente Tordera, espreitamos pelo buraco da fechadura o XVII Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre.


Orientovar - A Taça de Portugal regressa a Toledo, desta vez com o interesse acrescido do XVII Campeonato Ibérico. Quais as alterações em relação à prova de 2008?


Vicente Tordera - Nesta ocasião iremos assistir à realização de três provas, tal como o exige a celebração do Campeonato Ibérico na nossa cidade. As provas de floresta serão disputadas em mapas novos, em zona de sobrado e terrenos de cultivo. A prova de Sprint terá lugar no casco histórico de Toledo e será aberta não apenas às Selecções Nacionais, mas também a todos aqueles que queiram fazer Orientação num local incomparável e com percursos adaptados às respectivas categorias.

Orientovar - Que desafios podem esperar os participantes?


Vicente Tordera – Na manhã de sábado, os orientistas deverão mostrar o seu nível num mapa novo, em zona de sobrado e num terreno rochoso com muitos detalhes de relevo, mudanças de direcção e moderado desnível, obrigando cada um a dar o melhor de si mesmo. Da parte da tarde, a competição estará de regresso, com a realização da prova de Sprint no casco histórico de Toledo; serão logicamente percursos mais curtos que em 2008, obrigando a uma mais detalhada leitura do mapa o que, aliado à elevada velocidade da corrida, pode fazer com que surjam algumas surpresas na classificação. Finalmente, no domingo terá lugar a prova de Distância Longa no campo de manobras da Academia de Infantaria, terreno que propicia uma corrida rápida e tomadas de opção, não isento de exigência física especialmente nos escalões mais importantes.

Orientovar - Quais os meios organizativos envolvidos e principais apoios?

Vicente Tordera - O peso da organização recai sobre o clube Toledo-Orientación e contamos com o apoio da Federação de Castilla - La Mancha e das instituições mais importantes de Toledo, Ayuntamiento, Diputación y Junta de Comunidades. Destacaria igualmente a colaboração da Academia de Infantaria e da Escola Central de Educação Física, que nos permitem competir no domingo em terrenos de sua propriedade e nos cedem igualmente parte do material necessário para a logística da prova. Entre as entidades privadas, contamos com a colaboração da Caja Rural de Toledo e da Coca-Cola.

Orientovar - Com que “armas” vai jogar a Espanha para “roubar” o Título Ibérico aos portugueses?


Vicente Tordera – Bom, não serei eu a pessoa mais indicada para responder a esta pergunta, mas talvez o seleccionador espanhol. Aquilo que posso garantir é que não preparámos nada de especial que pudesse beneficiar a nossa selecção, naturalmente não facultei os percursos a ninguém...

Orientovar - Para quem não conhece Toledo e tem apenas um pequeno período de tempo para visitar essa lindíssima cidade, que roteiro turístico propunha?

Vicente Tordera - Toledo é uma cidade para nos perdermos e percorrê-la tranquilamente. No Secretariado, disponibilizaremos informação para que se possa ter uma pequena ideia do que a cidade tem para oferecer. Pessoalmente, recomendaria uma visita à Catedral gótica e um passeio pelo Bairro Judeu. Para os amantes de museus, Toledo tem uma oferta muito variada que vai da arte visigótica ao contemporâneo. Insisto todavia que, apesar do cansaço das provas realizadas pela manhã, o ideal é dar uma volta pela cidade, parando para degustar um bom vinho da região e alguns dos seus petiscos nos numerosos bares que se encontram pelo caminho. Um bom ponto de partida pode ser a Praça de Zocodover, ponto de chegada da prova de Sprint. Assiste-se ao desenrolar da competição e depois parte-se à descoberta de Toledo.

Orientovar - Aceita partilhar connosco o seu maior desejo em relação à prova?

Vicente Tordera – O meu maior desejo é que, no final das provas, os participantes se tenham divertido e regressem contentes e com um sorriso a suas casas. E, se me permitem, que a Selecção Espanhola conquiste o Campeonato Ibérico, “que ya toca”!



Resta acrescentar que a prova é pontuável em simultâneo para a Taça de Portugal 2009/2010 e para a Liga Espanhola 2009. O número de inscritos ascende já a 1008, 233 dos quais portugueses.

Toda a informação em
http://www.orientoledo.com/campeonato.aspx.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência é uma data comemorativa assinalada pelas Nações Unidas desde 1998, com o objectivo de promover uma maior compreensão dos assuntos concernentes à deficiência e para mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem estar das pessoas. Procura também aumentar a consciência dos benefícios trazidos pela integração das pessoas com deficiência em cada aspecto da vida política, social, económica e cultural. Nesse âmbito, o projecto “Bicas no Rovisco Pais – Desporto Adaptado” lança o convite aos membros representantes das Escolas da região de Cantanhede para participar numa acção de divulgação/sensibilização de Trail-O, sem carácter competitivo, marcada para o dia 3 de Dezembro, às 14h30. A actividade decorrerá na área do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais. Para mais informações, contactar Marília de Campos ou Joana Monteiro através do 231 440 903 ou pelo e-mail gdarp@roviscopais.min-saude.pt.

2. Os Amigos da Montanha convidam-no a assistir às Jornadas de Desporto Aventura, a realizar no próximo dia 21 de Novembro, em Barcelos. Conhecer e ouvir alguns dos mais conceituados atletas nacionais do Desporto Aventura é a aliciante proposta. O programa tem o seu início às 15h00 e, ao longo da tarde e noite, pelo Auditório da Biblioteca Municipal de Barcelos ouviremos Rui Calado falar de Canoagem, Pedro Pedrosa dissertar sobre BTT, Pinto André abordar a Orientação e os Desportos Aventura e ainda João Garcia “escalar” a alta montanha. Prometidas estão “montanhas de aventuras para sentir!” Informações e inscrições através do 253 831 647 (telefone), 253 837 020 (fax) ou ainda por e-mail para
info@amigosdamontanha.com.

3. Fernando Correia é, todos o sabemos, um grande jornalista e um comunicador por excelência. Figura de proa do radialismo nacional, incansável em dar voz às palavras, o seu trabalho percorre na diagonal o mundo do desporto e poisa, com alguma frequência, na Orientação. Uma vez mais assim sucedeu ontem, no seu “Lugar Cativo” da TVI 24 [pode assistir ao programa em http://nzalmeida.orienta-te.com/?p=139n, numa gentileza de Nuno José de Almeida]. Fernando Costa e António Aires, respectivamente Presidente do Grupo Desportivo 4 Caminhos e Director Técnico Nacional da FPO, foram os interlocutores em estúdio. Ali se falou do Norte Alentejano O’Meeting e dos Mundiais de Ori-BTT em 2010, de Orientação Pedestre e em BTT, de Corridas de Aventura e Trail-O, de Desporto Escolar e do potencial dos nossos jovens. Tudo bons motivos de conversa, superiormente conduzida por Fernando Correia, com intervenções de muita e boa gente ligada à família da Orientação, de Vitor Rodrigues a Jorge Silva, de Luís Santos a Patrícia Silva. Pela real oportunidade, por tanta qualidade e por tamanha sensibilidade, para Fernando Correia vai, com o mais vivo apreço e sentido da minha amizade, o Louvor da Semana!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 27 de outubro de 2009

ORIENTAÇÃO EM CABO-VERDE: UM SONHO TORNADO REALIDADE


Sob o título “Desporto de Orientação pode ser implementado em Cabo Verde”, o Jornal cabo-verdiano “A Semana” deu a conhecer pormenores sobre o trabalho desenvolvido nesse sentido entre a Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento e o Instituto de Investigação e Património Culturais de Cabo Verde. Acerca de tão interessante assunto, o Orientovar conversou com José Samper, Director Técnico da FEDO – Federação Espanhola de Orientação e traz-lhe aqui os pormenores.


Orientovar - Aproximar África da Europa ao nível da Orientação tem sido uma preocupação da FEDO nos últimos tempos. Como é que surgiu esta oportunidade de implementar o “desporto verde” em Cabo Verde?

José Samper - Estive um ano em Moçambique, na direcção dum projecto de cooperação, trabalhando na construção dum Centro de Formação para camponeses. Nessa altura comecei a pensar como poderia levar para lá a Orientação, ao mesmo tempo que me perguntava como fazê-lo num País onde as pessoas não têm sequer que comer. Mas como ‘nem só de pão vive o homem’... um belo dia quis o destino que tivesse um encontro casual com o Ministro da Educação e Desportos de Moçambique, quando fazia uma corrida no Parque António Repinga, em Maputo. A partir daqui, aulas aos escuteiros de Moçambique, cursos, criação da Associação de Orientação de Maputo… Foi assim que tudo começou.

Já este ano recebi uma chamada de Cabo Verde, mais concretamente de Jaime Puyoles, Director da AECID - Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento em Cabo Verde. Ele estava em Moçambique na mesma altura em que eu lá estive e conhecia o projecto de Orientação para Moçambique. Perguntou-me então se estaria disposto a preparar um projecto de Orientação para Cabo Verde. Nesse mesmo mês estava em Cabo Verde a trabalhar no assunto.

Orientovar - Quais as entidades envolvidas no projecto?

José Samper - Da parte espanhola são a AECID em Cabo Verde e eu, na qualidade de representante da FEDO. Do lado de Cabo Verde não estão ainda definidas as entidades, mas na Conferência de Apresentação, no passado mês de Junho, estiveram presentes os representantes da Direcção Geral de Desportos de Cabo Verde, do Desporto Escolar, Associações de Caminheiros e alunos da Faculdade de Educação Física da Universidade de Cabo Verde.

