sábado, 28 de fevereiro de 2009

XI MEETING DE ORIENTAÇÃO DO CENTRO: É JÁ A SEGUIR!


Ainda não se esgotaram os ecos do Portugal O’Meeting e está aí mais uma prova de grande envergadura para animar o fim-de-semana. Trata-se do XI Meeting de Orientação do Centro que promete inundar o concelho de Alcobaça de muita e boa Orientação.

Depois do WMOC’08 de grata memória, a Orientação ao mais alto nível regressa a Pataias e à histórica mancha florestal do Pinhal do Rei. Organizado pelo Clube de Orientação do Centro, com o apoio da Federação Portuguesa de Orientação, IOF – Federação Internacional de Orientação, Câmara Municipal de Alcobaça e Junta de Freguesia de Pataias, o XI Meeting de Orientação do Centro apresenta algumas propostas irrecusáveis e promete um fim-de-semana intenso da melhor Orientação.

O programa oferece, já a partir das 11h00 de hoje, a prova de Distância Média WRE, pontuável para o ‘ranking’ mundial da modalidade e da Taça de Portugal. Amanhã terá lugar a prova de Distância Longa, esta pontuável apenas para o ‘ranking’ da Taça de Portugal. Revisitando o mapa Pataias WMOC’08, elaborado em Setembro de 2007 e Maio de 2008 e revisto em Dezembro de 2008, aos participantes é proposta uma floresta de pinhal, com reduzida vegetação rasteira e razoável rede de caminhos e com duas zonas claramente diferenciadas, uma predominantemente de grandes detalhes de micro relevo e muito rica tecnicamente, outra marcada por limites de vegetação, com revelo menos detalhado. A noite deste sábado será ainda marcada por uma prova de Sprint Urbano Nocturno em plena Vila de Alcobaça, com a organização a oferecer aos participantes, no final, um sempre apreciado “Porco no Espeto”.

Suiços encabeçam legião de favoritos

Num total de 888 participantes inscritos, 340 são estrangeiros em representação de 16 países. A maior comitiva vem da Suiça, que se fará representar por praticamente todos os seus nomes mais sonantes, embora apenas neste primeiro dia. Matthias Merz, Baptiste Rollier, Marc Lauenstein, Matthias Müller, David Schneider, Lea Müller, Seline Stalder, Angela Wild, Ines Brodmann, Rahel Friedrich, Caroline Cejka e Franziska Wolleb são referências incontornáveis na Orientação à escala mundial, todos eles atletas do top-50 do ‘ranking’ da IOF. E se a estes nomes juntarmos os de Daniel Hubmann (na foto), actual líder do ‘ranking’ mundial, e Simone Niggli, a melhor orientista de todos os tempos, poderemos perceber a dimensão qualitativa que o XI Meeting de Orientação do Centro alcança.

A selecção dinamarquesa marcará igualmente forte presença, com Signe Søes e Rasmus R. Søes, os dois vencedores do Portugal O’Meeting 2009, a encabeçarem uma lista onde pontificam ainda Mikkel Lund, Christian Bobach, Soren Bobach, Ida Bobach, Ane Linde, Signe Klinting e Maja Alm. Grandes animadores do recente POM’09, o eslovaco Lukas Bartak (KOBRA), o romeno Ionut Zinca e os polacos Wojciech Dwojak e Wojciech Kowalski, estes três últimos do GD4 Caminhos, são nomes a ter em conta e que prometem animar até ao último segundo a luta pela vitória no XI MOC. Do lado das senhoras, veremos até que ponto a estoniana Kirti Rebane (Jüriöö OC), a polaca Hanna Wisniewska (Polish Júnior Team) ou a austríaca Thea Lillehof (Áustria Elite) confirmam as excelentes prestações de Mora, de há menos de uma semana atrás.

E quanto aos portugueses

Em terrenos que bem conhecem, será interessante apreciar as prestações dos atletas portugueses face a tão forte concorrência. A “jogar em casa”, Tiago Romão, o actual líder do ‘ranking’ nacional, e Joaquim Sousa, que tão boa conta deu de si no POM’09, encabeçam uma lista onde pontificam ainda outros dois atletas do COC, Celso Moiteiro e Gildo Silva, para além do incontornável Tiago Aires (GafanhOri). Alexandre Alvarez e Miguel Silva (CPOC), Pedro Nogueira (ADFA) e os jovens Diogo Miguel e Jorge Fortunato, ambos do Ori-Estarreja fecham uma lista que promete competição ao rubro e onde Albino Magalhães (GD4 Caminhos), preso por obrigações do foro militar, é a única ausência de vulto. Nas senhoras, mandatório será referir o nome de Raquel Costa (GafanhOri), bem como o das jovens do COC, Patrícia Casalinho, Andreia Silva e Catarina Ruivo, da veterana do OriMarão, Paula Nóbrega e da “regressada” Maria Sá (GD4 Caminhos), todas com uma forte palavra a dizer.

À margem do evento, destaque para a cerimónia de apresentação do livro “O Enigma dos Sacos Trocados”, da autoria de Maria Manuela Ribeiro, cabendo-me a responsabilidade de o apresentar. Será na tarde de hoje, imediatamente antes da Cerimónia de Entrega de Prémios da prova de Distância Média WRE, a qual está agendada para as 15h30. Os dados estão lançados e resta-nos aguardar pelos resultados. Mas como diria o outro, “prognósticos, só mesmo no final.”


Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

POM'09: A PALAVRA AOS ORGANIZADORES


O Portugal O’Meeting 2009 chega ao fim. Por detrás do enorme êxito que constituíram os quatro dias do evento, encontramos uma equipa organizativa atenta e empenhada, que tudo fez para levar a bom porto tão imensa nau. Cabe aos seus responsáveis a palavra final.


ANTÓNIO RODRIGUES: “QUALQUER ORIENTISTA PORTUGUÊS DEVE SENTIR-SE ORGULHOSO”

“Os elementos envolvidos na Organização merecem um grande louvor e uma grande homenagem pública. Foram todos inexcedíveis na entrega e dedicação, não só nestes quatro dias do evento mas durante toda a preparação que decorreu ao longo dos últimos dois anos.”

“Correu tudo muito bem, os pequenos pormenores foram sendo resolvidos atempadamente e a contento de todos e estamos muito satisfeitos com o resultado final. Foram muitos aqueles que fizeram questão de demonstrar o seu reconhecimento por estes quatro dias maravilhosos.”

“Independentemente da minha ligação ao CPOC e na qualidade de Presidente da Federação Portuguesa de Orientação julgo que qualquer orientista português deve sentir-se orgulhoso de um clube português ter organizado uma competição desta natureza e com esta qualidade.”

António Rodrigues
Director do Portugal O’Meeting 2009
Presidente da Federação Portuguesa de Orientação
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JOSÉ MANUEL SINOGAS: “AS NOSSAS PORTAS ESTARÃO SEMPRE ABERTAS”

“Mora possui condições excelentes para a prática duma modalidade como a Orientação. Temos um património natural único, os nossos montados são estes e julgo que nos escolheram por isso mesmo. Somos a única autarquia do País certificada pela norma 14.001, precisamente pelo cuidado que temos com o ambiente. O único Fluviário da Europa, por exemplo, está em Mora. Tudo o que sejam eventos que nos liguem ao ambiente, é sempre com enorme satisfação que os recebemos no nosso Concelho. Temos, na verdade, uma verdadeira paixão pelo ambiente.”

“São muito importantes para nós estes eventos. Estamos habituados a fazer muitos de carácter internacional na área da pesca e, na Orientação, é o segundo que fazemos. Isto é muito importante para um pequeno Concelho como o nosso e traz-nos sempre muito movimento e, naturalmente, desenvolvimento.”

“Mora deixou de ser um Concelho de passagem para a Beira Baixa e tem vindo a tornar-se um Concelho de destino. Hoje vem-se a Mora à caça, vem-se a Mora à pesca, vem-se a Mora ao Fluviário, vem-se à Mora à Orientação, vem-se à Mora pela gastronomia. Ou seja, Mora tornou-se num destino turístico por excelência deste nosso Portugal. Estamos plenamente satisfeitos com o que aqui se passou, dou os parabéns à Organização e, quando pretenderem voltar, as nossas portas estarão sempre abertas a recebê-los e a colaborar com eles.”

José Manuel Sinogas
Presidente da Câmara Municipal de Mora
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LUÍS SANTOS: “AS PEÇAS TODAS QUE ENCAIXAM”

“Como Presidente do CPOC, os meus sentimentos são todos como responsável deste grupo que juntámos aqui. As minhas responsabilidades como Director-Técnico da prova foram efectivas, mas a minha percepção é mais global e não se cinge exclusivamente à parte técnica. Nesta perspectiva, aquilo que posso afirmar é que me sinto completamente realizado. Acho que só tinha tido esta sensação quando organizámos aqui um evento internacional em 2006, embora agora, claramente, a escala seja bem diferente.”

“Esta equipa trabalhou muito bem. Não vou citar nomes, somos cerca de 80 elementos e o espírito do grupo foi fantástico. Parafraseando um dos nossos elementos, são “as peças todas que encaixam”, e só estou a citá-lo porque não encontro melhor forma de descrever a dinâmica no seio deste grupo.”

“Optámos por um evento progressivo, começando por um mapa mais suave, um segundo mais físico mas não tão técnico e depois guardar os melhores mapas para os últimos dias, seguros do impacto positivo que isso traria. Foi uma opção clara da nossa parte em não escolher quatro terrenos desta qualidade, pensando que seria um exagero de mapas muito técnicos.”

“Fizemos uma aposta clara para que o World Ranking Event fosse em Distância Longa. Para tal, tivemos que nos cingir à regra da IOF que determina um mapa à escala de 1:15 000. Gostaríamos de ter feito aqui a prova WRE a 1:10 000 já que ninguém ia conseguir ler este terreno a 1:15 000. Mas para evitar problemas e dada a dimensão deste evento, optámos por levar a prova de Distância Longa para a Serra de Briços e para terrenos melhor cartografáveis a 1:15 000. Na minha opinião, esta imposição da IOF é castradora e deve mudar. Este mapa do Monte do Remendo é a prova provada de que algo deve ser feito nesse sentido.”

“Foi essencial o apoio no terreno da Câmara Municipal de Mora. Sem esse apoio, nunca teríamos conseguido fazer as coisas com este detalhe e com este nível de qualidade. Tivemos connosco, a tempo inteiro, dez a quinze pessoas da Câmara. E quero frisar, a tempo inteiro! Tivemos as pessoas, tivemos as casas delas se preciso fosse, tivemos a sua ajuda de corpo e alma. Quando viemos pela primeira vez para Mora, assinámos um protocolo com a Câmara Municipal que culminava com este Portugal O’Meeting. Neste momento já temos uma prova da Taça de Portugal agendada para aqui e é nossa intenção potenciar estes mapas e criar condições para que a Orientação se mantenha e desnvolva aqui. E que seja aproveitada pelos melhores atletas internacionais, que agora vão espalhar a palavra e todos irão ouvir falar destes mapas magníficos.”

