terça-feira, 30 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR CARLOS FERREIRA


Prestes a chegar ao fim a ronda pelos clubes em busca desse balanço da temporada 2008/2009, viajamos neste último dia do mês de Junho até Águeda, ao encontro de Carlos Ferreira e do Desportivo Atlético de Recardães.


CARLOS FERREIRA
DESPORTIVO ATLÉTICO DE RECARDÃES

“O resultado global é o somatório dos resultados e interesses individuais”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o próximo grande desafio?

Carlos Ferreira - Os momentos mais significativos para a modalidade foram o POM’2009 e o Dia Nacional da Orientação. Não é que não tivéssemos outros grandes eventos desportivos, mas esses pela movimentação de atletas quer nacionais quer internacionais e pela envolvência de muitos clubes, merecem a minha distinção.


A nível do DAR refiro a organização do II ORI BTT Rota da Bairrada, de agrado da grande maioria dos atletas presentes e que nos deve fazer reflectir em relação à competição da Orientação em BTT. Se uma maior componente técnica ou uma maior componente física. Estes Campeonatos Mundiais que terminaram na Dinamarca talvez tenham dado algumas indicações do caminho a seguir.

Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução da modalidade?

Carlos Ferreira - Sobre a evolução da modalidade, refiro o aumento de praticantes jovens conseguido por alguns clubes e que perspectiva algum rejuvenescimento na modalidade e o aparecimento de grandes jovens entusiastas da modalidade. Penso que o grande crescimento da Orientação terá que ser feito no meio do Desporto Escolar e que as grandes apostas devem passar por reforçar provas locais/regionais com uma pequena logística para que se enraízem as sementes que levam posteriormente à sustentação das grandes provas nacionais.


Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima temporada?

Carlos Ferreira - Os votos para o DAR é que consiga manter a mesma forma de estar e de ser, que sempre demonstrou ao longo destes dezasseis anos da prática da Orientação e que tem granjeado grandes amizades desportivas, que consiga proporcionar nas provas desenvolvidas grandes alegria na sua participação e que desenvolva várias actividades no âmbito da formação a centenas de praticantes. Que o desempenho dos seus atletas seja sempre pautado pela grande motivação e que consigam representar o Clube ao mais alto nível, não só a nível Nacional como Internacional. Espera no entanto, que seja respeitado nas suas iniciativas e no desenvolvimento das suas provas e actividades.

Para a Orientação Nacional, que tenham sempre presente que o resultado global é o somatório dos resultados e interesses individuais e não desta ou daquela organização de forma pontual.


Veja também nesta rubrica as opiniões de
- Luís Santos, CPOC [
AQUI]
- Jacinto Eleutério, ADFA [
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- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
AQUI]
- António Amador, ORI-ESTARREJA [
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]
- Daniel Raposo, COALA [
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]
- Hugo Borda d’Água, COAC [
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- Afonso Pimentel, COA [
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- Guilherme Martins, ÀS 11 NO FAROL [
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- Jorge Ramos, CAMINHEIROS DA PORTELA [
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- Tiago Aires, GAFANHORI [
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- Carlos Monteiro, COC [
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- Nuno Pedro, CAOS [
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- Jorge Baltazar, GDU AZÓIA [
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- Vítor Rodrigues, GINÁSIO FIGUEIRENSE [
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- Jorge Silva, AMIGOS DA MONTANHA [
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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EYOC SERBIA 2009: A LONGA VIAGEM ATÉ KOPAONIK


São as primeiras novidades de Kopaonik, depois duma longa e cansativa viagem. Está tudo bem com a nossa comitiva e esta tarde já se realizou o primeiro treino – prometidos, para mais logo, testemunhos, mapas e mais fotos. Mas por agora aqui fica o testemunho da viagem e chegada a Kopaonik.


VIAGEM E CHEGADA A KOPAONIK

Posto a contar á saída de Leiria e parado à chegada aos apartamentos de Kopaonik, na Sérvia, o cronómetro mostrou que 54h55m51s foi o tempo que a comitiva portuguesa levou a chegar ao seu destino para disputar aqui, dentro de alguns dias, o Campeonato da Europa de Jovens.

Passagem por Portugal, Espanha, França, Itália, Eslovénia, Croácia e finalmente Sérvia.


Sábado, dia 27 de Junho. Depois da prova na Praia da Vieira, havia que arrumar tudo nas duas carrinhas e partir rumo a Espanha onde faríamos a primeira paragem para dormir. Após várias horas de viagem foi altura de, já perto da fronteira com a França, parar numa área de descanso, montar as tendas e dormir umas horas, para retomar a jornada.

Domingo, dia 28 de Junho. O dia estava destinado para atravessar todo o sul de França e alcançar pela madrugada Itália, tentando passar Veneza antes do amanhecer. E foi o que aconteceu. Enquanto uns dormiam, outros cantavam e em cada carrinha uma equipa contava os inúmeros túneis que surgem entre Nice (França) e Genova (Itália). Depois ambas as equipas compararam as suas contagens, o número final foi unânime: 137 túneis. Mas uma delas levava vantagem, já que tinha inclusivé, registado a distância de cada túnel, tendo a soma o valor de 58,922 Km!

Segunda-Feira, dia 29 de Junho. Na Eslovénia houve oportunidade de parar numa bela área verdejante, com um castelo, uma ponte sobre um rio e uma floresta impressionante a circundar. Uma estrutura flutuante de madeira sobre o rio foi o local escolhido para algumas fotos da equipa. A rota a partir da Eslovénia teve passagem junto ás seguintes capitais: Ljubljina (Eslovénia), Zagreb (Croácia) e Belgrado (Sérvia).

Aproximavam-se então as fronteiras onde teriam de ser exibidos os passaportes e que nos fariam estar cada vez mais perto do nosso destino. Essa passagem foi relativamente rápida, já que não havia filas, nem foram colocados quaisquer problemas à nossa passagem.

Já na Sérvia, o jantar antes de iniciar a subida para o Parque Natural de Kopaonik foi numa simpática pizaria, com cada pizza (grande) a custar o simpático preço de 1,50 Eur, fruto do baixo custo de vida que tem este país.

Depois de várias curvas sinuosas num trajecto sempre a subir, por entre vultos de árvores imponentes e encostas enormes, eis que surgem as luzes que indicavam a área urbana existente no topo da montanha. E foi com muita alegria que todos saíram das carrinhas, depois da longa viagem desde Portugal.

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[Texto de Raquel Costa e fotos de Hélder Ferreira]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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EYOC SERBIA 2009: OS QUINZE TALENTOS DE PORTUGAL

Já se encontra em Kopaonik, Sérvia, a comitiva portuguesa que participará, de 02 a 05 de Julho no EYOC 2009. O Orientovar faz aqui a apresentação dos nossos “quinze magníficos”, aproveitando para desejar a todos as maiores felicidades.

[clique na imagem para visualizar a Apresentação]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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OS VERDES ANOS: BRUNA COSTA


Olá

Chamo-me Bruna, tenho 10 anos e nasci no Porto.

Estudo na Maia e passei para o 6º ano.

Os meus passatempos preferidos são: ouvir música, passear, estudar, cinema, ler e praticar desporto (Andebol, Orientação).

O que eu mais gosto na Orientação é passear e conhecer novos sítios.

As diferenças entre o Andebol e a Orientação, é que o Andebol é um desporto colectivo e é praticado em recintos fechados. A Orientação é diferente, é um desporto individual e é praticado ao ar livre, que é uma vantagem comparando com o Andebol.

A minha primeira prova de Orientação foi no parque da cidade do Porto, em Junho de 2006. Desde ai tenho continuado a praticar a modalidade além de praticar Andebol desde os 6 anos.

Na minha opinião, deveriam haver mais crianças a praticar, para desenvolver o futuro da Orientação.

Nas minhas primeiras provas a maior dificuldade era identificar os vários elementos no mapa, mas com o tempo fui melhorando a leitura dos mapas.

A Orientação é uma modalidade que desenvolve a capacidade de concentração, o que na minha opinião contribui para um melhor aproveitamento escolar, de todos aqueles que praticam esta modalidade.

A Orientação é um desporto muito enriquecedor e desafiador.

Bruna Costa

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segunda-feira, 29 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR JORGE SILVA


Mais um capitulo deste balanço da temporada que se aproxima rapidamente do fim. Escutamos hoje Jorge Silva, o principal responsável pelos destinos da Secção de Orientoação da nóvel colectividade de Barcelinhos, Amigos da Montanha.


