quinta-feira, 30 de abril de 2009

PELO BURACO DA FECHADURA...


É já amanhã que têm início os muito aguardados Campeonatos Nacionais de Ori-BTT 2008 / 2009 e V Campeonato Ibérico. Com a ajuda de Tiago Lopes, Director da Prova, espreitamos agora o evento “pelo buraco da fechadura”…

Orientovar - O que representa para o CAOS a organização destes Campeonatos Nacionais de Ori-BTT e V Campeonato Ibérico?

Tiago Lopes - Para o CAOS e para O-BTT a nível nacional, a organização desta prova significa que também é possível organizar provas de O-BTT com mais de dois dias, como é habitual, pois não é um exclusivo da Pedestre. Significa ainda que o potencial de praticantes das duas rodas ainda está muito longe de se esgotar. Verificamos que há Maratonas de BTT com 4000 participantes mas estou certo que a maioria não conhece a Orientação ou nunca foi ensinado. Pretendíamos “bater” o recorde do CAOS, quanto ao número de praticantes, numa prova de O-BTT, que foi cerca de 430 em 2005, mas a localização geográfica do evento limita este objectivo.


Orientovar - Porquê Ourém?

Tiago Lopes – Por duas razões. O norte do concelho de Ourém, porque tem uma área com uma imensa floresta, com possibilidade de estender o mapa existente e organizar outros eventos. É de salientar que o Núcleo de Aventura e Desporto de Albergaria dos Doze tem no concelho de Pombal, a norte da área onde se vai disputar o Campeonato, cerca de 40 km2 de mapas para O-BTT, o que significa que esta zona centro, no momento, é a que tem maior área contínua a nível nacional para a prática da disciplina. A segunda razão é porque sou natural do concelho.

Orientovar - Serão três dias de intensa actividade a requerer uma logística muito pesada. Que dificuldades têm sentido, com que meios contam e quais os apoios que destacaria?

Tiago Lopes - A primeira grande dificuldade foi conseguir um local para os banhos dos atletas, porque não existem infra-estruturas. Foi fundamental o apoio da Verourém para a utilização de um dos pavilhões gimnodesportivos mais próximos do local do evento.
Outra foi o alojamento da organização e alimentação porque não há restaurantes nas proximidades.


Orientovar - Face aos valores em presença neste peculiar “Portugal – Espanha”, o que podemos esperar em termos competitivos?

Tiago Lopes -Estamos a contar com um domínio avassalador português.

Orientovar - Do vasto programa, nomeadamente do ponto de vista social, há algum aspecto que gostaria de chamar a atenção?


Tiago Lopes - No nosso ‘site’ promovemos os melhores locais turísticos do concelho e a sua inclusão num dos vídeos promocionais que elaborei em 2008, disponível em
http://www.youtube.com/watch?v=yF9XJLXZ9ek. A visita ao Castelo de Ourém, ao santuário de Fátima ou às Grutas é sempre uma referência para ocupar os tempos livres.
Estamos a ultimar a preparação de um ‘workshop’ sobre um tema alusivo à modalidade, ainda por definir.

Orientovar - Na qualidade de Director da Prova, qual a sua maior ambição?

Tiago Lopes - É sempre uma satisfação terminar a prova sem reclamações ou protestos.

Orientovar - Seria capaz de enunciar dois ou três bons motivos para orientarmos os nossos interesses para Ourém?

Tiago Lopes - Um mapa, uma bússola e um desafio sobre rodas.

[saiba tudo sobre o evento em
http://www.107caos.com/cn-o-btt09/]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

NACIONAIS DE ORI-BTT: SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DOS CAMPEONATOS


Ourém recebe, de 1 a 3 de Maio próximos, os Campeonatos Nacionais de Orientação em BTT nas vertentes Média, Longa e Estafetas. Vejamos o que de mais significativo se passou ao longo das edições de um evento que teve em 1998 / 1999 a sua época de estreia.

Apesar da gritante falta de informação, podemos com toda a certeza avançar a época de 1998 / 1999 como a primeira em que se realizaram Campeonatos Nacionais de Ori-BTT em Portugal. Já na época anterior se haviam dado as primeiras “pedaladas” com o lançamento dum conjunto de provas que, no seu conjunto, permitiram criar o primeiro ‘ranking’ nacional da Taça de Portugal. Como consequência lógica deste movimento, surgem então os primeiros Nacionais, exclusivamente na Distância Longa. Esta edição inaugural consagrou Eduardo Sebastião e Alice Silva como os grandes triunfadores do escalão sénior. Mário Guterres e Fátima Matoso sagraram-se campeões nacionais juniores enquanto os títulos de Veteranos I couberam a Joaquim Patrício e Maria Oliveira.

Na época de 1999 / 2000, com a estreia do escalão de Veteranos Masculinos II, foram em número de sete os títulos nacionais atribuídos. Eduardo Sebastião (Seniores Masculinos) e Fátima Matoso (Juniores Femininos) reeditaram os títulos alcançados na edição inaugural. Maria Amador começava a dar cartas também nesta disciplina, levando de vencida o escalão de Seniores Femininos enquanto em Juniores Masculinos o título foi parar às mãos do nosso bem conhecido Tiago Aires. Paulo Mourão e Ana Gabriel venceram o escalão de Veteranos I. Armando Santos sagrou-se o primeiro campeão nacional no escalão de Veteranos Masculinos II.

O início da era Daniel Marques

Os Campeonatos Nacionais de Ori-BTT da época 2000 / 2001 têm lugar em Penamacor, a 7 de Abril, aí se assistindo ao aparecimento do maior nome de sempre nesta disciplina. Daniel Marques (COC) conquista o título nacional de Juniores e inicia um período de avassalador domínio que se prolonga até aos nossos dias, apenas quebrado em 2003 / 2004 por Filipe Reinote. Eduardo Sebastião (Clube TAP), Maria Amador (aeGIST), Fátima Matoso (CN Alvito) e Armando Santos (CP EDP Sines) voltam a subir ao lugar mais alto dos respectivos pódios (Seniores Masculinos e Femininos, Juniores Femininos e Veteranos Masculinos II), ao passo que os dois restantes títulos foram alcançados nos escalões de Veteranos I por Luís Sousa (Clube TAP) e Helena Tiago (CDCE).

Os Campeonatos Nacionais de Ori-BTT da época de 2001 / 2002 tiveram lugar a 23 de Março, em Boleiros (Ourém) e contaram com a participação de 96 atletas distribuídos por sete escalões. Soares dos Reis (ADFA) conquista o título nacional de Seniores Masculinos, quebrando assim a invencibilidade de Eduardo Sebastião (Clube TAP), após cerrado despique entre ambos os contendores que terminam separados por escassa margem. Quem viu igualmente interrompida a série de três títulos nacionais consecutivos no escalão júnior foi Fátima Matoso, substituída no lugar cimeiro por outro grande nome da Orientação Pedestre: Raquel Costa (CDCE). Mas as caras novas na posse de títulos nacionais não se ficam por aqui. Ana Oliveira (ADFA) venceu em Seniores Femininos, Paulo Mourão (CLAC) e Fernanda Moedas (CLAC) triunfaram em Veteranos I e Francisco Moura (Montes e Vales) levou de vencida o escalão de Veteranos II, batendo o anterior campeão no escalão, Armando Santos, por escassos 21 segundos. Repetente só mesmo Daniel Marques (COC), ainda no escalão de Juniores Masculinos.

O “regresso” de Alice Silva

O CPOC teve a responsabilidade da organização dos Nacionais de Ori-BTT da época de 2002 / 2003. Em 21 e 22 de Junho a “caravana ori-btt’ista” ruma a Montemor-o-Novo e são em número de 161 os atletas presentes, 101 distribuídos por sete escalões de competição e os restantes pelos escalões de “passeio”, “aberto” e “pares”. Daniel Marques (COC) prosseguiu a sua senda vitoriosa, alcançando o título nacional sénior masculino, batendo-se intensamente com Lourenço Lopes (NADA) e Miguel Tolda (CLAC) ao longo das duas provas que constituíam o programa. Ao seu lado, Maria Amador (aeGIST) regressa às vitórias, conquistando o terceiro título nacional sénior feminino da sua carreira. Marco Martins (aeGIST) ocupa o lugar deixado vago por Daniel Marques, vencendo o escalão júnior masculino e iniciando, também ele, uma série vitoriosa.

No escalão júnior feminino, a vitória coube a Rute Cansado (CN Alvito). Francisco Moura (Montes e Vales) “reincide” em Veteranos Masculinos II e Alice Silva (aeGIST) arrebata o seu segundo título nacional, agora em Veteranos Femininos I, depois de ter sido a primeira campeã nacional sénior. Finalmente, naquele que foi o escalão mais disputado destes Nacionais, Pedro Serralheiro (COC) estreia-se a vencer em Veteranos Masculinos I, sobrepondo-se a Jorge Baltazar (aeGIST) e Paulo Pedro (Clube EDP) por apenas 9 segundos e 33 segundos de diferença, respectivamente.

As estreias de Filipe Reinote e Carla Freitas

A época de 2003 / 2004 leva os Campeonatos Nacionais de Ori-BTT até Chaves, pelas mãos do Montes e Vales. Conforme já aqui se disse, Filipe Reinote (COC) interrompeu a série vitoriosa de Daniel Marques, conquistando o título nacional sénior, de parceria com outra estreante, Carla Freitas. Marco Martins e Alice Silva (ambos da aeGIST), em Juniores Masculinos e Veteranos Femininos, respectivamente, repetiram os títulos alcançados na época anterior, enquanto Francisco Moura (Montes e Vales), em Veteranos II, fez o “tri”. Quanto aos dois restantes escalões, Isabel Fialho (CN Alvito) venceu em Juniores Femininos enquanto o título nacional de Veteranos Masculinos I voltou, três anos depois, à posse de Luís Sousa (Clube TAP).