“Agora vou parar para respirar durante uma semana e depois encarar os novos desafios que se colocam ao CPOC. E o grande desafio é a candidatura ao Campeonato Ibérico de 2010, daqui a sensivelmente um ano e meio. Se nos for atribuída a sua Organização, teremos de novo esta grande equipa deslocada, agora para perto da fronteira, num concelho da Serra da Estrela que não vou referir ainda qual é.”

Luís Santos
Director Técnico do Portugal O’Meeting 2009
Presidente do Clube Português de Orientação e Corrida
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Saudações orientistas.
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JOAQUIM MARGARIDO
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POM'09 DAY4: NO LAVAR DOS CESTOS


Mas a competição neste Portugal O’Meeting não se resumiu aos escalões de Elite. Houve resultados para todos os gostos e, entre os muitos estrangeiros que subiram ao pódio, houve algumas saborosas surpresas bem portuguesas.

Começando pelos escalões de Formação, merece particular destaque a vitória de Manuel Horta (GafanhOri), no escalão H20. Uma vitória com um sabor muito especial para o jovem e promissor atleta, sobretudo por ter sido alcançada na sua terra, Pavia. Uma vitória retumbante, “arrancada a ferros” ante adversários de tanto valor como Michal Olejnik (Polish Júnior Team), Pol Rafols Perramon (GD4Caminhos), Rasmus Kiilerich Kragh (SunO / Denmark Team) ou os portugueses João Mega Figueiredo (CN Alvito) e David Sayanda (Ori-Estarreja). Efusivamente saudada, Rita Rodrigues (GafanhOri) foi a outra presença portuguesa no lugar mais alto do pódio, no escalão D17. Vitórias no 2º e 3º dias, um 2º lugar no 4º dia e um 5º lugar a abrir o POM conferiram-lhe um saboroso triunfo ante uma cada vez mais surpreendente Vera Alvarez (CPOC).

Em H13, a vitória foi para Pierre Martinez (BROS), com Nélson Santos (OriMarão) e João Pedro Casal (Ori-Estarreja) a secundarem o pequeno gaulês no pódio. Também em D13 se assistiu a uma presença francesa no lugar mais alto do pódio. Julie Roulleaux (Club Orientacion Loisirs) venceu, seguida de Inês Alves (GD4Caminhos) e de Rute Coradinho (GafanhOri). Os suíços Joël Borner e Sandrine Müller, ambos da turma OLV Zug, levaram de vencida os escalões de H15 e D15, respectivamente. Tiago Baltazar (GDU Azóia) foi 2º em H15, seguido de João Cascalho (GafanhOri). Nas D15, o emblema da GafanhOri voltou a merecer destaque especial, com Inês Catalão a ocupar o terceiro lugar. O eslovaco Robert Barcik (SunO / KOBRA) venceu em H17, com Rafael Miguel (Ori-Estarreja) a ser o melhor português na 5ª posição. A super-favorita Emma Klingenberg (Sun O / Denmark Team) triunfou em D20, escalão no qual Joana Costa (GD4Caminhos), graças a um POM’09 espectacular, arrancou um brilhante 2º lugar.

Bruno Fundo e Laurinda Alves, ambos do OriMarão, levaram a melhor em Jovens M/F B. Pekka Huusari e Salla Tiihonen, atletas finlandeses do Lahden Suunnistajat, foram os vencedores nos escalões H21A/D21A, com Davide Machado (.COM) na 7ª posição e Isabel Bonifácio (GD4Caminhos) no 9º lugar a cotarem-se como os melhores portugueses. Vitórias portuguesas também em H21B/D21B, graças aos excelentes desempenhos de Orlando Barros (GDE) e Rita Guilhoto (ATV).

E quanto aos Veteranos…

Passando aos escalões de Veteranos, também aqui a supremacia foi dos atletas estrangeiros, com uma ou outra saborosa surpresa de permeio. O destaque vai inteirinho para a vitória de Santos Sousa (ADFA), no escalão H45, com Manuel Luís (CP Armada) a alcançar, também ele, um honroso terceiro lugar neste escalão. Em H35/D35, vitórias de Pekka Lauri (Keravan Urheilijat) e de Sabrina Meister (OLG Dachsen), com Jorge Correia (ADFA) e Anabela Vieito (COC) a serem os melhores portugueses nos 2º e 5º lugares, respectivamente. Quanto aos escalões H40/D40, vitórias de Alastair Landels (Auckland OC) e Cornelia Müller (OLV Zug), com Xavier Vieira (CA Madeira) na 3ª posição e Teresa Marques (AA Mafra) em 8º lugar a cotarem-se como os nossos melhores representantes. Em D45, a sueca Pia Gustafsson (Linkopings OK) foi a grande vencedora, com Luísa Mateus (COC), na 7ª posição, a ser a melhor portuguesa.

Daqui para a frente só deu mesmo estrangeiros. Per-Olof Derebrant (AnebySOK) e Line Roirand (Crensoa) triunfaram em H/D 50, Bjoern Grinde (Nydalens SK) e Paulina Majova (SunO / KOBRA) em H/D55, Etienne Bousser (CS Eis) e Paula Honkavaara (Delta) em H/D 60, Roland Nilsson (G50) e Torid Kvaal (Freidig) em H/D65, Gunnar Østerbø (Freidig) e Gudrun Broman (GMOK) em H/D 70, Sture Pettersson (G50) e Barbro Rydén (SOL Tranås) em H/D75 e Birger Garberg (TT Tur / Ringerike OL) e Pen Harwood (Moravian OC), em H/D80. Quanto aos melhores portugueses, Albano João (COC) foi o 12º classificado no escalão H50, Isabel Monteiro (COC) alcançou um excelente 7º lugar em D50, Manuel Dias (Individual) e Jacinto Eleutério (ADFA) foram, respectivamente, 6º e 7º classificados em H55, Maria São João (CLAC) alcançou o 9º lugar em D55, Francisco Coelho (Clube TAP) foi o 18º classificado em H60 e Armadino Cramez (Ori-estarreja) alcançou o 11º lugar em H65. Fica ainda a curiosidade de Edlef Bandixen (SwissO T / OLG Schaff), segundo classificado no escalão H80, ter sido o mais idoso atleta em competição, com a bonita soma de 82 anos. Em termos absolutos, porém, o atleta mais idoso foi uma senhora de 92 anos, participando nos escalões abertos apenas no primeiro dia de provas e integrando o grupo da terceira idade da Câmara Municipal de Mora.



Vitória colectiva do GD 4 Caminhos

Em termos colectivos, a vitória pertenceu ao Grupo Desportivo 4 Caminhos com um total de 6720,2 pontos. Para tal, muito terão contribuído os preciosos pontos alcançados pelos seus reforços internacionais, casos do romeno Ionut Zinca, da espanhola Ona Rafols ou dos polacos Wojciech Dwojak e Wojciech Kowalski. Com 6311,9 pontos, o Clube de Orientação do Centro concluiu na segunda posição, cabendo o terceiro lugar ao Clube Ori-Estarreja com 6144,1 pontos. A ADFA foi quarta classificada com 5248,1 pontos, logo seguida do SunO /Denmark Team, com 5187,7 pontos, e do GafanhOri, com 4079,2 pontos. Classificou-se um total de 257 clubes ou selecções.


No “lavar dos cestos”, foram muitos aqueles que quiseram prolongar um espaço e um tempo magníficos, desfrutando do radioso sol que inundava a bela e vasta Arena. O Orientovar foi ao encontro de algumas opiniões e registou um sentimento generalizado de enorme satisfação. Annika Björk (Helsingin Suunnistajat) manifestava assim o seu contentamento: “Tecnicamente devo ter feito uma das melhoras corridas da minha carreira. O terreno era muito difícil e corri como um deus (risos). O mapa de hoje era perfeito, o mapa mais fantástico que alguma vez corri. E depois este tempo e esta fantástica Organização… Penso que é ainda melhor que na Suécia. Não há nada a apontar, é realmente fabuloso estar aqui”. Baptiste Rollier (SunO / Swiss OTeam) afinava pelo mesmo diapasão: “Numa primeira análise dos mapas, poderíamos pensar que era sempre a mesma coisa, sem encerrar grandes desafios. Mas no terreno vemos que não é isso que se passa e são realmente muito técnicos. É excelente estar aqui nesta altura do ano, sem neve, com uma óptima temperatura.”

Uma das grandes figuras presentes em Mora, a checa Dana Brozkova (O-Portugal / Czech O-Team), Campeã do Mundo de Distância Longa WOC 2008, era a imagem da satisfação: “Adorei a prova. Era muito técnica, com algumas partes realmente desafiantes. Cometi alguns pequenos erros, não corri de forma fluida mas gostei muito e o mapa é excelente. Treinar e competir aqui é muito bom. Na República Checa não temos terrenos assim tão bonitos. O tempo também está incrível, com este sol e este calor. O tempo e os terrenos são perfeitos. Agora só penso em recuperar as seis semanas de paragem por causa do meu Tendão de Aquiles e espero conseguir uma medalha nos próximos Campeonatos do Mundo.”

“Uma grande experiência de Orientação”

Também Ona Rafols (GD4C) se mostrava muito satisfeita com o Portugal O’Meeting: “Gostei muito, muito, muito do mapa. Muito técnico, corri muito bem mas… perdi-me (risos). Num sítio com muita gente, muitas balizas, um caos. Apesar disso gostei mesmo muito. O Portugal O’Meeting foi uma excelente experiência, estiveram aqui imensos estrangeiros e isso deu-me a possibilidade de estabelecer algumas comparações com os outros e de aprender também. Gostaria muito de voltar a esta zona para treinar. Os mapas são fantásticos. E espero também regressar a Portugal para competir uma ou outra vez. Tentarei articular com o calendário de provas em Espanha e tudo farei para conseguir vir cá mais vezes.”

Finalmente, o mais sucinto possível, Neil Northrop (South Yorkshire Orienteers) descreveu tudo o que sentia numa frase sucinta: “Uma corrida muito boa, uma navegação muito intensa o tempo todo, uma grande experiência de Orientação.”

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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POM'09 DAY4: VITÓRIAS EM FAMÍLIA


Se é que ainda existiam, as dúvidas acabaram por se dissipar. Os louros da vitória vão para a Dinamarca, pela mão dos irmãos-gémeos Rasmus R. Søes e Signe Søes. O Portugal O’Meeting termina da melhor forma, em verdadeira apoteose.

O melhor estava reservado para o último dia de provas. Contíguo ao da véspera e estendendo-se para leste, o mapa do Remendo / Caeira revelou-se absolutamente fabuloso, transformando a prova de Distância Intermédia num desafio de puro prazer e proporcionando a mais gratificante experiência orientística destes quatro dias de provas a todos quantos tiveram o privilégio de participar no Portugal O’Meeting 2009. E foram muitos, precisamente 1581 de acordo com os números oficiais da Organização, fazendo desta 14ª edição do POM a mais participada da história do evento.