Orientovar - Em concreto, esta intervenção centra-se na Ilha de Santiago. Que condições encontrou aí para a prática da modalidade?

José Samper – Inicialmente vamos começar na Ilha de Santiago, mas o projecto é mais vasto e pretende estender-se a outras ilhas. Além do mais, do ponto de vista das condições para a prática da Orientação nas suas disciplinas clássicas, esta não é sequer a ilha mais apta, apesar de possuir boas condições para a prática da Orientação de Distância Longa, Orientação em BTT e Corridas de Aventura. Tive que desenvolver um esforço enorme para, do ponto de vista do relevo, encontrar uma área não demasiado acidentada e com vegetação, o que não é fácil tendo em conta que se trata de ilhas vulcânicas.

Orientovar - Que passos estão previstos para levar por diante o projecto e qual o ponto da situação neste momento?

José Samper – Neste momento estamos preparando um Curso de Orientação de Nível I, dirigido a formadores das Escolas e alunos do Instituto Nacional de Educação Física da Universidade de Cabo Verde. Temos já um “mapa base” de toda a ilha de Santiago, à escala de 1:10 000, com equidistância de 5 m, e a partir daqui é nossa intenção realizar mapas urbanos da Cidade da Praia, para que se arranque com o trabalho directo junto das Escolas e também pequenos mapas dos arredores da cidade para que se comece a trabalhar ao nível da interpretação do relevo. Permita-me acrescentar que na realização deste “mapa base”, muito simples, contei com a colaboração de Carlos Lisboa. Posteriormente, procuraremos desenvolver mapas de Orientação e cartas de turismo das rotas onde se verificam relações históricas entre a Espanha e Cabo Verde, nomeadamente da Cidade Velha, Fortaleza de São Filipe, Convento de São Francisco, Pousada de São Pedro e Capelas Filipinas.

Orientovar - A cooperação espanhola com o Governo de Cabo Verde dirige-se a outros sectores de actividade, nomeadamente à recuperação das Capelas Filipinas. Há alguma ligação entre os dois projectos?


José Samper – Sim. Este projecto de implementação da Orientação está ligado ao desenvolvimento turístico de Cabo Verde, no sentido de dar a conhecer as suas belezas naturais e o seu património arquitectónico. Pretende-se uma difusão destes valores nos países onde a Orientação está mais implementada, sobretudo junto dos países nórdicos, mas também explorar estas potencialidades do ponto de vista desportivo e do desenvolvimento escolar.

Orientovar - Esta intervenção da FEDO em África não é inédita e o caso de Moçambique, como referiu anteriormente, é disso um bom exemplo. Qual o actual estado da Orientação em Moçambique?

José Samper - Em Moçambique realizámos quatro mapas de parques e dois mapas específicos de Orientação Pedestre. O primeiro mapa realizado foi o do Parque António Repinga, seguindo-se o da Ilha de Xefina, no ano de 2001. Foi ali que teve lugar a primeira competição de Orientação com a Liga Nacional de Escuteiros de Moçambique.

Actualmente, o desenvolvimento da Orientação em Moçambique vai progredindo muito lentamente e isto devido a diferentes causas, a primeira das quais e a mais importante aquela que se prende com a falta de meios. É impossível avançar-se com a divulgação dum desporto, qualquer que ele seja, se não se conhecem as suas regras básicas e as necessidades são máximas, mas a verdade é que não há dinheiro para pagar aos monitores formados para dar aulas nas Escolas. Inicialmente, a Orientação estava concentrada no círculo de Escuteiros, mas sentimos a necessidade de ampliar o seu conhecimento a toda a Sociedade. Todavia, a pessoa que tínhamos formado e que era o Presidente da Associação de Orientação de Maputo, partiu de Moçambique em busca dum futuro melhor, o que nos obrigou a reestruturar todo o projecto de implementação, de acordo com os membros da dita Associação. Estamos esperançados que esta nova postura possa trazer melhores resultados para a Orientação no País. Agora embarco para Moçambique, onde permanecerei desde o dia 25 de Novembro até 15 de Dezembro, para realizar alguns mapas de aprendizagem e colaborar na coordenação da nova estrutura preparada pela Associação de Maputo.

Orientovar - Estamos a falar de projectos espanhóis para dois países de língua oficial portuguesa, causando alguma estranheza não vermos nisto o envolvimento do Instituto do Desporto de Portugal ou da própria Federação Portuguesa de Orientação. Esta situação merece-lhe algum comentário?


José Samper – Por vezes a vida oferece-nos oportunidades quando e onde menos esperamos. A mim, o destino levou-me até Moçambique e devo dar graças por isso. Desde muito jovem sempre tive muito bons amigos portugueses - e continuo a tê-los! – e sempre tive uma atracção muito especial pela cultura e pela língua portuguesa. Devo salientar que, no desenvolvimento destes projectos, sempre foram de extrema importância os Regulamentos e Normas em língua portuguesa elaborados pela Federação Portuguesa de Orientação e sempre que necessitei de qualquer ajuda só tive que solicitá-la. Houve um momento, com a anterior Direcção da Federação Portuguesa de Orientação, em que esteve prevista a deslocação a Moçambique de um ou dois cartógrafos portugueses para realizar ali alguns mapas, mas dificuldades de entendimento com as instituições de Moçambique fizeram com que o projecto abortasse. Mas volto a realçar que a Federação Portuguesa de Orientação sempre colaborou e ajudou no dito desenvolvimento. Em contrapartida, também é verdade que a IOF - Federação Internacional de Orientação não colabora suficientemente na difusão da Orientação em África e na América do Sul.

Orientovar – Para terminar, que frutos espera recolher deste empenho e deste trabalho?

José Samper - Que a Orientação torne real o seu slogan “mais que um desporto”, que se assuma como uma forma de ser, uma forma de entender a natureza e que seja um laço de união entre o Norte e o Sul.

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Consulte
AQUI o artigo do diário cabo-verdiano A Semana.
[Fotos e mapas gentilmente cedidos por José Samper]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

I ORI-BTT DE IDANHA-A-NOVA: O PONTO FINAL DE ALEXANDRE REIS


Terminada a segunda prova da Taça de Portugal de Orientação em BTT 2009/2010, regressamos ao encontro de Alexandre Reis. Ponto final no I Ori-BTT de Idanha-a-Nova com o balanço do seu Director Técnico.


Sendo parte interessada neste I Ori-BTT de Idanha-a-Nova, poderá parecer suspeito aquilo que vou dizer mas o balanço posso considerá-lo como tendo sido excelente. Criámos excelentes condições na Arena, desde o som, tempos de passagem on-line no ponto de espectadores, serviço de bar, sanitários, óptimo espaço envolvente, mas acima de tudo os atletas tiveram uma magnífica área para fazer Ori-BTT.

Todas as organizações têm os seus imprevistos que, com maior ou menor dificuldade, tentam ultrapassar de forma a que não interfiram ou prejudiquem o sucesso do evento. Nós também não fugimos à regra e pode-se considerar que as únicas dificuldades surgiram apenas no primeiro dia por ter sido lavrado um terreno contíguo à Arena, reduzindo substancialmente a área destinada ao estacionamento. Também tivemos alguns problemas com a sinalização, pois utilizamos algumas placas de indicação de direcção que, por não terem o símbolo da Orientação, deixaram os participantes um pouco confusos. Mas depois de chegados à Arena - e este é um dos ‘feed-back´s’ dos atletas -, e deparando-se com a excelente jornada de Orientação que lhes foi oferecida, essas dificuldades iniciais passaram à "história".

Depois de colocados os pontos no terreno, a minha missão passou a ser a de ‘speaker’ do evento. Neste papel tive o contacto directo com os atletas ainda a "ferver". Fui registando ao som alguns depoimentos, nomeadamente da Susana Pontes, Daniel Marques, Leandro Silva, Albano João, Luísa Mateus, todos vencedores nas suas categorias, também do Pedro Dias (dos que me recordo no momento), e todos foram unânimes em realçar a magnifica etapa de Orientação, destacando o mapa e os percursos. De entre eles houve quem tivesse dito que terá sido talvez a melhor prova em que participou em Portugal.

Agora que olho para trás, um pouco mais “a frio”, não vou dizer que não alterava nada, porque tenho consciência de que se pode fazer sempre melhor. Corrigiria o estacionamento no primeiro dia, utilizando uma área que estava reservada para os espectadores. À posteriori até acho que teria sido uma mais-valia ter alguns atletas a prepararem-se para a prova ou depois dela junto ao ponto de espectadores, pois são eles os espectadores. Também colocaria dois mapas em ponto grande afixados para que os três primeiros atletas masculinos e femininos dos escalões de Elite pudessem traçar as suas opções e os tempos intermédios de cada um. Nunca veio tão a propósito essa necessidade pois, dada a multiplicidade de opções, no final todos queriam comparar parciais.

Quanto ao futuro, é de apostar numa nova edição do evento. O óptimo relacionamento da ADFA com o Município de Idanha-a-Nova, o impacto que estes eventos têm vindo a causar nos locais, o excelente retorno dos atletas neste I Ori-BTT de Idanha-a-Nova, associados às magnificas condições existentes para a prática da modalidade levam-nos já a equacionar o II Ori-BTT para a próxima época.