JORGE SILVA
AMIGOS DA MONTANHA

“Agarrar o público local”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o próximo grande desafio?

Jorge Silva - Os momentos mais marcantes da nossa época desportiva foram a conquista do 3º lugar em Estafetas por equipas no escalão H35, a subida ao escalão Elite do nosso atleta Leandro Lima e a organização da prova de Desporto Escolar, pela participação elevada.

Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução da modalidade?

Jorge Silva - A modalidade parece-me um pouco estagnada. Após um crescimento, até há cerca de três anos, a partir daí parece-me ter havido um abrandamento. Este quadro é um pouco preocupante, atendendo ao enorme potencial de crescimento, quer entre a população estudantil, quer na restante população.

Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima temporada?

Jorge Silva - Para o futuro próximo, a modalidade tem que agarrar o público local, das regiões onde os eventos se realizam. Para isso é necessária a existência de mais mapas de Orientação que facilitem a organização de eventos locais, sem sobrecarregar monetariamente os clubes e uma política de comunicação mais eficaz.


Veja também nesta rubrica as opiniões de
- Luís Santos, CPOC [
AQUI]
- Jacinto Eleutério, ADFA [
AQUI]
- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
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- António Amador, ORI-ESTARREJA [
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- Daniel Raposo, COALA [
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- Hugo Borda d’Água, COAC [
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- Afonso Pimentel, COA [
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- Guilherme Martins, ÀS 11 NO FAROL [
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- Jorge Ramos, CAMINHEIROS DA PORTELA [
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- Tiago Aires, GAFANHORI [AQUI]
- Carlos Monteiro, COC [
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- Nuno Pedro, CAOS [
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- Jorge Baltazar, GDU AZÓIA [
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- Vítor Rodrigues, GINÁSIO FIGUEIRENSE [
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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EYOC 2009: TIAGO AIRES EM ENTREVISTA


Atenções apontadas aos Campeonatos da Europa de Jovens de Orientação Pedestre EYOC Kopaonik 2009. É com grato prazer que o Orientovar dá hoje início a mais uma grande maratona jornalística, desta feita acompanhando aqueles que nos são mais queridos, os nossos jovens. Com a ajuda deles, procuraremos fazer da emoção e da partilha as palavras-chave deste espaço nos próximos dias. E, para começar, nada melhor que escutar o grande timoneiro desta nau de sonho, Tiago Aires.

.......... “Se um português marinheiro

.......... Dos sete mares andarilho
.......... Fosse quem sabe o primeiro
.......... A contar-me o que inventasse
.......... Se um novo olhar de novo brilho
.......... No meu olhar se enlaçasse
.......... Que perfeito coração
.......... No meu peito bateria”
.......... (…)
............................... Alexandre O’Neill


Orientovar - Depois dos resultados nos Mundiais de Desporto Escolar, qual o ponto da situação em termos de enquadramento e de progressão do grupo a poucos dias deste grande compromisso internacional?

Tiago Aires - Tendo em conta a idade dos atletas convocados, todos eles têm hipóteses de voltar a participar numa grande competição internacional destinada aos escalões jovens. Isto é bem demonstrativo da juventude existente e da forte aposta que deve incidir sobre estes atletas nos próximos anos. Acrescentando a isto o facto de, ao contrário do que vinha acontecendo, haver agora objectivos bem definidos, um acompanhamento diário dos atletas e uma adequada estratégia de estágios e provas, esta época tem-se constituído num verdadeiro ponto de viragem. Basta pensar que não se fazia praticamente nada, que agora já se faz alguma coisa e que se pode fazer muito mais no futuro. É unânime que o espírito de grupo, a entrega ao trabalho e fundamentalmente o acreditar que é possível ir mais além, são uma imagem de marca deste grupo, com resultados bem visíveis nos recentes Mundiais de Desporto Escolar. Tendo como pilares estas ideias, penso que se nos agarrarmos ao pilar do trabalhar mais, os resultados serão muito melhores.

Orientovar - Quais as responsabilidades da Direcção Técnica Nacional em todo este processo?

Tiago Aires - É inquestionável que o movimento que se esconde por detrás da dedicação destes jovens, de mais trabalho, de treino específico, de pensar a táctica da Orientação, de questionar e de querer melhorar, tem muito a ver com o movimento do OriJovem. Modéstia à parte, quem já passou pelo OriJovem percebe perfeitamente do que é que estamos aqui a falar. Há quatro ou cinco anos atrás, praticamente ninguém pensava em fazer treinos técnicos, por exemplo. Mas retomando a questão, o que surgiu primeiro, foi o ovo ou a galinha? Os passos tinham já começado a ser dados, os resultados começavam a ser visíveis, mas é claro que com o aparecimento duma Direcção Técnica Nacional, com o apoio institucional da Federação Portuguesa de Orientação, tudo se tornou muito mais fácil e os resultados surgem mais rapidamente. Veja-se o caso dos Mundiais de Desporto Escolar, a possibilidade dada aos atletas de terem um estágio prévio em Madrid, o facto de se juntarem antes em S. Pedro da Gafanhoeira, o facto de se convidar um técnico da Federação Portuguesa de Orientação, tudo isto são pequenos gestos que não têm grandes custos mas que, no fim de contas. fazem grandes diferenças.

Orientovar - Esta massa humana que começa a despontar é melhor do que aquela que existia há uns anos atrás?

Tiago Aires - É melhor e é maior. Há cinco anos atrás, era raro ver um atleta que já fazia Orientação desde os 9 ou 10 anos de idade. E se os havia – e o Pedro Nogueira é disso um bom exemplo -, vamos ver que tipo de provas é que faziam e verificamos que, para além de esporádicas, eram provas que tinham muito pouca qualidade, os percursos eram desadequados e por aí fora. Agora sim, já começam a aparecer atletas que fazem Orientação de qualidade desde muito novos, como é o caso do Diogo Miguel. E aqueles que hoje têm 8 e 9 anos terão outras e melhores condições ainda no futuro. No que respeita à quantidade, não me lembro de ver um escalão de Juvenis Masculinos tão apetrechado como esta época. Dantes vinham miúdos do Desporto Escolar que nem sabiam ler o mapa, ao passo que agora há mais de uma dezena de atletas com um nível impressionante. E isto é muito interessante…

Orientovar - Muito perto de ter início o EYOC, em termos globais, que resultados podemos esperar? É-nos permitido pensar em medalhas?

Tiago Aires - Acho que não! A maior parte dos nossos jovens está num processo de iniciação nas práticas competitivas internacionais, nestes eventos mais importantes. Uma medalha no EYOC não está ao alcance de qualquer um. O título de Sprint do Diogo Miguel há dois anos atrás é uma excepção a todos os níveis, não só em termos genéticos e fisiológicos, mas fundamentalmente a nível psicológico. O Diogo Miguel passava a época em Portugal praticamente despercebido e chegava lá e parece que era de outro nível. Mas penso que não se deve sequer estar a pensar em medalhas porque todos estes jovens ainda têm hipótese de, pelo menos mais um ano, voltar àquele tipo de competições. Acresce o facto deste terreno onde irão decorrer os Campeonatos da Europa de Jovens ser diferente de tudo aquilo que temos em Portugal. É um terreno muito montanhoso, com muita vegetação, o próprio Sprint não é urbano… Mas parece-me muito positivo todos eles estarem motivados para alcançar o melhor lugar possível. E se conseguíssemos, em cada um dos escalões, um lugar nos 20 primeiros já seria fantástico.

Orientovar - Como é que foi preparado este EYOC?

Tiago Aires - Não teve nenhuma preparação específica. Por ser em terrenos muito díspares daquilo a que estamos habituados, por todo o processo estar ainda numa fase muito inicial. Mas é muito importante os atletas passarem pela experiência de participar na prova mais importante da idade deles, aumentarem a competitividade, experimentarem terrenos muito diferentes, cometerem os erros e saberem depois lidar com isso… O que eu tenho procurado motivar os miúdos é para o EYOC 2010, esse sim num terreno muito idêntico ao nosso e onde nos podemos sentir mais à vontade.