A aeGIST – Associação de Estudantes Graduados do Instituto Superior Técnico leva a efeito a 28 e 19 de Maio, em Sintra, a sétima edição dos Nacionais de Ori-BTT. A inclusão dos escalões de Juvenis Masculinos e Femininos no figurino dos Campeonatos marca a grande alteração da época de 2004 / 2005. São agora nove os títulos nacionais em disputa e Gonçalo Cruz e Ângela Silvério sagram-se os dois primeiros Campeões Nacionais Juvenis de Ori-BTT. Presença habitual nos lugares cimeiros dos Campeonatos, Daniel Marques e Maria Amador levam de vencida o escalão Sénior, alcançando cada qual o quarto título nacional da sua carreira. Marco Martins (Juniores Masculinos), Luís Sousa (Veteranos Masculinos I) e Alice Silva (Veteranos Femininos I) alcançaram o terceiro título nacional das suas carreiras, nos escalões respectivos. Ana Porta Nova é presença saudada no lugar mais alto do pódio de Juniores Femininos, o mesmo sucedendo com Inácio Serralheiro, em Veteranos Masculinos II.

O despontar de Ana Filipa Silva

A temporada de 2005 / 2006 vê despontar o nome de Ana Filipa Silva como um dos grandes valores da Orientação em BTT portuguesa. Na prova organizada em Grândola, nos dias 13 e 14 de Maio, pelas mãos do Clube da Natureza de Alvito, a atleta alcança o primeiro título da sua carreira, juntando o seu nome ao do “repetente” Gonçalo Cruz no lugar mais alto do pódio de Juvenis. Daniel Marques volta a triunfar no escalão de Seniores Masculinos, tendo agora o seu lado a “regressada” Carla Freitas. Outro nome que regressa às vitórias, quatro anos volvidos, é o de Paulo Mourão no escalão de Veteranos Masculinos I. Pedro Neto triunfa em Juniores Masculinos, enquanto Ângela Silvério repete o título conquistado no ano anterior, desta feita no escalão de Juniores Femininos e Inácio Serralheiro “bisa” igualmente em Veteranos Masculinos II. A última palavra vai para Luísa Mateus, líder incontestada do ‘ranking’ da Taça de Portugal desde 2003 / 2004, mas que apenas à terceira tentativa chega ao título nacional de Veteranos Femininos I.

A “vingança” de Susana Pontes

Organizados pelo NADA – Núcleo de Aventura e Desporto de Albergaria dos Doze, os Campeonatos Nacionais de Ori-BTT da época de 2006 / 2007 têm lugar a 10 e 11 de Março, em Penela, neles se assistindo a uma autêntica revolução. A Distância Longa deixa de ter a exclusividade, passando a repartir as atenções com a Distância Média e o Sprint. E no que aos escalões de competição diz respeito, verifica-se o aparecimento do escalão de Veteranos Femininos II. Neste novo figurino, muitos são os nomes emergentes, dois dos quais, Susana Pontes (CPOC) e João Ferreira (DA Recardães), alcançam o pleno vitorioso. Dominando o ‘ranking’ da Taça de Portugal desde 2002 / 2003, Susana Pontes teve de aguardar cinco longos anos até ostentar um título nacional. Acabou por ter aqui a sua “vingança”, não concedendo quaisquer veleidades à concorrência e somando ao título de Distância Longa, os títulos de Distância Média e de Sprint, no escalão de Seniores Femininos.

Igual desiderato foi alcançado por João Ferreira, em Juniores Masculinos, Gonçalo Cruz e Ana Filipa Silva (ambos do CPOC), em Juvenis Masculinos e Femininos, respectivamente e Fernanda Moedas (CLAC), em Veteranos Femininos I. Vitórias repartidas no escalão de Seniores Masculinos, com Daniel Marques (COC) a “segurar” a primazia na Distância Longa, embora cedendo na Distância Média para o seu colega de equipa Joel Morgado e no Sprint para um surpreendente Eduardo Sebastião, que regressa assim às vitórias seis anos depois (!). Outro escalão onde se assistiu a vitórias repartidas foi em Veteranos Masculinos I, com triunfos de Pedro Martinho, Rui Botão (CPOC) e Paulo Mourão, respectivamente na Distância Longa, Média e Sprint. Em Juniores Femininos, Ângela Silvério (CN Alvito) venceu as Distâncias Longa e Média, deixando para Sarah Moniz o triunfo na prova de Sprint. Idêntica situação ocorreu no escalão de Veteranos Masculinos II, com António Neves (Lebres do Sado) a conquistar o título nacional de Distância Longa e Luís Sousa a chegar à vitória na Distância Média e no Sprint, e no escalão de Veteranos Femininos II, onde Margarida Novo venceu as Distâncias Longa e Média e Paula Abril triunfou no Sprint.

Afirmações e confirmações

Na temporada de 2007 / 2008, o figurino dos Campeonatos voltou a sofrer reajustes, com a inclusão de duas novas alterações. Por um lado, os escalões de Veteranos desmultiplicaram-se, passando a disputar-se de acordo com os seguintes escalões etários: H35, H40, H45 e H50 (sector masculino), e D35 e D45 (sector feminino). Outra grande novidade prende-se com o desaparecimento da prova de Sprint, para dar lugar ao Campeonato Nacional de Estafetas. As provas tiveram lugar de 25 a 27 de Abril, em Cantanhede, numa Organização do DAR – Desportivo Atlético de Recardães.

Começando pelos títulos individuais, apenas em dois escalões o vencedor não acumulou ambos os títulos em disputa. Foram os casos de H35 e H45, com Inácio Serralheiro (COC) e António Neves (Lebres do Sado), respectivamente, a levarem de vencida a Distância Longa, deixando os títulos de Distância Média para José João Moura (Clube EDP) e José Marques (CP Armada). Em Seniores, triunfos de Daniel Marques (COC) e Susana Pontes (CPOC), relegando para segundo plano Paulo Alípio (COC) e Maria Amador (ATV). Luís Pires (COC) e Ana Filipa Silva (CPOC) arrecadaram os títulos no escalão Júnior enquanto João Figueiredo (CN Alvito) foi “mega” em Juvenis Masculinos, destronando Gonçalo Cruz (CPOC). Alice Silva e Jorge Baltazar, ambos do GDU Azóia, levaram para casa os títulos de D35 e H40. Luísa Mateus (COC) triunfou em D45 e Luís Sousa (Clube TAP) somou mais dois títulos nacionais ao seu vasto pecúlio, desta feita em H50.

Daniel Marques e COC, os grandes dominadores

O primeiro Campeonato Nacional de Estafetas confirmou o nome do COC – Clube de Orientação do Centro, como o grande dominador da Ori-BTT em Portugal. A turma de Leiria alcançou quatro títulos nacionais (Seniores, Juniores e Juvenis Masculinos e H35), contra um título do GDU Azóia (Seniores Femininos) e outro da ADFA – Associação de Deficientes das Forças Armadas (H45).

Contas feitas, com oito títulos conquistados, Daniel Marques lidera a lista de Campeões Nacionais de Ori-BTT. Imediatamente atrás de si, com sete títulos, encontra-se Luís Sousa, enquanto Alice Silva e Ana Filipa Silva alcançaram até ao momento seis títulos cada uma. Susana Pontes e Gonçalo Cruz ostentam cinco títulos nacionais na sua conta particular. Finalmente, com quatro títulos, encontramos um quinteto: Eduardo Sebastião, Maria Amador, Paulo Mourão, Fernanda Moedas e Ângela Silvério.

No plano colectivo, apenas 13 clubes levaram de vencida pelo menos um escalão dos Campeonatos Nacionais de Ori-BTT. O COC, com 30 vitórias - 19 das quais só nas duas últimas épocas! -, é o nome maior desta lista. Seguem-se CN Alvito e aeGIST – Associação de Estudantes Graduados do Instituto Superior Técnico, com oito vitórias, enquanto a ADFA, ATV - Académico de Torres Vedras e CP EDP Sines alcançaram quatro títulos cada.

[trabalho baseado numa recolha de Luís Santos, a cujo cuidado e dedicação aqui deixo o meu publico reconhecimento; foto recolhida do álbum de João Ferreira em
http://picasaweb.google.pt/joaoferreira.ori]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. Para além do significado histórico e político, o 35º Aniversário do 25 de Abril teve a assinalá-lo uma enorme quantidade de eventos, um pouco por todo o país. Centro hoje a minha atenção em Arraiolos e na Estafeta 25 de Abril, prova de Atletismo que teve nesta edição um número recorde de participantes, com 33 equipas compostas por 5 elementos. Mas porquê falar de Atletismo num blogue de Orientação? É que esta prova teve uma novidade, que foi a utilização do sistema electrónico Sportident. O testemunho passou assim a ser um chip, que cada participante transportava e entregava ao seu colega, imediatamente após controlar a sua passagem nos vários pontos que constituíam o percurso. O resultado foi, como se imagina, muito positivo, com os participantes a puderem analisar os tempos efectuados em cada trajecto, compará-los com os das outras equipas e ter os resultados na hora. Refira-se, a título de curiosidade, que o GafanhOri inscreveu na prova 10 equipas (uma por escalão, à excepção dos Infantis), alcançando 6 primeiros lugares, 3 segundos e uma quinta posição. Toma lá que é democrático!

2. Talvez por distracção minha, passou-me completamente despercebido mais um espaço da blogosfera dedicado à Orientação e escrito em português para gente de todo o Mundo. Chama-se simplesmente “Vera Alvarez” e, já se vê, é o cantinho da nossa “menina de ouro e prata”. Veio ao Mundo no dia 11 de Janeiro com o objectivo, segundo a própria, de “falar do mundo da Orientação e dar a conhecer algumas experiências fantásticas que este me proporciona.” Isto para além, naturalmente, “de outro tipo de experiências passadas ou presentes que achar relevantes.” Aqui fica o convite a que passem por lá -
http://veraalvarez.blogspot.com/ - e deixem os vossos comentários.

3. Após os dois primeiros ensaios, no Porto (5º Troféu de Orientação do Porto) e em Matosinhos (III Park Matosinhos Tour), o Trail-O está aí para vingar. Almeirim prepara-se para receber a próxima iniciativa, já no dia 9 de Maio, mas o Orientovar está em condições de adiantar que mais Organizações abraçaram o desafio de integrar acções de Iniciação ao Trail-O no âmbito das suas provas. Troféu de Orientação Fernão de Magalhães (Sabrosa, 6 e 7 de Junho), I Troféu do Sorraia (Coruche, 20 e 21 de Junho), Portugal O’Summer (Praia da Tocha, 24 a 30 de Agosto) e III Troféu do Sabugueiro (Arraiolos, 19 e 20 de Setembro) são, para já, os eventos que contarão com esta singular vertente da Orientação. Para o Orimarão, COAC, Ori-Estarreja e GafanhOri, extensivo aos “pioneiros” GD4Caminhos e Associação 20 Km Almeirim, vai, com o mais profundo respeito e a minha sincera admiração, o Louvor da Semana!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 28 de abril de 2009

CAMPEONATO IBÉRICO DE ORI-BTT: RESENHA HISTÓRICA


Às portas do V Campeonato Ibérico de Orientação em BTT, aqui fica uma resenha daquilo que foram as anteriores edições do evento.