Pessoalmente, como estive envolvido nisto dos pés à cabeça, desde a execução do mapa com Valdemar Sendim ao planeamento dos percursos até à direcção Técnica, não posso estar mais satisfeito com o resultado de todo o trabalho. Quem se envolve desta maneira na organização de um evento de Orientação, rico em factores que podem comprometer uma prova, ponto mal marcado, erro no mapa, percurso mal conseguido, etc., fica obviamente muito satisfeito quando vê reconhecimento por parte dos atletas dos méritos de tanto trabalho. Para terminar quero deixar uma palavra de agradecimento à Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, pelo seu apoio, às pessoas envolvidas na organização, pelo seu empenho e, principalmente, aos participantes no evento, por serem eles a razão de todo este trabalho. É com a sua presença que vemos retribuído todo o nosso esforço.

Alexandre Reis

Mais informações em
http://oriadfa.no.sapo.pt/.
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domingo, 25 de outubro de 2009

I ORI-BTT DE IDANHA-A-NOVA: DANIEL MARQUES E SUSANA PONTES, POIS CLARO!


Confirmando todo o favoritismo que lhes era atribuído à partida, Daniel Marques e Susana Pontes foram os grandes vencedores do I Ori-BTT de Idanha-a-Nova, disputado ao longo do fim-de-semana.

A Taça de Portugal de Orientação em BTT 2009/2010 rumou este fim-de-semana a terras raianas. Vale das Eiras, no extremo nordeste do concelho de Idanha-a-Nova, paredes-meias com a vizinha Espanha, foi palco duma prova de Distância Longa (sábado) e duma prova de Distância Média (domingo) que permitiram, no seu conjunto, apurar os vencedores.

A longa distância que separa Idanha-a-Nova dos grandes centros terá sido a principal responsável pelo número relativamente baixo de participantes, com apenas 201 atletas distribuídos por dezasseis escalões de competição a marcarem presença, aos quais se devem acrescentar oito participantes nos escalões de formação e ainda onze nos escalões abertos (OPT’s). E foi uma pena que esta moldura humana não tivesse uma mais significativa expressão, já que este I Ori-BTT de Idanha-a-Nova constituiu um enorme sucesso organizativo. As condições atmosféricas ajudaram, a organização – a cargo da ADFA, Município de Idanha-a-Nova e Federação Portuguesa de Orientação - proporcionou aos presentes uma inesquecível jornada de Orientação em BTT e os mapas e terrenos onde se desenrolou a competição não defraudaram as expectativas, cotando-se como a grande mais-valia do evento.

Daniel Marques a bisar

Não dando hipóteses à concorrência, Daniel Marques (COC) arrebatou com inteiro mérito o Troféu, repetindo a vitória da jornada inaugural em Carvela (Chaves), no início de Setembro. No sábado, o leiriense foi o mais rápido, cumprindo os 30,9 km de prova (15 pontos de controlo, 725 metros de desnível) em 1.26.38. Destaque para a excelente réplica de Davide Machado (.COM), que em época de estreia na Elite se afirma a cada prova como uma das maiores certezas da nossa Orientação em BTT, terminando a escassos 47 segundos do vencedor. Paulo Alípio (COC) fez igualmente uma excelente prova, terminando na terceira posição com o tempo de 1.28.15. A surpresa pela negativa vai para o 31º lugar (em 34 competidores) de Guilherme Marques (COC) e para o ‘mp’ de João Ferreira (DA Recardães), os nossos dois melhores atletas juniores da actualidade.

Na decisiva prova de hoje Daniel Marques voltou a ser o mais forte, vencendo com enorme clareza ante os seus competidores directos, Paulo Alípio e Davide Machado. Daniel Marques cumpriu os 19,1 km de prova (15 pontos de controlo, 385 metros de desnível) em 52.50, contra 55.05 de Alípio (que assim ultrapassou Davide Machado na classificação geral) e 58.04 do minhoto. Guilherme Marques rectificou e foi 6º classificado, ficando a nota negativa de novo para João Ferreira, 31º classificado com praticamente o dobro do tempo do vencedor e ainda para os mp’s de Mário Guterres (ADFA), J.J. Sancosmed (DA Recardães) e Inácio Serralheiro (CN Alvito), naturais candidatos a um lugar no top-10 e que acabaram deitando tudo a perder.

Na Elite feminina a luta pelos lugares do pódio resumiu-se a quatro das oito participantes, com natural destaque para a empolgante luta travada entre Susana Pontes (CPOC – Loja das Bicicletas) e Maria Amador (ATV). Amador começaria melhor, vencendo no sábado; Pontes rectificaria na prova de hoje, garantindo uma vantagem suficiente que lhe permitiu levar de vencida o Troféu, vingando em certa medida o segundo lugar de Carvela, ante a espanhola Susana Arroyo. Susana Arroyo (Sotobosque) que alternou resultados com Rita Guterres (ADFA) na classificação dos dois dias de prova, acabando por garantir o terceiro lugar final face à vantagem trazida da prova de Distância Longa.

“Boas decisões e uma boa orientação”

Deixando o seu testemunho ao Orientovar, Daniel Marques comenta assim a prova: “Do meu ponto de vista a navegação não foi um problema. Apesar de haver uma grande rede de caminhos, estes eram de fácil transitabilidade e bem definidos, ou seja, facilmente detectáveis o que favorecia em muito o posicionamento do mapa. Também o tipo de vegetação e o relevo eram pontos de referência chave, e também eram facilmente identificáveis. A maior dificuldade era pois a escolha de opção, equacionar a distância em função do desnível. Uma má opção era sinónimo não só de tempo perdido, mas também de esforço físico desnecessário que vai fazendo moça, subindo aos montes e descendo aos vales.”

Quanto ao seu desempenho, o melhor orientista em BTT português de sempre manifestou-se satisfeito com a sua prestação: “Fisicamente não estou no meu melhor, mas de alguma forma compensei com boas decisões e uma boa orientação. Houve uma boa competitividade com o Paulo Alípio e o David Machado, o que animou bastante o escalão de Homens Elite.”


Fim-de-semana para esquecer

João Ferreira teve mesmo um fim-de-semana para esquecer. Os problemas começaram no sábado e complicaram-se mais ainda hoje, como o próprio faz questão de explicar: "Depois de um furo no ponto 5 na prova de sábado e de ter feito mais de 6 km com a bicicleta à mão, queria redimir-me na prova de domingo mas tudo estava errado. Logo para o primeiro ponto parti o extensor e perco tempo mas o pior ainda estava para vir. Estava a fazer boas opções e sentia-me bem fisicamente. No ponto 4 reparo que estou a perder ar na roda da frente e páro para encher, perdendo algum tempo. Continuo mas o ponto 6 e 7 já faço quase só com o aro pois o pneu estava completamente em baixo. Decido parar e tentar arranjar, um senhor emprestou-me desmontas, outro uma bomba, outro uma camara d'ar pois a que eu tinha já não dava. Agradeço às pessoas que me ajudaram. Bem nisto tudo já tinham passado bem mais de 30 minutos a arranjar a roda."

Com a 'bike' pronta de novo, o jovem atleta prossegue "como se nada se tivesse passado" disposto a dar tudo até ao fim. Eis senão quando, "uma queda para o ponto 12 ainda fez pior. Conclusão, um furo, uma roda com raios partidos, uma queda e um extensor partido. Um fim-de-semana completamente para esquecer. Fico realmente triste quando vejo que a nível físico até estava bastante bem, mas isso não se traduziu em resultados. Tirando isto, gostei bastante dos mapas e dos terrenos. Boa rede caminhos com opções técnicas derivado da altimetria."

Resultados

H Elite
1º Daniel Marques (COC) 200,00

2º Paulo Alípio (COC) 194,01
3º Davide Machado (.COM) 190,08
4º Javier Garcia Aris (Aventur) 170,63
5º Luís Pires (COC) 169,91
6º Joel Morgado (COC) 169,18
7º Samuel de Jesus (CLAC) 163,60
8º Eduardo Sebastião (Clube TAP) 162,48
9º Miguel Fernandes (ADA Desnível) 162,34
10º José Marques (ADFA) 162,11

D Elite
1º Susana pontes (CPOC – Loja das Bicicletas) 196,21

2º Maria Amador (ATV) 194,86
3º Susana Arroyo (Sotobosque) 185,28
4º Rita Guterres (ADFA) 179,18
5º Joana Frazão (CIMO) 156,29
6º Alice Silva (GDU Azóia) 154,46
7º Sónia Rodrigues (COA) 144,42
8º Margarida Colares (CAOS) 135,01

Outros Escalões:

Formação H - João Santos (CN Alvito)
Formação D – Ana Margarida Rocha (CIMO)
H17 – Miguel Pires (.COM)
H20 – Rui Silva (.COM)
H21A – Ricardo Jerónimo (BTT Loulé)
D21A - Catarina Ruivo (COC)
H21B – Hugo Borda d’Água (COAC)
H35 – Paulo Pedro (Clube EDP)
D35 – Ana Gomes (BTT Loulé)
H40 – Leandro Silva (CN Alvito)
H45 – Mário Marques (COA)
D45 – Luísa Mateus (COC)
H50 – Albano João (COC)
H55 – Armando Santos (Clube EDP)
Veteranos M B – Luís Nunes (GCF)
Veteranos F B – Magdalena Morcillo Lais (Sotobosque)
OPT1 Curto – Sara Tomás (GDU Azóia)
OPT2 Longo – Gonçalo Portelinha (ADA Desnível)

Informação completa em
http://oriadfa.no.sapo.pt/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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sábado, 24 de outubro de 2009

GRANDE ENTREVISTA: ANTÓNIO AIRES E O ACTUAL MOMENTO DA ORIENTAÇÃO PORTUGUESA


É mais uma grande entrevista, aquela que hoje “damos à estampa” no Orientovar. O passado recente, o presente e o futuro da Orientação portuguesa são aqui analisados à lupa pelo Director Técnico Nacional, António Aires.