“Um excelente arranque da temporada”

Com a esmagadora maioria dos atletas suíços de partida e a luta pela vitória no escalão de Elite Masculina resumida a três candidatos, Rasmus R. Søes (The Real Danish Dynamite) fez uma prova perfeita e somou à vitória na etapa a vitória no Portugal O’Meeting 2009 com um total de 3750.82 pontos. Cumprindo os 12,9 km e 43 pontos de controlo(!) no tempo de 1.02.54, o atleta dinamarquês superiorizou-se aos seus mais directos adversários, granjeando os pontos necessários para garantir a vitória final.

Num primeiro comentário à vitória no POM’09, Rasmus R. Søes começaria por afirmar: “Treinei muito durante o Inverno e está aqui o resultado desse esforço. Confesso que não estava à espera de ganhar. Enfrentei adversários com muito valor mas fiz muito boas corridas e estou realmente feliz”. Fazendo um balanço da sua participação no evento, o atleta dinamarquês adiantou que “a primeira prova foi boa mas cometi demasiados erros na segunda e senti-me realmente frustrado. Também fiquei algo desapontado com esses dois primeiros mapas. Mas nos últimos dois dias estive muito bem, fiz duas corridas excelentes, os mapas eram perfeitos, logo…” E a terminar: “Vencer o Portugal O’Meeting constitui um excelente arranque da temporada mas há ainda muito trabalho pela frente. Quero estar em forma quando chegar ao Verão, já que o meu objectivo passa por chegar ao top-10 nos Campeonatos do Mundo.”

Ionut Zinca “apenas” segundo

Ionut Zinca foi o 7º classificado na prova com 1.06.17, acabando por ter de se contentar com o 2º lugar, a 32.55 pontos do vencedor. Para o romeno, que desde 2007 representa em Portugal o Grupo Desportivo 4 Caminhos, “a prova não me correu particularmente bem mas, apesar de tudo, gostei imenso dos últimos dois dias de competição. O mapa de hoje, então, era fantástico e, em minha opinião, deveria ter sido o escolhido para a prova WRE. Apesar de não me terem agradado os mapas dos dois primeiros dias, muito pouco técnicos, gostaria de felicitar a Organização do Portugal O’Meeting pelo evento excelente e pelos magníficos dias que nos proporcionou.”

O eslovaco Lukas Bartak (SunO / KOBRA) quedou-se pelo 9º lugar com 1.06.32, caindo para o terceiro lugar na classificação geral final com um total de 3702.27 pontos. Com um excelente 3º lugar na prova de Distância Intermédia, o polaco Wojciech Dwojak (GD4Caminhos) viria a garantir a 4ª posição final com 3638.01 pontos, cabendo o lugar imediato, com 3533.54 pontos, ao jovem sueco Jesper Lysell (Rehns BK), de apenas 19 anos, que surgia aqui na 471ª posição do ‘ranking’ mundial e acabou por ser a grande surpresa deste Portugal O’Meeting 2009. Muito rotinado nestas andanças, Joaquim Sousa (COC) acabou por ser o melhor português, concluindo num excelente 10º lugar com um total de 3378.38 pontos.

Signe Søes segura vantagem

Passando ao escalão de Elite Feminina, o último dia de provas não trouxe mexidas substanciais na Classificação Geral. A dinamarquesa Signe Søes (SunO / Denmark Team) voltou a não estar nos seus melhores dias, concluindo os 10,1 km de prova (37 pontos de controlo) em 1.02.04, o que lhe valeu a 5ª posição. Todavia, a vantagem acumulada nos dias anteriores mantiveram-na a salvo de qualquer percalço e acabou por ter a primazia de subir ao lugar mais alto do pódio neste Portugal O’Meeting, com um total de 3753,49 pontos.

Plena de amabilidade e simpatia, Signe Søes falou à nossa Reportagem para confessar que “foi muito bom vencer o Portugal O’Meeting. Nos últimos dois dias não corri tão bem e não estou muito satisfeita com o meu desempenho. Cometi demasiados erros e, quando assim é, as coisas tornam-se mais difíceis, o terreno parece todo igual. Foi mesmo estúpido. Penso que acusei o cansaço em demasia.” À semelhança do irmão Rasmus, também Signe reconhece que “a competição foi excelente e estou fascinada com estes terrenos. Tivemos sempre terrenos diferentes e que proporcionavam uma corrida rápida. O tempo esteve também perfeito e penso que foi tudo realmente muito bom.” E acrescenta: “Não sabia que adversárias iria encontrar aqui e não estava segura de ganhar o Portugal O’Meeting. Julgo que se a Simone [Niggli] tivesse corrido todas as provas, provavelmente seria ela a vencedora. Assim, fui eu…” Perspectivando a sua temporada, Signe Søes conclui: “Tento fazer o meu melhor e os objectivos passam sempre por alcançar um lugar no pódio. Se se é o 6º ou o 1º, depende dos dias e dos adversários. Correr sem cometer erros, esse é o meu grande objectivo.”

Maja Alm vence etapa, mas...

No que aos lugares imediatos diz respeito, também não se verificaram alterações de vulto. O terceiro lugar na prova de Distância Intermédia, com o tempo de 57.53, permitiu à atleta suiça Vroni Konig-Salmi conservar a segunda posição final, com um total acumulado de 3698,48 pontos. Naturalmente feliz com o seu desempenho, a veterana atleta suiça (nascida na Nova Zelândia e que completará 40 anos no próximo dia 6 de Julho) começou por confessar: “Vim a Portugal sobretudo para fugir um bocado à neve e foi excelente este segundo lugar, sobretudo face a adversários tão bons. Não fiquei nada satisfeita com a minha prestação de ontem mas, dum modo geral, estou contente. Hoje, em particular, fiz uma corrida muito boa e o mapa também era muito bom. Aliás, todos os mapas eram muito bons e gostei imenso de todos eles.” E em relação aos desafios que a esperam, acrescentou: “Agora devo concentrar-me nas grandes competições. Se conseguir um lugar na Selecção da Suíça, nas Estafetas, acho que poderei aspirar a entrar no top-10 mundial.”

A vitória na etapa coube à dinamarquesa Maja Alm (SunO / Denmark Team), com o fantástico registo de 56.52. Contas feitas, os 1000 pontos da vitória deixaram-na a escassa meia dúzia de pontos da sua mais directa rival, ainda assim insuficientes para ascender ao segundo posto. Com 3554.41 pontos, a norueguesa Anne Marie Bleken (SunO / Bækkelaget SK) concluiu na quarta posição da Classificação Geral final, cabendo o quinto posto à finlandesa Karoliina Sundberg (LYNX) com um total de 3500.98 pontos. Ona Rafols, atleta catalã que representa o Grupo Desportivo 4 Caminhos, terminou num honroso 11º lugar com 3083.17 pontos, enquanto Maria Sá, igualmente do Grupo Desportivo 4 Caminhos, foi a melhor portuguesa, ocupando a 22ª posição com 2827.75 pontos.

Pode acompanhar o grande protagonista do Portugal O’Meeting, o dinamarquês Rasmus R. Søes, consultando a sua página pessoal em
http://rasmussoes.blogspot.com/. Não deixe de visitar igualmente a página de outra das grandes protagonistas do POM’09, a suiça Vroni Konig-Salmi, em http://www.konig-salmi.com/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

POM'09 DAY3: IONUT ZINCA E NIAMH O'BOYLE VENCEM ORIENTEERING SHOW


As balizas tomaram conta do campo de futebol. Não as duas convencionais, em extremos opostos, mas quase uma vintena delas, prismáticas e bem mais simpáticas, de branco e laranja vestidas, baloiçando ao vento na tarde morna. Foi assim o Orienteering Show, um puro divertimento que a Organização do Portugal O’Meeting 2009 fez questão de montar no Campo de Jogos da Vila do Cabeção.

Surgiu na Rússia em 2002, pela mão de Maxim Ryabkin e teve como objectivo principal a promoção da modalidade. Aliando simplicidade e eficácia, o Orienteering Show necessita apenas dum terreno delimitado (pavilhão, campo de futebol, etc.), com condições que permitam ao espectador seguir a prova do princípio ao fim, acompanhar os comentários e ser parte integrante do ambiente de grande festa e animação. Aqui está uma bela maneira de tornar a Orientação mais acessível aos espectadores e ainda mais espectacular.

Foi este o princípio seguido pela Organização do Portugal O’Meeting 2009, centrando as atenções na Vila de Cabeção, na tarde deste terceiro dia de provas. As cerca de duas centenas de participantes de ambos os sexos souberam aproveitar a oportunidade e transferiram para o reduzido espaço do Campo de Jogos toda a sua enorme energia e alegria, fazendo deste tempo um tempo de festa e convívio. A entusiástica assistência foi incansável nos incentivos a vencedores e vencidos e estão todos de parabéns por mais este pedacinho de Orientação - claramente diferente, é certo! –, tão intensamente vivido.


“Apenas queria divertir-me”

Para que conste, a competição fez-se de eliminatórias, meias-finais e finais e os vencedores foram o romeno Ionut Zinca (GD4Caminhos) e a irlandesa Niamh O’Boyle (SunO / Irish OTeam). Concentrando já todas as atenções na decisiva prova de Distância Intermédia do último dia, Ionut Zinca falou à nossa Reportagem: “Não entrei com a ideia de ganhar. É verdade que estar na final era o meu objectivo mas estive sempre muito tranquilo, sem grandes pressões, apenas queria divertir-me”. Para o atleta romeno, “o segredo talvez possa residir no facto de habitualmente correr sem bússola e isso pode ter facilitado as coisas nos momentos em que necessitava de me orientar. Já tinha feito duas provas do género em Espanha e a experiência adquirida aí também pode ter contado um pouco. Acabei por vencer e estou muito satisfeito.”

Com o Portugal O’Meeting 2009 a caminhar a passos largos para o final, a Organização do evento volta a mostrar atenção ao detalhe, indo ao encontro de outros gostos e outras sensibilidades e continuando a acumular pontos muito positivos a seu favor. É certo que os mais conservadores continuarão a ver este tipo de iniciativas com sérias reservas; ainda assim, poderá sempre argumentar-se que “é Carnaval e ninguém leva a mal”.

Confira as impressões pessoais de Ionut Zinca na sua página on-line em
http://fubynews.blogspot.com/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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POM'09 DAY3: MATTHIAS MERZ E SIMONE NIGGLI REINCIDEM NAS VITÓRIAS


Um dia diferente, um mapa diferente, uma distância diferente. Porém o mesmo sol e calor, a mesma vontade de mostrar mais e melhor Orientação e o mesmo resultado da véspera. Foi assim com Matthias Merz e Simone Niggli, duas forças da natureza a brilhar alto neste Portugal O’Meeting 2009.

Dobrada a primeira metade do Portugal O’Meeting 2009, as atenções neste terceiro dia de provas voltaram-se para Pavia, no extremo leste do concelho de Mora. Beijado pelo radioso sol, o verde da paisagem adquiriu aqui uma intensidade maior ainda, pontuado pelo cinzento dos arredondados blocos graníticos.