No próximo ano, sim – e eles sabem perfeitamente -, queremos ficar nos seis primeiros lugares na Estafeta. E falo nas Estafetas porque essa é uma aposta forte. Nada é mais demonstrativo da capacidade de desenvolvimento duma Federação, dum país, do que a Estafeta. Porque é revelador da capacidade de união e organização de um grupo e porque é possível ganhar sem ter os melhores atletas. Isto está farto de ser provado. As Estafetas têm muito a ver com a atitude, têm muito a ver com a táctica, com a posição em que vamos, como jogamos com os elementos, com a garra, com a determinação… Exemplo disso é a Inglaterra, actual Campeã do Mundo de Seniores, com um trio de atletas que, à excepção do Jamie Stevenson, estão muito longe do top-20 mundial. Outro exemplo é o terceiro lugar da Espanha no EYOC, em Homens 16.

Orientovar - Do EYOC, estes jovens transitam para o JWOC. Com que expectativas?

Tiago Aires - Grande parte deles não vão participar no JWOC, na competição oficial, mas vão estar na prova paralela. É uma grande oportunidade de assistir ao JWOC, apoiar aqueles que estarão a competir – e este aspecto parece-me muito importante -, fazer posteriormente as provas que eles fizeram… Isto são experiências que ultrapassam em muito qualquer estágio, qualquer treino.

Orientovar - Pode-se esperar um futuro risonho para a Orientação em Portugal?

Tiago Aires - Todas estas importantes competições são passagens. Certamente que o JWOC 2012 ou 2013 será muito importante para alguns destes jovens, ainda. Mas não nos podemos focar apenas nestes. Mais importantes são aqueles que vêm de trás. Temos agora uma série de Iniciados e de Infantis com muita qualidade, temos a Carolina Delgado, a Inês Alves, a Rute Coradinho, temos o João Pedro Casal e o Bernardo Brasileiro, que com 9 anos de idade são uma coisa abismal, conseguem fazer uma prova completamente à vontade, conseguem interpretar o mapa, conseguem sair dos caminhos… Isso vai dar muito gozo daqui a uns anos... e esperemos que continue!

[Entrevista efectuada em Coruche, no dia 20 de Junho de 2009]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 28 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR VÍTOR RODRIGUES


Mais uma ronda pelos clubes ao encontro dos momentos mais significativos da temporada 2008/2009. Hoje com uma passagem pela Figueira da Foz, à conversa com Vítor Rodrigues, presidente da Secção de Orientação do Ginásio Clube Figueirense.


VÍTOR RODRIGUES
GINÁSIO CLUBE FIGUEIRENSE

“Investir mais no Desporto Escolar”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o próximo grande desafio?

Vítor Rodrigues - Os momentos mais significativos da época que agora finda foram, em termos desportivos, a conquista do título de Vice-Campeão Nacional de Distância Longa por parte do nosso atleta Rui Mora em H35. Apesar do título de Campeão Nacional de Sprint, em Infantis, ter “fugido” ao nosso atleta Ricardo Nunes, houve no entanto um caminhar lento e tranquilo da Secção do Ginásio que, ao cabo dos seus quatro anos de existência, vai prosseguindo, pouco a pouco, a sua conquista de um lugar ao sol no seio da modalidade. Carregando com o ónus de um início de actividade em tempos de crise, não tem sido fácil o percurso percorrido. Contudo, ano após ano, tem a Secção vindo a dar pequenos passos naquela que queremos que seja uma longa caminhada. Creio que temos sabido transformar as dificuldades em forças e as contrariedades em motivação. Reflexo disso, o facto de já este ano, mais precisamente a 14 de Abril, termos inaugurado a nossa nova sede. Instalações dignas, de que necessitávamos, representam um salto em frente na solidificação do projecto.

Os grandes objectivos para o ano que vem são, sem dúvida, dois: A organização com sucesso do POM’2010, em parceria com o COC, em terrenos do concelho da Figueira da Foz e o melhor resultado possível dos nossos atletas nas competições em que estiverem envolvidos.


Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução da modalidade?

Vítor Rodrigues - Creio que a modalidade também tem vindo a ressentir-se do período económico difícil que atravessamos. Ficamos com a sensação de que o número de atletas em competições decresceu. Este é um assunto que deveria ser objecto de estudo e reflexão por parte dos responsáveis da Federação. Tendo em conta que os apoios a organizações de provas, por parte de parceiros, têm vindo a decrescer perigosamente, e ainda se se acrescentar a esta realidade a diminuição do número de atletas inscritos nas provas, então importa rapidamente repensar alguma desta matéria, a bem da saúde dos clubes e da sobrevivência da modalidade. Após alteração recente do elenco federativo, talvez seja altura para que alguma da estratégia da modalidade seja repensada, em ordem a um crescimento que se quer sustentado e continuado. Temos a certeza de que a família orientista saberá dar continuidade ao excelente trabalho já realizado, ao cabo destes longos anos, que teve como resultado o catapultar da modalidade no espaço das modalidades desportivas nacionais. A nosso ver, dever-se-á investir mais no Desporto Escolar, por via da sua determinante importância na captação de novos atletas e, desse modo, dar sentido a um natural engrandecimento da modalidade.

Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima temporada?

Vítor Rodrigues - Que o ano de 2010 seja o da solidificação do projecto Orientação no Ginásio Figueirense, com um grande êxito no POM’2010 e um incremento em número de atletas a competir. Que, em termos de modalidade, a Federação, em conjunto com os clubes, consiga levar por diante projectos que aproximem, cada vez mais, a juventude à modalidade e, desse modo, transformar futuro e esperança em presente e realidade.


Veja também nesta rubrica as opiniões de
- Luís Santos, CPOC [
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- Jacinto Eleutério, ADFA [
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- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
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- António Amador, ORI-ESTARREJA [
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- Daniel Raposo, COALA [
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- Hugo Borda d’Água, COAC [
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- Guilherme Martins, ÀS 11 NO FAROL [
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- Jorge Ramos, CAMINHEIROS DA PORTELA [
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- Tiago Aires, GAFANHORI [
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- Nuno Pedro, CAOS [
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- Jorge Baltazar, GDU AZÓIA [
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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XI GRANDE PRÉMIO DO RA4: O BALANÇO DE NUNO FERREIRA


Ainda se faziam sentir os ecos da Cerimónia de Entrega de Prémios do 11º GP RA4, quando o Orientovar foi ao encontro de Nuno Ferreira, Director da Prova. É dele o balanço final desta excelente jornada de Orientação.

Orientovar – Uma grande festa da Orientação. Que balanço?

Nuno Ferreira – Foi uma festa bonita e isso deixa-nos satisfeitos. É o premiar dum trabalho muito grande, procurando responder às solicitações daqueles que nos procuraram à última da hora no sentido de poderem participar na nossa prova. Há duas semanas tínhamos duzentos e poucos inscritos e acabámos por ultrapassar os quatrocentos, o que superou as nossas expectativas mas levantou, naturalmente, problemas acrescidos. Achamos, todavia, que soubemos dar uma resposta adequada à situação e o balanço é francamente positivo.

Orientovar – Entre as muitas e boas coisas que aqui se passaram, destacaria alguma em particular?

Nuno Ferreira – Desde logo a enorme competitividade nos dois principais escalões e a emoção quanto aos vencedores, num modelo de grande espectacularidade – com partidas “em massa” – e colocado aqui em prática com muito sucesso. Depois a vitória do Celso Moiteiro, um atleta do meu clube, operado há relativamente pouco tempo e que tem andado a treinar um pouco condicionado, e que teve aqui o justo prémio do seu trabalho. Gostava igualmente de realçar o facto de termos assistido a um grande exemplo de ‘fair-play’ da parte do Pedro Nogueira, um atleta que terá abdicado dum eventual lugar no pódio para auxiliar uma atleta em dificuldades no meio da floresta. Este é um exemplo a todos os títulos louvável e que em muito dignifica o atleta e a própria modalidade. Finalmente, a cerimónia de votos de sucesso aos atletas das selecções jovens, uma homenagem digna e que serve de incentivo aos mais novos, que possam dar sempre o seu melhor e que alcancem as melhores classificações nos Campeonatos onde irão participar.

Orientovar – Esta parceria com o RA4 vai-se manter por quantos mais anos?

Nuno Ferreira – Enquanto existir o Clube de Orientação do Centro e o Regimento de Artilharia nº 4, o Grande Prémio vai existir. É uma parceria que funciona muito para além deste evento, mas que se estende a muitos eventos por nós organizados. Tem havido sempre da parte do RA4 total disponibilidade para nos apoiar e corresponder às nossas solicitações e fazemos votos que este entendimento se possa manter e perpetuar.