Orientovar - Tivemos um Verão repleto de grandes provas. Que balanço faz da participação portuguesa nas várias competições?

António Aires - A participação das Selecções Portuguesas distribuiu-se por cinco Campeonatos Mundiais ou Europeus. Na disciplina de Orientação Pedestre, tudo começou no dia 27 de Junho no 11º Grande Prémio do RA4, na Praia da Vieira, com a cerimónia organizada para todos os atletas que iriam representar as cores nacionais no EYOC – Campeonato da Europa de Jovens, JWOC – Campeonato do Mundo de Juniores e WOC – Campeonato do Mundo de Elite. Depois disso iniciou-se uma aventura conjunta para o EYOC na Sérvia e o JWOC na Itália que envolveu 19 atletas, 4 técnicos, 3 carrinhas, passagem por 5 países, muita bagagem e muita aventura. Mas muito para além da participação nas provas e dos respectivos resultados, o mais importante foi o aproveitamento que se conseguiu fazer de todo este processo. Formação permanente com os jovens, análise detalhada de todas as provas realizadas, aproveitamento da viagem para se treinar noutros locais e competir noutras provas, aumentando a experiência competitiva, criação de rotinas para educar e disciplinar o grupo, etc.

A época de Competições Internacionais encerrou com a participação no WOC na Hungria, onde 4 atletas participaram naquela que é a mais importante prova da Orientação mundial. Desta competição, para além do excelente apuramento do Tiago Romão para a Final da prova de Sprint, fica também a média de idades de 22 anos da Selecção Nacional, que reflecte só por si o potencial da nova geração de atletas.

Na disciplina de Orientação em BTT, a participação da Selecção foi dividida por 3 provas em 2 locais diferentes. Começando com uma viagem até à Dinamarca onde se realizou o JWOC – Campeonato do Mundo de Juniores e EOC – Campeonato da Europa de Elite. Em Agosto, 4 atletas deslocaram-se até Israel onde, sob um calor tórrido, decorreu o MTB WOC – Campeonato do Mundo de Orientação em BTT.
Destas participações, os excelentes resultados a nível mundial principalmente do Daniel Marques em Seniores e do João Ferreira em Juniores, escondem as enormes dificuldades em se conseguir alargar a base de recrutamento de atletas e de se conseguir trazer os jovens para esta disciplina da Orientação. E sem quantidade só se tem qualidade de forma pontual. Como contraste com a Selecção no WOC Pedestre cuja média de idades foi de 22 anos, a Selecção no WOC BTT tinha uma média de idades de 31 anos, mesmo tendo um Júnior na comitiva. Por conseguinte, torna-se cada vez mais claro que o grande objectivo para esta disciplina é a criação de condições para trazer mais jovens a praticá-la regularmente.

Orientovar - A temporada 2009/2010 marca o ponto final neste figurino duma época em dois anos civis e, nessa medida, será mais prolongada do que é habitual. Em termos orgânicos e funcionais que alterações é que isto acarreta à dinâmica da Taça de Portugal?

António Aires - Após se ter concluído que esta alteração era muito importante, quer para o desenvolvimento das Selecções, quer para colocar a modalidade a par do ritmo dos restantes países europeus, a principal preocupação foi em minimizar o impacto que estas alterações poderiam ter no nosso objectivo de fundo que é a massificação da Orientação. Assim, continuam a não existir provas da Taça de Portugal nos meses de Julho e Agosto, deixando também de ser organizadas provas em Novembro e Dezembro. No entanto, ao nível das provas Regionais e Locais, estas continuarão distribuídas por todo o ano para ir ao encontro das necessidades dos organizadores.

Relativamente à época 2009/2010, vai ser realmente uma época atípica devido às necessidades de transição, com a Taça de Portugal Pedestre com 29 percursos em 13 provas, a Taça de Portugal em BTT com 22 percursos em 11 provas e as Corridas de Aventura com 8 provas espalhadas desde Outubro 2009 até Dezembro 2010.
Esta alteração cria algumas situações estranhas, como por exemplo, a necessidade desta época 2009/2010 de Orientação Pedestre incluir dois Campeonatos Ibéricos de Orientação Pedestre (o de 2009 em Espanha e o de 2010 em Portugal).

Orientovar - No plano interno, quais são no seu entender os pontos altos da temporada?

António Aires - O momento mais alto da temporada na Orientação Pedestre será provavelmente o regresso da Taça dos Países Latinos a Portugal, organizada pelo COC em conjunto com o Campeonato Ibérico 2010 nos dias 25 e 26 de Setembro, numa das provas “complementares” desta longa época. Relativamente à Orientação em BTT, claramente o ponto alto será a organização do Campeonato do Mundo de Seniores e Juniores em Portugal, em Julho de 2010, não só pela importância da organização em si, mas também por todos os “efeitos colaterais” positivos que acreditamos que uma organização desta envergadura provoca no desenvolvimento da disciplina em Portugal. Nas Corridas Aventura o ponto alto (embora ainda por protocolar com a FEDO) deverá ser a selecção de três equipas para representar Portugal no Campeonato Ibérico 2010, o que será inédito visto que até aqui não existia qualquer Selecção Nacional de Corridas de Aventura.

Orientovar - E no plano externo?

António Aires - Na Orientação Pedestre, a maior aposta é claramente o Campeonato da Europa de Jovens - EYOC 2010, que será organizado na vizinha Espanha, participação essa que começou já a ser preparada com um estágio no início de Setembro de todos os potenciais participantes, em terrenos semelhantes, na zona do local de Competição. Para a Orientação em BTT a maior aposta desta época está já a ser preparada desde 2008. Falo da participação no Campeonato do Mundo de Seniores e Juniores organizado em Portugal. Esta aposta não tem tido o sucesso desejado ao nível da quantidade de atletas que se conseguiu dinamizar para este projecto, principalmente ao nível dos jovens. Esta diminuta base de recrutamento leva a uma quase inexistente Selecção de Juniores para o WOC BTT 2010, o que se revela muito negativo para o desenvolvimento futuro da disciplina.

Orientovar - O sector da Comunicação e Imagem da Federação Portuguesa de Orientação tem estado demasiado apagado para aquilo que a modalidade necessita e merece. Partilha desta opinião? No seu entender, que medidas deveriam ser tomadas para inverter este estado de coisas?

António Aires - Não é uma área onde eu tenha muita intervenção, mas claramente tem existido um grande esforço da Direcção para corrigir esta situação. Mas a falta de recursos humanos e financeiros condiciona claramente este objectivo. No entanto, a Comunicação e Imagem é evidentemente um sector essencial no nosso objectivo-base de massificação da modalidade.

Orientovar - Quais os assuntos prioritários em cima da sua mesa de trabalho?

António Aires - Desenvolvimento da Orientação nas escolas: A estratégia passa por dotar as escolas, que demonstrem real interesse em incluir a Orientação no seu plano curricular ou no Desporto Escolar, de meios para o fazer, nomeadamente a criação de mapas de Orientação, percursos permanentes, conhecimentos técnicos por parte dos professores e documentação pedagógica de auxílio à organização de actividades. Tudo isto com o objectivo de não deixar apagar as pequenas chamas que vão surgindo esporadicamente nas escolas. Faz parte desta estratégia também a ligação das escolas aos clubes da área geográfica sempre que possível, de forma a garantir a continuidade do acompanhamento aos jovens e sua futura inserção no Desporto Federado.

Desenvolvimento do Livro “Orientação – Desporto com Pés e Cabeça”. Este documento, para além de ter objectivos de divulgação generalista da Orientação, terá um papel essencial no projecto de desenvolvimento da Orientação nas Escolas. Os seus conteúdos irão abranger as quatro disciplinas da Orientação em Portugal, assim como o Treino, o Traçado de Percursos, a Cartografia, Jogos Didácticos, etc.

Desenvolvimento do Trail-O em Portugal: Estamos em processo de criação de uma Comissão de Trail-O, mas este desenvolvimento passará pela formação dos técnicos dos clubes, criação de um formato estável de competições e pela interacção com as instituições de reabilitação de deficientes motores. É de referir que é nosso objectivo que esta disciplina seja inclusiva, ou seja, ter um formato que permita a sua prática em nível de igualdade por pessoas com e sem deficiência motora.

Trabalho com as Selecções de Ori-BTT: Sendo esta a época do “nosso” WOC BTT, e face à reduzida existência de técnicos para trabalhar nesta disciplina, terá de receber da minha parte uma maior atenção na preparação de treinos e estágios e do acompanhamento dos atletas.

Trabalho com as selecções de Orientação Pedestre: Tendo já uma Comissão Técnica para as Selecções constituída, esta época será de consolidação de metodologias de trabalho, ao nível do funcionamento dos estágios, acompanhamento e selecção dos atletas, etc. A principal novidade neste momento é a estruturação e organização dos estágios de fim-de-semana.

Em cima da mesa de trabalho temos também a reestruturação da carreira de Traçadores de Percursos, a análise das candidaturas para as provas da Taça de Portugal 2011, uma possível candidatura a um futuro Mundial de Desporto Escolar em Portugal, a divulgação da Orientação através de apresentações em diversos meios, etc.