As rochas chegaram ao POM, tornando tudo mais intenso e desafiante e levando a competição ao rubro. A prova de Distância Média teve lugar em Remendo / S. Miguel com a proposta dum mapa onde a componente técnica se revelou em todo o seu esplendor. Um verdadeiro “pitéu” para muitos dos cerca de 1300 atletas que desfrutaram de mais esta bela jornada de Orientação.

O “bis” suiço

Recuperado do esforço da véspera, Matthias Merz (SunO / SwissOTeam) voltou a impor as suas enormes mais-valias físicas e técnicas, repetindo a vitória sobre os 125 adversários no escalão de Elite Masculina. O atleta suíço cumpriu os 7,2 km (29 pontos de controlo) em 28.38, relegando para a segunda posição, com mais 42 segundos, o líder do ‘ranking’ mundial, seu compatriota e colega de equipa, Daniel Hubmann. A terceira posição coube ao dinamarquês Rasmus R. Søes (The Real Danish Dynamite), com o tempo de 30.07. Ionut Zinca, o romeno que representa o Grupo Desportivo 4 Caminhos arrancou um excelente 4º lugar com 30.25, enquanto Albino Magalhães (GD4Caminhos) se cotou como o melhor português, na 30ª posição, com 33.07.


Simone Niggli imitou o seu companheiro de equipa e voltou a vencer. Batendo-se contra 82 adversárias, a atleta suiça concluiu os 5,1 km do percurso (21 pontos de controlo) em 26.30. Atrás de si classificou-se a checa Eva Jurenikova (O-Portugal / Czech O-Team), com mais 1.14, enquanto a dinamarquesa Maja Alm (SunO / Denmark Team) foi terceira classificada, com 28.48. Menos bem que nos anteriores dias, Signe Søes (SunO / Denmark Team) quedou-se pelo 13º lugar, com 31.02. Ona Rafols, a atleta catalã que representa o Grupo Desportivo 4 Caminhos, concluiu na 20ª posição com 32.09 e Patrícia Casalinho (COC) foi a melhor portuguesa, na 35ª posição, com 36.35.

Elite Masculina ao rubro

Nos escalões de Formação, Gonçalo Pirrolas (Ori-Estarreja) venceu em H13 e Rita Rodrigues (GafanhOri) repetiu a vitória da véspera em D17. Bruno Fundo (Jovens M B), Laurinda Alves (Jovens F B) e Isabel Gonçalves (Veteranos F B), todos do OriMarão, levaram de vencida os escalões respectivos. Orlando Barros (GDE) e Rita Guilhoto (ATV) venceram em H21B e D21B, respectivamente, enquanto Santos Sousa (ADFA) foi de novo o mais forte em H45.

Com uma prova por disputar, a competição está agora mais renhida que nunca no que à Elite Masculina diz respeito. Ionut Zinca (GD4C) comanda a Classificação Geral com 2769.31 pontos, seguido do eslovaco Lukas Bartak (SunO / KOBRA) com 2756.88 pontos e do dinamarquês Rasmus R. Søes (The Real Danish Dynamite), com 2750.82. Nas senhoras tudo parece estar mais definido. Signe Søes (SunO / Denmark Team), com 2837.27 pontos, apresenta já uma clara vantagem sobre as demais competidores e parece estar a um pequenino passo de vencer o POM’09. Com 2716.04 pontos, a suiça Vroni Konig-Salmi (SunO / TUS) ocupa a segunda posição enquanto o terceiro lugar está na posse de outra dinamarquesa, Maja Alm (SunO / Denmark Team) com 2692.73 pontos.

Pode acompanhar as reacções oficiais às excelentes prestações dos atletas suiços e dinamarqueses nas páginas das respectivas Federações em http://www.swiss-orienteering.ch/
e em
http://www.do-f.dk/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

POM'09 DAY 2: TÊM A PALAVRA OS VENCEDORES


Ao encontro do Portugal O’Meeting 2009 e dos vencedores da prova de Distância Longa WRE, o Orientovar ouviu as impressões dos grandes protagonistas da jornada, Matthias Merz e Simone Niggli. Dessas curtas conversas aqui se reproduz o essencial.


SIMONE NIGGLI: “É SEMPRE MUITO BOM VOLTAR A PORTUGAL”

Orientovar - Que significado atribui a este regresso às vitórias?

Simone Niggli - Estou realmente muito feliz. Fiz uma prova muito boa mas, evidentemente, esta vitória tem uma importância relativa. Não é o mesmo que ganhar os Campeonatos do Mundo em Agosto, mas passa por ser muito importante em termos pessoais e dá-me uma enorme confiança para os grandes desafios que irão surgir.

Orientovar - Quando voltaremos a ver Simone Niggli de novo na liderança do ‘ranking’ mundial?

Simone Niggli - Fisicamente ainda estou algo longe da melhor forma mas estou a trabalhar arduamente de maneira a poder estar no topo, de novo, quando chegarmos ao Verão. Há um caminho longo a percorrer até me encontrar à altura de lutar pelas medalhas nas competições mais importantes mas sinto uma enorme motivação para atingir esse objectivo.

Orientovar - Que apreciação faz deste Portugal O’Meeting?

Simone Niggli - Boa organização, bons mapas, excelente competição… Tudo perfeito! E depois há este sol e este calor (risos)… É sempre muito bom voltar a Portugal e fá-lo-ei, certamente, muitas mais vezes.


MATTHIAS MERZ: “COMPETIR AQUI É PERFEITO”

Orientovar - Algum significado especial esta vitória, perante adversários tão fortes?

Matthias Merz - Hoje não foi difícil bater o Daniel Hubmann (risos). Claro que é sempre importante ganhar, sobretudo quando os adversários são desta craveira. A selecção da Suiça tem elementos muito fortes, a competição é muito grande e uma vitória nestas circunstâncias tem sempre um significado muito especial.

Orientovar - Como é que está a decorrer a estadia em Portugal?

Matthias Merz - Tem sido qualquer coisa. Tenho-me sentido muito bem e aproveitado para fazer alguns treinos excelentes nesta temporada de Inverno. Tive alguns pequenos problemas com os meus pés no início mas agora tudo parece estar bem. Julgo que este tempo e o tipo de terrenos também ajudam. Na verdade, os mapas e os terrenos são muito bons e, claro, o tempo está fantástico. As condições na Suiça ainda estão longe de ser as ideais, há imensa neve e muito gelo ainda nas estradas e caminhos. Realmente, nestas condições, com uma excelente organização e tudo tão agradável, competir aqui é perfeito.

Orientovar - Quais os objectivos para a temporada que agora começa?

Matthias Merz - Não estamos sequer no início da temporada e há um longo caminho a percorrer até chegarem as grandes competições em Junho. Os momentos altos são, naturalmente, o Campeonato Nórdico, os Campeonatos do Mundo e a Taça do Mundo. Sinto-me ainda distante da melhor forma mas estou no bom caminho e espero atingir um bom momento quando chegarmos ao Verão.

Para ficar a conhecer melhor Matthias Merz e Simone Niggli e saber as suas opiniões acerca deste Portugal O’Meeting, visite as páginas respectivas em
http://www.matthiasmerz.ch/ e http://www.simoneniggli.ch/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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POM'09 DAY 2: MATTHIAS MERZ E SIMONE NIGGLI IMPARÁVEIS


A “armada” suiça estreou-se no Portugal O’Meeting, com um duplo triunfo no escalão de Elite. Um desconcertante “missing point”, fez com que o líder do ‘ranking’ mundial, Daniel Hubmann, abrisse as portas à vitória do seu compatriota Matthias Merz. Nas senhoras, Simone Niggli provou que, aos poucos, a boa forma está de regresso.

A mais aguardada prova deste Portugal O’Meeting 2009 não defraudou a expectativas. Num mapa espraiado pelas suaves encostas da Serra de Briços, a prova de Distância Longa WRE (pontuável para o ‘ranking’ mundial da modalidade) funcionou como um claro desafio sobretudo às capacidades físicas dos atletas. Algumas pernadas XXL e o calor a apertar à medida que o tempo foi passando (no escalão de elite, Alexandre Alvarez foi o último a partir, marcava então o relógio as 14h24) desenharam-se como os grandes obstáculos a transpor, já que tecnicamente a prova mostrou não encerrar dificuldades de maior.

A afluência de atletas foi enorme, registando-se um total de 1440 participantes, distribuídos por quatro escalões abertos e 37 escalões de competição. Destes últimos, os escalões de Elite acabaram por ser os mais participados, com 151 presenças no sector masculino e 89 no feminino.

Dupla vitória para a Suiça

Começando precisamente pelo sector masculino, o mais que se pode dizer é que o seleccionado suíço não concedeu veleidades à concorrência, colocando três atletas seus nas três primeiras posições. Matthias Merz esteve imparável, completando os 16,4 km de prova (32 pontos de controlo) em 1.23.28. Um triunfo claríssimo do nº 5 do ‘ranking’ mundial e 3º classificado da Taça do Mundo em 2008, deixando Marc Lauenstein e Baptiste Rollier a distantes 5.22 e 6.14, respectivamente. Vencedor da prova de abertura deste POM’09, o eslovaco Lukas Bartak (SunO / KOBRA) alcançou um excelente 6º lugar com 1.33.30, enquanto o romeno Ionut Zinca, representando a turma portuguesa do Grupo Desportivo 4 Caminhos, esteve igualmente muito bem, concluindo na 14ª posição com 1.37.10. Quem não esteve particularmente feliz foi o número 1 do ‘ranking’ mundial, o suíço Daniel Hubmann, que deitou tudo a perder com um “mp” logo no 6º ponto, gorando as expectativas. As suas, naturalmente, mas também as de todos aqueles – e eram muitos! – que o apontavam como o grande favorito à vitória final.


No sector feminino, Simone Niggli (SunO / SwissOTeam) vai regressando, paulatinamente, à boa forma. A pausa devida ao nascimento da pequenina Malin tem naturais repercussões de ordem física, mas a atleta suiça – incontestavelmente a melhor orientista de todos os tempos – mostra-se determinada em recuperar rapidamente o tempo perdido e, sobretudo, em reaver o ceptro “roubado” pela finlandesa Minna Kauppi em Setembro do ano passado e que foi seu ao longo de 323 semanas consecutivas. A vitória de Simone Niggli, todavia, foi tudo menos fácil, já que a sua compatriota e colega de equipa Vroni Konig-Salmi e a dinamarquesa Signe Søes (SunO / Denmark Team) tudo fizeram para contrariar o seu êxito. Simone até partiu melhor, mas uma desatenção logo no terceiro ponto fez com que o comando fosse parar às mãos de Konig-Salmi. A meia da prova, que compreendeu 27 pontos de controlo para uma distância de 12,5 km, o jogo a três mãos encontrava-se ao rubro. No ponto 16, a diferença entre as três atletas era de apenas 8 segundos (46.41 para Konig-Salmi, 46.46 para Signe Søes e 46.49 para Simone Niggli) e foi já no ponto 20 que a “campeoníssima” suiça tomou a dianteira para não mais a largar. Impressionante de força e garra, viria a terminar com um tempo final de 1.20.42, contra 1.22.04 de Signe Søes e 1.22.08 de Vroni Konig-Salmi. Eva Jurenikova (O-Portugal / Czech O-Team), a quarta classificada, viria a gastar mais 9.03 que a vencedora enquanto Raquel Costa (GafanhOri), de novo a melhor portuguesa, faria o tempo de 1.50.13, garantindo a 26ª posição.