Orientovar – Depreendo que irá para casa tranquilo e com a consciência do dever cumprido…

Nuno Ferreira – Sim. Há sempre imprevistos que acontecem em qualquer prova, há sempre situações que podem ser melhoradas, mas vou satisfeito pelas pessoas que participaram, vou satisfeito por estarmos todos felizes. Julgo que estamos todos de parabéns, as pessoas que participaram, as pessoas que organizaram, aquelas que apoiaram, enfim, todos aqueles que, com o seu empenho, contribuem para o crescimento e enriquecimento da Orientação.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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XI GRANDE PRÉMIO DO RA4: NA MAIS BELA DAS FLORESTAS


Com a temporada a chegar ao fim e o tempo a pedir antes um bom mergulho, teve lugar em Praia da Vieira o 11º Grande Prémio de Orientação do RA4. Com sol, uma floresta de sonho, muita animação… e a praia ali ao lado.

Quem tem uma floresta assim, tem tudo (ou quase, para que não se pense que basta ter uma floresta)! É verdade que esta particular parcela do Pinhal do Rei, miraculosamente poupada às chamas no Verão quente de 2005, é dos pedacinhos mais paradisíacos que se podem encontrar ao longo de todo o litoral português. Desde logo pela ausência de acácias, austrálias, mimosas e demais infestantes, deixando o pinheiro bravo reinar naquele que é o seu natural reino. Mas também pelas formas de relevo, de tão visíveis que são os traços do movimento impetuoso de águas e ventos sobre o vasto emaranhado de dunas no qual está implantado o pinhal. E ainda pelo cuidado de todos na preservação desse bem comum que é a floresta, imaculadamente limpa, jardim mais belo entre os mais belos.

O dia, já se disse, esteve perfeito e o palco das festas não poderia ser melhor. Junte-se a tudo isto o cuidado e o bem receber do Regimento de Artilharia nº 4 – a comemorar o Dia da Unidade –, a comprovada qualidade organizativa do Clube de Orientação do Centro, “um mapa sempre imperdível e uma praia ímpar” e percebe-se facilmente que tivemos aqui, sem menosprezo para com as demais, uma das mais fantásticas provas de Orientação Pedestre da temporada.

Um verdadeiro sucesso de massas

Pontuável para a Taça FPO Norte, a prova contou com a participação de 360 atletas distribuídos por 21 escalões de competição e 4 escalões abertos. São números que, pela sua dimensão e significado, vêm colocar uma nota de optimismo naquilo que tem sido o triste panorama participativo ao longo da temporada, sobretudo no que às provas regionais diz respeito. A localização do evento e as boas acessibilidades, um calendário menos sobrecarregado nesta altura da temporada, um figurino atractivo (partidas em massa) e o “cocktail” franco e farto, servido no amplo e natural espaço da floresta - uma gentileza do RA 4 -, estão certamente na origem deste verdadeiro “sucesso de massas”.

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Na vertente competitiva, o espectáculo esteve ao rubro. A partida em simultâneo de todos os atletas proporcionou um momento de grande beleza e emoção e os primeiros lugares, nos dois principais escalões, foram discutidas praticamente ao sprint. No sector masculino, Celso Moiteiro deu ao clube da casa um muito saudado triunfo, impondo-se por escassos dois segundos a Diogo Miguel (Ori-Estarreja). Jorge Fortunato (Ori-Estarreja), Gildo Silva e Tiago Romão (ambos do COC), ocuparam os lugares imediatos. Quanto às senhoras, vitória muito apertada de Maria Sá (GD4Caminhos), impondo-se a Patrícia Casalinho (COC) pela diferença de 10 segundos. O terceiro lugar coube à atleta finlandesa Nina Ritakallio (Lynx), a 2.05 da vencedora.

Selecções Nacionais recebem votos de sucesso

Nos restantes sectores, António Ferreira (COC) e Joana Palhinha (GafanhOri) triunfaram em Infantis, ao passo que em Iniciados a vitória coube a Leandro Silva (COC) e a Inês Alves e Carolina Delgada (ex-aequo, ambas do GD4Caminhos). Hélder Marcolino (GD4Caminhos) venceu de forma categórica em Juvenis masculinos, enquanto Vera Alvarez (CPOC) levou de vencida o sector feminino. Nos Juniores triunfaram João Mega Figueiredo (CN Alvito) e Mariana Moreira (CPOC), emquanto em Jovens B a vitória sorriu a Bruno Fundo (Orimarão) e Filipa Neves (COAC). Nélson Santos (Orimarão) e Lucília Silva (ADFA) venceram em Seniores B. No escalão de Veteranos I os triunfos couberam a Bruno Silva (ADFA) e Anabela Vieito (COC). Em Veteranos II, vitórias de Albano João (COC) e Maarit Ratikallio (Lynx). Quanto aos Veteranos III Masculinos, Manuel Dias (Individual) foi o grande vencedor. Finalmente, em Veteranos B, triunfos de Manuela Mariano (GafanhOri) e Pedro Fernandes (RA4).

Integrado no evento, antes de ser dada a partida, teve lugar uma Cerimónia de Votos de Sucesso para as selecções nacionais que enfrentarão dentro de dias dois importantes compromissos internacionais: O Campeonato da Europa de Jovens (EYOC 2009 Kopaonik, na Sérvia) e o Campeonato do Mundo de Juniores (JWOC 2009 Primiero, Itália). Um momento alto vivido ao longo desta magnífica jornada de Orientação e ao qual o Orientovar dará destaque em espaço próprio. O outro momento alto ocorreu a abrir a Cerimónia de Entrega de Prémios e teve a ver com a atitude de apreço e carinho dos responsáveis do RA4 para com os participantes mais pequeninos. Todas as crianças foram chamadas ao palco e presenteadas com um saco recheado de guloseimas. Do facto aqui se faz menção, para que fique registado e sirva de exemplo. Em boa verdade um doce exemplo.

Saiba mais em
http://www.coc.pt/eventos/27jun2009/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 27 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR JORGE BALTAZAR


Prossegue a sondagem dos clubes relativamente aos momentos mais significativos da temporada que agora termina. O ‘tempo de antena’ de hoje é da responsabilidade do Grupo Desportivo União da Azóia, na pessoa do seu responsável máximo, Jorge Baltazar.


JORGE BALTAZAR
GRUPO DESPORTIVO UNIÃO DA AZÓIA

“Contrariar o pessimismo e sentimento de crise reinante na sociedade portuguesa”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o próximo grande desafio?

Jorge Baltazar - Os momentos mais significativos têm a ver com o período das provas WRE de Orientação Pedestre, que consistentemente têm trazido a Portugal um acréscimo significativo de praticantes de outro países, tanto ao nível dos praticantes de Elite como nos outros escalões (principalmente Veteranos acima dos 50 anos). Referiria ainda a participação portuguesa nos Campeonatos Mundiais do Desporto Escolar, principalmente pela postura da delegação, pela amizade criada e aprofundada entre os jovens participantes e pela motivação acrescida para se empenharem na prática da modalidade. Ao nível do clube, aventurámo-nos na organização da primeira prova da Taça de Portugal, a contar para o ‘ranking’ das Corridas de Aventura. Este foi um desafio de grande dimensão que se saldou por um sucesso reconhecido pela generalidade dos participantes.

O próximo grande desafio da Orientação consistirá em contrariar o pessimismo e sentimento de crise reinante na sociedade portuguesa, mantendo o crescimento da modalidade, principalmente nos escalões jovens. O próximo grande desafio do GDU Azoia vai ser a organização do Campeonato Nacional Absoluto, em Maio de 2010.

Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução da modalidade?

Jorge Baltazar - Do ponto de vista competitivo assistiu-se à afirmação nos escalões Elite, dos jovens formados na modalidade (a grande maioria provenientes do Desporto Escolar). Também se verifica um aumento da competitividade nos escalões jovens, o que representa uma perspectiva de continuidade de melhoria dos resultados internacionais.

Na qualidade dos eventos, verificou-se a confirmação da capacidade organizativa dos clubes de maior dimensão e a algumas situações menos boas ao nível da organização dos Campeonatos Nacionais (de todas as disciplinas). Ao nível da participação nos eventos, assistiu-se à influência da crise na modalidade e ao contínuo declínio das provas da Taça FPO de Orientação Pedestre.

Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima temporada?

Jorge Baltazar - Desejo que o clube mantenha o crescimento de anos anteriores e alargue a quantidade de praticantes jovens. Faço votos para que a Orientação consiga realizar com sucesso a reformulação dos calendários competitivos tornando-os mais equilibrados para as diferentes disciplinas e atractivos para os praticantes.


