terça-feira, 31 de março de 2009

OS VERDES ANOS: ISABEL SALGADO


Olá!

Chamo-me Maria Isabel Salgado Ganso, mas quase todos me conhecem por Bela ou Isabel. Tenho 17 anos, resido num monte perto da Gafanhoeira e estou no 12º Ano, na área de Ciências e Tecnologia, na Escola EB 2,3/s Cunha Rivara, em Arraiolos.

Não conheci a Orientação há muito tempo, mas já deu para perceber que é fascinante.

Nunca gostei muito de desporto e se tivesse que correr só piorava. No entanto a minha mãe achou por bem inscrever-me na Escolinha de Desporto da freguesia, tinha nesta altura 6 anos. Bem, para mim “ir aos treinos”, como nós lhe chamávamos, era uma obrigação como tantas outras. Ía porque tinha que ir. Frequentei a Escolinha durante mais ou menos 4 anos, altura em que mudei de Escola e comecei a pensar que continuar nas Escolinhas só me iria ocupar tempo. Mas passados 4 ou 5 anos comecei a sentir falta dessa altura e falei com a coordenadora para voltar. Foi neste meu regresso que, passados alguns meses, conheci a Orientação.

O meu primeiro contacto com o mapa foi numa prova que se realizou em Mora e que contava para o ‘ranking’ mundial. Nunca tinha visto um SI e fazia-me confusão como orientar e perceber o mapa, pelo que fiz a prova com mais dois ou três miúdos mais novos mas que até percebiam alguma coisa. Foi hilariante ver os pontos, chegar lá e serem os nossos. Foi demais!

Nos primeiros meses em que fui participando em algumas provas, umas vezes em grupo e outras vezes sozinha, pensava se realmente valia a pena dedicar-me a esta modalidade. Continuei durante algum tempo com essa dúvida mas fui sempre participando em provas, acabando por entrar para o clube de Orientação. Comecei então a participar nos treinos mais a sério, embora na altura não pudesse correr porque me encontrava lesionada. Durante esses 3 meses que estive sem poder correr, sempre que podia ia aos treinos e limitava-me a observar os meus colegas. Também aproveitava alguns desses treinos para perceber o significado dos símbolos no mapa. Acho que, embora por um lado tenha sido mau, porque quando comecei a treinar a sério os meus colegas já se encontravam num patamar mais à frente, não deixou de ser positivo, pois consegui da mesma forma adquirir alguns conhecimentos sobre a modalidade.

Como podem ver, eu que não ligava grande coisa ao desporto e, sem mais nem menos, passo a dedicar-me quase a 100%, é porque houve algo que mudou a minha forma de o encarar, e posso dizer que esse “algo” foi a Orientação. Talvez pudesse ter sido qualquer outra modalidade, mas não foi; e talvez se não tivesse descoberto a Orientação, ainda continuaria a ter uma ideia errada do que é o envolvimento com uma modalidade e o quão importante é para nós praticarmos desporto.

Na minha opinião foi a melhor modalidade que poderia ter aparecido na nossa região, não só por nós mais novos, mas também para os mais velhos que se dedicam cada vez mais. A minha dedicação à modalidade levou-me a melhorar muitos aspectos negativos que tinha e muitas vezes, quando me encontro mais sobrecarregada, é uma forma de descontracção.

Por isso, todos os que tiverem curiosidade em experimentar esta modalidade, façam-no pois vão ver que não se arrependem.
Quero agradecer ao Tiago e à Raquel por nos apoiarem e por me terem dado a conhecer esta modalidade “Orientadora”. O meu obrigado também ao Joaquim Margarido por me ter feito o convite para escrever no espaço os “Verdes Anos”. Fiquei surpreendida, mas contente.

Isabel Salgado

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CAMPEONATOS NACIONAIS DE DISTÂNCIA LONGA E DE ESTAFETAS 2008 / 2009: TÊM A PALAVRA OS ORGANIZADORES


Clube de Orientação de Orientação do Minho e Câmara Municipal de Vieira do Minho. Duas instituições que puseram de pé os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas 2008/2009. No final do evento, o Orientovar ouviu os seus representantes e deixa aqui essas impressões.

“Há coisas que são bastante valorizadas, como a apresentação duma Arena ou a cerimónia de encerramento mas, para mim, o principal numa prova de Orientação são as questões ligadas à competição. Julgo que o balanço é muito positivo. O “feed-back” que recebemos de todos os atletas deixa-nos bastante agradados e vou para casa com a consciência tranquila.”

“Queria agradecer o apoio da Câmara Municipal de Vieira do Minho, sem o qual seria muito difícil montar aqui as coisas, quase no meio do nada. Agradeço ainda o empenho de todos os meus companheiros de clube que estiveram envolvidos nesta organização, muitos deles pela primeira vez. E agradecer também ao Supervisor FPO, Rui Morais, uma pessoa muita atenta e que traz sempre contributos muito importantes à organização duma prova. Eu creio que ele gosta muito de trabalhar connosco mas nós também gostamos muito de trabalhar com ele.”

“Estabelecemos já os contactos com a Câmara Municipal dos Arcos de Valdevez e estamos a preparar já os 4 Dias do Minho de 2010, onde teremos a responsabilidade de voltar a organizar os Nacionais de Distância Longa e de Estafetas.”

José Fernandes
Director da Prova


“Apesar de não termos, em Vieira do Minho, clubes ou atletas nesta área, é com muito prazer que apoiamos o Clube de Orientação do Minho e participamos na organização destes Campeonatos. Esta é uma oportunidade que a Câmara Municipal de Vieira do Minho tem de dar a conhecer terras com condições óptimas para o desporto da natureza.”

“Nós temos o BTT, temos a Escalada, muitos percursos pedestres, boas infra-estruturas para este tipo de desportos. É pena que muitas vezes não se dê muita atenção a isso. Estamos aqui às portas da Serra do Gerês mas somos Serra da Cabreira e deixo um convite para que nos venham conhecer. São serras diferentes mas que se complementam. E a Cabreira, sendo menos agreste, é bem mais acolhedora.”

Afonso Barroso
Vereador do Desporto da CM Vieira do Minho


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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CAMPEONATO NACIONAL DE ESTAFETAS 2008 / 2009: A "DOBRADINHA" DO COC


São os dois títulos mais sonantes dos Nacionais de Estafetas e sorriram, pela primeira vez no seu historial, ao Clube de Orientação do Centro. Foi o quebrar dum ciclo dominado quase inteiramente pela ADFA e disso nos fala Tiago Romão e Patrícia Casalinho, dois esteios das equipas seniores da turma leiriense.

“Estou extremamente feliz, eu e toda a equipa. Foi uma vitória com um sabor muito especial. Basta olhar para os resultados dos três atletas do Ori-Estarreja nos Nacionais de Distância Longa e ver aquilo que fez aqui o CPOC para perceber que nos batemos com adversários muito fortes.”

“Ontem foi uma prova muito longa, muito dura. O meu adversário foi o Diogo Miguel, hoje voltou a sê-lo. Ontem cometi eu mais erros, hoje talvez tenha sido ao contrário. Mas não há cá nada de vinganças. É mesmo assim, gostei bastante.”

“O Ori-Estarreja tem atletas bem mais novos e que garantem mais continuidade. Mas nós também temos muito bons atletas e só o futuro o dirá. O COC entra sempre para ganhar e esperamos, no próximo ano, renovar este título.”

Tiago Romão

“Esta vitória tem um sabor especial. É o quarto ano em que estávamos a tentar arrecadar o título de Seniores Femininos e conseguimos quebrar sete anos de invencibilidade do ADFA. Era um título muito desejado por nós e foi vivido por todas com muita alegria.”

“Somos uma equipa muito jovem e seria óptimo que os próximos sete anos fossem nossos. Mas não podemos prometer isso. Podemos, isso sim, prometer que vamos tentar sempre chegar ao título.”

Patrícia Casalinho


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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CAMPEONATO NACIONAL DE ESTAFETAS 2008 / 2009: GAFANHORI ENTRA PARA A HISTÓRIA


São, a par do COC, os grandes vencedores do Campeonato Nacional de Estafetas 2008/2009. Os jovens atletas do GafanhOri levaram na bagagem quatro títulos, fizeram história ao vencerem os Iniciados em ambos os sectores na primeira vez em que a prova se abriu ao escalão e confirmaram o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido em S. Pedro da Gafanhoeira. Sobre isto ouvimos Tiago Aires e Raquel Costa, os dois principais obreiros dum projecto que se afirma a cada dia que passa.

“Devo dizer que a grande surpresa foi a vitória do Ori-Estarreja nos Juniores Masculinos. E ganhou com um mérito enorme já que todos os três fizeram uma grande prova. O Fábio Pereira, por exemplo, sai com apenas três minutos de avanço sobre o Manuel Horta e acaba com dois de avanço. Só isso diz logo muita coisa. O Rafael Miguel é bom, mas o Mouco vai tendo alguma irregularidade e o Fábio é muito irregular. Achava, claramente, que o GafanhOri ganhava à vontade. O Filipe Salgado e o Jorge Coelho são atletas regulares e o Manuel Horta deveria fazer a diferença, mas…”

“Nas Juniores femininas houve uma grande barraca no mapa, com um caminho que desapareceu e apareceu num sítio errado. A Lena Coradinho perdeu cerca de dez minutos à procura dum caminho que não existia e os 4 Caminhos parecia terem a vitória na mão. Sobretudo depois dum percurso fantástico da Joana Costa – aliás, eu tenho a certeza que nos femininos ninguém ganha à Joana em Portugal. No último percurso a Ana Coradinho agarra a Isabel Sá já no ponto de espectadores e é aí que se sente quem aguenta a pressão e não aguenta. A Isabel sente que está a ser apanhada, a Ana Coradinho arrisca tudo e valeu a pena. Ainda acabou por lhe ganhar mais de dois minutos na parte final e foi fantástico.”

Tiago Aires



“Estava à espera disto. Estamos sempre à espera do melhor e acreditamos sempre no melhor, mesmo sabendo que a Orientação tem factores incontroláveis e não havendo nunca a certeza de que as coisas vão correr inteiramente bem. É preciso perder primeiro, para depois ganhar.”
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“Percebemos que os resultados vão aparecendo a pouco e pouco, mas estes quatro títulos são o fruto do trabalho deles e a confirmação plena de que estão a evoluir.”

“Podemos ter boas surpresas nos Mundiais de Desporto Escolar em Madrid. Todos eles estão familiarizados com o mapa, embora esta seja para muitos deles a primeira experiência internacional e o competirem lado a lado com atletas de outros países. Mas revelam uma força muito grande, principalmente no aspecto do colectivo, e tenho grandes expectativas em bons resultados.”