A proposta surgiu em Janeiro de 2005 e “era pegar ou largar”, nas palavras de Augusto Almeida, então presidente da Federação Portuguesa de Orientação. A Portugal era dada a primazia de organizar o I Campeonato Ibérico de Ori-BTT e, face à premência dos “timings” e à escassez de mapas novos utilizados na disciplina, o evento foi incorporado no programa do Campeonato Nacional de Ori-BTT 2005.

Organizado pela aeGIST – Associação de Estudantes Graduados do Instituto Superior Técnico, o I Campeonato Ibérico de Ori-BTT decorreu no primeiro fim-de-semana de Junho, junto à Lagoa de Óbidos. Duas distâncias (curta e longa), seis escalões (seniores, jovens e veteranos, masculinos e femininos) e doze títulos em disputa, proporcionaram a Portugal uma retumbante vitória sobre os nossos vizinhos espanhóis. Daniel Marques, em Seniores Masculinos, e Marco Martins e Ana Porta Nova, em Jovens Masculinos e Femininos, respectivamente, acumularam vitórias nas Distância Curta e Longa. Os restantes títulos ficaram na posse dos Veteranos Luísa Mateus (Curta), Fernanda Moedas (Longa), Paulo Mourão (Curta) e Luís Sousa (Longa). Amparo Gil I Brotons salvou a face da Espanha, ao vencer ambas as distâncias no escalão Sénior Feminino. Contas feitas, vitória portuguesa tanto em masculinos (62 – 41) como em femininos (58 – 36) e um total de 120 – 77 favorável às nossas cores.

O mais apertado de sempre

Em 2006, o Campeonato Ibérico transferiu-se para Espanha. Córdoba foi palco da segunda edição do evento, que decorreu a par com o Campeonato de Espanha 2006, numa organização de Los Califas. Portugal foi o vencedor, mas as contas não foram, desta feita, tão fáceis de fazer.

No sector masculino, Portugal fez o pleno de títulos em disputa. Em seniores, Daniel Marques voltou a não dar qualquer hipótese à concorrência, arrebatando os títulos ibéricos de Distância Média e Distância Longa no escalão Sénior Masculino. Eduardo Sebastião fez igualmente a “dobradinha” em veteranos, com a curiosidade de ter partilhado o título de Distância Média com o também português Filipe Reinote, devido ao facto de terem concluído a prova exactamente com o mesmo tempo. No escalão Jovens, Nuno Cristiano venceu a Distância Longa e viu Guilherme Marques sagrar-se campeão ibérico de Distância Média. Portugal concluiu com 60 pontos, mais 11 do que a Espanha.

No sector feminino foi tudo mais apertado e a Espanha acabou por se impor. Os seis títulos em disputa foram repartidos por três atletas, sendo duas espanholas e apenas uma portuguesa. Ainda em idade de Juvenil, Ana Filipa Silva iniciava aqui uma brilhante carreira, juntando ao título nacional de Distância Longa e à vitória na Taça de Portugal 2005 / 2006, os títulos ibéricos de Distância Média e de Distância Longa. As espanholas Amparo Gil I Brotons e Conchi Ureña Perez “bisaram” nos escalões de seniores e veteranas, respectivamente. No final, um parcial de 58 – 52 favorável à Espanha não foi suficiente para anular a diferença pontual verificada no sector masculino e, globalmente, a vitória coube novamente a Portugal por escassos cinco pontos (112 – 107).

Portugal, pois claro!

Em 2007 coube a vez a Grândola receber o III Campeonato Ibérico de Ori-BTT. Integrado no 3º Troféu Ori-BTT de Grândola e no Grândolabike 2007, o evento teve lugar no fim-de-semana de 26 e 27 de Maio e foi organizado pelo Clube da Natureza de Alvito. Portugal voltou a dominar em ambos os sectores, sendo desta feita no sector feminino que mais se evidenciou a nossa superioridade.

Daniel Marques seria de novo o grande vencedor da prova de Distância Média mas acabaria por ver a sua invencibilidade “ibérica” quebrada na prova de Distância Longa, com Javier Saz Alcubierre a tornar-se no primeiro atleta masculino a conquistar um título ibérico para a Espanha. E não foi o único, uma vez que Jorge Garcia Pardos venceu o título ibérico de Jovens, igualmente na Distância Longa. Quanto aos restantes títulos, falaram português: Eduardo Sebastião “bisou” no escalão de Veteranos e Pedro Neto sagrou-se campeão ibérico de Jovens na Distância Média. Assim sendo, vitória portuguesa por 58 – 48.

Quanto às senhoras, saliente-se a particularidade dos seis títulos terem sido distribuídos por seis atletas diferentes. Em Jovens, Ângela Silvério e Ana Filipa Silva chegaram à vitória na Distância Longa e na Distância Média, respectivamente. Nos Seniores, triunfos de Maria Amador (Distância Longa) e Susana Pontes (Distância Média). Finalmente nos veteranos, Fernanda Moedas triunfou na Distância Longa, cabendo a Conchi Ureña Perez (Distância Média) o único título ibérico feminino para a Espanha. Portugal alcançou um triunfo expressivo neste sector (61 – 43), o que lhe conferiu uma não menos expressiva vitória final por 119 – 91.

Um Ibérico desorganizado

O Campeonato Ibérico da passada época teve lugar novamente em Espanha, em Buitrago del Lozoya, nos dias 7 e 8 de Junho. Integrada no Campeonato de Espanha de Ori-BTT 2008, o evento mereceu forte contestação dos presentes em múltiplos capítulos, com a organizada a cargo da Federação Madrilena de Orientação a cotar-se muitos furos abaixo do expectável e desejável.

Começando pelo sector masculino, a primeira referência vai para a anulação da prova de Distância Média de Elite Masculina, com a consequente não atribuição do título ibérico. Ainda neste escalão, mas no que à Distância Longa diz respeito, o título ficou na posse do espanhol David Soria Miguel. Nos Veteranos, Eduardo Sebastião (Distância Média) e Daniel Simon Santamaria (Distância Longa) repartiram os títulos. Quem não deu hipótese foi Luís Pires que chamou a si ambos os títulos no escalão de Jovens. Resultado: Portugal – 44; Espanha – 40.

No sector feminino, a supremacia portuguesa foi mais evidente, com natural destaque para o “bis” de Susana Pontes no escalão de Seniores. Alice Silva e Ana Filipa Silva, respectivamente nos escalões de Veteranos e Jovens, trouxeram para Portugal os títulos ibéricos de Distância Média, deixando a Conchi Ureña Perez e a Miren Andueza Arina a primazia na Distância Longa. No final, Portugal venceu com um parcial de 60 – 51 neste sector e um total de 104 – 91.
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Resumindo…

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Em resumo, dos 47 títulos até hoje atribuídos, Portugal arrecada a “parte de leão” com 34 (19 no sector masculino e 15 no sector feminino). Daniel Marques e Eduardo Sebastião são os maiores “açambarcadores”, com cinco títulos cada, seguidos de muito perto pela jovem Ana Filipa Silva, com quatro, e por Susana Pontes, com três. Do lado espanhol, a veterana Conchi Ureña Perez é a mais ganhadora, com quatro títulos ibéricos no seu currículo, contra três títulos de Amparo Gil I Brotons.

Finalmente, apresentamos os nossos “dezasseis magníficos” para Ourém. Em Jovens, Ana Filipa Silva e Margarida Colares voltam a fazer dupla no sector feminino, enquanto a representação masculina estará a cargo de João Ferreira e do “regressado” Guilherme Marques, três anos depois de Córdoba e desse saboroso título de Distância Média. Em Seniores, a única novidade em relação ao Campeonato Ibérico de 2008 é a inclusão de Mário Guterres na equipa Masculina, em estreia absoluta, ao lado de Daniel Marques, Joel Morgado e Paulo Alípio. Quanto às senhoras, Susana Pontes, Rita Guterres, Maria Amador e Joana Frazão voltam a ter a responsabilidade de elevar o mais alto possível o nome de Portugal. Quanto aos Veteranos, Alice Silva terá ao seu lado outra estreante, Ana Gomes, enquanto Eduardo Sebastião “apadrinhará” José Marques nestas andanças.


[agradecimentos a Acácio Porta Nova, Eduardo Oliveira, Francisco Conejo, Joaquim Patrício e Jorge Simões, cujas colaborações foram fundamentais para a viabilização deste trabalho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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OS VERDES ANOS: MARIA OLIVEIRA


Olá!

Chamo-me Maria João Madureira Oliveira e tenho 17 anos. Frequento o 12º ano de escolaridade na Escola Secundária D. Afonso Sanches, em Vila do Conde.

Era aluna do 7º ano, na Escola EB 2,3 “A Ribeirinha” (ERD), quando tive o prazer de ter como professora de Educação Física, Maria de Belém Magalhães. Foi através dela que conheci e me iniciei na Orientação, no ano de 2004. Participei por três vezes nos Nacionais do Desporto Escolar (anos 2004, 2005 e 2008).

No ano passado participei no 2008 ISF World Schools Championship Orienteering, em Edimburgo – Escócia, onde consegui alcançar o 3º lugar do pódio por equipas, com Joana Costa, Isabel Sá, Ágata Cerqueira e Carla Maia.

O Grupo Desportivo 4 Caminhos… Federei-me em 2005 no qual pretendo continuar. Já participei algumas vezes no OriJovem onde aperfeiçoei a minha técnica. Treino de resistência é realizado durante a semana em Vila do Conde, por vezes com o professor José Mário Baptista (também atleta do GD4C).

Ao todo, pratico Orientação há 5 anos e estou muito satisfeita!

Para conciliar a Orientação com os estudos, por vezes levo os livros para as provas para poder estudar no tempo que tiver livre, o que nem sempre é fácil. Treino ao fim do dia, depois das aulas e por vezes estudo no Metro a caminho de casa.