Veja também nesta rubrica as opiniões de
- Luís Santos, CPOC [
AQUI]
- Jacinto Eleutério, ADFA [
AQUI]
- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
AQUI]
- António Amador, ORI-ESTARREJA [
AQUI
]
- Daniel Raposo, COALA [
AQUI
]
- Hugo Borda d’Água, COAC [
AQUI]
- Afonso Pimentel, COA [
AQUI]
- Guilherme Martins, ÀS 11 NO FAROL [
AQUI
]
- Jorge Ramos, CAMINHEIROS DA PORTELA [
AQUI
]
- Tiago Aires, GAFANHORI [
AQUI
]
- Carlos Monteiro, COC [
AQUI
]
- Nuno Pedro, CAOS [
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Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO
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EOC & JWOC MTBO 2009: ESTAFETAS COLOCAM UM PONTO FINAL NOS CAMPEONATOS


Terminaram em festa os Campeonatos Europeus e Campeonatos Mundiais de Juniores de Orientação em BTT, com a prova de Estafetas. Uma prova onde houve de tudo e para todos os gostos, no que aos portugueses (e não só!) diz respeito.

Foi em ambiente de verdadeira festa e confraternização que chegaram esta manhã ao fim, na cidade dinamarquesa de Hillerød, os Campeonatos da Europa e os Campeonatos do Mundo de Juniores de Orientação em BTT EOC & JWOC MTBO 2009. Derradeiro acto dum programa que teve o seu início na passada terça-feira, a prova de Estafetas concitou as atenções e interesses de todas as selecções presentes, num total de 235 atletas de 22 países.

Daniel Marques, Paulo Alípio e Joel Morgado tiveram um comportamento exemplar, colocando a Estafeta portuguesa na 13ª posição, a melhor classificação de sempre neste escalão em Campeonatos da Europa (em 2007 Portugal tinha sido 19º e último classificado com uma equipa constituída por Eduardo Sebastião, Miguel Tolda e… Ana Filipa Silva!). Paulo Alípio começou menos bem, gastando 1.07.10 e entregando o testemunho na 18ª posição. No segundo percurso, Joel Morgado não comprometeu, fazendo 1.08.32 e melhorando a posição da nossa selecção em um lugar. Daniel Marques esteve ao seu nível no decisivo percurso, fez o 9º melhor tempo entre os 21 concorrentes ainda em prova e levou Portugal ao excelente 13º lugar final com um total de 3.19.17.

A vitória coube à Dinamarca, embora não deixe de ser surpreendente o facto de ter sido alcançada pela segunda equipa. Allan Treschow Jensen, Claus Stallknecht e Bjarke Refslund sagram-se assim Campeões Europeus com o tempo de 2.43.44, deixando atrás de si respectivamente Estónia e Rússia, com 2.45.19 e 2.47.20. Surpresa pela negativa o 8º lugar da Suiça (de Beat Schaffner, Rémy Jabas e Beat Oklé) e ainda a desqualificação das equipas nº 1 da Dinamarca e da Áustria, a primeira de Erik Skovgaard Knudsen, Torbjørn Gasbjerg e Søren Strunge, a segunda de Tobias Breitschädel, Andreas Rief e Bernhard Schachinger.

Os restantes portugueses

No sector feminino, a selecção portuguesa não esteve particularmente feliz, culminando a derradeira prestação nos campeonatos com o 16º e último lugar na prova de Estafeta. Susana Pontes, Ana Filipa Silva e Maria Amador registaram os piores parciais em qualquer um dos percursos e o tempo final de 3.28.03 reflecte a modesta prestação. A luta pelos lugares cimeiros foi emocionante, acabando a vitória por sorrir à Finlândia (Tarja Vesanto, Marika Hara e Ingrid Stengård), com o tempo de 2.36.41. Áustria (de Michaela Gigon, aqui a alcançar a sua quarta medalha nestes Campeonatos) e Dinamarca concluíram nas posições imediatas a 0.23 e 1.52 da vencedora, respectivamente.

No que ao Campeonato do Mundo de Juniores diz respeito, a turma portuguesa não foi feliz. Cumprindo o segundo percurso, João Palhinha fez “mp” e deitou por terra todas as veleidades duma equipa que tinha em João Ferreira e Guilherme Marques os seus dois grandes esteios. João Ferreira gastou 53.25 no percurso inicial e entregou a João Palhinha o testemunho na 12ª posição, mas as nossas esperanças acabaram por morrer pouco depois. Os excelentes 56.01 de Guilherme Marques no último percurso já de nada valeram.

Outros resultados

No sector feminino, o Campeonato do Mundo de Juniores confirmou Svetlana Poverina como a grande estrela dos Campeonatos. Depois das medalhas de ouro nas provas de Sprint e de Distância Média, a atleta levou a Estafeta da Rússia ao lugar mais alto do pódio, de parceria com Anastasia Svir e Tatyana Repina. A segunda posição coube à Finlândia, com Kaisu Yli-Peltola a subir ao pódio pela quarta vez em quatro provas (prata no Sprint, na Longa e agora na Estafeta e bronze na prova de Distância Média).

Quanto ao sector masculino, a grande surpresa foi a desqualificação da Republica Checa (de Frantisek Bogár, Vojtech Stransky e Marek Pospisek), apontada à partida como a grande favorita. A vitória sorriu à Finlândia, com Antti Vainio, Juuso Jutila e Elmeri Juura a fecharem com chave de ouro uma grande participação nos Campeonatos.

Rússia confirma domínio dos Campeonatos

A vitória da Rússia no JWOC W20 confirmou-a como a grande vencedora destes Campeonatos. A Dinamarca manteve o segundo lugar enquanto as duas vitórias na Estafeta de hoje guindaram a Finlândia ao terceiro lugar. A Estónia foi o último seleccionado a incorporar este grupo restrito, graças ao segundo lugar alcançado no EOC M21.

A classificação final ficou assim ordenada:


1º Rússia – 5 ouro, 1 prata e 2 de bronze
2º Dinamarca – 4 ouro, 2 prata e 3 bronze
3º Finlândia – 3 ouro, 5 prata e 2 bronze
4º Áustria – 2 ouro, 3 prata e 3 bronze
5º Republica Checa - 2 ouro, 1 prata e 5 bronze

6º Polónia – 2 prata
7º Noruega – 1 prata e 1 bronze
8º Estónia – 1 prata

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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EOC & JWOC MTBO 2009: DANIEL MARQUES, DIÁRIO DE BORDO


O dia de pausa serviu, entre muitas outras coisas, para assentar algumas ideias e colocá-las no papel. Foi assim com Daniel Marques, que fez do Orientovar fiel depositário deste autêntico ‘diário de bordo’ que agora se publica.


[Atravessámos Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha e finalmente chegámos à Dinamarca depois de percorrer 3000km em 3 dias de viagem]

Dia 22 - Chegada + Model Event + Chegada do Inácio

Chegámos ao Event Center em Hillerød de manhã onde levantámos os mapas de treino. Estávamos ansiosos para tirar as nossas bicicletas da auto-caravana e pedalar a navegar pelas terras dinamarquesas. Instalámo-nos no Parque de Campismo em Hillerød, onde planeámos ficar toda a semana. Treinámos na parte da tarde e cedo ficámos a perceber que estavam reunidas as condições necessárias para este Campeonato da Europa ter sucesso. Os terrenos e a zona envolvente tinham muita qualidade, mas era tudo muito diferente de Portugal e daquilo a que estávamos habituados, mais difícil e confuso, com florestas fechadas, com muitos caminhos mas sem muito desnível. Ficámos com a ideia que a Orientação iria exigir uma dose extra de concentração. O dia não acabara aqui, visto que fomos buscar o meu tio Inácio Serralheiro que chegou às 22h00 ao aeroporto de Copenhaga. Por motivos profissionais ele só pode estar presente no Campeonato da Europa, apesar da enorme vontade em juntar-se à nossa comitiva e continuar connosco para os 5 dias da República Checa. É a vida! Fomos dormir ao local da prova de Sprint que era perto do Aeroporto, já era tarde àquela hora e não valeria a pena voltar ao Parque de Campismo.