Raquel Costa


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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segunda-feira, 30 de março de 2009

CAMPEONATO NACIONAL DE ESTAFETAS 2008 / 2009: A FORÇA DO COC


Decorreram na manhã de ontem os Campeonatos Nacionais de Estafetas 2008 / 2009. O mapa da Cabreira, em Vieira do Minho, foi palco privilegiado duma verdadeira festa, feita de saborosas vitórias e de amargos infortúnios. Porém, ainda e sempre, festa!

Por força da mudança da hora, o dia amanheceu mais tardiamente, forçando uma alvorada precoce a todos quantos quiseram participar nesta verdadeira festa. Porque duma festa se tratou. Numa modalidade onde os fracassos e os sucessos são muito vividos “para dentro”, a Estafeta acaba por trazer para primeiro plano um aspecto pouco desenvolvido entre os orientistas: o espírito de grupo. E esse, claramente, manifestou-se aqui a todos os níveis, criando um ambiente de grande competitividade e emoção, “dentro e fora das quatro linhas”.

Uma Arena num espaço natural perfeito, percursos traçados com especial cuidado, permitindo acompanhar muito de perto o desenrolar dos acontecimentos e, ainda e sempre, uma Serra da Cabreira de invulgar encanto e beleza, foram trunfos duma organização quase perfeita do Clube de Orientação do Minho. E dizemos “quase” porque faltou, a nosso ver, alguém que conhecesse suficientemente bem os intervenientes, tivesse o apoio necessário para acompanhar com rigor o desenrolar dos acontecimentos e a capacidade de os relatar. Aí sim, a festa teria sido perfeita!

A “desforra” de Tiago Romão e a vitória do COC

Capitalizando o grosso das atenções, as provas destinadas aos escalões de Elite não frustraram as expectativas. No sector masculino, a maior experiência do COC acabou por prevalecer sobre a juventude do Ori-Estarreja. Atentando nos resultados da véspera, com Diogo Miguel e David Sayanda a sagrarem-se campeões nacionais de Distância Longa nos respectivos escalões e Jorge Fortunato a alcançar uma moralizadora sexta posição na Elite, dir-se-ia que a turma estarrejanense partia com alguma vantagem. A verdade é que Jorge Fortunato e Joaquim Sousa travaram intenso duelo no primeiro percurso, com saldo favorável aos de Estarreja por apenas 19 segundos. A situação repetiu-se no segundo percurso, agora com David Sayanda a perder 28 segundos para Celso Moiteiro. Isto fez com que se reeditasse esse verdadeiro duelo de titãs entre Diogo Miguel e Tiago Romão, à entrada para o derradeiro percurso. Desta feita, porém, Tiago Romão foi claramente superior ao seu adversário, fazendo uma prova ao seu melhor nível e concluindo com o tempo total de 1.58.56, contra 2.01.06 do Ori-Estarreja. O COC recupera assim um título que lhe fugia há cinco anos, o segundo da sua carreira no escalão de Elite.

Com uma equipa muito homogénea, o CPOC acabou por confirmar aquilo que dele se esperava, concluindo na terceira posição com 2.04.01. Responsável pelo primeiro percurso, Miguel Silva entregou na segunda posição o testemunho a Nélson Graça. Este, mercê duma prova espectacular, lançou Alexandre Alvarez para a derradeira etapa na segunda posição, a escassos sete segundos do COC e dois segundos à frente do Ori-Estarreja. Mas a pressão sobre Alexandre Alvarez revelou-se demasiado forte e o CPOC viu fugir-lhe um título que até já foi seu, bem recentemente, na época de 2006 / 2007. Nas quarta e quinta posições concluíram GD4 Caminhos e Associação 20 km Almeirim, mas a enorme distância do trio da frente. A ADFA acaba por ser a grande derrotada destes Nacionais, tendo em linha de conta o seu historial recente, com cinco títulos nos últimos sete anos. Marco Póvoa esteve brilhante no primeiro percurso, assegurando a passagem do testemunho na primeira posição. Só que um “missing point” de Elísio Roque acabou de vez com as aspirações da turma eborense.

COC faz a “dobradinha”

Quanto às senhoras, não se registaram surpresas e o COC acabou por fazer uma tão esperada quanto merecida “dobradinha”. Com um bom percurso, Catarina Ruivo deu o mote às suas colegas, assumindo desde logo a dianteira, apesar da boa oposição de Lídia Magalhães (ADFA). Confirmando a sua boa forma, Maria Sá (GD4 Caminhos) dominou em toda a linha o segundo percurso, conseguindo anular cinco dos treze minutos perdidos inicialmente pela sua colega de equipa, Céu Costa. Com a ADFA “em queda livre”, o GD 4 Caminhos a lançarem para a luta Isabel Bonifácio, o seu “elo mais fraco” e as restantes equipas já fora de combate, Patrícia Casalinho limitou-se a gerir a vantagem. Os 2.27.24 da turma do COC, contra 2.51.29 do GD4 Caminhos e 3.02.33 da ADFA, respectivamente segunda e terceira classificadas, espelham bem a supremacia da turma vencedora. Esta acaba por ser a primeira vitória da equipa do COC na Elite Feminina, quebrando sete anos consecutivos de domínio da ADFA.


GafanhOri, pois claro!

Nos escalões mais jovens, também já não é novidade para ninguém a qualidade do trabalho desenvolvido lá para os lados de S. Pedro da Gafanhoeira por Tiago Aires e Raquel Costa. A verdade é que todo esse trabalho começa a dar grados e suculentos frutos, com a conquista de quatro títulos nacionais em seis possíveis. Atribuídos pela primeira vez na história dos Campeonatos, os títulos nacionais de Estafetas no escalão de Iniciados foram ambos para o GafanhOri. No sector feminino, o grande derrotado foi o GD 4 Caminhos, enquanto no sector masculino a vitória do Ori-Estarreja parecia assegurada depois de Luís Tomé ter perdido mais de 23 minutos para Marcelo Aguiar no segundo percurso. Mas João Cascalho fez uma prova sensacional, recuperando uma enorme desvantagem e arrancando um triunfo bem suado e bem sofrido. Inês Catalão, Ana Anjos e Teresa Maneta, por um lado, João Pedro, Luís Tomé e João Cascalho, por outro, acabam desta forma por gravar a ouro o seu nome no historial duma prova que leva já quinze edições.

Em Juvenis Femininos, o “missing point” de Nádia Silva atirou o CPOC para fora da corrida, proporcionando ao GafanhOri – de Rita Rodrigues, Ana Salgado e Inês Pinto - a mais folgada de todas as vitórias. Nádia Silva não terá picado um ponto que toda a gente viu que "picou", precisamente no ponto de espectadores. Os entusiásticos gritos de incentivo terão impedido a atleta de ouvir o sinal sonoro e o Supervisor da prova, Rui Morais, com base nos regulamentos da IOF, não teve alternativa senão desclassificar a equipa. Perde assim o CPOC um título, perdem também Vera Alvarez, Mariana Moreira e Nádia Silva uma vitória que lhes assentaria com inteiro mérito e acaba por sair beliscada a própria verdade desportiva. CPOC que chegou ao título em Juvenis Masculinos, graças às excelentes prestações de Gonçalo Cruz, Paulo Pereira e Miguel Ferreira. Nos Juniores Masculinos a vitória do Ori-Estarreja foi alcançada praticamente ao sprint sobre um GafanhOri que vendeu muito cara a derrota. Rafael Miguel e Miguel Mouco foram superiores aos “gafanhotos” Jorge Coelho e Filipe Salgado nos dois primeiros percursos. A superioridade de Manuel Horta veio ao de cima no decisivo percurso, mas Fábio Pereira soube suportar a pressão e garantir o triunfo, ainda que por margem escassa. Finalmente, nas Juniores Femininas, nova vitória do GafanhOri, de novo ante a turma do GD 4 Caminhos. Começaram mal as alentejanas, com Lena Coradinho a perder mais de treze minutos para Joana Costa, hipotecando logo à partida as aspirações da equipa. Jogando com os elos mais fracos no segundo percurso, o desequilíbrio pendeu agora para o lado do GD 4 Caminhos e o impensável aconteceu. Isabel Salgado recuperou onze minutos à custa duma “pouco acertada” Maria Oliveira e a escassa diferença entre os dois clubes levou a decisão para o derradeiro percurso. Aí, o desacerto foi, desta feita, de Isabel Sá, ante uma prova melhor conseguida de Ana Coradinho, ainda que longe de ter sido perfeita.

Triunfos repartidos

O CPOC de Alexandra Coelho, Sandra Silva e Susana Pontes foi um vencedor esperado em Veteranos Femininos I, ante a boa réplica do COC onde pontificou de forma bem vincada Anabela Vieito, a fazer um segundo percurso explosivo mas que se viria a revelar insuficiente. Em Veteranos Masculinos I, nova vitória do COC, com Jorge Silva, Luís Tenreiro e Jorge Oliveira a levarem a melhor sobre a ADFA, dos consagrados Francisco Cordeiro, Jorge Correia e Hélder Costa, ainda que por escassa margem. ADFA que teria a sua vingança em Veteranos Masculinos II – como era, aliás, esperado -, graças aos préstimos de Mário Duarte, Manuel Santos e Santos Sousa.

Em Veteranos Femininos II, Luísa Mateus, Maria Palmira e Isabel Monteiro deram ao COC o quarto título nacional de Estafetas 2008 / 2009 e o 25º no número total de títulos alcançados nas quinze edições da competição. A lista de vencedores encerra com o Ori-Estarreja em Veteranos Masculinos III. Um Ori-Estarreja que viu o campeão nacional de Distância Longa, Gil Rua, ceder catorze minutos e meio para Francisco Coelho (Clube TAP) logo no percurso inicial. O panorama agravou-se no percurso seguinte, com Armandino Cramez a ceder mais de dezasseis minutos a Luís Sousa. Mas o impensável aconteceu no derradeiro percurso. Coelho dos Santos “perdeu as asas” e os aviadores despenharam-se. José Salgado levou de vencida o seu adversário directo por quase quarenta minutos (!) e deu ao Ori-Estarreja a mais inesperada de todas as vitórias.


Em resumo, COC e GafanhOri, com quatro títulos cada, são os grandes vencedores destes Nacionais de Estafetas 2008 / 2009, secundados pelo CPOC e Ori-Estarreja, ambos com um par de títulos. A ADFA fecha o leque de equipas ganhadoras, com uma vitória. O Ori-Estarreja,com 32 vitórias em 15 edições da prova, continua a ser a equipa que mais vezes subiu ao lugar mais alto do pódio. Nesta lista o COC deu um pulo enorme, segue agora no segundo lugar com 25 títulos e ultrapassou a ADFA, que soma menos um. Uma última palavra para o GD 4 Caminhos, que regressa à Senhora da Hora sem títulos na bagagem, situação que acontece pela primeira vez nos últimos cinco anos. É certo que foi vice-campeão em cinco escalões, mas esta é uma consolação que terá sabido, seguramente, a pouco.