No melhor pano…

Nos restantes escalões, Nélson Alves (OriMarão) foi o brilhante vencedor em H13, o mesmo sucedendo com Rita Rodrigues (GafanhOri) em H17. Jorge Oliveira (COC) e Santos Sousa (ADFA) chamaram a si o triunfo em H40 e H45, respectivamente. Em Jovens M B, a vitória sorriu a David Sousa (ADFA), enquanto Laurinda Alves e Nélson Santos, ambos do OriMarão, repetiram as vitórias da véspera, respectivamente em Jovens F B e H21B. Finalmente, refiram-se os triunfos de Vera Dias (COA) em D21B e de Paula Rodrigues (CMO Funchal) em Veteranos F B.

Para que conste, o dia terminou com o Jantar Oficial, num restaurante do centro da vila de Mora. Decisivamente a “nódoa” que (sempre?) cai no melhor pano.

Consulte os resultados da prova de Distância Longa WRE
AQUI.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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POM'09 DAY1: LUKAS BARTAK E SIGNE SØES ENTRAM COM O PÉ DIREITO


Lukas Bartak e Signe Søes entraram com o pé direito na edição 2009 do Portugal O’Meeting. A Mata Nacional do Cabeção foi o esplendoroso palco da prova de Distância Média e a competição esteve ao rubro.

O dia amanheceu radioso, com sol e céu azul e a promessa de temperaturas amenas nesta Primavera antecipada. Referência incontornável para os amantes da Orientação, o Portugal O’Meeting constituía pretexto para uma bela jornada e as atenções voltavam-se para o alentejano concelho de Mora. A 14ª edição do evento chamava 1300 atletas à Mata Nacional do Cabeção e arrancava sob os melhores auspícios.

Para este primeiro contacto com o evento, a Organização – a cargo do Clube Português de Orientação e Corrida, com o apoio inestimável da Câmara Municipal de Mora e da Federação Portuguesa de Orientação – propôs uma prova de Distância Média. Num espaço de enorme beleza, feito de suaves declives, pontuado por manchas de sobreiros e de pinheiros mansos e estendendo aos pés verdadeiros tapetes de fina relva ou de macia caruma, o mapa não suscitou grandes desafios de ordem técnica, revelando-se muito rápido e a fazer apelo às mais-valias físicas de cada um.

Vitória apertada de Lukas Bartak

Demonstrando uma excelente adaptação às condições climatéricas, o eslovaco Lukas Bartak (SunO / Kobra) soube tirar partido da sua enorme velocidade (foi 4º classificado na prova de Sprint do Campeonato do Mundo WOC 2008), levando de vencida o escalão de Elite Masculina e cumprindo os 7,4 km do percurso (25 pontos de controlo) no bom tempo de 34.18. O norueguês Håvard Lucasen (SunO / Aas-UMB) concluiu na posição imediata, a apenas 12 segundos, com o sueco Anders Skarholt (Södertälje Nykvarn) a ser terceiro com mais 35 segundos que o vencedor. O internacional romeno Ionut Zinca, em representação do Grupo Desportivo 4 Caminhos, terminou na sexta posição com 35.24, enquanto o melhor português foi Pedro Nogueira (ADFA), 22º classificado com um registo de 39:14.


Na Elite Feminina, a dinamarquesa Signe Søes (SunO / Denmark Team) mostrou o porquê de ser, actualmente, a atleta com melhor cotação no ‘ranking’ mundial da modalidade entre todas quantas marcaram presença em Mora. Cumprindo os 6,0 km do percurso (26 pontos de controlo) no tempo de 34.41, Signe Søes deixou a distantes 2.12 a sua compatriota e colega de Selecção Maja Alm, segunda classificada. Na terceira posição, com 37.43, classificou-se a norueguesa Anne Marie Bleken (SunO / Bækkelaget SK). Em representação do Ori-Estarreja, a espanhola Carla Guillén concluiu na 25ª posição com 45:38 enquanto Raquel Costa (GafanhOri) foi a melhor portuguesa, ocupando o 28º lugar com 46.36.

Juniores polacos dominam Sprint Nocturno


Nos restantes escalões, destaque para as vitórias dos portugueses Tiago Baltazar (GDU Azóia) em H15, Vítor Delgado (GD4 Caminhos) em H40, Manuel Luís (CP Armada) em H45 e Manuel Dias (Individual) em H55. Bruno Fundo (Jovens M B), Laurinda Alves (Jovens F B), Nélson Santos (H21B) e Isabel Gonçalves (Veteranos F B), todos do Orimarão, venceram os escalões respectivos, o mesmo acontecendo com Rita Guilhoto (ATV), que triunfou em D21B, e Vítor Maia (DA Recardães), vencedor no escalão Veteranos M B.

Os momentos que se seguiram à prova foram aproveitados por muitos para repousar, bebendo na pele o delicioso sol da tarde calma. Outros aproveitaram para visitar o Fluviário de Mora, galardoado com o prémio Melhor Museu Português de 2008, um espaço dedicado ao rio, aos seus ecossistemas, à sua fauna e flora e que fazem dele o único Museu do género na Europa. À noite, 310 “resistentes” desfrutaram do mapa da Vila de Cabeção para um Sprint Nocturno Urbano, desafiando o frio e voltando costas ao ‘mediático’ Sporting vs. Benfica. Para a história ficam as vitórias de Mateusz Wenslaw e Hanna Wisniewska, ambos da Selecção Júnior da Polónia, respectivamente na Elite Masculina e Elite Feminina.

Consulte os resultados completos
AQUI.
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

PORTUGAL O'MEETING 2009: RASMUS E SIGNE SØES VITORIOSOS


Com uma dupla vitória dinamarquesa, chegou ao fim a 14ª edição do Portugal O’Meeting. Signe Søes e Rasmus R. Søes fizeram da regularidade a sua grande arma e souberam impor-se aos demais competidores.

Mora revelou-se um digno anfitrião do maior evento de Orientação Pedestre que tem lugar no nosso País, mostrando encanto no bem receber e dando a conhecer alguns dos seus mais belos e mágicos recantos. A ganhar saíram os mil e quinhentos participantes que, ao longo de quatro intensos dias, tiveram o privilégio de gozar o muito que este Portugal O’Meeting soube oferecer.

Demonstrando qualidade e capacidade organizativa, o Clube Português de Orientação e Corrida soube tornear naturais dificuldades e fazer destes quatro dias uma festa permanente. Excelentes mapas, percursos desafiantes, cenários de sonho e um tempo absolutamente primaveril constituíram ingredientes dum evento que ficará guardado na memória de muitos como um dos melhores jamais realizados em Portugal.

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Para os mais impacientes, sob a forma de 'slideshow', o Orientovar deixa uma pequena amostra do que foi este POM. Mas fica a promessa duma actualização detalhada ao longo dos próximos dias, mostrando gentes e lugares e dando a palavra aos grandes protagonistas. Fique atento, fique por aqui!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

VENHA CONHECER... ANA PORTA NOVA


Chamo-me… ANA Carreira PORTA NOVA
Nasci no dia… 07 de Agosto de 1986, em Lisboa
Vivo em… Mem Martins
A minha profissão é… Estudante
O meu clube… CPOC – Clube Português de Orientação e Corrida
Pratico orientação desde… 1996

Na Orientação…

A Orientação é… sem dúvida o melhor desporto que poderia existir!
Para praticá-la basta… espírito de aventura!
A dificuldade maior é… a parte física, quando não estamos bem preparados!
A minha estreia foi … em Alburitel, Ourém!
A maior alegria… quando fui chamada à Selecção de BTT!
A tremenda desilusão… é quando faço erros que só dependem de mim e não devia fazê-los!
Um grande receio… não poder fazer mais Orientação, por algum motivo!
O meu clube é … o melhor clube do Mundo!
Competir… é divertir-me!
A minha maior ambição é… algum dia ser Campeã Nacional!


… como na Vida!

Dizem que sou… amiga do meu amigo!
O meu grande defeito é… a teimosia!
A minha maior virtude… é a capacidade de adaptação às circunstâncias da vida!
Como vejo o mundo… a piorar, se as pessoas não acordarem do transe em que estão!
O grande problema social… o desemprego!
Um sonho… realizar todos os meus sonhos!
Um pesadelo… não conseguir ser feliz!
Um livro… “Chocolate”!
Um filme… “O Guardião”!
Na ilha deserta não dispensava… o meu namorado e a minha família!

Na próxima semana venha conhecer Vítor Almeida.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

POM'2009: O PORTUGAL O'MEETING EM ANTEVISÃO


Está aí a 14ª edição do Portugal O’Meeting. O concelho de Mora recebe, ao longo de quatro dias, a maior competição regular de Orientação Pedestre disputada no nosso País. A quarenta e oito horas do início da grande festa da orientação, o Orientovar espreita pelo buraco da fechadura e deixa-lhe algumas dicas interessantes.

Desde que a Orientação se implantou em Portugal, que os vários agentes responsáveis lutaram por terem eventos com qualidade e visibilidade. Uma das formas preconizadas para cativar os atletas mundiais e promover a modalidade além fronteiras seria a criação de um evento que pudesse estar inscrito no calendário oficial da IOF (Internacional Orienteering Federation) e que fosse agendado para uma altura em que esses atletas, na sua esmagadora maioria oriundos dos países nórdicos, pudessem aproveitar as benesses do suave clima para efectuarem treinos em Portugal. Foi com este intuito que em 1996, o clube AA Mafra (Amigos de Atletismo de Mafra) organizou o primeiro Portugal 'O' Meeting, na Tapada Militar de Mafra.

Desde então, muita coisa se alterou. O ano de 2000 marcou uma viragem neste evento quando, pela primeira vez, se desenrolou ao longo de 4 dias no período do Carnaval. O figurino “pegou de estaca” e o evento chega este ano ao Norte Alentejano, mais concretamente a Mora, pelas mãos do CPOC - Clube Português de Orientação e Corrida e com o apoio da Câmara Municipal de Mora e da Federação Portuguesa de Orientação.