Quando acabar o Secundário pretendo entrar num curso relacionado com ciências / biologia, mas ainda não tenho nenhuma ideia específica.

O que a Orientação tem de bom é que não nos permite apenas desenvolver capacidades físicas mas também mentais. Não é um desporto em que se corre apenas por correr, mas sim que se corre a pensar, o que é muito bom.

A Orientação é um desporto espectacular mas o seu problema é não ser muito divulgado. Quando falamos com atletas de escalões de formação já federados e lhes perguntamos como entraram para Orientação, a maioria deles responde “pelo Desporto Escolar”. Se fosse mais divulgado, de certeza que haveriam mais pessoas interessadas.

Tudo aquilo que sou na Orientação - e espero continuar a ser -, devo agradecer à minha mãe, ao treinador António Marcolino e à Professora Maria de Belém Magalhães, que sempre me apoiaram e ajudaram em tudo.

Maria Oliveira

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HUNGARIAN MTBO CUP: O BALANÇO DE JOÃO FERREIRA


Depois de recuperar um pouco das canseiras duma viagem que irá certamente ficar na história por várias razões, João Ferreira faz aqui o balanço da sua participação na Hungarian MTBO Cup.

“Espectacular” foi das palavras mais vezes proferidas nestes três dias porque era assim que estava tudo: o ‘model event’, a organização, os mapas, o tempo, o alojamento, a comida, a competição, o terreno, tudo muito bom, espectacular.

Relativamente à competição em si, acho que está à vista de todos o nível com que nos deparámos neste WRE. Parecia um autêntico Campeonato do Mundo ou da Europa, "toda a gente" estava presente, muitos grandes nomes, muito bons atletas. Toda a envolvência que foi criada pela organização esteve perfeita. A ‘speaker’ Maria Cutova, que tão bem seguiu todo o evento, não deixou escapar nada e ajudou à "festa". Uma inovação: Existia um género de ‘radar’ que media a velocidade de passagem dos atletas na partida para o triângulo, mostrando-a aos espectadores, o que gerava uma competição pela velocidade máxima nesse espaço. Gostei muito mesmo do mapa, diferente daquilo a que estamos habituados mas muito desafiante.

Prova de sábado, descoberta total! Tanto do terreno como do mapa, dos adversários e até da minha forma física e técnica. A parte inicial era muito técnica e perdi cerca de um minuto para o primeiro ponto, mas logo percebi que estava perante uma orientação diferente, tinha que aplicar conhecimentos de orientação pedestre, esquecer muitas vezes a orientação pelos caminhos porque eram demasiados. Durante toda a prova muitos atalhos feitos, muito tempo ganho em opções fora de caminhos e que bem que o terreno ajudava a estes cortes, fácil progressão com as BTT. Cheguei ao fim da prova com uma satisfação interior enorme pois adorei a forma como tínhamos que "olhar" o mapa, o correr ao lado dos melhores do mundo, o ter ficado em 39º lugar a seis minutos do top-15 entre os cem atletas presentes, o ser júnior e conseguir "bater-me" como sénior, por tudo isto já tinha valido a pena aquela viagem.

Algo que fica marcado nesta viagem é a noticia de última hora recebida na sexta-feira e o facto de ter sido convocado para o Campeonato do Mundo de Seniores em Israel e que foi mesmo uma grande surpresa!

Depois de um dia bom no sábado, faltava só completar os quase 38 km da Distância Longa. Uma partida em massa dos 98 atletas com a sua envolvência tradicional. Três mapas, o primeiro e o segundo eram parecidos pois as zonas eram as mesmas, só algumas opções mudavam, tornando a prova muito mais física e baixando o nível técnico. O terceiro mapa mudava a escala para 1:10 000, sendo por isso mais técnico e menos físico. Fiz aproximadamente 39 minutos no primeiro mapa, 47 minutos no segundo e 19 minutos no último. Algumas más opções custaram ao todo seis minutos. Fisicamente senti-me um pouco cansado a partir do segundo mapa, residindo aí a grande diferença de tempos. Já sabia que ia ser uma prova mais complicada para mim por ser muito mais física e eu ainda não estar na minha melhor forma.

Gostei bastante destes dias passados com os companheiros de aventura Daniel e Susana. Mais uma experiência bastante enriquecedora e que abre o apetite para as competições que se avizinham (Itália, WRE em Maio, ainda estamos a estudar a possibilidade de ir ou não, Dinamarca e Israel).

O Daniel está sem dúvida de parabéns. A competição está muito forte e ele conseguiu impor-se perante grandes adversários como o russo Campeão do Mundo Ruslan Gritsan, entre muitos outros. Penso que tem boas possibilidades no Europeu e no Mundial de fazer grandes resultados para o nosso país. A Susana também esteve bem ao ‘bater-se’ lado a lado com as suas rivais. Penso que estivémos os três bem.

AH é verdade...o sonho mais perto depois da convocatória para Israel. :)

Saiba mais na página de João Ferreira em
http://www.joaoferreira.net/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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segunda-feira, 27 de abril de 2009

HUNGARIAN MTBO CUP: TEM A PALAVRA DANIEL MARQUES


Daniel Marques trouxe da Hungarian MTBO Cup dois excelentes resultados, conforme já tivemos oportunidade de noticiar. Dessa participação brilhante e, em particular, da prova de Distância Longa, aqui fica o relato na primeira pessoa.

A prova de Distância Longa ficará como uma boa recordação, especialmente porque assisti o Lubomir Tomecek a cruzar a meta a uma dúzia de metros à minha frente. Por ter sido uma partida em massa, o primeiro atleta a cruzar a meta é o vencedor, o que aumenta a emoção e o carisma da competição. Se a isto juntarmos um speaker e um público a apoiar a nossa passagem, facilmente perceberemos que é um ambiente privilegiado. Esta prova caracterizava-se também pelas duas trocas de mapa e pela diferente combinação de ‘loops’.

Eram 9h30m quando se deu o "tiro de partida". Após recolha dos mapas e de uma corrida intensa de 100 metros para chegar à bicicleta, fui rápido e prático no arranque... Estava na liderança! Fui o primeiro atleta a controlar os primeiros dois pontos do meu ‘loop’, depois formou-se um grupo de aproximadamente cinco atletas e seguimos juntos até ao quarto controlo... A partir daqui, opções diferentes fizeram com que eu ficasse isolado e continuasse em prova sem qualquer companhia. Foi também neste momento que me apercebi que tinha perdido o meu bidón de água algures (“sem stress”, pensei - na troca de mapa haverá, certamente, um refresco!).

Sentia que a prova estava a correr bem, estava a seguir num ritmo forte e a navegar sem hesitações. Na primeira troca de mapa sabia que estava muito bem classificado (era 3º, atrás do Seger e do Tomecek), mas já estava desesperado por água. Reparei que a única hidratação disponibilizada pela organização era um ‘jerrican’ de 30 litros com o objectivo de os atletas encherem os bidons, mas eu não tinha bidón!! Levantei o Jerrican energicamente e apressei-me em beber o máximo de água possível. Tinha um loop de 15 km à frente e não iria ter hipóteses de beber água pelo meio.

No segundo mapa cometi um erro de orientação de um minuto, saí mal do quinto controlo e fiquei um pouco desorientado, mas continuei num ritmo forte até à próxima troca de mapa. Depois de mais meia dúzia de goles do ‘jerrican’ arranquei determinado para o último ‘loop’... Era um mapa 1:10 000 mais exigente tecnicamente. O último ‘loop’ foi perfeito, consegui recuperar algumas posições e no posto de controlo 303 (após este faltavam apenas mais dois pontos rápidos) éramos um grupo de 6 atletas separados por 12 segundos (eu, o Seger, o Honza, o Tomecek, o Rief e o Hadril). Até ao final foi ver quem tinha mais forças de reserva e num sprint bastante longo definiram-se as posições finais! Bestial, lutar "ombro a ombro" com os melhores do mundo nestas circunstâncias!

Gostaria de enaltecer o espírito da comitiva portuguesa durante este fim-de-semana. Costuma-se dizer que a união faz a força, no nosso caso. Deixo aqui uma palavra de apoio para o João que teve prestações promissoras e meritórias, lutando de cabeça erguida contra a elite mundial. E no caso da Susana é confortante sentir a dedicação com que ela vive a modalidade. Julgo que estamos de parabéns pela imagem positiva que passámos para o mundo da orientação em BTT. Estamos a evoluir!

Os mapas e mais alguma informação podem ser vistos no blogue pessoal de Daniel Marques, em
http://dani-oribtt.blogspot.com/.

[foto retirado do álbum de João Ferreira em
http://picasaweb.google.pt/joaoferreira.ori/HungarianMTBOCupWorlRankingEvent09#]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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HUNGARIAN MTBO CUP: BRILHANTE 5ª POSIÇÃO DE DANIEL MARQUES NA PROVA DE DISTÂNCIA LONGA


“Fabuloso!” Foi desta forma que Daniel Marques definiu o 5º lugar alcançado no último dia da Hungarian MTBO Cup, que se disputou em Veszprém (Hungria) no passado fim-de-semana.

Prometeu e cumpriu. Daniel Marques, o melhor orientista em BTT português de sempre, alcançou um brilhante 5º lugar na prova de Distância Longa da Hungarian MTBO Cup, encerrando com chave de ouro a sua prestação neste evento WRE que decorreu no passado fim-de-semana em Veszprém (Hungria).

Numa prova extremamente competitiva, bastante dura do ponto de vista físico e num terreno a exigir um apurado sentido de orientação, Daniel Marques superou-se, concluindo os 27,3 km de prova (23 pontos de controlo) em 1.34.03, a escassos 21 segundos do vencedor, o checo Lubomir Tomecek. Atrás de si, nomes como o do russo Ruslan Gritsan (7º lugar) do suíço Beat Schaffner (8º classificado) ou do austríaco Tobias Breitschädel (10ª posição e vencedor da prova de Distância Média da véspera), todos eles atletas do top-10 mundial, dão bem nota da proeza do atleta português.

Quanto aos restantes portugueses em prova, estiveram igualmente em excelente plano. João Ferreira voltou a integrar a primeira metade da tabela classificativa, alcançando a 46ª posição (em 93 atletas), com um registo de 1.50.07, ao passo que Susana Pontes foi 26ª classificada, entre 47 participantes, completando os 21,9 km (21 pontos de controlo) em 1.40.27. Venceu a eslovaca Hana Bajtosová, com o tempo de 1.25.59.