Orientovar - Quer formular um voto para a temporada 2009 / 2010?

António Aires - O meu voto para esta temporada é a base do que penso que deve ser o nosso trabalho: aumentar o número de praticantes regulares de Orientação, de forma a colaborar no aumento de praticantes regulares de desporto, aumentando a qualidade de vida geral, melhorando a sociedade…

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

III RAID AVENTURA RANGER: O REGRESSO DAS CORRIDAS DE AVENTURA


Com um significativo atraso em relação ao desejável, acaba de chegar à mesa de trabalho do Orientovar o “Press Release” do III Raid Aventura Ranger, da responsabilidade de Higino Esteves, o Director da Prova. Sem mais demora, aqui o publicamos juntamente com algumas impressões que, ao longo da semana, foram sendo colocadas pelos participantes no Fórum de discussão fpo-corridas-a.

Decorreu, nos passados dias 17 e 18 de Outubro, o III Raid Aventura Ranger, evento organizado pelo Centro de Tropas de Operações Especiais (CTOE) em parceria com a Federação Portuguesa de Orientação (FPO) e que contou com o apoio dos Municípios de Alijó, Armamar, Castro Daire, Lamego, Peso da Régua, Resende, Santa Marta de Penaguião e São João da Pesqueira, bem como da Associação de Operações Especiais e do Turismo do Douro.

Este evento desportivo de Corridas de Aventura teve como principal objectivo o desenvolvimento de valores humanos numa competição que promoveu o trabalho em equipa e o respeito pelo meio ambiente e que contou com a presença de algumas das melhores equipas portuguesas e espanholas, tanto no escalão Elite, onde se disputou o Campeonato Ibérico, como no escalão Aventura, onde se disputou o III Raid Aventura Ranger, primeira prova da época desportiva 2009 /2010 da Taça de Portugal de Corridas de Aventura da FPO e simultaneamente o Campeonato do Exército 2009.

O Raid, etapa a etapa

O III Raid Aventura Ranger foi constituído por nove etapas, as seis primeiras das quais tendo por palco a majestosa região do Alto Douro Vinhateiro e as três últimas decorrendo num cenário diferente, de média montanha na Serras de Montemuro e Meadas. Feito o ‘check-in” das 43 equipas participantes e após o necessário ‘briefing’, o Raid iniciou-se às 9h30, na emblemática Praça de República em São João da Pesqueira, numa etapa de 27 km de Orientação em BTT até à tradicional Quinta das Carvalhas, onde teve inicio a 2ª etapa, esta de Orientação Pedestre, com 13 km, pelos característicos socalcos do Douro até ao Pinhão. É no Pinhão que começa verdadeiramente a dureza do Raid, com uma etapa de 22 km de Canoagem (dois elementos) e um salto de 8 metros de altura de uma ponte para o rio Douro, seguido de um percurso de Natação até alcançar um tradicional barco rabelo.

A 4ª etapa, iniciou-se às 16h45 em Armamar, levando as equipas a percorrer mais de 21 km em corrida e enfrentando um rappel suspenso com 30 metros de altura. Já caía a noite quando os raiders portugueses e espanhóis enfrentaram a mais dura das etapas: 42 km em BTT pelo acentuado declive que liga Armamar a Santa Marta de Penaguião. A sexta e última etapa de sábado ligou Santa Marta de Penaguião por um percurso em Orientação Pedestre de 17 km que terminou à 1h30 da madrugada no cais fluvial do Peso da Régua.

Novo dia, novas provas

Depois de algumas horas de repouso, os atletas retomaram o esforço num cenário completamente diferente! Oito da manhã, com o característico frio da Serra de Montemuro, o Mezio (Castro Daire) foi o ponto de partida para a 7ª etapa, de Orientação Pedestre com rappel, slide e ponte funicular de cordas, numa extensão de 19 km até Feirão (Resende), onde se lançaram para a penúltima etapa ligando Feirão a Lamego pela Serra das Meadas, num percurso de BTT com 23 km. Uma aparatosa queda de bicicleta do atleta Pedro Silva, afastou a equipa Millennium BCP das aspirações a um lugar no pódium e a equipa espanhola The North Face - Forum Sport consolidou a liderança que já haviam conseguido do dia anterior, logo seguidos pelas equipas do Clube de Praças da Armada” e da GLOBAZ.pt boxit.

A última etapa, na cidade de Lamego, foi a mais tranquila com jogos tradicionais e tiro com arco, culminando quase 200 km de esforço entre BTT, corrida pedestre, Canoagem e vários obstáculos, como o rappel, slide, ponte funicular, etc., que puseram à prova a destreza dos atletas.

Resultados

As classificações finais ficaram assim ordenadas:

Elite
1º The North Face - Forum Sport (ESP) 87 cp’s
2º Clube de Praças da Armada (POR) 80 cp’s
3º GLOBAZ.pt boxit (POR) 80 cp’s

Elite mista
1º ADA DESNÍVEL (POR) 66 cp’s
2º CAB – SUPERBIKE (POR) 59 cp’s
3º Greenland ATV (POR) 35 cp’s

Aventura
1º Escola Naval (POR) 84 cp’s
2º BRIG MEC (POR) 77 cp’s
3º TRONADOR ACCENTURE (ESP) 77 cp’s

Promoção
1º Oikos Ecosense (POR) 30 cp’s
2º Adventure Team (POR) 26cp’s
3º ATV Promoção (POR) 22 cp’s

Em termos globais (Elite + Elite Mista), Portugal sagrou-se País Campeão Ibérico de Corridas de Aventura 2009.

Algumas impressões

“(…) Gostámos muito da região e das paisagens. Seria bom que houvessem mais provas no "Portugal profundo", porque nos últimos anos os locais têm-se repetido muito e o interior tem sido um pouco esquecido; esperemos que ao menos o Exército nos continue a brindar com provas em locais destes.”
Jorge Xará

“O Exército, em particular os Rangers e o mentor do projecto (Higino Esteves), estão de parabéns pela prova montada e a forma como nos receberam. Prestaram um excelente serviço à "causa" das Corridas de Aventura. Para eles deve ser endereçado o Louvor da Semana.”
Jorge Baltazar

“Uma das principais razões que me levaram a Lamego, foi o facto de a prova ser organizada pelo exercito, que para mim é sinónimo de muita qualidade em tudo. Como seria de esperar, tinha razão e a organização está de parabéns.”
Nuno Renato

“ (…) Realmente é impossível competir contra as equipas espanholas pois a profissão deles é treinar. Acho que, se alguns atletas de Corridas de Aventura tivessem mais apoios, teriam mais disponibilidade para treinar, mais vontade e motivação. Será a evolução natural da modalidade e só assim poderemos vir a ganhar.”
João Neto

“O slide não estava em consonância com o nível de segurança para uma Corrida de Aventura. Falha não detectada pela supervisão. A prova de Score 100 estava mal dimensionada pondo em causa dezoito horas de esforço. Deve de existir sempre uma alternativa para as equipas conseguirem os 100. (…) Os percursos tinham demasiada corrida vs bicicleta e tinham demasiado alcatrão.” (…) Foram anunciados banhos no acantonamento e falharam por não haver água. (…) Clareza nas informações. Elevado grau de prontidão no resgate, boa presença do apoio médico que se traduz em confiança na organização. Apoio/comunicação às equipas excelente. Nota positiva para a prova sendo mesmo de classificar por média alta.”
Carlos Cunha

“É positivo para a modalidade constatar que as equipas de um modo geral têm vindo aos poucos dar os parabéns à organização da prova de Lamego e têm também apontado os aspectos menos positivos que encontraram na prova. Quer-me parecer que se a prova não tivesse sido tão agradável, as equipas teriam do mesmo modo vindo aqui criticar veemente a organização.”
André Ribeirete

“(…) Felicidades por un raid espléndido, con una gran organización, una buena proporción entre las pruebas y una sensación de cariño y respeto por todos los que hemos paticipado y los que han organizado. (…) Sigo recalcando la idea de lo bien organizados que estan las "corridas" portuguesas, en eso si que tenemos que aprender mucho los organizadores de las pruebas españolas: la calidad de los mapas, hojas de asistencia...etc...”
Gonzalo Fernández

“Eu agradeço a todas as pessoas que organizam as provas e ao seu empenho, pois sem elas não haveria corridas de aventura...e isso seria mau, pois eu adoro fazer isto...eu e de certeza muitos mais...”
Patrícia Serafim



Mais informações e fotos autorizadas em www.raidranger.com.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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VENHA CONHECER... TÂNIA COVAS COSTA

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Chamo-me… TÂNIA Catarina Afonso COVAS Pinheiro da COSTA
Nasci no dia… 15 de Julho de 1978, em Braga
Vivo em… Braga
A minha profissão é… Professora de Educação Física
O meu clube… .COM - Clube de Orientação do Minho
Pratico Orientação desde… 2003

Na Orientação…

A Orientação é… uma actividade fantástica!
Para praticá-la basta… um mapa!
A dificuldade maior… orientar-me no meio do mato!
A minha estreia foi em… Braga!
A maior alegria… a primeira vez que ganhei uma prova, em Braga!
A tremenda desilusão… a primeira vez que tive que desistir, em Vendas Novas!
Um grande receio… magoar-me!
O meu clube é… muito trabalho, mas com satisfação!
Competir é… o meu objectivo!
A minha maior ambição… participar nuns Campeonatos Internacionais!