Dia 23 – Sprint

Após um bom pequeno-almoço, fomos afinar as "máquinas" para o primeiro dia de competição. O Joel, o Guilherme e o Paulo partiam sensivelmente na mesma altura, por volta das 11h00. Um sprint desta natureza - mapa 1:7 500 com muitos caminhos e pequenos detalhes - colocou em sentido todos os atletas. O Guilherme e o Joel não entraram bem no mapa, tiveram algumas dificuldades iniciais que acabaram por comprometer o resultado final. O Paulo Alípio também não começou da melhor forma, algumas escolhas de opção menos acertadas condicionaram uma prova acabou por se tornar positiva, dado que no segundo mapa esteve muito bem, recuperando alguns lugares perdidos. Eu considero que fiz uma prova ao meu nível, entrei bem no mapa e fiz uma primeira volta isenta de erros. O mesmo não poderei dizer após a troca de mapa, onde já nos pontos finais perdi no CP17 30 segundos numa má opção e no CP19 quase 1 minuto num erro de navegação. Os erros acontecem, tentamos evitá-los, mas nestes mapas a probabilidade de cometê-los é muito elevada. Após analisarmos os resultados, todos achámos que demos o nosso melhor e que as melhorias não poderiam ser muito significativas, visto que isto era uma prova para a qual não estávamos preparados tecnicamente. O nosso modelo de treino tem uma preparação técnica deficiente e treinar com mapa uma vez por semana (quando há condições para isso) não é suficiente se queremos melhorar os nossos resultados a nível internacional. Na parte da tarde, foi a vez do Inácio entrar em cena. Infelizmente, teve uma estreia muito atribulada. Não se apercebeu da troca de mapa e concluída a primeira volta foi logo para o ‘finish’. O resultado foi a desqualificação logo no primeiro dia. Foi algo desconcertante mas que foi encarado com o espírito de quem ri por último, ri melhor! Temos um ambiente na equipa muito bom, e isso é melhor que qualquer resultado.

Dia 24 – Média

O pessoal estava motivado, mas a verdade é que todos nós tínhamos a consciência que havia muita competitividade, tínhamos que nos superar para conseguir resultados de relevo. O local das partidas estava a cerca de 7 km da chegada, por isso tínhamos um pequeno aquecimento para fazer. O Joel fez uma prova regular, algumas más opções com um ou outro erro de Orientação, fizeram com que o seu resultado ficasse um pouco aquém das expectativas. O Guilherme por sua vez melhorou significativamente a sua prestação, numa prova longe de ser perfeita mas onde conseguiu aplicar toda a sua pujança no terreno e mostrar que já estava mais à vontade a navegar neste tipo de mapa. Eu, como partia tarde, ainda tive a oportunidade de vê-los a passar no ponto de espectadores e apoiá-los. Nuns Campeonatos desta natureza, quanto mais baixa for a posição na grelha de partida, melhor, pois os caminhos já estão mais limpos e alguns cruzamentos tornam-se mais visíveis. O Paulo Alípio, neste dia, não esteve particularmente feliz. Fez alguns erros na escolha de opção, mas o que afectou mais o seu resultado final foi o facto de o CP27 estar tombado no momento em que por lá passou e não ter detectado a sua presença, o que o fez perder cerca de dois minutos! Em relação à minha prestação, penso que fiz uma prova regular, dentro das minhas possibilidades e não fosse um erro de opção associado a uma navegação pouco eficiente ficaria no TOP-20 sem problemas. O meu erro foi no CP21 onde perdi 1.30 e como fiquei a 1.34 do TOP-10 fica a ideia que o resultado poderia ter sido bem diferente. O Inácio redimiu-se do mau começo de ontem, terminado este dia no 11º lugar. Fazer Orientação nestes terrenos não é fácil, mas o Inácio adaptou-se bastante bem, fazendo uso de toda a sua experiência e fibra.

Dia 25 – Longa

Não posso dizer que estávamos muito confiantes. Queríamos melhorar os resultados dos dias anteriores mas tínhamos a plena consciência da dificuldade que isso representava. Fizemos o nosso melhor! O Guilherme teve alguns enganos técnicos que comprometeram o resultado final, mas conseguiu compensar de alguma forma com um bom andamento, num tipo de terreno que lhe é favorável - pouco desnível e caminhos com pisos rápidos. O Joel teve um dia para esquecer, estava a fazer uma prova regular até ao CP8, altura em que teve um furo que lhe impossibilitou de continuar em prova. O Paulo não evitou alguns erros de navegação e pagou bem cara essa factura já que poderia ter ficado a meio da tabela e a verdade é que fez três erros em que perdeu aproximadamente sete minutos. A respeito do meu rendimento na Distância Longa, tenho a dizer que foi uma prova muito sofrida... onde tecnicamente, só tive dificuldades em encontrar o 5º posto de controlo e perdi dois preciosos minutos numa zona muito confusa. Foi na parte física que senti muitos problemas, nos últimos 30 minutos da competição sentia pouca força nas pernas, havia pouca energia disponível, não conseguia subir a minha pulsação para cima das 165 bpm!!! Não estava à espera de me sentir tão cansado, especialmente depois de ter treinado intensivamente desde o início do ano com um média mensal de 1050 km em 41 horas a pedalar! Em relação ao Inácio, a prova dele consistia num modelo de escolha livre, ou seja, tinha que ir a todos os CP’s presentes no mapa, mas pela ordem que ele entendesse. Não foi muito feliz, não foi além da 25ª posição e, para além de não ter acertado com a melhor forma de fazer a sequência, teve ainda erros de navegação.

Daniel Marques



[foto gentilmente cedida por Daniel Marques]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 26 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR NUNO PEDRO


Prosseguimos com o balanço da temporada 2008/2009 auscultando hoje Nuno Pedro, o homem que segue ao leme dos destinos do CAOS – Clube de Aventura e Orientação de Sintra.


NUNO PEDRO
CLUBE DE AVENTURA E ORIENTAÇÃO DE SINTRA

“Urgente reinventar o modelo competitivo”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o
próximo grande desafio?


Nuno Pedro - Para a Orientação Nacional, o Dia Nacional da Orientação, pela inovação e pelo número de pessoas envolvidas a nível nacional em eventos não competitivos. Para o CAOS, a organização do Campeonato Nacional de Orientação em BTT e V Campeonato Ibérico, uma prova da vitalidade do clube apesar da redução do número de praticantes. A nível de pessoal, realço a felicidade do João (gritando "bibip") cada vez que encontra um ponto de Orientação...

Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução
da modalidade?


Nuno Pedro - Ao nível competitivo, é já uma realidade inquestionável a afirmação de jovens valores, como corolário do excelente trabalho desenvolvido. Como aspecto negativo, aponto a má gestão de recursos que fazemos na modalidade, com uma aposta excessiva em novas áreas, inclusivamente em competições secundárias (veja-se a quantidade de excelentes mapas de Sprint usados em meras provas locais), não reutilização de áreas de enorme valia técnica e, acima de tudo, caderno de encargos das organizações demasiado exigente que põe em causa a viabilidade financeira dos eventos, nomeadamente dos que não sejam financiados pelas autarquias. Neste momento, face ao decréscimo de praticantes, apenas as provas da Taça de Portugal Pedestre são economicamente viáveis...

Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima
temporada?


Nuno Pedro - Parece-me urgente reinventar o modelo competitivo, de forma a devolver à modalidade condições de crescimento sustentado...


Veja também nesta rubrica as opiniões de
- Luís Santos, CPOC [
AQUI]
- Jacinto Eleutério, ADFA [
AQUI]
- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
AQUI]
- António Amador, ORI-ESTARREJA [
AQUI]
- Daniel Raposo, COALA [
AQUI]
- Hugo Borda d’Água, COAC [
AQUI]
- Afonso Pimentel, COA [
AQUI]
- Guilherme Martins, ÀS 11 NO FAROL [
AQUI]
- Jorge Ramos, CAMINHEIROS DA PORTELA [
AQUI]
- Tiago Aires, GAFANHORI [
AQUI]
- Carlos Monteiro, COC [
AQUI]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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BULGÁRIA: 8 PROVAS EM 9 DIAS


Manuel Dias e Norman Jones participaram, de 13 a 21 de Junho, em quatro eventos na costa búlgara do Mar Negro: Parkova Kupa Burgas, Kupa Strandzha, Kupa Begun e Kupa Bulgária. Dessa experiência muito gratificante aqui fica o relato, na primeira pessoa.

Em termos competitivos, a Orientação na Bulgária, pelo menos em Veteranos, pareceu-me estar sensivelmente ao nosso nível, ou talvez um nadinha abaixo. Ambos tivemos, em todas as provas, classificações muito honrosas: eu venci as quatro competições, o Norman obteve dois 2ºs, um 3º e um 5º lugar.