Refira-se a terminar que a Hungarian MTBO Cup contou com a participação de 450 atletas na prova de Distância Média e de 436 atletas na prova de Distância Longa. As provas WRE prosseguirão nos próximos dias 9 e 10 de Maio em Berna, na Suiça, com o Bike-O Bern (os mais curiosos poderão consultar toda a informação sobre este evento em
http://www.bike-o.ch/bern/).

[foto gentilmente cedida por Daniel Marques]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 26 de abril de 2009

III TROFÉU ORI-ALENTEJO: PEDRO NOGUEIRA E LÍDIA MAGALHÃES VENCEM 7ª ETAPA


Com o III Troféu Ori-Alentejo a caminhar a passos largos para o seu final, as dunas de S. Torpes foram palco da 7ª Etapa, numa organização conjunta do COALA – Clube de Orientação e Aventura do Litoral Alentejano e da Secção de Orientação da Casa do Pessoal do Clube EDP, de Sines.

Contrariando o “mau agoiro” meteorológico, o Dia da Liberdade apresentou-se airoso, convidando para uma bela jornada de Orientação. Porque foi disso que se tratou para centena e meia de participantes. Gente nova e menos nova, caras umas mais conhecidas que outras, a habitual forte presença do GafanhOri, Tiago Aires na locução, Armando Santos de máquina fotográfica em punho. E uns braços nus que se entrecruzam a proteger-se do vento frio, o Nuno José a comer rosquilhas, um pódio nas dunas…

O mapa é o mesmo que recebeu, em 23 e 24 de Abril de 2005, o II Troféu de Orientação Pedestre Cidade de Sines, prova da Taça de Portugal organizada já na altura pela CP EDP Sines. Para os mais avisados, um mapa tecnicamente muito exigente, a requerer uma boa leitura do relevo. Os “brancos” estão agora ocupados pelas arbustivas secas que dificultam a progressão e embaraçam os menos expeditos. Irão ser precisas mais do que unhas para tocar esta guitarra.

ADFA vezes dois

No escalão Difícil, Pedro Nogueira e Lídia Magalhães, ambos da ADFA, não sentiram dificuldades de maior para levar de vencida a concorrência. Pedro Nogueira alcançou a sua segunda vitória no Troféu, cumprindo os 5,850 km (29 pontos de controlo e 190 m de desnível) em 44.36. Na segunda posição classificou-se João Mega Figueiredo (CN Alvito), com mais 4.34 que o vencedor, enquanto Nuno Pedro (CAOS) foi terceiro com 53.35. No sector feminino, Lídia Magalhães estreou-se a ganhar. A atleta gastou 1.07.22 no mesmo percurso, deixando atrás de si Lena Coradinho e Inês Pinto, ambas do GafanhOri, a 8.30 e 16.17 de diferença, respectivamente. Raquel Costa, com um "mp", destaca-se pela negativa.

No lote dos restantes vencedores, uma saudação especial para o Clube da Natureza de Alvito, uma das entidades organizadoras do Troféu, mas que até à data não tinha ainda ouvido soar o seu nome no lugar mais alto do pódio. Conseguiu-o desta vez graças às vitórias de Paul Roothans (Fácil Masculino) e de Nuno Soares (Médio Masculino). Rute Coradinho (GafanhOri) levou de vencida o escalão Fácil Feminino, o que sucede pela terceira vez nesta terceira edição Ori-Alentejo, enquanto Rita Rodrigues, também do GafanhOri, somou nova vitória no escalão Médio Feminino às quatro alcançadas anteriormente e afirma-se como a mais ganhadora atleta no Troféu. Finalmente, no escalão de Iniciação, Gabriel Brasileiro fez as honras do COAC, um emblema que vai sendo presença habitual nos pódios do Ori-Alentejo.

O “bis” de Pedro e Lídia

Oferecido pela Junta de Freguesia de Vila Nova de Santo André, o almoço juntou orientistas e população local, constituindo um momento privilegiado de confraternização e troca de experiências, ao som da música do sempiterno e muito amado Zeca. “Eles comem tudo, eles comem tudo…”

Para “esmoer” febras e entremeadas, seguiu-se uma prova de Sprint por entre as estreitas e tortuosas artérias da vila. Pedro Nogueira e Lídia Magalhães mostraram uma vez mais a sua supremacia face à concorrência, vencendo em Absolutos Masculinos e Femininos, respectivamente. Rute Coradinho e Paulo Falcão, ambos do GafanhOri, triunfaram em Jovens, enquanto o par José Mateus / Inês Gonçalves (GafanhOri) levou de vencida o escalão de Iniciação.

O III Troféu Ori-Alentejo prossegue no próximo mês de Maio, a 17, com a 8ª etapa a ser disputada em S. Bartolomeu – Évora.

[foto retirado do álbum da prova em
http://picasaweb.google.com/OriCoala/20090425IIIOriAlentejo7Etapa#]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 25 de abril de 2009

HUNGARIAN MTBO CUP: PORTUGUESES COM EXCELENTE COMEÇO


De Veszprém chegam-nos as primeiras notícias referentes à Hungarian MTBO Cup e à prova de Distância Média disputada no dia de hoje. Antes mesmo de os resultados se encontrarem publicados na página oficial da prova – http://www.mtbo.hu/ - o Orientovar está em condições de anunciar as excelentes prestações dos nossos três ilustres representantes.

No escalão de Elite Masculina, entre 110 participantes, Daniel Marques alcançou um brilhante 15º lugar com o tempo de 53.15 e a cerca de 7 minutos do vencedor, o austríaco Tobias Breitschädel. O grande campeão português salientou ter-se tratado duma “prova muito atípica para nós, já que o terreno era muito aberto e era permitido pedalar fora dos caminhos.” Referindo que “todos nós tivemos dificuldades a entrar no mapa e cometemos alguns erros de Orientação”, Daniel Marques reconhece que “era necessário muita técnica de Orientação enquanto, ao invés, na escolha de opção e navegação não havia muitas dificuldades”. Exemplo disto é o facto de Daniel Marques ter perdido 4 minutos no 5º ponto de controlo, o que o impediu de entrar no top-10.


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João Ferreira, outro dos atletas presentes, fez aqui a sua estreia na Elite Mundial, alcançando o 39º lugar com 59.47. Uma posição que vai ao encontro das melhores expectativas do atleta português para quem “ficar a meio da tabela já seria muito bom”, conforme afirmara ao Orientovar antes da sua partida para a Hungria. Também Susana Pontes esteve muito bem, alcançando o 25º lugar entre 53 participantes com o tempo de 60.38. A vencedora foi a suiça Christine Schaffner, actual líder do ‘ranking’ mundial.

Atendendo à grande competitividade existente nos escalões de Elite, devemos considerar que estamos perante prestações muito positivas. Amanhã será a vez da prova de Distância Longa e aqui fica a promessa dos nossos atletas: “Faremos os possíveis por melhorar (ainda mais) os nossos resultados.”

[fotos gentilmente cedidas por Daniel Marques]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

VENHA CONHECER... JORGE SANTOS


Chamo-me… JORGE Augusto Motas da Silva SANTOS
Nasci no dia… 01 de Julho de 1950, em Estremoz
Vivo… em Mem Martins
A minha profissão é… Pré-Reformado
O meu clube… Clube Portugal Telecom
Pratico orientação desde… 1996

Na Orientação…

A Orientação é… um bom passatempo!
Para praticá-la basta… ter um bocadinho de loucura e saber sofrer!
A dificuldade maior… perder-se e conseguir depois orientar-se!
A minha estreia foi… na Aldeia do Meco!
A maior alegria… encontrar o caminho certo, depois de andar para ali aos papéis!
A tremenda desilusão… depois de tanto esforço, chegar ao fim e ter falhado um ponto!
Um grande receio… não sou nenhum herói mas não tenho receios!
O meu clube é… (era) o meu patrão!
Competir… é conviver!
A minha maior ambição… chegar o mais longe possível!


… como na Vida!

Dizem que sou… um gajo porreiro!
O meu grande defeito… tenho a mania que tenho sempre razão!
A minha maior virtude… ser bom rapaz!
Como vejo o mundo… gostava de estar de olhos fechados para não ver!
O grande problema social… o desemprego!
Um sonho… o Benfica tornar a ser Campeão Europeu!
Um pesadelo… durmo bem, ressono toda a noite, não tenho pesadelos!
Um livro… “Rio das Flores”!
Um filme… “O Caçador”!
Na ilha deserta não dispensava… um cigarrito!

Na próxima semana venha conhecer Lídia Magalhães.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

HUNGARIAN MTBO CUP: AS PERSPECTIVAS DE DANIEL MARQUES


Líder incontestado do ‘ranking’ nacional, Daniel Marques é um dos valores seguros da nossa Ori-BTT. Vamos vê-lo no próximo fim-de-semana a lutar com alguns dos maiores nomes mundiais por um lugar cimeiro na Hungarian MTBO Cup. À partida para a Hungria, o atleta confiou ao Orientovar as suas maiores expectativas.

A hipotese de ir à Hungria surgiu numa conversa entre mim e o seleccionador húngaro, de seu nome Sandor Talas, quando decorria o Campeonato Europeu de Ori-BTT na Lituânia. Nessa conversa interessante, tivemos oportunidade de trocar ideias sobre a realidade da modalidade em cada um dos nossos países. Houve desde logo o convite para ir competir à Hungria, uma prova internacional muito competitiva e num terreno fascinante, segundo Talas.

Esta competição vem numa fase importante da época, visto que é na véspera dos Campeonatos Nacionais e Ibérico. Tenho estado a treinar regularmente desde o início do ano e sinto que as minhas performances têm vindo a melhorar gradualmente. Neste momento estou a atravessar um bom momento de forma, como foi evidente nos resultados obtidos no III Open de Ori-BTT do ATV! Confesso que estou a aguardar com alguma expectativa o Hungarian MTBO Cup e tenho curiosidade em saber qual é o meu nível competitivo internacional actual. Espero, com alguma naturalidade e humildade também, lutar por um top 10 nesta competição em particular.