Consulte os resultados completos em
http://www.pontocom.pt/actividades/2009CNDLE/resultados.php.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA 2008 / 2009: À CONVERSA COM LUÍS SÉRGIO


Estávamos na época de 1994 / 1995 e Luís Sérgio sagrava-se o primeiro Campeão Nacional de Distância Longa, na altura designada por Distância Clássica. Antes da 15ª edição do Campeonato Nacional 2008 / 2009 o Orientovar ouviu o atleta, convidando-o a fazer apelo às suas memórias e a partilhar aqui essas impressões.

Orientovar – Foi o primeiro Campeão Nacional de Distância Longa. Onde foi, quantos eram, como foi?

Luís Sérgio - Garantidamente já não me lembro onde foi, teria de ir consultar os meus arquivos. Já foi, de facto, há muito tempo… Na altura havia muito poucas provas, estariam à volta de cem atletas, não mais do que isso.

Orientovar – O que sentiu nesse momento?

Luís Sérgio – Não tinha bem a noção disso. Estava há pouco tempo na Orientação e a modalidade não tinha a dimensão que tem agora. Éramos mais um grupo de amigos que ia fazendo umas provas. Não sei se teve assim um grande impacto em mim, pelo menos não me recordo de ter ficado particularmente emocionado. Mas é óbvio que ter sido Campeão Nacional tem sempre alguma importância.

Orientovar – Representava a Associação de Comandos. Era Comando na altura?

Luís Sérgio – Não, já não era Comando. Fiz tropa nos Comandos e houve ali um período em que se pretendeu dinamizar um clube dentro da Associação de Comandos. Ainda participámos em várias provas, mas o clube foi-se extinguindo.


Orientovar – Que evolução nota nestes quinze anos?

Luís Sérgio – Tudo evoluiu. Em termos de envolvência e do número de participantes houve, obviamente, um enorme crescimento. A qualidade dos mapas é bastante superior e também há uma enorme evolução no que diz respeito aos terrenos. Na altura não havia tanta sensibilidade na escolha dos terrenos. As provas eram geralmente disputadas em zonas bastante desagradáveis e agora nota-se o cuidado em ir ao encontro de bons terrenos para a prática da modalidade e, ao mesmo tempo, terrenos em zonas bonitas.

Orientovar – É mais motivador disputar agora um Campeonato Nacional?

Luís Sérgio - Eu sempre achei motivador! Mas, sim… Agora é mais motivador e bem mais agradável para correr.

Orientovar- Daqui a quinze anos, o que poderemos esperar da nossa Orientação?

Luís Sérgio – Espero que continue a evoluir, que haja cada vez mais gente a praticar e que se possa ter uma festa maior ainda em torno da modalidade.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 29 de março de 2009

CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA 2008 / 2009: A PALAVRA DE DIOGO MIGUEL E MARIA SÁ


Ao encontro dos dois principais protagonistas do Campeonato Nacional de Distância Longa 2008 / 2009, o Orientovar ouviu Diogo Miguel e Maria Sá, com a particular de ter dado a novidade da vitória à jovem campeã. Aqui ficam as declarações de ambos.


“Uma prova durinha e com uma pernada muito longa. Era uma pernada com duas escolhas possíveis e fiz antecipadamente a minha opção. Na altura piquei o ponto, antecipei-me muito a sair, saí para o lado que não queria e tive de corrigir a opção, acabando por ir pela outra. Mesmo assim, ainda consegui ganhar tempo… Talvez até nem tenha sido pior.”

“Não foi uma prova perfeita. Entre o ponto 17 e o 20 não houve nenhum ponto onde não tenha perdido tempo. O terreno é mesmo espectacular, tem sítios fantásticos para uma boa Orientação, os pontos estavam bem marcados, acho que o problema foi mesmo algum excesso de ansiedade, querer fazer as coisas muito depressa.”

“O significado deste título nem é tanto o de entrar no lote de Campeões Nacionais de Distância Longa. É sobretudo o facto deste ser o meu primeiro ano no escalão de Elite e de ainda ser júnior. É o primeiro Campeonato Nacional de Distância Longa que eu faço neste escalão e consegui ganhar. Isso deixa-me feliz.”

Diogo Miguel


“Fico surpreendida, apesar de me ter corrido muito bem a prova. Devo dizer que adoro correr no Gerês e é com muita pena minha que só haja provas aqui praticamente uma vez por ano. Acho fundamental os atletas portugueses passarem a correr no Gerês, principalmente em anos em que os Campeonatos do Mundo são em terrenos similares, como foi o ano passado e como será este ano, na Hungria.”

“Esta organização está de parabéns. Adorei. Aliás, eu adoro as provas do .COM. Acho que têm traçados, em particular para Distância Longa, muito interessantes. Foi o caso de hoje. Cheguei muito feliz, queria correr mais. É muito bonito, a floresta é lindíssima, desperta em mim sensações muito diferentes daquelas quando corro em Leiria, no Algarve ou sei lá onde.”

“Esta época o meu treino é em função daquilo que vamos encontrar no Campeonato do Mundo, independentemente de ser ou não seleccionada. Correr aqui foi correr no sentido dos meus objectivos. Treinei o Inverno inteiro em terreno como este e, por isso, senti-me muito bem, sobretudo porque treinei em sítios onde tinha trinta centímetros de neve de altura e aqui isso não aconteceu.”

“A minha época está praticamente a começar. Claro que fico muito feliz, porque nunca tinha ganho este título na Elite. Sobretudo ganhá-lo num terreno destes, não poderia estar mais feliz.”

Maria Sá


Saudações orientistas.
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JOAQUIM MARGARIDO

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CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA 2008 / 2009: DIOGO MIGUEL E MARIA SÁ ENTRAM PARA A HISTÓRIA


Um vento glacial, uma paisagem de cortar a respiração e dois vencedores que rasgam um lugar na história, inscrevendo pela primeira vez o seu nome no Quadro de Honra da prova, no que ao escalão de Elite diz respeito. Foi assim na Serra da Cabreira, em Vieira do Minho, durante a realização, na tarde de ontem, dos Campeonatos Nacionais de Distância Longa de Orientação Pedestre.

Frio, muito frio mesmo, trazido por um gélido vento norte que varre a Serra. Montada num planalto no meio do nada, a Arena nestas condições deixa de ser o espaço convidativo a que nos habituámos, para se transformar num complexo emaranhado de tendas, donde ninguém parece querer sair. O sol envergonhado não chega para vencer as baixas temperaturas e, ironia das ironias, um incêndio lavra ali bem perto.

Foi neste cenário que decorreram os Campeonatos Nacionais de Distância Longa de Orientação Pedestre 2008 / 2009, numa organização do Clube de Orientação do Minho, que contou com o apoio da Câmara Municipal de Vieira do Minho e da Federação Portuguesa de Orientação. Um total de 424 atletas, distribuídos por 31 escalões de competição, aos quais se devem juntar mais uma centena nos escalões abertos, corporizaram um evento que teve, a despeito das condições climatéricas adversas, a grande virtude de mostrar a beleza e a pureza duma Serra em estado virgem. E de proporcionar um mapa e percursos do melhor que o nosso país pode oferecer!

Duelo de titãs

Um duelo de titãs - de jovens titãs, diga-se – foi aquilo que nos foi dado presenciar na prova-rainha destinada à Elite Masculina. Os 11,5 km de distância, com um desnível de 535 metros (24 pontos de controlo) e uma das pernadas, já à beirinha do fim, a “valer” quase três quilómetros, puseram à prova as qualidades físicas e técnicas dos atletas, bem como a sua capacidade estratégica. Diogo Miguel (Ori-Estarreja) e Tiago Romão (COC), duas estrelas em fulgurante ascensão - ainda em idade júnior e a fazer a sua primeira época na Elite -, acabaram por demonstrar todo o seu talento, disputando a vitória praticamente ombro-a-ombro. Venceu Diogo Miguel, como poderia ter vencido Tiago Romão. Isso é bem patente no tempo final dos dois atletas – 1.34.01 contra 1.34.34 – bem demonstrativo da ardorosa luta travada. Nas posições imediatas classificaram-se dois atletas da ADFA. Pedro Nogueira foi terceiro, com 1.41.34, enquanto Marco Póvoa, um dos nomes maiores na distância, com cinco títulos alcançados em épocas anteriores, foi quarto classificado, com 1.43.36. Gildo Silva (COC), com 1.43.45, obteria a quinta posição.

Nas senhoras, a prova foi inteiramente dominada por Maria Sá (GD4Caminhos). Apesar duma longa ausência relacionada com a sua actividade académica, é sempre de esperar tudo da atleta, sobretudo quando se sabe da sua grande apetência por este tipo de terrenos. Os 7,1 km de prova, com 305 metros de desnível (19 pontos de controlo) confirmariam isso mesmo, tendo sido cumpridos pela atleta em 1.10.46, menos 7.42 que Raquel Costa (GafanhOri), aquela que era apontada à priori como a grande favorita. Maria Sá conquista assim o seu primeiro título na Distância Longa no escalão de Elite (já o tinha alcançado enquanto júnior, em 2003 / 2004 e como juvenil, em 2002 / 2003), quebrando um ciclo de quatro vitórias consecutivas de Raquel Costa. O terceiro lugar coube a Patrícia Casalinho, após um recurso decidido em favor da atleta (este resultado, estranhamento, apenas foi divulgado durante a cerimónia de entrega de prémios e, à hora que escrevemos esta crónica, ainda não é conhecido o tempo da atleta). Paula Nóbrega (Orimarão) e Catarina Ruivo (COC), foram quarta e quinta classificadas com, respectivamente, 1.26.51 e 1.27.55.


Ori-Estarreja, “açambarcador”

Nos escalões mais jovens, não houve surpresas. Começando pelos Juvenis Masculinos, Rafael Miguel (irmão de Diogo Miguel e, também ele, atleta do Ori-Estarreja) impôs-se a Luís Silva da ADFA e alcançou um triunfo particularmente saboroso. O “viveiro” chamado GafanhOri deu o seu primeiro grande fruto, graças à sensacional vitória de Rita Rodrigues em Juvenis Femininos. Quanto aos Juniores Masculinos, David Sayanda levou de novo o emblema do Ori-Estarreja ao lugar mais alto do pódio, demonstrando ser o atleta português com maior potencial na distância, em particular neste tipo de terrenos. Em Juniores Femininos, Joana Costa (GD4Caminhos) não deixou os seus créditos por mãos alheias, somando o seu terceiro título nacional na distância, aos dois anteriores ainda como juvenil.