As organizações ficam um pouco aquém do padrão a que estamos habituados. Nos dois primeiros eventos não havia sinalética no mapa (cada um construía a sua própria sinalética, a partir de uma lista com a descrição de todos os pontos de controlo) e nunca houve água no final das provas. Mas os percursos e os mapas (salvo no segundo evento) eram correctos e interessantes, particularmente na Kupa Begun, organizada pelo clube Variant 5 que tem uma especial ligação à Suíça, e na Kupa Bulgaria, promovida pela Federação desde há 33 anos.

Não nos podemos queixar da falta de variedade: fizemos um sprint em parque, outro em dunas, e provas em floresta desde o muito limpo ao muito verde. Impressionou-nos favoravelmente a dinâmica das entregas de prémios, distinguindo muita gente em pouco tempo, e com distribuição de rebuçados e bolachas para todos os miúdos com menos de 10 anos, chamados ao palco pelos seus nomes e formando em grupo. Muita rapidez e muita alegria. No último dia, cada um recebeu uma bússola.
Nas Elites, o destaque foi naturalmente para o “búlgaro voador” Kiril Nikolov, que os portugueses conhecem do POM e também dos WOC e da Tiomila.

É caro passar 12 dias na Bulgária?

Não. O preço das passagens aéreas é variável, mas o aluguer do carro foi em conta e a alimentação e alojamento são muito mais acessíveis que em Portugal. A organização disponibilizava dormidas em quartos múltiplos por 3 a 5 euros por pessoa/noite, embora nós só tenhamos sabido disso depois de já termos reservado hotéis por nossa iniciativa e evidentemente um pouco menos económicos.

Por 5 a 10 euros come-se sem limitações em qualquer restaurante, incluindo o do hotel. Fruta, legumes, queijo e iogurte são da melhor qualidade, o que proporciona uma riquíssima variedade de saladas. Os menos glutões ficarão satisfeitos com uma “shopska” ou uma “shepherd’s salad”, que custam entre 2 e menos de 5 “leva” (1 lev = 0,50 €). Os pratos mais caros de carne e legumes, cozinhados numa espécie de chapa/forno e assim trazidos à mesa, custavam, no nosso último hotel, o equivalente a 6 ou 7 euros e eram suficientes para 2 pessoas “normais”.


Culturalmente falando, a Bulgária tem tanto para ver que duas semanas não chegam para nada, mas uma guia como a nossa querida Petya consegue em meia dúzia de passeios deixar uma boa ideia desse riquíssimo património natural e histórico. Das termas romanas de Varna ao castelo de Veliko Tarnovo, onde alguns cruzados do séc. XIV puseram ponto final na sua viagem a caminho de Jerusalém. Das bem conservadas casas rurais de Brashlyan aos túmulos trácios do vale de Kazanlak. Da resistência russo-búlgara de 1877 em Shipka ao massacre arménio de 1915, em ambos os casos por obra do vizinho opressor turco. Dos calhaus sagrados de Beglik Tazh, “descobertos” há meia dúzia de anos, ao mosteiro de Aladzha, cujas celas foram escavadas na rocha há mais de um milénio. E - porque não? – dos passeios de barco pelos rios Ropotamo e Veleka às antigas colónias gregas do Mar Negro transformadas hoje nas turísticas praias de Varna, Burgas ou Primorsko.

E que estima têm os búlgaros por Portugal? Alguma hão-de ter. Não andámos à procura de marcas dessa ligação, mas saltou-nos à vista um “Restaurante Hispano-Português” em Plovdiv. E, nessa mesma cidade, por uma diferença de duas horas não assistimos a um concerto de António Eustáquio, no dia 12 de Junho. No dia 23, a caminho do aeroporto de Sófia, demos de caras com um grande cartaz anunciando um espectáculo da fadista Ana Moura para o dia 27.

Aqui fica a notícia em jeito de sugestão para o próximo ano. Se alguém estiver interessado, fale connosco lá para Abril ou Maio. É que a pesquisa através da Net, pelo menos desta vez, revelou-se pouco frutuosa, desde logo porque a página da Federação Búlgara é apenas em cirílico. Valeu-nos um contacto pessoal em Sófia.

Manuel Dias


[Legenda da foto-montagem: 1. As entregas de prémios começavam sempre chamando à zona do pódio as crianças com menos de 10 anos. Uma explosão de entusiasmo e encantamento; 2. Desmontando as chegadas no final da Kupa Begun; 3. Kiril Nikolov não deu hipóteses a ninguém na Kupa Bulgaria. No 3º dia, saiu para o “chasing start” com quase 15 minutos de avanço. Impressionante foi a recuperação de Ivan Sirakov, que saltou de 5º para 2º lugar; 4. Maya Nedyalkova e Katya Stoyanova, as duas melhores juniores búlgaras. A Maya é filha de Petya Koleva, a nossa insuperável guia, e a Katya foi seleccionada para representar a Bulgária no JWOC.]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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VENHA CONHECER... ANA CASAL


Chamo-me… ANA Maria Mota Figueiredo CASAL
Nasci no dia… 23 de Maio de 1970, no Porto
Vivo… na Senhora da Hora
A minha profissão é… Escriturária
O meu clube… Ori-Estarreja
Pratico orientação desde… 2003

Na Orientação…

A Orientação é… uma forma de vida!
Para praticá-la basta… vontade!
A dificuldade maior é… entrar no mapa!
A minha estreia foi… em Viana do Castelo!
A maior alegria… chegar ao fim de cada prova!
A tremenda desilusão… estar meia hora à procura de um ponto que está a dois metros de mim!
Um grande receio… sair do mapa!
O meu clube é… o meu clube!
Competir… é estar sempre presente!
A minha maior ambição… continuar como até aqui!

… como na Vida!

Dizem que sou… um bocado teimosa!
O meu grande defeito é… a teimosia!
A minha maior virtude… ser leal aos meus amigos!
Como vejo o mundo… cada vez pior!
O grande problema social… o desemprego!
Um sonho… ter saúde!
Um pesadelo… não sei!
Um livro… qualquer um de Pearl S. Buck!
Um filme… “Gandhi”!
Na ilha deserta não dispensava… uma boa companhia!

Na próxima semana venha conhecer Luís Tenreiro.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quinta-feira, 25 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR CARLOS MONTEIRO


Fazendo uma pausa nos Campeonatos de Orientação em BTT, retomamos o balanço da temporada 2008/2009 com uma saltada a Leiria. Ao encontro do Clube de Orientação do Centro, escutamos as opiniões de Carlos Monteiro


CARLOS MONTEIRO
CLUBE DE ORIENTAÇÃO DO CENTRO

“Temos conseguido pôr em prática muito do bom que aprendemos”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o próximo grande desafio?

Carlos Monteiro – Para o COC, os momentos mais significativos da época prendem-se com os resultados desportivos do Daniel Marques, destacando os conseguidos a nível internacional que resultaram na sua subida no ‘ranking’ da IOF. Referiria também os resultados individuais e colectivos conquistados na Taça de Portugal Pedestre e de BTT, com realce para os Campeonatos Nacionais com títulos individuais e colectivos e a reconquista do titulo Absoluto pelo Tiago Romão acompanhada pela sua vitória no ‘ranking’ nesta sua primeira época em Elite.

Tivemos ainda a criação do GAR COC (Grupo de Alto Rendimento) e todo o trabalho desenvolvido ao longo da época, destacando-se o intercambio entre clubes na realização de estágios. E também a continuação do trabalho da Escola de Orientação e a sua ligação ao Desporto Escolar. Ao nível organizativo destacamos o XI Meeting de Orientação do Centro WRE com o excelente lote de atletas presentes e qualidade organizativa que pensamos ter sido conseguida.

Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução da modalidade?

Carlos Monteiro - Depois do sucesso do WMOC, temos conseguido pôr em prática muito do bom que aprendemos. Destacamos aqui a implementação crescente da partilha de conhecimentos e a cooperação entre clubes nos mais diversos aspectos.
Ao nível organizativo tivemos bons eventos, ainda que de nível geral abaixo de épocas anteriores. Ao nível da quantidade de participantes, decrescemos, sendo mais notória essa perda de participantes nas Regionais e no BTT.

Destacamos o despontar de valores jovens na modalidade, fruto do trabalho dos clubes e do Orijovem, agora enquadrado pelo novo projecto da FPO, o qual esperamos que resulte positiva e consolidadamente. Ficámos aquém nas nossas expectativas quanto ao trabalho técnico no BTT, quando estamos a cerca de um ano do Mundial.

Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima temporada?