O Programa

Prometidos que estão terrenos, mapas e percursos de enorme qualidade, preparados para satisfazer todo e qualquer padrão de exigência internacional, vale a pena atentar no vasto e riquíssimo programa. No primeiro dia de competição, sábado, terá lugar na Floresta Nacional do Cabeção a prova de Distância Média. O mapa, à escala de 1:10 000 (equidistância de 5 metros) é da responsabilidade de Luís Sérgio e percursos de Rui Botão. A prova desenrola-se em terrenos com relevo médio numa área de pinhal nacional sem elementos rochosos e terá o seu início a partir do meio-dia. Com o cair da noite, pelas 19:00, dar-se-á início na Vila do Cabeção à prova de Orientação Nocturna. Desenhado por Luís Santos, com percursos traçados por José Perleques, o mapa está à escala de 1:5 000 sobre área urbana no interior desta vila do concelho de Mora.

Domingo não é “gordo” apenas por ser de Carnaval, mas também porque se assistirá à disputa da ‘prova-rainha’ do programa, a Distância Longa WRE (evento a contar para o ‘ranking’ mundial). Serão mais de 1500 atletas (163 dos quais na elite masculina e 94 na elite feminina) a desfrutar do fabuloso mapa da Torre das Águias, na freguesia de Brotas. A cartografia é da responsabilidade de Alexandre Soares dos Reis e Valdemar Sendim e o planeamento de percursos tem a assinatura de Luís Santos. O mapa, à escala regulamentar neste tipo de provas de 1:15 000 (equidistância de 5 metros), estende-se por terrenos de montado alentejano com azinheiras e sobreiros, muitos pormenores de relevo mas com poucos elementos rochosos. As primeiras partidas estão agendadas para as 9h00.

As atenções na segunda metade do POM’2009 centram-se quase exclusivamente na freguesia de Pavia. O mapa de S. Miguel / Remendo recebe, a partir das 9h00, a prova de Distância Média de segunda-feira, em zona de montado alentejano, com pormenores de relevo e de vegetação, alguns elementos rochosos e corrida fácil. À escala de 1:10 000 (equidistância de 2,5 m), o mapa foi cartografado por Raquel Costa e Tiago Aires, com Tiago Aires a assinar igualmente o planeamento de percursos. O último dia levará os atletas ao mapa de Caeira / Casas Velhas / Remendo, para uma prova de Distância Intermédia. Contíguo ao da véspera e com detalhes de relevo, rochosos e de vegetação similares, o mapa – à escala de 1:10 000 (equidistância de 2,5 m) - volta a ser da autoria de Raquel Costa e Tiago Aires, com revisão de Luís Santos sobre parte já existente e percursos de Tiago Aires. Entretanto, na tarde de segunda-feira, a partir das 15h00, o Campo de Jogos da Vila do Cabeção recebe um divertimento incontornável. Trata-se duma prova de Orienteering Show, em mapa à escala de 1:500, com assinatura de Luís Santos e Nélson Graça e percursos, actualizados em cada eliminatória, da responsabilidade de Luís Santos.

Mas o POM’2009 não se esgota na vertente competitiva e, “para aquecer os motores”, os participantes terão ao seu dispor já amanhã, entre as 9h30 e as 16h00, um Evento de Treino (Model Event) no mapa das Azenhas da Seda, junto ao magnífico espelho de água da Barragem da Gonçala. Os 33 pontos de controlo disponíveis em três percursos distintos (Curto, Médio e Longo) constituem uma proposta irrecusável para aqueles que tenham a possibilidade de rumar a Mora com a devida antecedência e pretendam familiarizar-se com o terreno. Ao final da tarde de domingo terá lugar a entrega de prémios WRE seguida de Jantar Regional com animação cultural e para a tarde de segunda-feira, o Campo de Jogos da Vila de Cabeção será palco da entrega de prémios da prova de Orientação Nocturna Urbana e da prova de Orienteering Show. E porque tudo tem um fim, o POM’2009 encerrará na terça-feira, pelas 13h30, com a Cerimónia de Entrega de Prémios.

Os Artistas

Verdadeira parada de estrelas, o Portugal O’Meeting 2009 traz a Portugal a fina-flor da Orientação mundial. Portugal é, naturalmente, o país mais representado, com 732 atletas, sendo os restantes 774 estrangeiros. Suiça (142 atletas), Finlândia (118) e Noruega (117) desembarcam em força em Mora, tal como a Suécia (84), a Dinamarca (63) ou a França (63). A Espanha far-se-á representar por 37 atletas, a Inglaterra com 20, a Alemanha com 19, a Itália com 18, a República Checa com 17 e a Irlanda com 11. Os restantes atletas distribuem-se pela Hungria (9), Lituânia (8), Polónia (8), Bélgica (7), Letónia (7), Áustria (6), Estónia (4), Eslováquia (4), Estados Unidos (4), Nova Zelândia (3), Escócia (2), Rússia (2) e Canadá (1).

No sector masculino, o suíço Daniel Hubmann atrai todas as atenções. Campeão do Mundo de Distância Longa e Vice-Campeão do Mundo de Sprint em 2008 (Olomouc, República Checa), Vencedor da Taça do Mundo 2008 e actual líder do ‘ranking’ mundial, Daniel Hubmann recolhe a maior dose de protagonismo. Ao seu lado, irão estar nomes incontornáveis da Orientação mundial, a começar pelo seu compatriota, Mathias Merz, nº 5 do ‘ranking’ mundial, 3º classificado da Taça do Mundo 2008 e Campeão do Mundo de Distância Longa em 2007 (Kiev, Ucrânia). Da extensa lista, destaque ainda para o suíço Baptiste Rollier (nº 12 do Mundo), o checo Michal Smola (nº 13) e os suíços Marc Lauenstein e Matthias Müller, respectivamente 20º e 21º do ‘ranking’ mundial. Uma especial chamada de atenção para alguns nomes que despontam agora e que aparecerão em Mora plenos de ambição e com vontade de mostrar todo o seu valor. Estão neste caso o checo Stepan Kodeda, Campeão Mundial Júnior de Sprint 2008 (Göteborg, Suécia), o polaco Jacek Morawski, Campeão Mundial Júnior de Distância Média 2008, o dinamarquês Soren Bobach, Campeão Mundial Júnior de Distância Média 2006 (Druskininkai, Lituânia) ou o norueguês Kine Hallan Steiwer, Campeão Mundial Júnior de Estafeta 2007 (Dubbo, Austrália).

No que às senhoras diz respeito, as atenções vão por inteiro para Simone Niggli, cujo currículo faz dela a melhor orientista de todos os tempos. 14 títulos mundiais, 5 títulos europeus, 5 vitórias na Taça do Mundo (35 vitórias em etapas) e inúmeras vitórias em provas um pouco por todo o Mundo fazem da atleta suíça uma referência incontornável e o nome maior deste POM’2009. Mas há mais nomes de eleição entre a lista de quase uma centena de concorrentes de elite feminina. Desde logo a dinamarquesa Signe Soes, número 9 do ‘ranking’ mundial ou a checa Dana Brozková, nº 11 do Mundo e Campeã Mundial em título de Distância Longa. Da República Checa vêm também Radka Brozková (nº 14) e Eva Jureniková (nº 19), enquanto a Suiça traz Lea Müller (nº 15) e Vroni Koenig-Salmi (nº 17). Também aqui cumpre destacar algumas atletas jovens, verdadeiras promessas da Orientação mundial, a começar pela dinamarquesa Emma Klingenberg, que com apenas 16 anos se sagrou Campeã Mundial Júnior de Sprint 2008 (Göteborg, Suécia) e estará entre nós a competir no escalão Damas 20. Da Dinamarca virão igualmente as jovens Maja Alm, Ida Bobach e Signe Klinting, Vice-Campeãs do Mundo Juniores de Estafetas 2008, enquanto da Republica Checa, Sarka Svobodna é igualmente um nome a ter em conta.

Os conselhos

Apesar de insistentes, há algumas dicas que nunca são demais referir, aqui trazidas por Luís Santos, o Director-Técnico do evento. Assim, utilizem o Boletim Final que irá ser distribuido a todos os participantes e que contém as informações úteis sobre a prova; se puderem, cheguem cedo no sábado ou vão ao Secretariado logo na 6ª feira porque no sábado entre as 11:00 e as 13:00 será inevitável uma enorme afluência de pessoas ao Secretariado; a Organização terá ao dispor dos participantes um autocarro da CM Mora com 44 lugares só com o objectivo de transportar participantes de Mora para as Arenas (e OriShow); evitem chegar em cima da hora no dia WRE porque a distância total do estacionamento de autocarros até à partida (com a Arena e a chegada pelo meio) é de cerca de 3 kms e terá que ser feita a pé devido ao estado enlameado do terreno.

A estrada entre Cabeção e as Azenhas da Seda está cortada devido às descargas da Barragem do Maranhão que fizeram com que uma ponte nesse acesso ficasse submersa. E deverá ficar assim pelo menos até 2ª feira. Por isso para acederem à zona do model event ou em qualquer outra ligação que tencionem fazer de Pavia para o Cabeção ou vice versa evitem o caminho Pavia->direcção Avis->Cabeção e optem pelo caminho Pavia ->direcção Mora->Cabeção. Recorde-se ainda que a Elite Masculina irá ter mais de 30 pontos no 2º dia e no 4º dia e a Elite Feminina no 4º dia. Os chips sem capacidade serão substituídos nas partidas sem custos adicionais para os atletas.

Mas há mais: Levem comida ou aproveitem o serviço de bar do POM porque não vai haver qualquer tipo de restauração próximo das Arenas nos dias 2, 3 e 4. Quando chegarem não se esqueçam de levantar o peitoral "POM 2009" porque sem ele ninguém será autorizado a partir (o peitoral FPO normal não serve). Usufruam da nocturna que irá ter inscrições abertas até às 16:00 de sábado e do OriShow (inscrições abertas para femininos até sábado à noite, para masculinos estão fechadas as inscrições). Sobretudo, evitem atrasos porque não haverá alteração de horas de partida. Liberdade nas horas de partida só para os OPT’s.

Tudo para seguir em
http://www.cpoc.pt/eventos.php?ev=pom2009_pt.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

DUAS OU TRÊS COISAS QUE EU SEI DELA...


1. “Bom dia. Vai ser um saboroso café e torrada num dia que eu já declaro o primeiro, embora não oficialmente, da Primavera 2009.” Foi desta forma que teve início a emissão do programa “Um Café e Uma Torrada”, no passado sábado, e cujo tema foi, justamente, a Orientação [pode escutá-lo AQUI, graças à inestimável colaboração de Nuno José Almeida]. Despreocupadamente, ao longo de três quartos de hora fugazes, a modalidade apresentou-se fresca e primaveril, num jogo a três mãos magistralmente conduzido por Álvaro Costa. São pedacinhos assim, por escassos que sejam, que validam todo o trabalho e todo o empenho de quem, manifestamente, continua a fazer da promoção e divulgação da modalidade a sua bandeira. Sem esmorecimentos!