Quanto aos escalões de Veteranos, vitórias para todos os gostos, com muitas confirmações e uma ou outra surpresa. Começando pelas confirmações, António Amador (Ori-Estarreja) e Susana Pontes (CPOC) levaram de vencida a concorrência em H/D35. Alexandra Coelho (CPOC) e Santos Sousa (ADFA), continuam a acumular títulos e triunfaram nos escalões de D/40 e H45, respectivamente. Albano João e Isabel Monteiro, ambos do COC, venceram com naturalidade os escalões H/D50, o mesmo sucedendo com Manuel Dias (Individual) e Maria São João (CLAC), em H/D55, Armandino Cramez (Ori-Estarreja) em H65 e Bo Hallberg (CIMO), em H70. Meia surpresa, Francisco Cordeiro (ADFA) triunfou em H40, após acesa luta com Rui Botão (CPOC) e Rui Ferreira (Orimarão). O mesmo se poderá dizer no escalão D45, com Maria Palmira (COC), a atleta portuguesa com maior número de títulos nacionais, a quebrar um ano de jejum. Grande surpresa em H/60, onde Gil Rua (Ori-Estarreja) fechou um “sexteto de ouro” da popular colectividade do distrito de Aveiro, impondo-se aos “consagrados” Joaquim Patrício (CN Alvito) e Francisco Coelho (Clube TAP).

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 28 de março de 2009

VENHA CONHECER... NUNO LEITE


Chamo-me… NUNO Rafael Almeida LEITE
Nasci no dia… 27 de Julho de 1980, em Estarreja
Vivo em… Estarreja
A minha profissão é… Estudante
O meu clube… Ori-Estarreja
Pratico orientação desde… 1997

Na Orientação…

A Orientação é… um desafio!
Para praticá-la basta… vontade!
A dificuldade maior… não conseguir interpretar o mapa!
A minha estreia foi… em Estarreja!
A maior alegria… ter participado num Campeonato do Mundo de Juniores, sentir o peso da camisola!
A tremenda desilusão… não tive!
Um grande receio… uma lesão grave!
O meu clube… uma família!
Competir é… um gozo!
A minha maior ambição é… continuar com esta vontade de fazer Orientação!


… como na Vida!

Dizem que sou… teimoso!
O meu grande defeito é… alguma teimosia!
A minha maior virtude… não desistir quando acredito que a minha teimosia é verdadeira!
Como vejo o mundo… a caminhar para tempos ainda mais difíceis!
O grande problema social… as desigualdades!
Um sonho… ser feliz!
Um pesadelo… cair numa infelicidade profunda, por alguma razão!
Um livro… “Um Momento Inesquecível”, de Nicholas Sparks!
Um filme… “Quem Quer Ser Milionário?”, de Danny Boyle!
Na ilha deserta não dispensava… o mapa da ilha!

Na próxima semana venha conhecer Débora Silva.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 27 de março de 2009

CAMPEONATO NACIONAL DE ESTAFETAS 2008 / 2009: A MAIOR DE TODAS AS FESTAS


Tal como sucede com o Campeonato Nacional de Distância Longa de Orientação Pedestre, também o Campeonato Nacional de Estafetas conhece este ano a sua 15ª edição. É já no próximo domingo, em Vieira do Minho, numa organização do .COM.

Com início na época de 1993 / 1994, o Nacional de Estafetas teve na Associação de Comandos (Seniores Masculinos) e no Alto Moinho (Seniores Femininos) os seus primeiros vencedores. Interrompidos na época seguinte, os Nacionais regressaram em 1995 / 1996 com um clube revelação, que viria a dominar de forma incontestável o panorama orientístico nacional nas seis temporadas seguintes. Referimo-nos ao Ori-Estarreja, que apresenta na sua vasta galeria, nada mais nada menos que 30 títulos nesta espectacular variante, 23 dos quais alcançados ao longo deste curto período de tempo. Particularmente significativo foi o domínio do Ori-Estarreja ao nível das camadas jovens, com cinco vitórias consecutivas em Juniores Masculinos (de 1995 a 2000), seis vitórias ininterruptas em Juniores Femininos (entre 1995 e 2001) e o pleno de títulos jovens em 1999 / 2000, feito único na história da Orientação nacional ao nível das Estafetas.

Neste período destaca-se igualmente o Lusitano Ginásio Clube, com a conquista de nove títulos, quatro dos quais no escalão de Seniores Masculinos e em épocas consecutivas (de 1997 a 2001). Porém, ao contrário do Ori-Estarreja, a Secção de Orientação da popular colectividade eborense teve no primeiro ano deste terceiro milénio o “canto do cisne”. A sua extinção, porém, acabou por dar lugar à Secção de Orientação da ADFA, clube que chamaria a si o protagonismo nos anos seguintes.

O “reinado” ADFA

Com efeito, a estreia da ADFA nas lides competitivas ao mais alto nível dá-se em 2001 / 2002 e logo com a conquista de cinco títulos numa só época (este desiderato apenas tinha sido conseguido pelo Ori-Estarreja em 1995 / 1996 e em 1998 / 1999, e apenas voltaria a repetir-se uma única vez mais, pelas mãos do COC, em 2002 / 2003). Nestas últimas sete épocas, o domínio é de tal forma avassalador que a ADFA alcançou doze dos catorze títulos em disputa no escalão sénior.

As “cedências”, ambas no sector masculino, foram feitas ao COC (2003 / 2004) e ao CPOC (2006 / 2007), já que no sector feminino as atletas da ADFA não permitiram veleidades de qualquer espécie à concorrência nos últimos sete anos. No cômputo geral, com um total de 23 títulos alcançados, a ADFA é o segundo clube português com mais títulos nacionais de Estafetas.

Um “caso muito sério” chamado COC

Mas a época de 2001 / 2002 marca igualmente o aparecimento em grande do Clube de Orientação do Centro. A turma leiriense, que em 1998 / 1999 conquistara o seu primeiro título nacional de Estafetas (em Juvenis Masculinos), alcança duma assentada mais três títulos e inicia uma série vitoriosa que a vai aproximando da ADFA a passos largos e cujo saldo, até ao momento, se cifra em 21 títulos.

Apesar de tudo, nos quatro últimos anos seria pretensioso falar de hegemonia de um único clube. Com efeito, Grupo Desportivo 4 Caminhos, CPOC e Lebres do Sado vieram baralhar os dados, colocando mais duas ou três pitadas de sal no já de si bem condimentado panorama. E como se tal não bastasse, na última temporada o clube que mais títulos arrecadou (precisamente quatro) foi o… Ori-Estarreja. Como um círculo que se encerra sobre si mesmo e nos preparamos para iniciar tudo de novo.

Vencedores no escalão sénior

1993 / 1994 – Associação Comandos e Alto do Moínho
1995 / 1996 – GNR e Ori-Estarreja
1996 / 1997 – Associação Comandos e Lusitano
1997 / 1998 – Lusitano e AA Mafra
1998 / 1999 – Lusitano e Ori-Estarreja
1999 / 2000 – Lusitano e ARCCa
2000 / 2001 – Lusitano e AA Mafra
2001 / 2002 – ADFA e ADFA
2002 / 2003 – ADFA e ADFA
2003 / 2004 – COC e ADFA
2004 / 2005 – ADFA e ADFA
2005 / 2006 – ADFA e ADFA
2006 / 2007 – CPOC e ADFA
2007 / 2008 - ADFA e ADFA


E agora?

Que novidades poderão trazer estes Campeonatos Nacionais de Estafetas 2008 / 2009? Aquela que se afigura como a mais provável será a inclusão do GafanhOri na lista de clubes que alcançaram títulos nacionais de Estafetas. Se tal acontecer, o popular emblema de S. Pedro da Gafanhoeira será o 20º nome nesta lista de clubes particularmente restrita.

Para que tal aconteça, basta que as suas equipas de Iniciados, com João Cascalho, Luís Tomé e João Pedro, por um lado, e Inês Catalão, Ana Anjos e Teresa Maneta, por outro, confirmem a excelente época que têm vindo a fazer e imponham as suas mais-valias técnicas e físicas. Também Rita Rodrigues, Ana Salgado e Inês Pinto parecem ter uma forte palavra a dizer no escalão de Juvenis Femininos, apesar do favoritismo aqui ser repartido com o CPOC, que conta com Vera Alvarez, Mariana Moreira e Nádia Silva nas suas fileiras. O mesmo acontece no escalão de Juniores Masculinos, com um Ori-Estarreja mais homogéneo e a parecer levar alguma vantagem, mas com um Manuel Horta na turma da Gafanhoeira que, num momento decisivo, poderá fazer toda a diferença. Finalmente, o escalão de Juniores Femininos encerra a maior incógnita, colocando frente-a-frente Lena Coradinho, Ana Coradinho e Isabel Salgado (GafanhOri) e Joana Costa, Maria Oliveira e Isabel Sá (GD4Caminhos).

COC tem tudo para fazer a “dobradinha”

No escalão Sénior Masculino estão inscritas 26 equipas de 12 clubes diferentes. E aqui, meus amigos, por aquilo que têm feito esta época, Tiago Romão, Joaquim Sousa e Celso Moiteiro parecem levar alguma vantagem sobre a concorrência e podem muito bem permitir ao COC renovar um título que apenas conquistou uma única vez (em 2003 / 2004). A falta de rotina de Marco Póvoa, associada a alguma irregularidade de Pedro Nogueira e Elísio Roque, colocam a ADFA numa posição muito difícil para revalidar o título. À espreita dum deslize vão estar CPOC (Miguel Silva, Nélson Graça e Alexandre Alvarez), GD4 Caminhos (Vitor Delgado, Luís Leite e Albino Magalhães) e uma “segunda” equipa do COC, constituída por Gildo Silva, André Ramos e Paulo Franco. Mas a grande surpresa poderá vir do Ori-Estarreja, com a equipa constituída por Diogo Miguel, Jorge Fortunato e David Sayanda a ter uma importante palavra a dizer.

Quanto ao escalão de Seniores Femininos, também aqui a vantagem vai para a turma leiriense, de forma quiçá mais esclarecida. Patrícia Casalinho, Catarina Ruivo e Andreia Silva não vão querer deixar os seus créditos por mãos alheias e só um enorme percalço fará com que não quebrem o longo ciclo de sete vitórias consecutivas da ADFA. Uma coisa é certa: Sandra Rodrigues, Maria Pereira e Lídia Magalhães irão vender cara a derrota.

Os suspeitos do costume

Quanto aos escalões de Veteranos Femininos, respectivamente I e II, CPOC (Alexandra Coelho, Sandra Silva e Susana Pontes) e COC (Luísa Mateus, Maria Palmira e Isabel Monteiro) não deverão deixar escapar a oportunidade de oferecer mais um título aos seus clubes. Em Veteranos Masculinos I, a ADFA parece apresentar alguma vantagem, sobretudo se atentarmos na excelente época que Jorge Correia, Francisco Cordeiro e Daniel Pires estão a fazer. A grande oposição deverá vir da parte do Ori-Estarreja, com um trio constituído por João Casal, António Amador e António Aguiar no taco-a-taco com a turma eborense. Também em Veteranos Masculinos II, o favoritismo vai para a ADFA, com Mário Duarte, Santos Sousa e Manuel Santos a formarem uma equipa forte e coesa. Aqui o grande adversário será o COC, onde pontificam Albano João, Mário Santos e Manuel Domingues. Finalmente, em Veteranos III, Gil Rua, Armandino Cramez e José Salgado vão ter de lutar muito para renovar o título alcançado em 2007 / 2008 pelo Ori-Estarreja. É que do outro lado, o Clube TAP mostra que tem asas para voar bem alto, graças às qualidades e capacidades de Francisco Coelho, Luís Sousa e Coelho dos Santos.