… como na Vida!

Dizem que sou… eléctrica!
O meu grande defeito… perfeccionismo!
A minha maior virtude… trabalhadora!
Como vejo o mundo… um desafio!
O grande problema social… a inveja!
Um sonho… ser reconhecida pelo meu trabalho!
Um pesadelo… não ver esse reconhecimento!
Um livro… “O Nome da Rosa”!
Um filme… “A Lista de Schindler”!
Na ilha deserta não dispensava… um barco!

Na próxima semana venha conhecer Leandro Lima.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

PELO BURACO DA FECHADURA...


A Taça de Portugal de Orientação em BTT está de regresso. Na companhia de Alexandre Reis, viajamos hoje até à Beira Baixa, ao encontro do I Ori-BTT de Idanha-a-Nova. Venha connosco espreitá-lo pelo buraco da fechadura.

Ligado aos mapas desde sempre, Alexandre Reis planeava uma corrida de aventura há dois anos atrás quando surgiu a ideia de realizar uma prova de Orientação em BTT. “Tinha identificado a área na Carta Militar e despertou-me muita curiosidade a malha de caminhos lá existente. Quando percorri a área toda, mais convencido fiquei que tínhamos ali um ‘santuário’ para a prática de ORI-BTT.” Ao encontro do I Ori-BTT de Idanha-a-Nova, é desta forma que tem início a nossa conversa com o seu Director Técnico.

Segunda prova da Taça de Portugal de Orientação em BTT 2009/2010, o I Ori-BTT Idanha-a-Nova realiza-se já no próximo fim-de-semana, nas proximidades de Penha Garcia e das Termas de Monfortinho. A organização é da responsabilidade da Secção de Orientação da ADFA – Associação dos Deficientes das Forças Armadas, Câmara Municipal de Idanha-a-Nova e Federação Portuguesa de Orientação. A este propósito, Alexandre Reis destaca a importância do Município de Idanha-a-Nova como sendo “o nosso grande parceiro, que nos apoia a vários níveis. Sem esse apoio e toda a logística local disponibilizada, nomeadamente uma tenda de grandes dimensões que será a casa do evento na floresta, seria praticamente impossível realizar a prova tão longe da nossa área de residência.”

Qualidade e emoção prometidas

Distância Longa no sábado, Distância Média no domingo e 244 atletas inscritos, distribuídos por dois escalões de Formação, dezasseis escalões de competição e dois escalões abertos (OPT’s, curto e longo). Com 21 atletas inscritos, o COC é o clube mais representado. Nomes como os de Daniel Marques, Guilherme Marques, Joel Morgado, Paulo Alípio, Luís Pires, Pedro Serralheiro, Luís Tenreiro, Albano João, Luísa Mateus ou essa surpresa que dá pelo nome de Catarina Ruivo garantem ao emblema leiriense a maior fatia de favoritismo em vitórias, tanto individuais como colectivamente.

Mas há muitos e grandes nomes para além destes. De Espanha vêm seis atletas, entre os quais Anita Viel (CRON) e Susana Arroyo (Sotobosque), duas das melhores orientistas em BTT daquele país. Quanto à “prata da casa”, João Ferreira e J.J. Sancosmed (DA Recardães), Eduardo Sebastião e Luís Sousa (Clube TAP), Inácio Serralheiro e Margarida Gonçalves Novo (CN Alvito), Francisco Moura (Montes e Vales), Mário Guterres e Rita Guterres (ADFA), Susana Pontes e Rui Botão (CPOC), Davide Machado (.COM), Maria Amador (ATV), João Palhinha (CPA – Abrunhos) e Alice Silva (GDU Azóia) são apenas alguns dos nomes que dão garantias duma fantástica jornada, fazendo jus à máxima da organização: “Muita adrenalina, muita animação e, acima de tudo, muito desportivismo.”

“Só espero que o tempo melhore”

O local onde decorrerão as provas não vai defraudar, seguramente, as expectativas. A esse propósito, Alexandre Reis adianta que “a execução do mapa foi em Março e os percursos em Julho.” Quanto ao mapa em si, é sua convicção tratar-se dum mapa que “reúne excelentes condições para a prática da modalidade, apesar de estar longe de todas as infra-estruturas. Essa foi – e é! - a nossa maior dificuldade, ou seja, criar no meio da floresta um espaço agradável, envolvente e de festa, que satisfaça as necessidades do evento.”

E a terminar: “Será uma prova com ritmos elevados e com muitas opções, com o relevo a ter uma influência decisiva na determinação dos melhores tempos. Só espero que o tempo melhore, para que a lama não seja um parceiro indesejável das ‘bikes’ (e da organização) e no final saiam todos satisfeitos com esta jornada.”

Tudo para conferir
http://oriadfa.no.sapo.pt/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. O despacho tem data de 13 de Outubro de 2009, é assinado pelo Presidente da FPO, António Manuel da Cruz Rodrigues e reza assim: “Na sequência do seu pedido de filiação nesta Federação, tenho o prazer de informar V/ Ex.a que foi admitido como sócio individual da FPO, com o número 5079 (cinco mil e setenta e nove).” Está consumado mais um passo importante da minha vida pessoal e desportiva e é com imenso orgulho e humildade que me associo de pleno direito à grande família da Orientação portuguesa.

2. Começa a ser um hábito ver grandes nomes da Orientação mundial a brilhar em provas de Montanha. Mikhail Mamleev, Michele Tavernaro, Hanny Alston, David Schneider, Esther Gil Brotons ou Ionut Zinca são disto bons exemplos. Agora, de Söll (Áustria), chega-nos a notícia da vitória do internacional suíço Marc Lauenstein no 6º Challenge Mundial de Corrida de Montanha de Longa Distância, prova de 42 km disputada nas montanhas tirolesas no passado dia 12. Pode ler a notícia em
http://correrxmuntanya.blogspot.com/2009/10/lauenstein-and-pichrtova-win.html.

3. Para os menos atentos, há muitas e boas novidades na plataforma Moodle da Escola Secundária de Palmela, nomeadamente no que se refere à divulgação da modalidade. Chamadas de atenção para programas, colóquios, entrevistas ou eventos futuros – sem esquecer o Dia Nacional da Orientação -, de tudo um pouco se vai construindo esta base de convergência e se vão estreitando laços entre alunos e professores. Vale a pena passar por
http://moodle.espalmela.net/. Um exemplo a seguir.

4. Acaba de sair o número 3-2009 do “O-Zine”, a folha noticiosa periódica da responsabilidade da Federação Internacional de Orientação. Destacando o incremento que a modalidade está a ter em Taipei (deliciosa a foto com Daniel Hubmann no seio do comité de voluntários, aquando da realização dos World Games em Kaoshiung), a ‘newsletter’ debruça-se ainda sobre o ouro de Andrey Khramov nos Jogos Mundiais, o regresso de Simone Niggli, o segredo da boa forma de Daniel Hubmann e ainda as impressões de Martin Johansson sobre a modalidade em geral e, em particular, sobre a sua terrível lesão no WOC Miskolc, um dos acontecimentos que marcou a temporada passada. Com textos e fotos de Erik Borg, tudo para ler em
http://www.orienteering.org/i3/index.php?/iof2006/content/download/2807/12888/file/O-zine 3-2009.pdf.

5. Numa altura em que Joaquim Sousa, José Fernandes e António Amador regressaram já a Portugal - Manuel Dias, Francisco Coelho, José Pires e Margarida Rocha ainda permanecem em terras australianas -, o Orientovar gostaria de reforçar esse excelente desempenho dos “sete magníficos” na terra dos cangurus e a forma como dignificaram a Orientação portuguesa. Para eles vai, com um forte sentimento de simpatia e admiração, o Louvor da Semana.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 20 de outubro de 2009

OS VERDES ANOS: PAULO FALCÃO


Olá,

Sou o Paulo Falcão, tenho 17 anos e moro em São Pedro da Gafanhoeira, Arraiolos. Frequento a Escola Cunha Rivara, de Arraiolos, e estou neste momento no 11º Ano de Escolaridade, em Ciências e Tecnologias; pretendo continuar os estudos depois de completar o 12º Ano, mas ainda não sei que curso irei prosseguir.

Desde os 10 anos de idade que faço desporto nas Escolas e Escolinhas de Desporto de São Pedro da Gafanhoeira, praticando várias modalidades e participando em eventos no distrito de Évora.

O meu primeiro contacto com a Orientação foi no jardim público de Vendas Novas onde o Tiago e a Raquel organizaram uns pequenos jogos para introdução à modalidade. Nessa altura não tinha ficado com o gosto da Orientação e só depois, uns meses mais tarde, é que participei numa prova do OriÉvora e aí o ‘bichinho’ entrou.

Em Dezembro de 2005 participei no meu primeiro estágio de Orientação, o OriJovem em Évora. Foi um estágio muito importante pois nunca tinha estado numa situação parecida, a conviver durante todo o dia com os meus amigos e a conhecer pessoas novas, a dormir em camaratas com outras pessoas que não conhecia e, o mais marcante ainda, ver como existiam rapazes e raparigas da minha idade que eram excelentes orientistas, que eu pensava que nunca se desorientavam, ao contrário de mim que ainda tinha muitas dificuldades em perceber algumas coisas que se encontravam no mapa. A partir daí continuei a participar em provas regionais e em estágios.