Esta época não arrancou da melhor forma. Estive de ‘ressaca’ dos Campeonatos do Mundo e da Europa, onde obtive resultados abaixo das expectativas. Por compromissos profissionais tive de abdicar de muitos treinos e infelizmente, nos períodos mais importantes da época transacta, estava claramente mal preparado e também algo desmotivado pelo desenrolar dos acontecimentos. Mas com a entrada em 2009 retomei aos treinos intensivos, e com a ajuda do meu treinador, Mestre Jorge Caldeira, tenho vindo a desenvolver um trabalho com muita disciplina associada.

O pior momento da época foi a minha prestação no WRE de Grândola onde cometi "mp" no primeiro dia de competição e tanto a nível físico como técnico estive sinceramente mal! O mais positivo da época e aquilo que me deixa optimista em relação ao futuro, é a forma como tenho evoluído fisicamente e tecnicamente. Os resultados mais recentes demonstram que estou no caminho certo...

Expectativas quanto a resultados? O meu pensamento e ambição de momento é continuar a trabalhar de forma a melhorar todos os resultados absolutos de Portugal em grandes competições internacionais e que me pertencem. A minha especial atenção irá para a prova de Sprint em que me sinto com francas capacidades para atingir um top 10 e, assim, melhorar o 16º lugar no MTBO WOC 2007 e o 21º lugar no MTBO WOC 2008.


Saiba tudo sobre a Hungarian MTBO Cup em
http://www.mtbo.hu/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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HUNGARIAN MTBO CUP: A ESTREIA DE JOÃO FERREIRA NA ELITE MUNDIAL


É uma das maiores certezas da Ori-BTT nacional e faz em Veszprém, a sua estreia entre a Elite mundial. Falamos de João Ferreira, o jovem atleta do DA Recardães, que nos deixa as suas impressões.

Esta possibilidade de ir à Hungria surgiu em Setembro passado, quando eu e o Daniel [Marques] estávamos no Campeonato Europeu na Lituânia. Vimos o folheto da prova e os bocadinhos de mapas-exemplo e ficámos curiosos. Percebemos que era numa boa data, que daria para enquadrar na nossa época e o Daniel acabou por estabelecer contacto com o organizador húngaro. Já durante esta época, na prova do WRE em Grândola, depois de confirmar com o Daniel que ele iria, falei com a Susana Pontes e rapidamente organizámos a viagem. Está tudo preparado para irmos os três. Mas gostaria de referir que nada disto era possível sem os meus apoios pessoais, entre os quais destaco o Club L, Sport Zone, WithoutStress, Biofitness e Fisio-T, ao nível dos vários serviços e produtos, e ainda o apoio do meu clube, Desportivo Atlético de Recardães, e da Câmara Municipal de Águeda.

Esta prova vem numa altura que precede os Campeonatos Nacionais e Ibérico e por isso não podia ser melhor. Aproveitarei também para fazer o ponto de situação no que respeita à minha preparação para o Campeonato do Mundo de Juniores em Junho. Correr em Elite, ao lado dos melhores do mundo, deve ser uma sensação muito boa e estou ansioso para tal. Quando estão mais de cem atletas inscritos, das mais variadas potências da Ori-BTT mundial, e sendo eu ainda júnior, os objectivos passam por ganhar experiência internacional neste escalão. Se ficar a meio da tabela já seria muito bom.

Esta época não tem sido fácil. Primeiro porque o tempo para treinar não tem sido aquele que desejava devido à Faculdade. Tive que encontrar outra maneira de poder ganhar ritmo competitivo e por isso federei-me na Federação de Triatlo. Tenho participado em provas de Duatlo pelo Oeiras Sport Clube e desta forma tenho mais provas (Ori pedestres, Ori-BTT e Duatlos). Outra questão menos boa nesta época é em termos de jovens na modalidade. Temos poucos jovens e as médias de participantes em H20 por exemplo tem sido de três ou quatro. A competição no escalão H20 diminuiu pois saíram bastantes atletas. Daí que, depois de algumas provas esta época em H20, decidi fazer em Elite. Precisava de fazer quilómetros e de ganhar ritmo competitivo, pois não estava a treinar como gostaria. A motivação em Elite é maior e aproveitei para me ir habituando à realidade do próximo ano.

O resto da época, tratando-se dos Campeonatos Nacionais e Ibérico, vou fazer em H20. Espero ir ao pódio. A prova na Hungria vai servir também para preparar essa competição mas o grande objectivo da época é o Campeonato do Mundo de Juniores na Dinamarca. O ano passado consegui o 9º lugar no Sprint e por isso a fasquia está muito elevada. Saíram alguns grandes nomes juniores para este ano mas também entraram novos que já tive a oportunidade de conhecer. Não vai ser uma competição fácil mas é sempre por alturas destas que nós, atletas, mais ansiamos durante uma época inteira e queremos dar o nosso melhor. Estive muito perto de ir ao pódio no europeu (7º lugar na Longa) e o que senti na altura foi um misto de felicidade - porque foi um bom resultado! – e de frustração. Se tivesse ficado nos seis primeiros, seria algo inesquecível, mas a competição está cada vez maior e a minha preparação este ano ainda não é a melhor. Espero estar a 110% na Dinamarca e poder lutar por um top-10 já seria muito bom. Campeonato do Mundo de Seniores em Israel? Ainda é um sonho…


Saiba tudo sobre a Hungarian MTBO Cup em
http://www.mtbo.hu/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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HUNGARIAN MTBO CUP: AS EXPECTATIVAS DE SUSANA PONTES


Susana Pontes é, já aqui o dissemos, a nossa ilustre representante na Hungarian MTBO Cup, que decorrerá em Veszprém (Hungria) no próximo fim-de-semana. Sobre a sua participação na grande prova húngara, a virtual vencedora do ‘ranking’ nacional de Ori-BTT 2008 / 2009 deixa aqui as suas impressões.

A possibilidade desta participação na Hungria surgiu através da ‘pressão’ exercida pelo João Ferreira, atleta H20 de Ori-BTT do DA Recardães, em querer participar numa Prova WRE fora de Portugal. A ideia é conseguir enquadrar toda uma viagem com os compromissos de ordem pessoal e profissional... Conhecer as rotinas, o cansaço... Esta é mais uma experiência (maluqueira!) que considero poderá ser bastante cansativa... Vamos ver como eu a supero!!! Mas é certo que será mais um momento de aprendizagem... Aparece antes do Campeonato Nacional de Ori-BTT e será uma forma da preparação competitiva, ou não! Conto com o apoio da Loja das Bicicletas (Ldb), que se ocupa do "tratamento" da Bicicleta, com o apoio do CPOC, de acordo com o Regulamento Interno do próprio clube e ainda com apoio da minha conta bancária! Também, não menos importante, o apoio de todos os amigos do CPOC que me dão força para subir mais um degrau, mesmo que ele seja um pouco mais alto que a minha perna (não é difícil!)...

Esta época tem decorrido de forma bastante positiva. O ponto alto será, sem dúvida, ter o ‘ranking’ já garantido; um ponto baixo é mesmo o ter chovido bastante esta época... e chuva é igual a esqueleto molhado sistematicamente, eh! Relativamente ao presente momento, tenho estado a tentar ultrapassar uma fase de cansaço. A Páscoa “deu cabo de mim", depois tivemos a visita de estudo (Suiça), o Ori-BTT em Outeiro da Cabeça, o estágio... Quanto à Competição esta época, as adversárias não são muitas, mas a competitividade é alguma e bem mais madura! Se me acomodo, de certeza que não ganho, pelo que a necessidade de treinar é factor preponderante... Claro, que é necessário que surjam mais elementos para que o escalão de Elite Feminina não "morra"!

A nível interno, até final da época, apenas falta uma prova importante. O ‘ranking’ está garantido e agora vamos tentar alcançar os quatro Títulos Nacionais que faltam!!! O que eu gostaria mesmo era de ter uma boa prestação no Campeonato da Europa na Dinarmarca e no Campeonato do Mundo em Israel, caso esteja presente! No Top vinte mundial, não será fácil conseguir um lugar, mas impossível nunca direi ser... já aprendi há algum tempo que impossíveis não existem... São necessárias várias provas no circuito mundial para que se possam somar pontos suficientes, o que a nossa vida profissional não permite... Acho mesmo que o mais importante que tenho retirado desta presença na Orientação é a aprendizagem competitiva, quer ao nível do treino como no do saber estar para a competição.

Saiba tudo sobre a Hungarian MTBO Cup em
http://www.mtbo.hu/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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HUNGARIAN MTBO CUP: PARADA DE ESTRELAS


Depois de Grândola e de Lahav Forest (Israel) está aí a terceira grande prova WRE de Ori-BTT da temporada. Em Veszprém (Hungria) reúnem-se no fim-de-semana alguns dos melhores especialistas do mundo inteiro, entre os quais os portugueses Susana Pontes, João Ferreira e Daniel Marques.

A pitoresca cidade de Veszprém e os vinhedos que a envolvem e se estendem até ao Lago Balaton, servem de palco à Hungarian MTBO Cup 2009. Os mais de 400 atletas de 17 nacionalidades diferentes inscritos encontram-se distribuídos por 18 escalões de Competição e três escalões Abertos. A prova é organizada pelo Hangya SE e pela Federação de Orientação de Veszprém County e tem em Miklós Mets e em László Zentai o Director da Prova e Supervisor IOF, respectivamente.

O programa contempla uma prova de Distância Média no sábado e uma prova de Distância Longa no domingo, esta com a particularidade da partida ser “em massa”. Ambas as provas contam para o ‘ranking’ mundial da modalidade, para os Campeonatos Nacionais da Hungria e Taças da República Checa e Eslováquia. Presentes alguns dos nomes mais sonantes do panorama mundial, casos do russo Ruslan Gritsan, nº 2 do ‘ranking’ mundial, “rei da Distância Longa” e actual Campeão do Mundo, e ainda do suíço Beat Schaffner, do austríaco Tobias Breitschädel, do também suíço Simon Seger e do checo Lubomir Tomecek, respectivamente 7º, 8º, 9º e 10º classificados do ‘ranking’ mundial.

Nas senhoras, a grande cabeça de cartaz é a suiça Christine Schaffner, actual líder do ‘ranking’ mundial e Campeã do Mundo de Distância Longa. Presentes também a húngara Anna Füzy, 5ª classificada do ‘ranking’ mundial, a lituana Ramuné Arlauskiné, 6ª do ‘ranking’, a eslovaca Hana Bajtosová, 8ª do ‘ranking’ e Campeã do Mundo de Sprint e a lituana Karolina Mickeviciuté, 9ª classificada do ‘ranking’ mundial.