Certamente outros nomes haverão com fortes possibilidades de fazerem história nos Campeonatos. Na multiplicidade de factores que intervêm directamente no desenrolar dos acontecimentos e na enorme imponderabilidade dos resultados finais, reside um dos maiores fascínios da Orientação. A única certeza é a de que, à partida, são 111 as equipas, distribuídas por 13 escalões de competição (às quais se somam 22 equipas a disputar as Estafetas Popular Curta e Popular Longa), que tudo farão para chegar a um lugar do pódio. Domingo, por volta da uma da tarde, saber-se-á quem ganhou. E quem perdeu!


[foto gentilmente cedida por Jorge Correia Dias]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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ARRANCOU A 2ª ETAPA DO VI ORI-ESCOLAS DO CONCELHO DE SANTIAGO DO CACÉM


Em Santiago do Cacém, o final do 2º período lectivo é assinalado com um evento local de Orientação. Trata-se da 2ª etapa do VI Ori-Escolas do Concelho de Santiago de Cacém, uma prova que o COALA - Clube de Orientação e Aventura do Litoral Alentejano realiza em Vila Nova de Santo André.

A etapa encontra-se já a decorrer e conta com a participação de cerca de 400 alunos das Escolas EB 2/3 de Alvalade, EB 2/3 de Santo André, Escola Frei André da Veiga de Santiago do Cacém e Projecto intervir.com. Tal como em anos anteriores, este evento visa dinamizar a prática do Desporto, e mais concretamente da Orientação, junto dos jovens do concelho de Santiago do Cacém, tendo esta 6ª edição um verdadeiro recorde de participações (no total das duas etapas contabilizam-se aproximadamente 800 miúdos em prova).

O VI Ori-Escolas conta mais uma vez com o apoio da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, da Junta de Freguesia de Santo André, do Instituto de Conservação da Natureza, da
Repsol, do COALA e dos Professores e Escolas participantes neste evento.

Pode consultar todos os detalhes desta prova e outras informações em
http://coala.com.sapo.pt/provas/2009/vioriescolas/index2.html.

[Os resultados da 1ª etapa, realizada no passado dia 18 de Fevereiro para os alunos das escolas EB 2/3 de Cercal do Alentejo, Escola Secundária Padre António Macedo de Santo André, Escola Secundária Manuel da Fonseca de Santiago do Cacém e Cercisiago, encontram-se detalhados em
http://coala.com.sapo.pt/provas/2009/vioriescolas/index1.html.]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quinta-feira, 26 de março de 2009

PELO BURACO DA FECHADURA...


O próximo fim-de-semana promete dois dias da mais espectacular Orientação. Nas magníficas paisagens da Serra da Cabreira, em Vieira do Minho, terão lugar os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas, numa organização do Clube de Orientação do Minho. Com a preciosa colaboração de José Fernandes, o Director da Prova, vamos pois espreitá-los, pelo buraco da fechadura.

Orientovar - Como é que o Clube de Orientação do Minho vê mais esta grande prova de confiança por parte da Federação Portuguesa de Orientação, ao ser-lhe atribuída a responsabilidade de organizar os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas?

José Fernandes - Foi com grande satisfação que o Clube de Orientação do Minho recebeu mais esta prova de confiança da Federação Portuguesa de Orientação. Já organizamos por várias vezes Campeonatos Nacionais durante a última década e é sempre com muita responsabilidade e entusiasmo que assumimos essa tarefa.

Orientovar - Da fase de candidatura até à concretização do evento quais os passos mais importantes dados pela Organização destes Campeonatos?

José Fernandes - A organização destes Campeonatos foi inicialmente atribuída ao clube Trampolins de Santo Tirso. Todavia, as dificuldades surgidas na selecção de terrenos que reunissem características adequadas a uma competição como são os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas, conduziram à inviabilização da sua organização nessa zona. Foi então que surgiu o convite, por parte da Federação Portuguesa de Orientação, no sentido de sermos nós a organizar os referidos Campeonatos. Aceitámos de imediato o desafio e, como tínhamos um projecto a curto prazo para regressar com grandes competições à Serra da Cabreira, apenas antecipámos esse projecto, apresentando-o à Câmara Municipal de Vieira do Minho, que o acolheu com bastante agrado. A partir daí foi garantir o trabalho de Cartografia em tempo útil e conseguir alguns apoios que são imprescindíveis para colocar de pé um evento desta natureza.

Orientovar - Que significado tem para o .COM o regresso a Vieira do Minho e àqueles mapas?

José Fernandes - A serra da Cabreira, para além de, na minha opinião, ter algumas zonas florestais que são do melhor que existe em Portugal para a prática de uma Orientação exigente e ao mesmo tempo agradável, tem também uma carga emocional muito grande para nós. Foi aí que, em 1998, um grupo muito reduzido de pessoas do qual eu fazia parte, pôs de pé, pela primeira vez em Portugal, um evento de quatro dias todos eles em floresta. Isto numa altura em que o sistema de controlo ainda era feito em cartão, os percursos eram marcados nos mapas com uma matriz montada no momento, as sinaléticas eram coladas à mão e era também manual a “ensacagem” dos mapas. Nestas condições, tivemos no segundo dia de prova 770 atletas na floresta, entre os quais a então campeã mundial de Distância Média, a austríaca Lucie Boom, que não se cansou de nos felicitar pelo nosso trabalho. Essa prova para nós foi mítica porque nos encorajou para organizações futuras e sobretudo fez "escola" no nosso país.

Orientovar - Em matéria logística, quais as grandes dificuldades organizativas e com que apoios contam?

José Fernandes - A logística duma prova com esta dimensão, organizada no meio do nada, é sempre bastante pesada. Porém, o facto de termos a Câmara Municipal de Vieira do Minho como parceiro, simplifica-nos bastante a tarefa, principalmente no que respeita a equipamentos mais pesados. Para além da Câmara temos contado também com apoios de menor dimensão das Juntas de Freguesia locais, dos Bombeiros e de algumas empresas e marcas.

Orientovar - Na sua perspectiva, que aspectos do Programa merecem o devido destaque?

José Fernandes - Penso que os pontos fortes são, sem dúvida, aqueles que estão ligados à competição e os locais que escolhemos para as Arenas dos dois dias. Extra-competição, recomendaria também aos atletas que usufruam do programa cultural que a Câmara Municipal de Vieira do Minho pôs à sua disposição, no sábado à noite.

Orientovar - Pessoalmente, que importância atribui ao facto de ser o Director duma Prova com a responsabilidade destes Nacionais?

José Fernandes
- É a terceira vez que sou Director de um evento da Taça de Portugal, organizado pelo .COM. Contudo, o facto de se tratar de uns Campeonatos Nacionais, apesar de não ter uma responsabilidade acrescida, tem no entanto um sabor especial pois a componente técnica e física dos percursos tem necessariamente que subir, para que haja uma competição justa. Essa parte constitui um desafio aliciante. No entanto, nas duas vezes anteriores em que dirigi a organização de uma prova, sentia-me bastante mais resguardado, pois com a minha maneira discreta de ser não era muito conhecido. Agora tenho um grupo demasiado grande de amigos na Orientação para passar despercebido e daí ter a consciência plena de que desta vez o grau de observação vai subir.


Orientovar - No tocante às provas, qual o seu maior desejo?

José Fernandes - O meu maior desejo é que no dia 29, às 13 horas, haja muita satisfação em todos os atletas e que o motivo dessa satisfação tenha a ver com o que se passou durante os dois dias de prova.

Orientovar - Gostaria de realçar ou reforçar um ou outro aspecto a todos quantos se deslocarem a Vieira do Minho no próximo fim-de-semana?

José Fernandes - Queria apenas que os muitos atletas que nos vão honrar com a sua presença aproveitem da melhor maneira a sua estadia no concelho de Vieira do Minho, que se entreguem à competição mantendo o desportivismo que caracteriza a nossa modalidade e sobretudo que fiquem com vontade de voltar, seja por puro prazer ou por necessidade de melhorar as suas prestações. Creio que estes são terrenos muito parecidos com aqueles que os nossos melhores atletas encontram nas suas representações internacionais, ao serviço da Selecção Nacional. Nos últimos anos despontaram em Portugal vários jovens que são já valores seguros no nosso panorama e que em certos terrenos, como as dunas da zona centro e o montado alentejano, competem quase de igual para igual com os melhores estrangeiros. Se isto acontece é porque tem havido uma grande utilização desses terrenos nos anos mais recentes, mas para se conseguir uma melhor regularidade nos resultados dentro e fora do país esses atletas terão que dominar outro tipo de terrenos mais exigentes física e tecnicamente. Em Portugal, esses terrenos situam-se no Norte do País e nós possuímos bons mapas para se desenvolver um trabalho que demorará alguns anos, mas que produzirá bons resultados seguramente. O Clube de Orientação do Minho estará sempre disponível para colaborar com os responsáveis federativos pela área de desenvolvimento dos nossos melhores valores, seja com os seus mapas, com a sua experiência ou com ambos.


Mais informações em
http://www.pontocom.pt/actividades/2009CNDLE/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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CAMPEONATO NACIONAL DE DISTÂNCIA LONGA 2008 / 2009: A PRIMEIRA GRANDE FINAL DA TEMPORADA


As vastas e deslumbrantes paisagens minhotas voltam a ser palco dum grande evento de Orientação Pedestre, já no próximo fim-de-semana. A Serra da Cabreira, em Vieira do Minho, recebe os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas e encerra a promessa de espectacularidade, emoção e uma enorme incerteza quanto aos resultados finais.

Regressando a um mapa onde se gravaram a ouro algumas das mais belas páginas da Orientação em Portugal, o Clube de Orientação do Minho tem a responsabilidade de mais uma grande organização, contando para tal com os apoios da Câmara Municipal de Vieira do Minho e da Federação Portuguesa de Orientação.

Os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas têm tudo para se transformarem num evento memorável, feito de paisagens deslumbrantes, bons mapas, percursos desafiantes e muita luta pelos principais títulos, num ambiente de festa que, por certo, irá ao encontro dos gostos e sensibilidades mesmo dos mais exigentes.