2. Na precisa semana em que se cumprem cem dias sobre a tomada de posse dos Corpos Sociais da Federação Portuguesa de Orientação para o quadriénio 2008-2012, saúde-se a vitalidade do novo elenco e a forma como vem desenvolvendo a sua actividade ao nível dos vários Departamentos. Todavia – “não há bela sem senão” – , “comunicação” e “imagem”, no seio da nova estrutura federativa, são conceitos que tardam em adquirir substância. Coligir informação e difundi-la em tempo útil através dos canais próprios é um imperativo nos dias que correm. Pelo que é realmente preocupante este enorme défice que os clubes, por si só, não estão a conseguir suprir. Encontrar a melhor solução para debelar esta crise é, claramente, o grande desafio da FPO para os próximos cem dias!

3. Criar um espaço de debate e partilha de ideias constitui uma excelente forma de promover e divulgar a modalidade. Foi isso que o Professor Ricardo Chumbinho fez, a partir da plataforma já desenvolvida pela Associação Desportiva Escolar de Orientação de Palmela, e que pode ser consultada em
http://moodle.espalmela.net/. Trata-se dum Tópico e dum Fórum especificamente destinados à formação e apoio da actividade de professores e alunos. O tópico está dividido em três secções: (1) Cursos e acções de formação, onde serão publicitados os diversos cursos e acções de formação sobre Orientação, nomeadamente os da FPO e outros de que se tenha conhecimento; (2) Documentação de apoio, com a disponibilização de documentos, nomeadamente textos mas também outros formatos de documento, de carácter informativo e formativo; e ainda (3) Jogos e afins, onde se encontram instrumentos de carácter mais lúdico, tais como o interessantíssimo “Teste Interactivo de Sinalética”. Tratando-se de uma ferramenta de todos e para todos, torna-se fundamental a colaboração no sentido de acrescentar conteúdos que possam ser partilhados por todos. Para o grande dinamizador do Moodle da ADE’O’, Professor Ricardo Chumbinho, e para a Escola Secundária de Palmela vai, direitinho, o Louvor da Semana!

4. Gostava de terminar por hoje, incluindo neste Louvor da Semana um grande entusiasta da Orientação Pedestre e igualmente amante confesso de Golfe e dos Desportos Todo-o-Terreno. Falo de Paulo Torres, um bom amigo, conhecido das lides da Orientação como atleta do .COM – Clube de Orientação do Minho, e que acaba de acrescentar uma mais-valia à “blogosfera” com o lançamento do OriDefender [http://oridefender.blogspot.com/]. A dar os primeiros passos, o blogue dá-se a conhecer e lança um olhar sobre o Pedestrianismo. A seguir com atenção!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

CALÇADO DE ORIENTAÇÃO: NOVO MODELO PROPOSTO POR ALUNOS DA UNIVERSIDADE DA BEIRA INTERIOR


Um novo modelo de calçado para corrida de Orientação acaba de ser criado. O protótipo foi apresentado por um grupo de alunos da Universidade da Beira Interior e contou com a colaboração de muitos orientistas portugueses e do blogue Orientovar.

Com a apresentação do produto final, chega ao fim o trabalho desenvolvido por um grupo de alunos do 3º Ano do Curso de Ciências do Desporto e Design Industrial, da Universidade da Beira Interior. Lembramos que o trabalho teve por base um questionário aqui divulgado no mês passado, e cujas tabelas se disponibilizam entretanto.

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Ao modelo proposto corresponde a seguinte Legenda: A1 – Tracção ao solo optimizada; A2 – Superfície de contacto ao solo optimizada; A3 – Capacidade de impulsão; A4 – Transpirável; A5 – Impermeável; A6 – Contraforte e biqueira com reforço rígido; A7 – Seguro contra vegetação; A8 – Distribuição de cargas por toda a superfície inferior; A9 – Sola resistente a perfurações; A10 – Justo ao pé; A11 – Flexível; A12 – Sistema de fecho duradouro (que não desaperte facilmente) e rápido; A13 – Sistema de conta-passos; A14 – Cronómetro com sistema de som.

Ângela Saraiva revela que “a sapatilha final foi feita com base na relação entre as exigências e regras da actividade, a análise da mesma, tendo em consideração os resultados dos questionários e do modelo vencedor.” E termina com os votos de que “este nosso trabalho possa ter constituído uma contribuição válida para a modalidade” colocando-se ao dispor para comentários ou dúvidas através do e-mail
sport_girl_03@hotmail.com.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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XI TROFEO COSTABLANCA: LIGA ESPANHOLA 2009 ARRANCOU COM PROVA WRE


Numa altura em que se “aquecem os motores” para a grande temporada orientística, os países do Sul da Europa levam a cabo alguns dos seus eventos maiores. Exemplo disso mesmo é o XI Trofeo Costablanca disputado no passado fim-de-semana, na vizinha Espanha.

Organizado pelo Club Orientación Sant Joan, o XI Trofeo Costablanca assinalou o arranque da Liga Espanhola de Orientação Pedestre 2009 e teve lugar em Sant Joan de Alicante e Mutxamel, na Costa Mediterrânica. Incluindo uma prova de Sprint, uma prova de Distância Média WRE e uma prova de Distância Longa, o evento concitou a atenção de oito centenas de atletas, entre os quais o líder do ‘ranking’ mundial, o suíço Daniel Hubmann.

Com o Vale do Sol a fazer jus ao nome pelas boas graças de S. Pedro, a prova de Distância Média, pontuável para o ‘ranking’ mundial da modalidade, teve lugar na manhã de sábado. Num mapa novo, da autoria de Viktor Dobrestov e redesenhado por Chris Terkelsen, os concorrentes depararam-se com um terreno muito técnico, pondo à prova todos os seus recursos. O húngaro Csaba Gösswein (OK Linné) foi o grande vencedor com um tempo de 31.03, deixando atrás de si o italiano Klaus Schgaguler (IFK Lidingo) e o austríaco Gernot Kerschbaumer (HSV Pinkaf), a 1.01 e 1.07 de diferença, respectivamente. Um erro monumental na progressão para o ponto 4 colocou Daniel Hubmann precocemente “fora de combate” e, daí, o 17º lugar com 35.43.

Schgaguler e Gustafsson arrecadam Troféu

A descida acentuada das temperaturas e uma inconveniente chuva miudinha surpreenderam os participantes na prova de Distância Longa de domingo, tornando tudo muito mais complicado. Enquanto alguns atletas optaram por não correr – entre os quais o próprio Hubmann – outros acabaram por ser desclassificados por uma autêntica razia de “mp”. Gösswein acabou por ser um deles, tal como os suecos William Lind (Malungs OK), Mats Troeng (OK Linné) e Ola Martner (Goteborg-M), ou ainda o britânico Scott Fraser (Bawbag OC), respectivamente 4º, 5º, 6º e 7º classificados na véspera. O suíço Sandro Rechsteiner, com o tempo de 1.12.52, foi o mais rápido, deixando atrás de si o espanhol Roger Casal Fernández (Colivenc), com 1.13.36. Klaus Schgaguler voltou a ter excelente desempenho e, com um registo de 1.14.02, chamou a si o 3º lugar na etapa e a vitória no Trofeo. Na classificação final, Schgaguler foi secundado no pódio por Roger Casal Fernández, seguido dos austríacos Gernot Kerschbaumer e Markus Lang, terceiro e quarto classificados, e de outro alicantino do Colivenc, Nestor Rico Mira, na 5ª posição.

Nas senhoras, as suecas Linnea Gustafsson (Visborg OK) e Linna Bäckström (Domnarvets GoIF) mostraram o porquê de serem duas das melhores atletas do mundo e alcandoraram-se aos lugares mais altos do pódio. Bäckström venceu no sábado a prova WRE, mas não foi além da 4ª posição na derradeira jornada, concluindo no 2º posto do Trofeo. Gustafsson somou a vitória na Longa à vitória no Trofeo, depois de ter sido 2ª na véspera. Outra sueca, Lina Strand (Goteborg-M) foi 2ª na Distância Longa e terminou no terceiro lugar da Geral, logo seguida de duas atletas “da casa”, as nossas bem conhecidas Esther Gil (Colivenc) e Annabel Fernández (Badalona-O).

Hubmann e Kindschi vencem prova de Sprint

Entretanto, o XI Trofeo Costablanca abriu na tarde de sexta-feira com uma emotiva prova de Sprint. Para que conste, Daniel Hubmann chamou a si o triunfo na competição masculina, cabendo à sua compatriota Annette Kindschi (A-Team) a vitória na prova feminina. As provas WRE atravessam agora a fronteira rumo a Mora e ao Portugal O’Meeting, já no próximo fim-de-semana, para no último dia de Fevereiro e primeiro de Março repartirem atenções entre as Pataias, com a disputa do XI Meeting de Orientação do Centro, e Almadén de la Plata, com o IOM “Sevilla Dia de Andalucia 2009”, também segunda prova da Liga Espanhola 2009.

Para mais informações sobre o XI Trofeo Costablanca e resultados completos, consulte
http://www.clubosantjoan.org/Pruebas/Santjoan/Costablanca09/Tcbesp/tcbesp.html. Pode ler também os comentários de Klaus Schgaguler, Daniel Hubmann e Emiliano Corona, clicando para tal nos respectivos nomes.

[foto retirada do álbum público de Chris Terkelsen em
http://picasaweb.google.dk/Chris.Terkelsen]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

II OPEN AMIGOS DA MONTANHA: ALBINO MAGALHÃES E ANDREIA SILVA TRIUNFAM EM BARCELOS


Bom tempo, bons mapas, muita alegria e diversão, muita e boa Orientação. Foi assim no II Open Amigos da Montanha, com Barcelos a servir de palco a mais uma magnífica jornada de propaganda da modalidade.

A Taça FPO Norte 2008 – 2009 rumou a Barcelos, onde teve lugar a terceira etapa com a disputa do II Open Amigos da Montanha. Organizada pela dinâmica colectividade de Barcelinhos, este ano a comemorar uma década de existência, a prova contou com a participação de 191 atletas, distribuídos por 19 escalões de competição e 4 escalões abertos. Dos 21 clubes inscritos, destaque para o Grupo Desportivo 4 Caminhos que, com 31 atletas, constituiu a maior força em prova e ainda para a presença de quatro clubes da vizinha Espanha, num total de 13 atletas.

Quem mais porfiou, ganhou! No escalão Seniores M A, Albino Magalhães (GD4C) subiu ao lugar mais alto do pódio, alcançando aqui a primeira vitória com alguma expressão da sua ainda curta carreira. Fazendo das tripas coração, o atleta (agora com novo visual) soube transformar o terceiro lugar da prova de Distância Média do primeiro dia, num triunfo a todos os títulos saboroso, graças a uma excelente prestação na prova de Sprint. A escassos dois pontos de diferença, Celso Moiteiro (COC) foi um digno vencido. O triunfo no Sprint não foi suficiente para recuperar a desvantagem trazida de Palme, na véspera, onde não fora além do quarto posto. Davide Machado (.COM), surpreendente vencedor na Distância Média, foi apenas sexto na prova de Sprint, caindo para a quarta posição da Geral Final.