A minha primeira prova Nacional, no escalão de Iniciados, foi em Óbidos. Devo salientar que a prova não correu muito bem pois na primeira etapa não consegui acabar o percurso e na parte da tarde perdi muito tempo para o primeiro ponto onde fui apanhado por uma atleta feminina que tinha o percurso igual ao meu e acabei por fazer o resto da prova com ela.

Quando, em Março de 2007, foi criada a Escola de Modalidade de Orientação de S. Pedro da Gafanhoeira, com a ajuda do Tiago e da Raquel comecei a praticar Orientação regularmente e principalmente a treinar para poder evoluir e conseguir ser tão bom ou melhor do que aqueles que tinha visto no estágio de Évora. Fruto desse trabalho, na época de 2008/2009 comecei a ter alguns resultados que para mim eram bons, quer na Orientação Pedestre, quer nos Corta-Mato distritais.

O que me marca mais na Orientação até ao momento foi a participação no Mundial de Desporto Escolar em Madrid. Foram dias únicos os que lá passei, tendo percebido como eram os atletas dos outros países mas também podido conhecer melhor e fazer amizades com os atletas portugueses.

Esta época consegui entrar no Grupo de Selecção e vou continuar a treinar e a evoluir o mais possível para que possa vir a representar a Selecção Portuguesa numa prova Internacional.

Espero que todos treinem e cumpram os seus objectivos.

Paulo Falcão

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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

III ORI-CORUCHE: O BALANÇO DE HUGO BORDA D'ÁGUA


Peça maior duma estrutura organizativa abnegada e de qualidade, Hugo Borda d’Água coloca um ponto final no III Ori-Coruche, deixando-nos aqui as suas impressões em jeito de balanço.


Após o término da 3ª edição do Troféu OriAlentejo, em Coruche, no passado mês de Julho, ter também a responsabilidade de organizar a primeira etapa do IV Troféu OriAlentejo foi para o COAC algo bastante importante para a continuação da evolução do clube a nível organizativo.

Como consideramos que a Arena é um factor extremamente importante numa prova de Orientação, fizemos um esforço no sentido de aproveitar as excelentes condições das estruturas já existentes na Herdade dos Concelhos e adicionar outras externas, de modo a criar uma arena que permitisse aos presentes "sentir o calor da Orientação". Conseguimos ter nesta Arena um Bar a funcionar a 100% como ainda nunca tinha existido nas nossas organizações, os dois primeiros classificados dos pontos dos escalão Difícil (Masculino e Feminino) a traçar e explicar as suas opções, e ainda antecipar a chegada dos atletas ao ponto de espectadores com um ponto de rádio. Estes foram aspectos novos nas organizações em Coruche e que pensamos terem sido apostas ganhas.

Por outro lado, se consideramos que a Arena é muito importante e deve haver sempre uma preocupação em permitir a todos assistir à emoção do desenrolar da prova, não é menos verdade que uma prova sem mapa e percursos de qualidade é um desastre. Neste aspecto, pensamos que o mapa da Herdade dos Concelhos e os percursos, tanto a nível técnico como físico, foram um verdadeiro desafio e que a grande maioria dos participantes gostou. Não sendo novo, este é um mapa que continua a ser extremamente desafiante para todos, tal como pensamos ter ficado demonstrado nesta prova.

De entre estes participantes, a presença, apenas e só, da grande maioria dos atletas que disputam os primeiros lugares dos Escalões de Elite (Masculino e Feminino) da Taça de Portugal, foi algo que contribuiu imenso para o aumento da emoção no desenrolar da prova e nos deu imenso prazer como organizadores de uma prova do Troféu OriAlentejo. Este aspecto só foi possível, pela integração da prova no estágio que decorreu este fim-de-semana em Arraiolos, restando-nos agradecer a todos os que permitiram esta integração, sobretudo ao Tiago Aires. Assumiu também destaque o elevado número de inscritos da Faculdade de Motricidade Humana (FMH).

De um modo geral, pensamos que o balanço é positivo mas há sempre aspectos a melhorar e, acima de tudo, o nosso pensamento passa já em trabalhar para tentar elevar a fasquia na próxima organização. Sem apoios e sem a existência de um conjunto de sinergias que funcionem de uma forma extremamente sincronizada, não é possível organizar eventos como este. Esta organização só foi realidade devido ao intenso apoio da Câmara Municipal de Coruche e Junta de Freguesia da Erra, assim como o incansável trabalho do Gafanhori, mais concretamente do Tiago Aires, da Raquel Costa e da Isabel Salgado. A todos, apoios que foram também parte integrante da organização e participantes, o nosso muito obrigado.

Esperamos que esta tenha sido uma primeira prova de um Troféu OriAlentejo sempre em crescendo, desde a qualidade das provas ao número de participantes.

Hugo Borda d’Água

[mapa do escalão Difícil extraído da página oficial da prova em
http://coaclub.com/3oricoruche/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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III ORI-CORUCHE: VITÓRIAS DE MIGUEL SILVA E PATRÍCIA CASALINHO


Miguel Silva e Patrícia Casalinho foram os grandes vencedores do III Ori-Coruche, prova local de Orientação Pedestre disputada em Vila Nova da Erra.

No arranque do IV Troféu Ori-Alentejo, teve lugar a 3ª edição do Ori-Coruche, prova local de Orientação Pedestre da responsabilidade do COAC – Coruche Outdoor Adventure Club, com os apoios do Município de Coruche, Junta de Freguesia de Vila Nova da Erra, GafanhOri, ADFA e Federação Portuguesa de Orientação.

Tendo-se estreado nas lides organizativas com o I Ori-Coruche, em 16 de Março de 2008, o COAC não pára de crescer. Com pouco mais de dois anos de vida e cinco provas levadas a cabo desde o seu aparecimento, o novel clube de Coruche vai colhendo saborosos frutos duma dinâmica que privilegia a promoção e divulgação da modalidade, consubstanciados desta feita num número de participantes a ultrapassar as duas centenas. Mais concretamente foram 203 os atletas em prova, distribuídos por seis escalões de competição e um escalão de iniciação, o que constituiu um muito saudado ‘record’ de presenças em provas organizadas pelo COAC.

Os grandes vencedores

No principal escalão, Miguel Silva (CPOC) voltou a mostrar enorme superioridade face à concorrência, completando a prova de 7,4 km (23 pontos de controlo) em 51.47 e repetindo assim a vitória na edição anterior do evento. De acordo com as opiniões do atleta “o mapa era bom e os percursos foram exigentes técnica e, sobretudo, fisicamente.” No culminar duma semana com bastante carga e de uma manhã de estágio exigente, Miguel Silva considera que o maior desafio “foi ultrapassar o cansaço, num terreno muito duro.” As últimas palavras são para o clube organizador: “Ter um ‘speaker’ numa prova local é um luxo e o deste sábado esteve particularmente bem. Parabéns ao COAC, um dos clubes que mais se tem desenvolvido nos últimos tempos.”

No sector feminino, a história resume-se ao domínio esmagador de Patrícia Casalinho (COC), gastando 1.16.08 para os mesmos 7,4 km de prova, contra 1.28.25 da sua adversária mais próxima, Rita Rodrigues (GafanhOri). Patrícia Casalinho vê o seu nome inscrito pela primeira vez no Quadro de Honra do Ori-Coruche, depois das vitórias de Maria Sá e Ana Coradinho nas duas primeiras edições do evento.



RESULTADOS

Difícil Masculino: 1º Miguel Silva (CPOC) 51.47; 2º David Sayanda (GafanhOri) 54.07; 3º Tiago Romão (COC) 55.10; 4º Jorge Fortunato (Ori-Estarreja) 55.38; 5º Celso Moiteiro (COC) 56.51; 6º Pedro Duarte (ADFA) 1.04.04; 7º João Mega Figueiredo (CN Alvito) 1.05.14; 8º Pedro Silva (GafanhOri) 1.07.07; 9º André Cardeira (COC) 1.07.14; 10º Tiago Lopes (CAOS) 1.07.26. Difícil Feminino: 1º Patrícia Casalinho (COC) 1.16.08; 2º Rita Rodrigues (GafanhOri) 1.28.25; 3º Ana Coradinho (GafanhOri) 1.33.50; 4º Paula Nóbrega (OriMarão) 1.42.44; 5º Catarina Ruivo (COC) 1.44.05; 6º Lídia Santana (CAOS) 1.49.53; 7º Inês Pinto (GafanhOri) 1.52.49; 8º Cidália Martins (COA) 2.36.38; mp Andreia Silva (COC); mp Carla Saraiva (Ori-Estarreja). Médio Masculino: 1º Mário Duarte (ADFA) 45.45; 2º João Cascalho (GafanhOri) 50.55; 3º Armando Santos (Clube EDP) 1.01.03. Médio Feminino: 1º Inês Domingues (COC) 1.11.32; 2º Ana Anjos (GafanhOri) 1.12.19; 3º Ana Salgado (GafanhOri) 1.12.23. Fácil Masculino: 1º Olavo Lopes (COAC) 33.42; 2º Gonçalo Mesquita (COAC) 40.20; 3º Rui Neves (COAC) 43.50. Fácil Feminino - 1º Rute Coradinho (GafanhOri) 31.14; 2º Teresa Maneta (GafanhOri) 31.48; 3º Joana Palhinha (GafanhOri) 36.43. Iniciação: 1º Gabriel Brasileiro (COAC) 27.38; 2º Adelaide + Custódio (GafanhOri) 38.29; 3º Alexandre Rodrigues (GafanhOri) 43.19.