Um pouco de história

No sábado, dia 28, a partir das 12h00, disputar-se-á o Campeonato Nacional de Distância Longa. Com a designação inicial de “Campeonato Nacional de Distância Clássica”, o evento vem-se disputando regularmente desde a época de 1994 / 1995. Nessa primeira edição, entre os 13 campeões nacionais nos vários escalões, destaque para as vitórias de Luís Sérgio e Cristina Santos, em Seniores. Mas é ainda possível perceber na lista de vencedores, nomes como os de Hugo Patrício, Mafalda Almeida, Maria Palmira ou Albano João, ainda hoje valores fortes e seguros da nossa Orientação.

No escalão sénior, apenas dez atletas têm a primazia de ostentar o título nacional de Distância Longa. Joaquim Sousa e Marco Póvoa, com cinco vitórias cada, são os mais medalhados. Da 4ª à 13ª edição repartiram entre si o domínio na distância, com Joaquim Sousa a vencer a prova por quatro vezes consecutivas (entre 1997 e 2001), o mesmo sucedendo com Marco Póvoa (entre 2003 e 2007). Tiago Aires, na época transacta, pôs fim à hegemónica dupla, conquistando o seu primeiro título sénior na distância. Nas senhoras, verifica-se também uma dupla dominadora. Emília Silveira e Raquel Costa, com quatro títulos cada, são as mais medalhadas, seguidas de muito perto por Maria Amador, com três títulos. Uma referência para o facto de os quatro títulos de Raquel Costa terem sido conquistados nas últimas quatro épocas.

Os vencedores

1994 / 1995 – Luís Sérgio e Cristina Santos
1995 / 1996 – Paulo Palma e Kátia Almeida
1996 / 1997 – Paulo Palma e Kátia Almeida
1997 / 1998 – Joaquim Sousa e Emília Silveira
1998 / 1999 – Joaquim Sousa e Emília Silveira
1999 / 2000 – Joaquim Sousa e Emília Silveira
2000 / 2001 – Joaquim Sousa e Maria Amador
2001 / 2002 – Marco Póvoa e Emília Silveira
2002 / 2003 – Joaquim Sousa e Maria Amador
2003 / 2004 – Marco Póvoa e Maria Amador
2004 / 2005 – Marco Póvoa e Raquel Costa
2005 / 2006 – Marco Póvoa e Raquel Costa
2006 / 2007 – Marco Póvoa e Raquel Costa
2007 / 2008 – Tiago Aires e Raquel Costa


145 títulos para 87 atletas

Do leque de campeões nacionais seniores acima apresentados, apenas dois o foram igualmente enquanto Juniores. Falamos de Tiago Aires e Raquel Costa, decorria a época 2001 / 2002. De resto, dentre os 43 atletas que alcançaram títulos nacionais de Distância Longa, enquanto Juvenis ou Juniores, vários fizeram-no por mais que uma vez. Alexandre Alvarez foi-o três vezes, todas elas no escalão Júnior. Também com três títulos, mas repartidos pelos dois escalões, encontramos Bruno Gonçalves, Mafalda Almeida, Rafaela Rua, Mónica Teixeira e Bruno Nazário. A lista de atletas com dois títulos inclui Patrícia Casalinho, Pedro Silva, Maria Sá, Andreia Silva e Joana Costa, com a particularidade desta última ser a única a ter ainda a oportunidade de poder vir somar mais um título no escalão Júnior ao seu pecúlio, caso vença no sábado, em Vieira do Minho.

Finalmente, nos escalões de Veteranos, foram até ao momento atribuídos 89 títulos nacionais a 44 diferentes atletas. Maria Palmira lidera a lista, com 7 títulos, seguida de Joaquim Patrício e Joaquim Coelho, com 5 títulos cada. Com 4 títulos encontramos Manuel Dias, Albano João, Santos Sousa e Anabela Vieito. Armandino Cramez, Isabel Monteiro, Maria São João, Luísa Mateus e Manuel Luís venceram por três vezes, enquanto Cardoso Ferreira, Maria Oliveira, São Morais, Mário Duarte, Francisco Pereira, Amadeu Pinto, Jacinto Eleutério, José Grada e Rui Antunes “bisaram”.

O favoritismo de Tiago Aires e Raquel Costa

Percebe-se, pois, que os Nacionais de Distância Longa do próximo sábado, a avaliar pela lista de inscritos, irão certamente permitir o reforço do número de títulos conquistados a alguns dos atletas referidos. A criação, já durante esta época, dos escalões Veteranos H65, H70, D55 e D60, e a sua inclusão nos Campeonatos Nacionais nas categorias respectivas (ou seja, Veteranos Masculinos IV e Veteranos Femininos III), para além de constituir uma excelente medida da FPO, vem aumentaro ainda mais as probabilidades de alguns atletas se sagrarem pela primeira vez campeões nacionais ou de repetirem esse título.

Contando com cinco centenas de inscritos, distribuídos por 32 escalões de ambos os sexos, o evento reúne os grandes dominadores das mais recentes temporadas. Na Elite Masculina, Marco Póvoa (ADFA), Joaquim Sousa (COC) e Tiago Aires (GafanhOri) voltam a encontrar-se, reeditando o duelo a três mãos das épocas anteriores. Mas é sempre de esperar uma surpresa da parte de Tiago Romão, Celso Moiteiro, Paulo Franco ou Gildo Silva (todos do COC), Miguel Silva ou Alexandre Alvarez (ambos do CPOC), Diogo Miguel ou Jorge Fortunato (ambos do Ori-Estarreja) ou Luís Leite ou Albino Magalhães (ambos do GD 4 Caminhos), todos eles jovens em franca ascensão e dispostos a vender cara a derrota.

Quanto ao sector feminino, Raquel Costa (GafanhOri) não vai querer perder a hipótese de renovar o título nacional. Todavia, será interessante ver do que serão capazes Maria Pereira, Sandra Rodrigues ou Lídia Magalhães (todas da ADFA), Céu Costa ou a “regressada” Maria Sá (ambas do GD 4 Caminhos), Paula Nóbrega (Orimarão), Maria Amador (ATV), Ana Oliveira (Ori-Estarreja) e, sobretudo, o jovem trio do COC, Andreia Silva, Patrícia Casalinho e Catarina Ruivo.

E quanto aos mais jovens e veteranos?

Nos sectores mais jovens, será curioso verificar até que ponto o GafanhOri conseguirá reforçar a sua hegemonia no panorama nacional, levando para S. Pedro da Gafanhoeira mais uns quantos títulos. Merecem particular atenção os duelos entre David Sayanda (Ori-Estarreja) e Manuel Horta (GafanhOri), em H20, e entre Joana Costa (GD 4 Caminhos) e Mariana Moreira (CPOC), em D20. Rute Coradinho (GafanhOri) e Inês Alves (GD 4 Caminhos) são as grandes pretendentes ao título em D13, o mesmo acontecendo com João Cascalho (GafanhOri) e Tiago Baltazar (GDU Azóia) em H15, Teresa Catalão (GafanhOri) e Inês Domingues (COC) em D15 e com Vera Alvarez (CPOC), Rita Rodrigues e Ana Salgado (ambas do Gafanhori) em D17. No restantes escalões, tudo pode acontecer, face ao elevado número de pretendentes com reais possíbilidades de chegar ao título.

Quanto aos veteranos, será muito interessante ver até que ponto Jorge Correia e Santos Sousa (ambos da ADFA), Alexandra Coelho e Susana Pontes (ambas do CPOC), Manuel Luís (CP Armada), Rui Antunes (COC), Jerónima Rocha (GD 4 Caminhos), Maria São João (CLAC), Manuel Dias (Individual) ou Francisco Coelho (Clube TAP) conseguirão segurar os títulos nacionais alcançados a época passada. A oposição é forte e ninguém está à espera de facilidades, embora Maria São João, Manuel Dias e Francisco Coelho apresentem elevada dose de favoritismo nos escalões respectivos. Também Armandino Cramez (Ori-Estarreja) tem tudo para somar mais um título aos três conquistados anteriormente, o mesmo sucedendo com Isabel Monteiro (COC). Albano João (COC) é também o grande favorito em H50 e pode alcançar aqui o seu quinto título. No restante, “prognósticos só mesmo no fim do jogo”.

Os dados estão lançados e resta-nos esperar o desenrolar dos acontecimentos.

Mais informações em
http://www.pontocom.pt/actividades/2009CNDLE/.

[foto gentilmente cedida por Jorge Correia Dias]

Saudações atléticas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 25 de março de 2009

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. “Como classifica o Dia Nacional da Orientação?” Foi esta a pergunta que, ao longo duma semana, esteve patente nas páginas do Orientovar. Um total de 83 votantes respondeu à Sondagem, 43 dos quais (51 %) atribuindo 5 estrelas ao evento, 22 (26 %) dando-lhe 4 estrelas e 6 votantes (7 %) conferindo-lhe 3 estrelas. Na faixa “negativa” tivemos apenas 1 votante (1%) a dar 2 estrelas e 3 votantes (3 %) a atribuírem 1 estrela. Devo confessar, porém, que me causa alguma apreensão o facto de terem sido em número de 8 (9 %) aqueles que voluntariamente responderam ao inquérito e atribuíram à iniciativa a Bola Preta. Era interessante poder ouvir o testemunho de todos - mas principalmente desses – para perceber o que terá corrido tão mal assim!

2. A Liga Espanhola de Orientação Pedestre 2009 viu disputada a sua 4ª Etapa, no passado fim-de-semana, no mapa de El Pardo (Madrid). Foi no XXII Trofeo Martin Kronlund, lembrando o “pai” da Orientação em Espanha, desaparecido no dia 1 de Março do ano passado. Grande vencedor do Troféu, o nosso bem conhecido Ionut Zinca descreve no seu blogue -
http://fubynews.blogspot.com/ -, de forma pormenorizada, as suas impressões sobre a prova. Para além do calor e da escassez de pontos de água, Ionut presta uma particular atenção ao aspecto da Cartografia que, aparentemente, mereceu reparos generalizados dos participantes. Mas vale a pena ler a crónica completa e o dedo que o atleta romeno coloca em inúmeras feridas, nomeadamente na cada vez maior dificuldade em obter licenciamentos junto de instituições públicas e autorizações dos privados para a realização de provas de Orientação.

3. Primeiro grande evento internacional da temporada, a Spring Cup (Tisvilde Hegn, Dinamarca) colocará em confronto, no próximo fim-de-semana, atletas de 16 nações, entre os quais um elevado número de campeões mundiais. Aguardada com natural expectativa, a Estafeta Nocturna constitui a grande inovação da prova. 60 equipas masculinas e 10 femininas irão percorrer na escuridão os mais secretos recantos do pequeno bosque de Valby Hegn. Rønning Steffensen, o Director da Prova, promete “momentos stressantes durante a corrida”. O outro enorme motivo de interesse reside em saber até que ponto a turma norueguesa do Kristiansand OK, vencedora da Tiomila em 2008, vai resistir ao “assalto” dos suecos do Pan Kristiansand. Ambas as equipas chegam na máxima força, com os noruegueses a terem em Daniel Hubmann (líder do ‘ranking’ mundial), Jon Duncan (campeão mundial de Estafetas 2008, pela Grã-Bretanha) e Holger Hott um trio de luxo, aos quais se juntam Rasmus Djuurhus e Christian Bobach, dois elementos de topo da Selecção Nacional dinamarquesa. Do lado sueco, a resposta vem com o britânico Jamie Stevenson (também ele campeão mundial de Estafetas 2008), ao qual se acrescentam os fortíssimos atletas dinamarqueses Rasmus Søes e Rune Olsen. Para Rønning Steffensen, “já não existe neve e a Primavera está a chegar a toda a velocidade, com as aves a cantar e o mais belo sol que se pode imaginar”. Os participantes podem esperar orientação a alta velocidade e os traçadores de percursos prevêem que os mais rápidos possam atingir uma média de 4,4 min / km! Será emocionante ver quem manterá a velocidade e concentração até ao final.