No seio desta verdadeira parada de estrelas, natural destaque para a presença dos portugueses Daniel Marques, 47º classificado do ‘ranking’ mundial, Susana Pontes, que ocupa a 32ª posição
do ‘ranking’ e João Ferreira, aqui a fazer a sua estreia entre a Elite mundial. É tempo de ouvir o que os nossos “três mosqueteiros” têm para nos dizer, em peças separadas, já a seguir no seu Orientovar.

Para mais informações, consulte a página oficial da prova em
http://www.mtbo.hu/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO


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PELO BURACO DA FECHADURA...


Hoje espreitamos pelo buraco da fechadura três importantes acontecimentos de Orientação que decorrerão já no próximo fim-de-semana. Começaremos pelas Corridas de Aventura, lançando um olhar pelas Terras de Cister em mais uma etapa da Taça de Portugal. Seguiremos depois ao encontro do litoral alentejano para a 7ª etapa do III Troféu Ori-Alentejo. E terminaremos para lá do Marão, com o II Troféu Orientação da Liberdade.


Terras de Cister – Corrida e Aventura do Oeste

É pelas terras da Ordem de Cister e seus abnegados monges que irão passar, ao longo do próximo fim-de-semana, outros não menos abnegados conquistadores, em mais uma etapa da Taça de Portugal de Corridas de Aventura.

Pelas mãos do COA – Clube de Orientação e Aventura, “Terras de Cister – Corrida e Aventura do Oeste” levará os participantes a alguns dos locais mais simbólicos do concelho de Alcobaça e assinalará, ao longo de sete etapas, a presença da Ordem de Cister por toda esta região.

Para além das típicas etapas de BTT e Pedestre, uma super etapa de cerca de sete horas (com possibilidade de alternância de meios e atletas) irá conjugar grande parte das vertentes da Orientação neste tipo de provas de uma forma muito peculiar. Canoagem, ‘rappel’, Ori-BTT, Orientação Pedestre, escalada e espeleísmo são as actividades propostas e onde a palavra “estratégia” ditará a grande diferença nos resultados finais.

Distribuídas por quatro escalões – Aventura, Elite Masculina, Elite Mista e Promoção – encontram-se inscritas até ao momento 36 equipas, entre as quais a GLOBAZ.PT – Polisport e a Vulcano Mix, líderes incontestadas do ‘ranking’ nacional de Elite Masculina e Aventura, respectivamente.

Mais informações em
http://www.coa.com.pt/caoeste/.


O regresso do III Troféu Ori-Alentejo

O III Troféu Ori-Alentejo estende os braços até ao litoral para a realização da sua 7ª etapa, já no próximo sábado, dia 25 de Abril. A organização está a cargo do COALA – Clube de Orientação e Aventura do Litoral Alentejano e da Secção de Orientação do Clube EDP (Sines).

A 7ª etapa do III Ori-Alentejo encontra-se inserida nas Comemorações do 25 de Abril, conta com o apoio das Câmaras Municipais de Santiago do Cacém e de Sines e da Junta de Freguesia de Santo André e será composta por duas provas distintas. A partir das 10h00, uma prova de Distância Média, tecnicamente muito rica e realizada num terreno composto por dunas e pinhal junto à Praia de São Torpes, com percursos de Iniciação e Escalões Fácil, Médio e Difícil (M/F). E à tarde, pelas 15h00, uma prova de Sprint pelas entrecortadas ruas da cidade de Santo André, destinada à Iniciação, Absolutos e Jovens (M/F), como forma de dinamizar a Orientação junto da população.

No intervalo das provas, cerca das 12h30, irá decorrer uma petiscada convívio no Largo Zeca Afonso (Vila Nova de Santo André), “com febras e entremeadas grelhadas”, numa gentileza da Junta de Freguesia de Santo André. Uma oportunidade imperdível para se associar às comemorações do 25 de Abril, dar um passeio até à praia, aproveitar para conhecer o litoral alentejano e desfrutar de um belo dia de Orientação.

Mais pormenores sobre a prova e outras informações / inscrições em
http://coala.com.sapo.pt/provas/2009/3orialentejo/ ou através do mail oricoala@gmail.com.


Para lá do Marão!

Alijó recebe, no próximo domingo, o II Troféu Orientação da Liberdade, prova local de Orientação Pedestre aberta à participação de qualquer pessoa. Organizado pelo clube Orimarão e dividido em duas etapas de Sprint, o II Troféu Orientação da Liberdade está planeado para proporcionar um agradável dia passado na vila de Alijó, em salutar prática desportiva.

A etapa da manhã, com concentração marcada para as 9h30 nos Jardins das Piscinas Municipais de Alijó, será composta por um percurso formal de Orientação, servindo também como iniciação para quem desejar fazer a sua estreia na modalidade. Por sua vez, a etapa da tarde será disputada sob a forma de Estafetas, por equipas de dois ou três elementos. Para quem o solicitar, a participação na etapa da tarde pode ser feita individualmente (percurso individual).

Para participar neste momento desportivo de Orientação, deve enviar um e-mail para
inscrever@orimarao.pt, indicar o seu nome, data de nascimento, número do BI (ou n.º FPO no caso de ser federado) e o percurso que deseja efectuar (manhã ou tarde). As inscrições encerram amanhã, 24 de Abril de 2009. No próprio dia é possível inscrever-se no local e participar, ficando condicionada essa participação ao número de mapas existentes. Mais informações em http://www.orimarao.pt/2008/index.php?option=com_content&view=article&catid=101%.


E ainda…

Se tem interesse em iniciar-se na Orientação, o Grupo Desportivo 4 Caminhos vai ministrar uma acção de formação nos próximos dias 25 e 26 de Abril. Homologada pela Federação Portuguesa de Orientação e integrada na “Grande Feira do Associativismo”, promovida pela Câmara Municipal de Matosinhos, a acção terá uma parte teórico-prática em sala com apresentação multimédia e uma parte prática. A parte teórica decorrerá na Câmara Municipal de Matosinhos, enquanto o Parque Basílio Teles, Parque da Cidade do Porto e Reserva Ornitológica de Mindelo receberão as várias componentes práticas.

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O Programa e toda a informação encontra-se disponível em
http://www.gd4caminhos.com/content/view/550/1/.


Finalmente, deixamos a informação de que a data da 6ª etapa do II Torneio ComMapa, da responsabilidade do .COM – Clube de orientação do Minho, foi alterada. Assim, em vez de se realizar no dia 25 de Abril conforme estava previsto, a prova decorrerá no dia 2 de Maio, no mapa do centro histórico de Braga.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 22 de abril de 2009

TRAIL-O NO PARQUE DO CARRIÇAL: ORIENTAÇÃO PARA TODOS

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Englobado no III Park Matosinhos Tour, teve lugar na manhã do passado domingo uma Acção de Iniciação ao Trail-O, variante da Orientação vocacionada para indivíduos com incapacidade física, preferencialmente deslocando-se em cadeiras de rodas.
O Parque do Carriçal (Senhora da Hora) foi o local escolhido pelo Grupo Desportivo 4 Caminhos para levar a cabo mais uma Acção de Iniciação ao Trail-O, a segunda na Área do Grande Porto no curto período de cinco semanas. Desenrolando-se em espaços ao ar livre e utilizando os mesmos materiais da Orientação Pedestre (mapas, bússolas, balizas), o Trail-O apresenta, contudo, uma grande diferença: A actividade mental exigida, em detrimento da actividade física, e que é determinante para um bom desempenho. Este aspecto indicia que o Trail-O pode ser praticado por qualquer indivíduo, visto estar em causa um tipo de competição essencialmente intelectual.

Nesta actividade estiveram presentes seis participantes e respectivas famílias. Cinco destes atletas pertencem ao Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada (Porto), aqui devidamente acompanhados pelo Enfermeiro Amílcar Lopes, Terapeuta Luciana Silva e cinco Estagiárias do Instituto de Ciências da Saúde – Universidade Católica Portuguesa. O percurso escolhido, na distância de 600 metros, com 9 pontos de controlo e sem desníveis, revelou-se ideal para a prática do Trail-O. Os caminhos eram perfeitamente adequados às cadeiras de rodas e houve o cuidado de colocar os pontos em locais particularmente bonitos. O desafio nos pontos de decisão chegou a ser muito grande, com duas, três e mesmo quatro opções para um único ponto.

A primeira palavra vai para a determinação do Grupo Desportivo 4 Caminhos em promover e divulgar esta actividade específica, fazendo dela parte integrante dos seus maiores eventos, elevando a um expoente da maior grandeza o primado da Orientação para Todos e colocando a tónica no ideal “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Sabemos que isto representa um esforço acrescido, implica uma preparação cuidada, exige uma logística própria e requer pessoal devidamente treinado para enquadrar os participantes, respondendo às constantes solicitações. A tudo isto o Grupo Desportivo 4 Caminhos soube uma vez mais dar a melhor das respostas, nas pessoas de Albino Daniel e Diana Marli, monitores pacientes e sempre disponíveis no acompanhamento da actividade. Uma aposta ganha, expressa nas manifestações de carinho e apreço por parte dos participantes.

É devida igualmente uma palavra de consideração e apreço pelo dinamismo dos profissionais do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada, pela forma como têm divulgado o Trail-O e, de forma absolutamente voluntária, vêm acompanhando os seus utentes e com eles estabelecendo uma forte empatia por via deste tipo de actividades. Louve-se igualmente a disponibilidade manifestada pela Administração daquele estabelecimento de saúde, com o imprescindível apoio logístico ao nível dos transportes.

Espera-se que estes pequenos passos se possam agigantar no futuro. Que mais organizações sigam o exemplo do Grupo Desportivo 4 Caminhos e, em articulação com associações e instituições de saúde locais, levem o Trail-O aos quatro cantos de Portugal.

Para rematar, nada melhor do que ouvir os intervenientes e perceber, no alcance das suas palavras, que o esforço de quem organiza acaba por ser compensado por tamanha alegria e emoção.
Sónia Amaral - “Foi muito divertido ter feito equipa com a Terapeuta Luciana. Ela estava muito atenta às exposições do monitor e às minhas. Fiquei mesmo satisfeita por vê-la tão empenhada e a curtir a cena. Foi divertido vermos o Norte e o Sul… a curva faz assim… não pode ser o B… Fiquei muito animada por também a poder ensinar.”