Sprint Nocturno a fechar o programa

A fechar um dia bem orientado, trinta atletas participaram em Vila Nova da Erra no Sprint Nocturno, com vitórias de Fábio Coradinho (GafanhOri) em Absolutos Masculinos e de António Pedro + Rui (COALA) e Rute Coradinho (GafanhOri) no escalão Fácil (Masculino e Feminino, respectivamente).

A Orientação regressará a Coruche apenas no próximo ano, com a realização do II Troféu do Sorraia [http://coaclub.com/trofeusorraia10]. Antes disso, porém, teremos nas Bardeiras – Vimieiro, a 2ª etapa do IV Troféu Ori-Alentejo. Será no dia 21 de Novembro, com a chancela organizativa do Clube GafanhOri. Imperdível!

Toda a informação deste III Ori-Coruche em
http://www.coaclub.com/3oricoruche.

[fotos gentilmente cedidas por Isabel Salgado]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 17 de outubro de 2009

WMOC 2009: CRONIQUETA


Manuel Dias no seu melhor, e mais não digo… Leiam, queridos amigos, leiam e deliciem-se.


CRONIQUETA

As desistências de Jan Solli e Etienne Bousser, candidatos ao ouro em M55 e M60, e também a do nosso José Fernandes em M50, atestam bem a dificuldade das finais A de Distância Longa nestes Mundiais de Veteranos que terminaram hoje na Austrália. O meu 13º lugar deixa-me, por isso, inteiramente satisfeito. Nestas três provas disputadas perto das Blue Mountains (duas qualificatórias e final), nem sempre com certeza fiz as melhores escolhas de itinerário, mas não cometi nenhum erro grave de navegação.

Há certamente muitas situações que gostaria de comentar no âmbito desta competição, mas acho preferível partilhar convosco outros momentos inolvidáveis desta aventura que a greve dos pilotos da TAP me obrigou a começar a 23 de Setembro, 24 horas antes do previsto. Como na altura escrevi no livro de honra do Museu do Design de Zurique, “o Acaso (Deus, dizem outros) escreve direito por linhas tortas”: Depois de dormir no aeroporto, pude revisitar a cidade e deliciar-me com uma fabulosa retrospectiva do fotógrafo Michel Comte. Tomem nota, vai ficar até 3 de Janeiro. Mas não é disso que reza esta croniqueta que alinhavei na última madrugada. Aí vai.

Esta viagem à Austrália, ganhei-a num concurso de televisão, não me custou um tusto e aqui é tudo à borla. É assim que eu tenho encarado as coisas. Os Masters 2009 são apenas mais cinco provas, menos importantes do que qualquer regional do Ranking Sul, não tenho de prestar contas disto a ninguém.

A verdade é um pouco diferente. Este projecto, nascido há um ano em Istambul quando o Peissard me disse que ia alugar uma auto-caravana para duas pessoas e que tinha um lugar para mim, custou-me uma pequena fortuna, mas a Rosário e os meus amigos mais chegados sabem que sobre isso já chorei o bastante em Lisboa. Quando, durante a escala no Dubai, me apercebi de que esta roleta dos fusos horários me ia roubar meio dia de vida (há-de devolver-mo no regresso, mas enfim), decidi pôr uma rolha na caldeira das angústias e viver o sonho do concurso televisivo.

Escrevo esta nota a 17 de Outubro, na madrugada antes da final de Distância Longa. Deixem-me continuar a ser irresponsável. Não me apetece dormir. Hei-de ir com uma noite em branco para o “Labirinto do Carwell” – é assim que se chama o mapa. Mas terei avançado mais um pouco nas 900 páginas de “As Benevolentes”, de Jonathan Littell, que em boa hora decidi pôr na mala, retirando por conta disso quase dois quilos de cuecas, meias e barras de chocolate. Não sei porque é que continuam a fazer livros tão pesados. Os editores não devem ter o hábito de ler na cama e acabar com o nariz esmurrado naquela linha em que o sono estava mesmo a chegar. Adiante.

Vamos então àquilo que quero contar: a minha noite mais fria da Austrália.

Honeysuckle Creek Tracking Station, 6 de Outubro. Ontem fizeram anos a Isilda, o Isaú e um dos filhos da Carla Guedes. Não houve ‘sms’ para ninguém. Espero que o Dionísio tenha hoje (amanhã) melhor sorte quando sairmos daqui. Às 8h da manhã do dia 7 serão ainda 10 da noite do dia 6 em Lisboa, e nessa altura já estaremos a caminho de Camberra. É do domínio do surreal esta questão das comunicacões. Neil Armstrong, primeiro humano a pôr o pé na Lua, Verão de 1969. Lembram-se? Muitos de vocês ainda não eram nascidos, mas conhecem de cor esse registo histórico. O que talvez alguns não saibam é que o primeiro lugar da Terra aonde essas imagens chegaram foi exactamente aqui, a Honeysuckle Creek Tracking Station, onde a NASA manteve uma estacão espacial entre 1967 e 1981, dando apoio à Apollo 11, Skylab e outros projectos americanos. Vejam bem, nessa altura Honeysuckle estava em contacto com a Lua e agora, 40 anos depois, não se consegue mandar uma mensagem para a minúscula povoação de Tharwa, que fica a meia dúzia de quilómetros, na outra extremidade da Apollo Road. Nem ponta de sinal no telemóvel.

Tenho a tenda montada a menos de 200 metros da plataforma onde funcionou a estação da NASA, como recordam as fotografias e o discreto aparato museológico patentes no local. A outros 200 metros, abre-se a clareira onde esta manhã esteve instalada a arena da minha sexta prova por estas bandas. Para trás ficaram os Campeonatos do Estado de Victoria e os Campeonatos Nacionais da Austrália, onde obtive o meu melhor resultado desta digressão: 2º lugar no Sprint, a 27 segundos de Paul Pacque (campeão mundial da Longa) e à frente de Nigel Davies, Eddie Harwood e outras estrelas. Para trás ficaram as noites maravilhosas de Castlemaine, Halls Gap, Benalla, Bendigo, Wangaratta e Corryong, que só encontrarão paralelo nas Fitzroy Falls e Monte Keira, com a interminável cidade de Wollongong transformada num mar de luz estendido lá em baixo, à distância. Para trás ficaram os reencontros (Tim Sands, Roy Dawson, Juahni Salmenkyla, Alice Bedwell, Sharon Crawford, Etienne Bousser, Blair Trewin, Eddie, Arthur...) e as novas amizades, entre as quais a indescritível Angela Murray, em cuja casa, nos arredores de Sydney, estenderei o colchão e o saco-cama e tomarei o primeiro duche australiano, 16 dias depois de ter saído de Lisboa.

Vá lá, não se escandalizem. Litro e meio de água num balde e uma ou outra bacia de toilette pública foram assegurando aquela higiene mínima de eslavaçar diariamente o focinho, os sovacos e as ditas partes íntimas. A verdade é que o Peissard, eu e mais a nossa autocaravana, que também se chama Apollo, não gastámos um cêntimo em pernoitas até chegar às Blue Mountains para este Masters de Distância Longa. E acreditem que temos dormido nalguns recantos verdadeiramente privilegiados. Às vezes, se calhar, à revelia de alguma cláusula legal mais obtusa. O que poupámos nos parques tem-nos dado para ajuizar a forma como o Cabernet, Merlot e Shiraz convivem com o “terroir” australiano. E a nossa classificação, por enquanto, não é nada negativa, apesar de – perdoem-me os meus amigos enófilos – as nossas notas de prova se basearem em caixas de 2 e 4 litros.

Tudo isto veio atrelado à noite glacial de Honeysuckle, e ainda não falei dela. Como praticamente todos os dias desde que aqui desembarquei a 26 de Setembro, tinha chovido durante a tarde e noite. E muito vento. E muito frio. De manhã, ao correr o fecho da tenda, houve qualquer coisa que não funcionou como de costume. E, antes de sair, ao tentar dobrar a aba do tecto exterior, foi como se tivesse partido um vidro. Toda a cobertura externa era um cristal de gelo. Eu poderia, aliviando as espias, ter levantado aquela carapaça e colocá-la de pé, ali ao lado, sem qualquer apoio.

Tive mesmo de recorrer às luvas que achara dois dias antes, perto de Thredbo, no Parque Nacional de Kosciuszko (Snowy Mountains), durante um longo passeio pelo Dead Horse Gap Track. O Eddie e o Arthur já por ali andavam de binóculos em punho naquele paraíso do “bird watching”. As cucaburras, os papagaios e as catatuas não se calavam desde antes das 5 da manhã. E eu tinha as unhas, o nariz e os pés congelados. Enfiei a tenda, por partes, em três sacos de plástico, e fui fazer as últimas imagens de cangurus na tal plataforma da NASA. Cresce por ali uma ervinha que faz as delícias destes ‘ora-bípedes-ora-quadrúpedes’. E deixam-se aproximar para as fotos, até que lá partem naqueles seus saltinhos (ironia do local) que fazem lembrar a impulsão de Armstrong na surpreendente leveza da atmosfera lunar.

Como podem adivinhar, a primeira coisa que fiz ao chegar a Camberra foi comprar um camisolão quentíssimo, umas calças forradas a pêlo, meias grossas e mais um gorro. Lá se foi quase o preço doutro bilhete de avião.

Manuel Dias



[foto de Manuel Dias na Praia da Vieira, durante a sua participação na final de Sprint do WMOC 2008]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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