4. A 3ª edição do Park Matosinhos Tour, já no próximo dia 19 de Abril, encerra um virar de página na história do evento. A parceria estabelecida entre o Grupo Desportivo 4 Caminhos e o programa “Põe-te a Mexer”, da responsabilidade da Matosinhos Sport, a empresa municipal da autarquia de Matosinhos responsável pela gestão de equipamentos desportivos e de lazer, promete uma grande jornada de promoção e divulgação da modalidade. Lançado em 2007 e posto em prática nas marginais, pavilhões e praias do concelho, o “Põe-te a Mexer” consiste num programa que engloba várias actividades das quais se destacam as caminhadas e exercícios básicos de mobilização, alongamento e relaxamento, devidamente acompanhadas por técnicos de desporto e de saúde. À população matosinhense propõe-se agora, pela primeira vez, o desafio da Orientação. São esperadas muitas centenas de participantes neste percurso iniciático e de descoberta do “desporto da floresta”, tendo como “pano de fundo” os belos e bem tratados espaços da Quinta da Conceição e do Parque do Carriçal. Fique atento às novidades na página do GD 4 Caminhos, em http://www.gd4caminhos.com/.

5. “Um dos melhores dias da minha vida”, ou “nem tive dores toda a manhã”. Foram estes alguns testemunhos dos participantes na actividade de Iniciação ao Trail-O (Orientação para pessoas em cadeira de rodas), promovida pelo Grupo Desportivo 4 Caminhos, no âmbito do 5º Grande Prémio de Orientação do Porto e do Dia Nacional da Orientação. Sensível ao efeito que a actividade teve nos participantes – todos eles doentes do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada, do Porto – o Grupo Desportivo 4 Caminhos “reincide” na promoção duma actividade do género, no próximo dia 19 de Abril, pelas 11h00, no Parque do Carriçal (Senhora da Hora). A “equipa” do Hospital da Prelada acaba de garantir uma presença reforçada na actividade e lança daqui o apelo a todos os agentes sociais e desportivos para que se juntem a ela, no sentido de cativarem potenciais interessados, levando-os a experimentar esta modalidade verdadeiramente para todos. Pelo esforço e trabalho desenvolvido, nas múltiplas vertentes, em prol da reabilitação dos seus doentes, o Orientovar atribui ao Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada, com profunda emoção, o Louvor da Semana!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 24 de março de 2009

ESPAÇO CARTOGRAFIA: A VERSÃO ACTUAL DO NOVO REGULAMENTO


Após um longo interregno, o “Espaço Cartografia” está de regresso, e logo com um documento da maior importância. Trata-se da versão actual do novo Regulamento de Cartografia, aqui apresentada em primeira-mão por Luís Santos. Uma deferência que o Orientovar regista com profunda emoção e reconhecidamente agradece.


O Regulamento de Cartografia tem a sua versão anterior aprovada em Março de 2003. A actual proposta foi submetida a discussão pública no “site” da Federação Portuguesa de Orientação e debatida em Reunião de Clubes no dia 22 de Fevereiro, em Brotas (Mora). A versão actual - e que se não for definitiva estará muito próxima disso - deverá ser levada a aprovação na próxima Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Orientação, ainda sem data marcada.

Em relação à versão que foi disponibilizada no “site” da Federação Portuguesa de Orientação, as principais alterações que decorreram do debate na Reunião de Clubes e de posterior análise do documento foram as seguintes:

1 – Clarificar o que são condições de acesso a cada Curso e o que são condições de acesso a um nível de Cartografia. As condições de acesso aos Cursos estão agora exclusivamente no artigo 3º e as dos níveis de Cartografia estão entre o 7º e o 11º. A questão que levantou dúvidas sobre a necessidade de ter actividade regular e três mapas desenhados para aceder ao nível 2 de Cartografia foi realmente removida, ficando apenas para acesso ao nível 3, onde o grau de exigência já será maior.

2 – Surge um novo artigo (24º), em complemento do artigo 23º, que traça os deveres do detentor dos direitos do mapa. Permite, principalmente, o acesso da Federação Portuguesa de Orientação aos mapas e sua utilização e cedência para actividades de treino ou outras no interesse da modalidade, bem como permitir a utilização de direitos sobre mapas em clubes entretanto desvinculados da licença na Federação Portuguesa de Orientação e prever penalizações a Clubes que não permitam o normal desenvolvimento da Orientação.

Para além destas alterações posteriores à versão do documento divulgado no site Federação Portuguesa de Orientação, destaco as seguintes alterações que irão ser implementadas:

- Até aqui a Direcção Federação Portuguesa de Orientação só podia atribuir e/ou cassar licenças. Com o novo Regulamento e mediante parecer do Departamento de Cartografia, a Direcção passa a ter o poder de penalizar os cartógrafos que façam trabalhos de má qualidade, diminuindo o seu nível de cartografia, restringindo o âmbito de trabalho desses cartógrafos nos mapas a desenhar e obrigando-os a apresentar novos trabalhos de qualidade para poderem reaver o seu nível anterior;

- Até aqui, sempre que um Supervisor não tinha capacidade de avaliar um mapa, era solicitado ao Departamento de Cartografia que escolhesse alguém para o ir homologar. Essa situação agora não se coloca. A responsabilidade da homologação é inteiramente do Supervisor do evento. Caso ele não se sinta capacitado para homologar o mapa, deverá ser o Conselho de Arbitragem a definir com o Supervisor a forma de resolver o problema (o assunto nem se devia colocar pois um Supervisor deveria ter sempre qualidade técnica suficiente para avaliar um mapa, pois se não a tiver, não tem também qualidade para um trabalho responsável de Supervisão).

- Surge um novo artigo (21º) a regulamentar a área de impressão de mapas. A impressão de mapas deverá ser sempre realizada numa empresa certificada pela Federação Portuguesa de Orientação com base nos padrões de qualidade definidos pela IOF. Caso a qualidade de impressão seja fraca e haja reincidência nessa fraca qualidade, as empresas poderão perder essa licença.

- Muito importante o novo artigo 23º sobre os deveres dos detentores dos direitos dos mapas. Até aqui estava regulamentado que os clubes deveriam enviar mapas impressos para a Federação Portuguesa de Orientação (30 exemplares). Contam-se pelos dedos de uma mão os clubes cumpridores. Os serviços da Federação Portuguesa de Orientação estão agora a encetar um esforço de recuperação do histórico perdido (não faz sentido que a Federação Portuguesa de Orientação não possa aceder aos próprios mapas que regista e homologa mas é o que acontece actualmente – há uma lista mas não há os mapas).

Assim que for aprovado o Regulamento, passam a ser solicitados três passos aos clubes que produzem os mapas em três momentos diferentes:

- Quando o mapa está tecnicamente concluído deve ser enviado para a Federação Portuguesa de Orientação em ficheiro “ocad” (quando o mapa se enquadre em eventos de Taça FPO ou de Taça de Portugal a responsabilidade pela homologação do mapa e sua validade para atribuição de registo é do Supervisor, mas quando o mapa seja criado para outros efeitos - campos de treinos, provas locais, mapas de escolas, pedidos de proprietários, etc. - o acto de envio implica avaliação para se proceder a um eventual registo).

- Quando os arranjos gráficos estão concluídos, a imagem do mapa deve ser enviada (basta um dos percursos) para o Departamento de Cartografia avaliar se os arranjos cumprem as regras definidas – conforme explicitadas no artigo 19º.

- Posteriormente ao evento ou entregues aos Serviços da Federação Portuguesa de Orientação durante o mesmo deverão ser enviados para a Federação Portuguesa de Orientação dez exemplares de mapas do evento (com ou sem percursos) só para que a Federação Portuguesa de Orientação possa ficar sempre com suporte papel dos mapas registados e utilizados.

Ainda não estão definidas as datas e as Acções de Formação que irão ser realizadas em 2009 mas já irão seguir um novo programa formativo. O curso de nível 1 abordava até aqui apenas aspectos muito teóricos (prática só com mapas a escalas muito próximas e a preto e branco) e agora a introdução das várias especificações (ISOM, ISSOM e BTT) serão abordadas logo no nível 1 tal como o conhecimento do OCAD. O OCAD, as normas de Ori-BTT e as especificações para mapas de sprint estavam completamente dissociadas do plano de formação de cartografia e irão passar a constar desse plano.

Os principais objectivos destas alterações visam ter um Regulamento que seja entendível mas principalmente que seja realizável, objectivo que nem sempre era conseguido na versão anterior. E visa também, a custo de uma maior carga de trabalho do Departamento de Cartografia, propiciar um maior acompanhamento da produção de mapas e do trabalho dos cartógrafos, de forma a aumentar a responsabilização de quem trabalha mas também de forma a acompanhar e promover quem o mereça para que a Orientação portuguesa e a qualidade dos eventos possa ficar a ganhar com este Regulamento pelo menos a médio/longo prazo.

Luís Santos


[Consulte AQUI a versão actual do novo Regulamento de Cartografia]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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segunda-feira, 23 de março de 2009

XIII MEETING "ÉVORA PATRIMÓNIO MUNDIAL": AS IMPRESSÕES DE HUGO BORDA D'ÁGUA


Contrariamente às previsões, o XIII Troféu “Évora Património Mundial” proporcionou a todos os presentes uma entrada na Primavera com condições meteorológicas bastante convidativas a desfrutar da natureza e da paisagem de elevada beleza da Azaruja.

Por entre os belos relvados que brindavam o olhar dos participantes na Arena da prova, uma autêntica “faixa rosa” era bem saliente nesta magnífica paisagem natural. Com praticamente um terço das mais de duas centenas de participantes, o Gafanhori foi sem dúvida - e independentemente dos resultados obtidos -, o principal responsável por dar uma dinâmica diferente a esta prova no coração do Alentejo.