António Jamba - “Uma experiência inovadora que nos enquadra e não nos deixa para trás numa cadeira de rodas. Uma forma de juntar o útil ao agradável, aprendendo e divertindo-nos.”

Clarinda Costa - “Foi muito motivador poder fazer a prova com o meu marido e a minha filha. Passámos mais tempo juntos e lutámos os três pelo mesmo, tentando acertar no maior número de pontos possível. Só a partir do meio da prova é que comecei a perceber e gostava muito de repetir a experiência, agora que já estou mais por dentro do assunto.”

Mabília Lima - “Foi agradável, simpático e ajudou a desanuviar os nossos pensamentos que são, por vezes, um bocadinho mórbidos. Quanto à prova, conferenciava com as minhas acompanhantes e chegávamos a um consenso. Não acertámos em três pontos… paciência. Da próxima vez levo os óculos.”


Carlos Duarte - “Fez-me recordar os tempos de tropa, nos Fuzileiros, numa época especial da minha vida, vivida com intensidade, e também me aguçou a curiosidade e a vontade de querer fazer mais. Feita assim, com a minha mulher, fortalece e enriquece os laços familiares e motiva mais assuntos para conversa. Esta prova fez-me sentir com capacidades para voltar a fazer aquilo que fazia quando estava fisicamente a 100%. Esperemos que volte a haver mais. Desde que fisicamente não haja contra-indicações, estou apto e com vontade de continuar. Gosto destes desafios e, se possível, mais difíceis ainda.”
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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PARK MATOSINHOS TOUR: A ORIENTAÇÃO À PORTA DE CASA


As águas de Abril deram uma trégua e a manhã do passado domingo apresentou-se radiosa de Sol, cor e vida para a 3ª edição do Park Matosinhos Tour.

Contando com o apoio da Matosinhos Sport, Juntas de Freguesia da Senhora da Hora e de Leça da Palmeira e Federação Portuguesa de Orientação, o Grupo Desportivo 4 Caminhos chamou aos verdejantes e bem tratados espaços da Quinta da Conceição e Parque do Carriçal um total aproximado de três centenas de participantes, distribuídos pelos escalões Fácil, Médio e Difícil.

Percursos adaptados às capacidades e conhecimentos de cada um, acompanhamento personalizado dos menos experientes por monitores do clube, uma acção de iniciação ao Trail-O - variante da Orientação vocacionada para indivíduos com incapacidade motora -, serviços de apoio incluindo massagem de recuperação e rastreio da hipertensão arterial, excelente locução e um não menos excelente serviço de bar – no “Comezainas” já só faltam mesmo as “Francesinhas” –, foram trunfos relevantes dum evento que aposta, cada vez mais, na captação de novos praticantes.




Pena foi que o “Põe-te a Mexer”, programa da responsabilidade da Matosinhos Sport e vocacionado para a promoção de hábitos de vida saudáveis junto da população do Concelho, não tenha incluído a iniciativa no seu plano de actividades. Todos sairiam a ganhar. A Quinta da Conceição e o Parque do Carriçal ficariam ainda mais belos com este número acrescido de participantes, o primeiro contacto de muitos com a Orientação seria seguramente uma experiência divertida e enriquecedora e a própria modalidade sairia reforçada. Inquestionavelmente, uma bela oportunidade perdida.


Mais informações na página oficial da prova, em http://www.gd4caminhos.com/content/view/426/420/.

Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO

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10MILA 2009: PARTICIPAÇÃO MEMORÁVEL DE TIAGO ROMÃO


Disputou-se no passado fim-de-semana mais uma edição da popular Tiomila, prova de Orientação Pedestre de Estafeta que, desde 1945, tem lugar na Suécia. Integrando a equipa do OK Klemmingen, o português Tiago Romão foi um participante muito especial, partilhando aqui e agora com todos os leitores do Orientovar uma experiência que classifica de “memorável”.


O Tiomila foi verdadeiramente uma experiência memorável que irei relembrar certamente por muito tempo.

A minha participação surgiu na sequência de um convite feito por um clube sueco, à qual eu me mostrei disponível. O OK Klemmingen é um clube pequeno de uma cidade chamada Gnesta, a cerca de 60 km de Estocolmo. Este é um clube que já me acolheu por duas vezes, durante as quais tive oportunidade de fazer alguns treinos técnicos. O ambiente é muito bom e todos são extremamente simpáticos comigo. Para quem não conhece, este clube já acolheu e foi representado diversas vezes pelo letão Martins Sirmais.


ANTES…

Era meio-dia da passada quinta-feira e saía da aulas. Seguir de comboio para o Porto e lá fui eu, com uma bela mala, apanhar um voo para Londres (Standsted). Chegado a Londres tive de pernoitar lá, num canto maravilhoso, num verdadeiro solo bem duro.

Cinco da manhã! Toca a apanhar o voo para Estocolmo. Aí chegado, encontro dois dos meus colegas de equipa vindos de Riga (Andris Jubelis e Andis Laveikis). Seguimos de autocarro até Gnesta. Foi então tempo de descansar, contudo ainda fui fazer uma corridinha leve por um mapa bem junto à casa do clube.

Sábado de manhã juntámo-nos todos junto à casa do clube e lá fomos numa carrinha para uma viajem de 6 horas até Klippan (local da prova). Chegados ao estacionamento pegámos nas malas e fizemos um caminho de cerca de 1,5 km até à Arena. Aí tudo começou! Viam-se tendas de clubes por tudo o que era lado, uma enorme loja de material desportivo montada dentro de uma tenda, pontos de comida e, ao fundo, sobressaia um enorme ecrã onde já se assistia a imagens do decorrer da prova feminina, tanto por câmaras no terreno como por sistema GPS que as principais equipas levavam. Anne Margrethe Hausken chega ao fim isolada e todos os presentes na Arena aplaudem perante os festejos do Halden Skiklubb, a equipa vencedora. Entretanto o ambiente acalma e as pessoas dispersam um pouco da zona de sprint final e transmissão de testemunho.

A noite começa a chegar e um nervoso miudinho invade-me pois seria a minha primeira vez numa competição tão imponente. Toda a equipa é chamada para reunir e então analisamos o tempo que cada elemento fará para que os outros possam descansar. Palavras de incentivo são trocadas entre a equipa e o treinador que está sempre na zona de espectadores com bússolas e frontais suplentes para o caso de algum problema. Aproximam-se as 9 horas da noite e instala-se um enorme frio, enquanto os primeiros elementos das equipas tentam manter-se quentes perante a correria dos espectadores em busca do melhor lugar para assistir a esta magnifica partida em massa.

… DURANTE…

É dado o tiro de partida e um enorme clarão, provocado pelos potentes frontais, invade a floresta para longe dos nossos olhares. O ecrã que de dia podia não ser muito perceptível, de noite transforma-se no centro das atenções. Os atletas que haviam corrido o percurso dos jovens e as mulheres, instalam-se em sacos-camas, bem em frente ao ecrã, como se fossem assistir a um filme.

Os comentários do ‘speaker’ são bastante efusivos, apesar de serem quase sempre em sueco. Uma câmara colocada no meio da floresta começa a captar os primeiros focos em direcção a um ponto de controlo. Este cenário repete-se em vários pontos e entretanto chegam os primeiros atletas. O segundo elemento da minha equipa parte e é então que tenho de ir dormir. As previsões são que eu parta pelas oito da manhã. O frio é imenso, 1 grau negativo e, mesmo com dois sacos-cama, é quase impossível dormir, face ao enorme frio e à minha impaciência.

Acordam-me e dizem-me que faltará cerca de uma hora e quarenta para eu partir. Coloco a cabeça de fora e questiono-me se conseguirei equipar-me e ir correr. Lá tem de ser. Fora da tenda existe um enorme manto branco de gelo. As camisolas de competição deixadas pelos primeiros elementos lá fora estão congeladas. Uma corridinha para aquecer e, ao chegar à zona central da Arena, assisto à grande vitória do Kristiansand OK através da chegada de Daniel Hubmann. Alguns minutos depois lá vem o meu companheiro de equipa. Finalmente estou a correr uma Tiomila e o meu resultado final será o resultado da equipa.

Entro bem no mapa e faço a primeira pernada longa de forma bastante segura. Segue-se uma zona com muitos pontos e é então que alcanço um grupo de cinco atletas que, tendo partido poucos segundos depois de mim, ganharam algum tempo na opção longa. Na segunda opção longa, ao atravessarmos uma zona bastante pantanosa e plana, perdemos a direcção e desviámos para a direita perdendo aí algum tempo.

Mesmo antes da passagem pelo ponto de espectadores existiam bastantes variantes numa zona de floresta bem fechada. Faço os meus pontos com segurança, volto a encontrar os outros atletas e é então que cada um se quer destacar. Nesta altura acompanho sempre os atletas mais dianteiros e para o ponto antes do 200 já tinha a opção bem estudada e então decido atacar. É neste momento que consigo ultrapassar e chegar na dianteira de todo o grupo. Concluí os 16,1 km em 1:40, recuperando 12 lugares para a equipa, terminando em 106º e alcançando assim o melhor resultado de sempre.

… E DEPOIS!

Não se tratando de um terreno difícil é porém extremamente duro correr pelas enormes áreas pantanosas. Fiquei contente com a minha prova.

Em relação à organização não posso fazer comparações, pois esta foi a minha primeira Tiomila. Contudo achei um profissionalismo extraordinário, onde nada foi deixado ao acaso.

Pessoalmente sinto que foi uma experiência extremamente enriquecedora e acho que me safei bem para quem fez a primeira Tiomila da sua vida.



Consulte aqui os RESULTADOS
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Confira as impressões de alguns dos ilustres participantes, nomeadamente
CÉLINE DODIN, ANDRAS SZABO, EVA JURENIKOVÁ, ANDERS NORDBERG, THOMAS DLABAJA, DANIEL HUBMANN, WOJCIECH KOWALSKI, EMILIANO CORONA, PATRICK HOFMEISTER, MARIA SÁ, ANNE MARGRETHE HAUSKEN, ALESSIO TENANI, RAHEL FRIEDERICH E THIERRY GUEORGIOU.

[foto gentilmente cedida por Tiago Romão]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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