Carlos Monteiro - Que o COC seja capaz de dignificar a modalidade nas três grandes organizações em 2010 que a FPO lhe confiou. Que os seus atletas continuem a trabalhar com intensidade e qualidade, atingindo resultados de mérito nas mais variadas competições em que participarem, destacando-se aqui o Mundial de Orientação em BTT onde esperamos que o Daniel Marques surja ao seu melhor nível e faça subir a bandeira nacional. Que muitos atletas do COC vistam a camisola nacional, seja em Pedestre seja em BTT e que consigam acessos às finais A.

Que se intensifiquem as relações entre clubes, pois só em conjunto conseguiremos notoriedade para a Orientação e que essa notoriedade seja acompanhada pelo aparecimento de novos praticantes, enquanto os actuais atinjam resultados internacionais de destaque. Que uma vez mais Portugal e a Orientação saiam dignificados com a organização do Mundial de Orientação em BTT.



Veja também nesta rubrica as opiniões de
- Luís Santos, CPOC [
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- Jacinto Eleutério, ADFA [
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- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
AQUI]
- António Amador, ORI-ESTARREJA [
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- Daniel Raposo, COALA [
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- Hugo Borda d’Água, COAC [
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- Afonso Pimentel, COA [
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- Guilherme Martins, ÀS 11 NO FAROL [
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- Jorge Ramos, CAMINHEIROS DA PORTELA [
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- Tiago Aires, GAFANHORI [
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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EOC & JWOC MTBO 2009: AS REACÇÕES DE JOÃO FERREIRA... E NÃO SÓ!



São reacções ‘fresquinhas’ dos protagonistas à prova de Distância Longa, trazidas até todos nós graças ao empenho do grande protagonista da jornada, João Ferreira.

Respondendo à chamada, aqui deixamos um belo punhado de reacções à prova de Distância Longa do dia de hoje. Ana Filipa Silva afirmou ter-se sentido “cansada, sendo este o factor preponderante já que tecnicamente estive bem.” Por seu lado, Margarida Colares teve “fraqueza durante a prova, pois era muito longa e a alimentação não chegou para o elevado gasto que tive ao longo da prova”. João Palhinha esteve “bem fisicamente, mas tive algumas dificuldades a nível técnico e cometi alguns erros”. Quanto a Maria Amador, adorou: “Gostei bastante de fazer esta prova neste mapa. Fiz alguns pequenos erros devido à intensidade da prova. Fico com um gostinho de ‘água na boca’ como teria sido o resultado se estivesse bem fisicamente.” Finalmente, Susana Pontes: “Tecnicamente fiz alguns pequenos erros mas no geral estive bem, embora em termos físicos me tenha sentido um pouco cansada com o decorrer da prova. Apesar de tudo, sentimento de dever cumprido pois dei tudo.”


Quanto a João Ferreira [cujo mapa e opções apresentamos acima] “foi um dia de emoções fortes. Ouvir o meu nome várias vezes no final da prova dito pelos ‘speakers’, sentir o apoio que senti no sprint final, chegar e ter várias pessoas a aplaudir-me e incentivar, o sentimento de dever cumprido, o ver o meu nome nas placas dos resultados em 6º lugar quando cheguei, ver que desci para 9º lugar e que por 40 segundos não ficava nos seis primeiros, tudo grandes emoções que vão certamente ficar na memória.” E, em particular para o Orientovar: “Obrigado por todo esse apoio que tem dado e por essas fantásticas noticias que escreve... É sempre bom saber que há alguém que segue atentamente as nossas prestações.”

Todas estas emoções e muito mais podem ser vistas na página pessoal de João Ferreira em
http://www.joaoferreira.net/noticias.htm.

[foto extraída do álbum de João Ferreira em
http://picasaweb.google.com/joaoferreira.ori/DinamarcaMTBO2009Longa#]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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EOC & JWOC MTBO 2009: O BALANÇO DA PROVA DE DISTÂNCIA LONGA


Qualquer balanço daquilo que se passou hoje na prova de Distância Longa dos Campeonatos Europeus e Campeonatos Mundiais de Juniores de Orientação em BTT passa incontornavelmente por um nome: João Ferreira.

O 13º lugar da prova de Sprint deu o mote. Depois veio essa desconsoladora 29ª posição na prova de Distância Média mas a verdade é que João Ferreira soube dar a volta por cima. Hoje, numa prova de Distância Longa que até nem faz as suas delícias, o atleta esteve simplesmente brilhante, igualando o seu melhor resultado de sempre (ainda o 9º lugar da prova de Sprint dos Mundiais de Stare Jablonki, no ano passado) e ficando a escassos segundos da sexta posição e, concomitantemente, dos lugares de honra junto ao pódio.

Numa disciplina que é, desde logo, o mais ‘jovem rebento’ da IOF – Federação Internacional de Orientação, onde tanto está ainda por fazer e onde todos os resultados marcam preciosos pontos, ninguém pode negar a importância de ser ‘candeia que vai à frente’. João Ferreira é muito jovem, tem um futuro altamente promissor à sua frente e este resultado é altamente moralizador. Um justo prémio, diga-se, à sua garra e persistência, extensivo a todos quantos tornam possíveis estes resultados, a começar desde logo pelos pais Carlos e Fernanda. Parabéns para eles também.

Daniel Marques, gigante entre gigantes

Quanto a Daniel Marques, o maior especialista português de sempre na exigente disciplina da Orientação em BTT, teve um desempenho menos conseguido no dia de hoje. Nas cogitações do atleta estaria um lugar bem melhor do que esta 28ª posição, mas aquilo que era válido ontem, é válido hoje. Ou seja, o nível competitivo destes Campeonatos é o mais elevado de sempre e o equilíbrio é enorme. Que o digam Beat Oklé, Beat Schaffner, Simon Seger, Andreas Rief, Anton Foliforov ou Lubomir Tomecek, tudo atletas do top-10 mundial que ainda não ‘puseram a mão no prato’ das medalhas…

É inegável, todavia, que o 17º lugar da prova de Sprint e mesmo o 24º lugar de ontem, na prova de Distância Média (a pouco mais de minuto e meio do top-10, recorde-se), somados ao 29º lugar de hoje, valem preciosos pontos na sua colecta pessoal, sendo muito provável que a actualização do ‘ranking’ permita vê-lo entrar, finalmente, no restrito grupo dos vinte melhores atletas do mundo. E se confirmações forem necessárias, os “5 Dias de Pilsen” estão já aí, ao virar da esquina.

Guilherme Marques e os outros

Quanto aos restantes portugueses, Guilherme Marques parece ter encontrado o seu ritmo e continua a fazer um excelente Mundial, enquanto Paulo Alípio voltou a reencontrar-se e Joel Morgado teve um dia para esquecer. Ana Filipa Silva, Susana Pontes e Maria Amador acabam por fazer uma passagem modesta por terras da Dinamarca, certos que estamos da mais-valia da jovem Ana Filipa e das suas capacidades para fazer muito mais e muito melhor. Mas o momento também não ajuda, como ela própria teve a humildade de referir à partida para os Campeonatos.

Fruto da sua enorme juventude, João Palhinha e Margarida Colares continuam a não se ‘entender’ com estes mapas e estes terrenos, mas a experiência adquirida dará fartos e suculentos frutos no futuro, com toda a certeza. É preciso acreditar!

Rússia ainda domina quadro de medalhas

Num dia em que Áustria e Finlândia chamaram a si o maior e mais valioso quinhão de medalhas, a Rússia continua a dominar o quadro de honra graças à vitória de Nadiya Mikryukova (EOC W21). Individualmente, Erik Skovgaard Knudsen (uma medalha de ouro, uma de prata e uma de bronze) é até ao momento a estrela mais cintilante destes campeonatos, mas não o único que leva já três medalhas ao peito. A austríaca Michaela Gigon (uma de ouro e duas de bronze) e a finlandesa Kaisu Yli-Pelotola (duas de prata e uma de bronze) viveram igualmente por três vezes essa fantástica experiência de trepar os degraus do pódio.

A classificação está agora assim ordenada:

1º Rússia – 4 ouro e 1 de bronze
2º Dinamarca – 3 ouro, 2 prata e 2 bronze
3º Áustria – 2 ouro, 2 prata e 2 bronze
4º Republica Checa - 2 ouro, 1 prata e 4 bronze
5º Finlândia – 1 ouro, 4 prata e 2 bronze
6º Polónia – 2 prata
7º Noruega – 1 prata e 1 bronze

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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