Num terreno de fácil progressão, com bastantes detalhes de relevo e alguns elementos rochosos, a condição física vinha ao de cima. Nos dois dias de prova, a existência de um elevado número de referências lineares levava os atletas a optarem em muitas pernadas entre seguir referências bastante acessíveis e aplicar toda a sua condição física ou arriscar um pouco e efectuar a sua trajectória recorrendo a referências pontuais. No entanto, as zonas de fácil progressão obrigavam, sobretudo no Sábado, a uma extrema concentração de modo a que o ritmo elevado não conduzisse a erros que comprometiam irremediavelmente a prova.

No que se refere aos percursos dos escalões destinados a quem se inicia na modalidade estes puderam dar os primeiros passos com pontos extremamente acessíveis, como era exigido, e com uma navegação recorrendo a elementos como estradas, vedações e linhas de água.

Como acontece em muitas provas regionais, verificou-se novamente este fim-de-semana em Azaruja (Évora) uma fraca afluência de participantes. É uma pena que muitos escalões possuam os lugares do pódio definidos antes de o evento ter início, tirando alguma da emoção e brilho a estas provas regionais.

No final, a entrega de prémios repleta de alegria decorreu num local muito bonito, fazendo esquecer a pouca adesão de participantes em muitos dos escalões e terminando com uma enorme festa no pódio dos clubes. Nem o facto de um pequeno lapso da organização ter trocado a ordem da classificação, diminuiu a enorme festa que fechou este XIII Troféu "Évora Património Mundial".

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Hugo Borda d’Água




Saiba mais sobre o COAC e leia as impressões de dois atletas do clube, Bernardo Brasileiro e Manuela Oliveira, acerca do XIII Meeting “Évora Património Mundial”, AQUI.

[fotos gentilmente cedidas por Hugo Borda d’Água]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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XIII MEETING "ÉVORA PATRIMÓNIO MUNDIAL": O REGRESSO DE MARCO PÓVOA ÀS VITÓRIAS


Com uma temperatura bem primaveril, o mapa do Hotel do Carmo, na Azaruja, recebeu no passado fim-de-semana o XIII Meeting “Évora Património Mundial”. Pontuável para a Taça FPO Sul 2008 / 2009 e para a Taça de Portugal de Clubes, as provas decorreram em ambiente de muita animação e foram do agrado de todos os participantes, que se saldaram em 230, distribuídos por escalões de Competição, Formação e Abertos.

Constituído por um percurso de Distância Longa (sábado) e um de Distância Média (domingo) o XIII Meeting “Évora Património Mundial” teve organização da ADFA e contou com os apoios da Câmara Municipal de Évora, Junta de Freguesia de S. Bento do Mato (Azaruja) e Federação Portuguesa de Orientação.


Marco Póvoa, pois claro!

Nos escalões mais jovens, Rute Coradinho (Infantis Femininos), Ana Salgado (Juvenis Femininos), Jorge Coelho (Juniores Masculinos) e Lena Coradinho (Juniores Femininos) ofereceram quatro saborosas vitórias ao emblema de S. Pedro da Gafanhoeira. Mas a grande surpresa – ou talvez não! – veio da jovem equipa do COAC, evidenciando o bom trabalho que Hugo Borda d’Água vem desenvolvendo em Coruche e aqui a responder também com quatro triunfos: Bernardo Brasileiro (Infantis Masculinos), Ruben Coutinho (Iniciados Masculinos), Flávio Neves (Jovens Masculinos B) e Patrícia Arromba (Jovens Femininos B). As duas restantes vitórias foram alcançadas por Sofia Pinto (CIMO), em Iniciados Femininos e Max Mikander (SunO / Achilles Finland), em Juvenis Masculinos


No escalão de Seniores Masculinos, assistimos ao regresso de Marco Póvoa (ADFA) às vitórias, impondo-se à concorrência em ambos os dias. A principal oposição surgiu da parte do jovem Manuel Horta, grande esteio da turma do GafanhOri e uma das maiores promessas da nossa Orientação jovem, que alcançou o segundo lugar. Nas posições imediatas classificaram-se dois espanhóis, José Manuel M. Ruiz e Antonio Guerrero Gomez, ambos da ADOL Sevilha, e o finlandês Janne Liuko (SunO / Achilles Finland).
Em femininos a vitória coube a Patricia Brás (CAOS) seguida da sua colega de equipa Sara Tavares.


GafanhOri triunfa colectivamente

Em Veteranos I, vitórias de Rui Botão (CPOC) e Ermínia Farenfield, a recente aquisição do CAOS. Mário Santos (COC) e Marika Yli-Ikkela (SunO /Achilles Finland) “esmagaram” a concorrência, levando de vencida o escalão de Veteranos II. Manuel Dias (Individual) não facilitou em Veteranos III e ganhou por larga margem. Pedro Ladeira e Ana Porta Nova, ambos do CPOC, foram os vencedores em Seniores M/F B, enquanto Paulo Fernandes (Lebres do Sado) e Assunção Almeida (GafanhOri) triunfaram em Veteranos M/F B. Colectivamente, a vitória coube ao GafanhOri, com 1496,0 pontos, seguido do SunO / Achilles Finland, com 1195,7 pontos, do CPOC, com 1139,8 pontos, do CAOS, com 1087,8 pontos e do COAC, com 944,2 pontos.

Com apenas três provas por disputar, a Taça FPO Sul regressa já nos próximos dias 18 e 19 de Abril, na Sertã, por altura do IV CLAC “O” Meeting.

Consulte os resultados completos em
http://meet2009.no.sapo.pt/.
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[fotos gentilmente cedidas por Isabel Salgado]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 22 de março de 2009

CAMPEONATO REGIONAL DA DRELVT EM ORIENTAÇÃO: AS IMPRESSÕES DE RICARDO CHUMBINHO


No rescaldo do Campeonato Regional da DRELVT (Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo) em Orientação, o Orientovar foi ao encontro do Coordenador Nacional do Desporto Escolar para a Orientação, Professor Ricardo Chumbinho, que gentilmente se dispôs a partilhar connosco as suas preciosas reflexões.


Orientovar – No final destes Campeonatos, que balanço se pode estabelecer?

Ricardo Chumbinho – Há dois factos que gostaria de salientar pela positiva. Em primeiro lugar, a realização de um Campeonato Regional fora da Península de Setúbal, particularmente na zona da Lezíria / Médio Tejo. De há muitos anos a esta parte que os Regionais, salvo uma ou outra excepção meramente pontual, se vêm realizando na zona de Setúbal em função do dinamismo que esta região apresenta em termos escolares na modalidade. Saúda-se o facto de a Equipa de Apoio às Escolas (EAE - antigos CAE’s) ter tomado a iniciativa de organizar este evento na sua região, algo que penso nunca ter acontecido. Por outro lado, é de saudar a co-organização entre uma estrutura escolar e uma estrutura associativa com o apoio da FPO na retaguarda, o que é mais um indicador da excelente inter-penetração que cada vez mais vai existindo entre os dois subsistemas do sistema desportivo, com benefícios para ambas as partes.

Pela negativa há a registar o facto de este regional evidenciar alguma assimetria quanto ao desenvolvimento da modalidade na zona da DREL, uma vez que diversas EAE’s não apresentaram equipas ou alunos individuais à competição, sendo ainda que algumas outras apenas o fizeram de forma meramente residual. De resto, esta assimetria não é exclusiva da Orientação e dentro da Orientação não é diferente do que se verifica a um nível mais macro, quando nos colamos num nível de análise DRE’s (Direcções Regionais de Educação). A modalidade está claramente mais desenvolvida em Lisboa e Vale do Tejo e no Norte, tendo uma expressão ainda pouco evidente no Centro e Alentejo (embora aqui com excelentes resultados de uma das suas escolas) e sendo inexistente no Algarve.

Orientovar – Que análise faz dos aspectos meramente competitivos, nomeadamente em termos de resultados?

Ricardo Chumbinho - Quanto aos resultados verificados diria que, de um modo geral, espelham uma realidade já conhecida e esperada: Uma supremacia normal por parte das equipas e individuais de Setúbal, com 2 títulos colectivos em 4 possíveis e outros tantos individuais, mas com um total de 18 alunos apurados para os nacionais num total de 32 da DRELVT. Também eram esperadas as vitórias das equipas e individuais femininas da zona de Sintra, alicerçadas principalmente em duas grandes figuras como são Vera Alvarez em Iniciados e Mariana Moreira em Juvenis, conseguindo assim um excelente conjunto de resultados mas que acaba, infelizmente, por não ser o reflexo de um desenvolvimento quantitativo da modalidade na região.

Gostaria de destacar ainda a presença de duas equipas fortíssimas como foram a ES Santa Maria, em Juvenis Femininas, com 3 atletas nas 3 primeiras posições e a ES Pinhal Novo, em Juvenis Masculinos, com 6 atletas nas 7 primeiras posições. Ainda uma palavra para um importante pólo de desenvolvimento da modalidade no Concelho de Palmela, uma vez que os 17 alunos deste concelho apurados para os nacionais representam mais de 50% dos apurados de toda a DRELVT. Finalmente, apraz-me constatar a existência de alguns alunos com bons resultados e apurados individualmente para os nacionais em diversas escolas da zona da Lezíria / Médio Tejo, o que é indício de que poderemos, a médio prazo, ter outros importantes pólos de desenvolvimento da modalidade.


Orientovar – Como é que vê a enorme discrepância verificada nalguns tempos em relação aos vencedores?

Ricardo Chumbinho – É impossível não reparar na assimetria verificada nos resultados individuais em alguns escalões, com muito tempo a separar em alguns casos os atletas melhor classificados dos restantes. Todavia, ao contrário de considerá-la negativa por se verificar esse fosso, prefiro encará-la como um sinal claro do elevado nível a que alguns dos alunos formados no Desporto Escolar já chegaram, como são os casos de Mariana Moreira, Vera Alvarez, Miguel Ferreira, Luís Silva, Paulo Pereira e Miguel Mouco entre outros. Encare-se também como dado importante o facto de, apesar da presença destes já conhecidos nomes da modalidade a nível nacional, termos tido muitos outros atletas com pontuações acima dos 700, alguns deles quase "ilustres desconhecidos", como foram os casos de Oleksandr Zaikin, Margarida Colares, Marta Ferreira, Pedro Silva, Bruno Jesus, Mykola Zaikin, Ricardo Singéis, Samuel Antunes, Nuno Lourenço, Fábio Silva e Ricardo Reis.

Este facto é bem sinal de que a aposta do desenvolvimento da modalidade passa incontornavelmente pelo Desporto Escolar e que as estruturas associativas locais - os Clubes - têm que desenvolver estratégias que lhes permitam apoiar e colher frutos do trabalho que se vai fazendo nas escolas, dando-lhe uma importância idêntica ao que já acontece no topo da pirâmide. De resto é conhecida esta valorização do Desporto Escolar por parte da FPO, bem como assim do respectivo Director Técnico Nacional, que tem na concepção de um modelo operacional de potencialização da relação entre Escolas e Clubes, um dos pontos fortes da sua estratégia de desenvolvimento para a modalidade.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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