GD4C vence colectivamente

Nas senhoras, Andreia Silva (COC) venceu por larga margem, face ao “mp” de Patrícia Casalinho (COC) na etapa de Distância Média e à desistência de Joana Costa (GD4C) na prova de Sprint, as suas duas maiores rivais. Daniela Alves (AD Cabroelo) e Céu Costa (GD4C) ocuparam os lugares imediatos do pódio. Nos escalões de Formação, o GD4C alcançou quatro das oito vitórias possíveis, graças ás prestações de Catarina Dias (Iniciados F), João Delgado (Juvenis M), Fátima Alves (Juvenis F) e Maria Oliveira (Juniores F). João Pedro Casal (Ori-Estarreja) triunfou em Infantis M, Diana Catarina Fernandes (TST) levou a melhor em Infantis F, ao passo que Samuel Nogueira (AD Cabroelo) e Filipe Silva (.COM) impuseram-se em Iniciados M e Juniores M, respectivamente.

Nos escalões de Veteranos, Joaquim Sousa (COC) confirmou o favoritismo em Veteranos M I, o mesmo sucedendo com Paula Serra Campos em Veteranos F I. Em Veteranos M II, a luta a três teve um desfecho favorável a José Fernandes (.COM), apesar do triunfo de Mário Santos (COC) na prova de Sprint e depois dum inesperado “mp” de Albano João (COC) na mesma prova. Margarida Rocha (GD4C) e Armandino Cramez (Ori-Estarreja) venceram sem contestação nos escalões de Veteranos F II e Veteranos M III, respectivamente. Colectivamente, o Grupo Desportivo 4 Caminhos foi o grande vencedor, com um total de 2013,2 pontos. A turma minhota do .COM, com 1609,7 pontos, classificou-se no lugar imediato, tendo o COC alcançado a terceira posição com 1436,2 pontos.

Consulte o mapa geral de classificações em
http://oriamigosdamontanha.no.sapo.pt/resultados.html e saboreie a excelente reportagem fotográfica de Jorge Correia Dias em http://picasaweb.google.pt/jorgecorreiadias]

[foto gentilmente cedida por Jorge Correia Dias]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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domingo, 15 de fevereiro de 2009

NAOM'09 ALTER DO CHÃO: CRÓNICAS (III)


CONTA-ME UM CONTO

..... zascatrapás
..... bicho agoirento
..... raios e trevas
..... para trás
..... cobras lagartos
..... num alçapão
..... bichos e medos
..... num caldeirão

................... João Lóio

Quando saiu para a tarde morna da vila, matar o tempo era o seu único propósito. Apenas desejava que a noite caísse depressa e trouxesse consigo as emoções do ansiado Sprint urbano. Talvez por esse motivo tenha cedido tão facilmente ao estranho convite: “ - Deixa-me ler-te a sina.”

Perdido na alvura do alinhado casario, aquele lugar indefinível resumia-se a uma janela estreita de caixilhos de alumínio a botar para a rua. Sentiu-se subitamente invadido por uma irreprimível sensação de torpor. Estendeu o braço mecanicamente para a mulher e percebeu-lhe o estranho brilho no olhar, no preciso momento em que as mãos se tocaram. Tudo nela era uma coisa e o seu oposto. Duas fundas rugas no lado direito da boca pareciam desmascarar a juventude dos seus olhos de água. Na voz meiga e doce colocava uma acentuação imperativa e até a sua mão, gelada ao toque, parecia queimar.

Mal escutou as primeiras palavras, compreendeu que se avizinhava uma noite trajando de negro. Sentia a vontade quebrar-se ao ouvi-la falar. Vocação, domínio, linha do destino, Mercúrio, vala profunda, missão paralela, socorro, jardim encantado, paixão, monte da Lua, sete partidas, sorte e morte… Ditas assim, secas, exactas, sem inflexões na voz, as palavras desatavam-lhe o ser, rompiam-lhe a força e carregavam-no de angústia e solidão. Então a mulher calou-se e estendeu o braço torcido na sua direcção, rodando-o depois lentamente, a cento e oitenta graus. O polegar e o mindinho, muito esticados e contrastando com os restantes dedos flectidos, apontavam em sentidos opostos. Viu nisto um sinal de despedida e saiu dali apressado, sentindo o suor gelado colar-lhe a camisa às costas.

A noite fez-se companheira dos muitos que, como ele, se foram juntando no largo à volta do velho coreto. Contrariamente ao que era costume, manteve-se calado e procurou isolar-se num canto, o incómodo encontro da tarde amplificado na sua cabeça. E nem mesmo reagiu quando se meteram com ele e lhe chamaram “gasogéneo”, aludindo ao velho e gasto frontal que lhe encimava a cabeça. Depois dirigiu-se como um autómato para as partidas, fez os procedimentos habituais, pegou no mapa e sumiu-se no breu.

O seu primeiro gesto para orientar o mapa esbarrou na ausência da bússola. Como tinha sido possível esquecer-se do pequeno instrumento? Mas, que Diabo, não fosse por isso. O percurso seguia para a direita e esta enorme curva só podia representar os limites do Castelo. Não estranhou que a cor fosse tudo menos cinzenta, tão pouco notou que o primeiro ponto fosse o 11 (!). Correr, correr e encontrar o ponto, esse era o seu único objectivo. Porém, chegado ao local desejado, não havia ponto. Olhou atentamente o mapa e viu-a então, a poucos metros dali. Mas não, não podia ser. Em vez do muro por detrás da fonte renascentista devia estar um caminho. Procurou calcular distâncias, sem mesmo atentar na escala e o seu primeiro ponto era agora o “finish”. Não podia ser verdade o que lhe estava a suceder! Rodeou então o Castelo, atravessou jardins, subiu e desceu passeios bordados de laranjeiras, entrou em ruas desertas, correu sem norte em todas as direcções, até que, completamente exausto, decidiu parar. Tomado por uma angústia de morte, viu que a sua prova começara há mais de um quarto de hora e não havia sinais do primeiro ponto sequer.

De repente, percebeu onde estava. Aquela rua era a mesma onde, algumas horas atrás, ocorrera o tão casual quanto terrível encontro. Sentiu-se pregado ao chão, incapaz de dar um passo. Aterrorizado, viu à sua frente a pequena janela abrir-se. Surgida do nada, a mão torcida da mulher voltou a desenhar no ar o estranho gesto de rotação. E aí viu. Fitou as mãos trémulas, o até então inútil mapa pendendo duma delas, e voltou-o. No verso, bem desenhada, a vila de Alter do Chão oferecia-se num cantar de amigo.

JOAQUIM MARGARIDO

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sábado, 14 de fevereiro de 2009

XI MEETING ORIENTAÇÃO DO CENTRO ESTÁ A CHEGAR


Estão aí à porta as duas maiores competições de Orientação Pedestre da temporada. E se do Portugal O’Meeting já aqui falámos na semana passada, hoje deitamos o olhar sobre o XI Meeting de Orientação do Centro. Presidente do COC - Clube de Orientação do Centro, Carlos Monteiro é o nosso interlocutor nesta revisitação duma floresta bem conhecida, nas Pataias, que será palco do evento no último dia de Fevereiro e primeiro de Março.


Orientovar - O XI MOC'09 constitui a maior aposta organizativa do COC na presente temporada. Que significado tem este evento para o clube?

Carlos Monteiro - Tem vários significados para o Clube, começando pelo privilégio de poder organizar um evento para tantos participantes e poder receber tantos e tão bons atletas. Depois, vencer o desafio de proporcionar um excelente fim-de-semana de Orientação. Mas também a possibilidade de retribuir às entidades que nos apoiam com a presença de tantos orientistas e o incremento na economia regional que um evento deste tipo representa e a possibilidade de conseguir proveitos financeiros para reinvestir na modalidade de acordo com estratégia definida pela Direcção do COC. Finalmente, promover, divulgar e dar a máxima notoriedade ao COC no mundo da Orientação.

Orientovar- Como estão a decorrer os trabalhos de preparação e qual o ponto da situação agora que estamos a poucos dias do evento?

Carlos Monteiro - Podemos dizer que dentro do planeamento normal dos trabalhos, aqui e ali com um ou outro desvio temporal e alguns pequenos obstáculos que vamos torneando. Com as questões técnicas totalmente fechadas e as inscrições a chegarem e a serem processadas, a maior incidência de esforço está agora nas questões logísticas do evento.

Orientovar – Quais os meios materiais e humanos envolvidos e com que tipos de apoio contam?

Carlos Monteiro - Teremos envolvidos cerca de 60 pessoas no fim-de-semana do XI MOC. Nos meses anteriores estiveram cerca 8 pessoas a delinear, preparar e montar toda a máquina organizativa. Os meios materiais são os normais para um evento desta natureza, em que queremos uma Arena completa e apelativa à permanência dos atletas antes e após a prova, propiciando um ambiente de festa típico da Orientação. Ao nível técnico, para além das estações-rádio que fornecerão informação útil ao trabalho do speaker que pretendemos anime o evento, vamos tentar ter imagens em directo de alguns pontos de controlo, projectadas em 2 pequenos ecrãs que vamos colocar na Arena. Este projecto será um teste que esperemos que resulte. É importante destacar os apoios da Câmara Municipal de Alcobaça, Junta de Freguesia de Pataias, Bombeiros Voluntários de Pataias, GNR de Pataias, Regimento de Artilharia 4, Direcção-Geral de Recursos Florestais, Lands House Bungalows e Rádio 94 FM. Estamos a fazer um esforço adicional, no sentido de conseguir o indispensável e muito importante apoio do São Pedro, para que tenhamos um fim-de-semana sem chuva e, se possível, com sol e temperatura amena para a prática da modalidade.
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Orientovar – Com a presença de muitos atletas estrangeiros em Portugal nesta altura do ano e com cerca de 300 já inscritos duma vintena de países, que expectativas estão criadas?

Carlos Monteiro - Esperamos uma competição muito disputada, com vencedores em aberto nos vários escalões, onde esperamos andamentos muito rápidos e excelentes desempenhos técnicos.

Orientovar – Que surpresas estão reservadas aos participantes deste XI MOC'09?

Carlos Monteiro - Conforme já referi, queremos oferecer um excelente fim-de-semana social e desportivo a todos os participantes. Estamos a preparar uma Arena o mais completa possível, para que esse espaço seja convidativo à presença e permanência dos atletas. Vamos ter na Arena, no dia 28, o lançamento de um livro sobre uma aventura juvenil que tem por base um Mundial de Orientação em Portugal, onde a escritora e a editora vão estar presentes. Esperamos que o projecto de transmissão de imagens resulte e ajude a animar a Arena. Vamos levar a modalidade a Alcobaça, com a disputa de uma prova de Sprint Nocturno Urbano, extra classificação, com o aliciante de servirmos, como reforço alimentar, porco no espeto aos participantes.

Orientovar – Qual o seu maior desejo?

Carlos Monteiro - Que no final do evento, participantes e apoiantes fiquem satisfeitos com a sua participação e envolvência no XI MOC. Que todos aqueles que se venham a envolver na equipa organizativa saiam do evento com o sentido do dever cumprido e orgulhosos pelo trabalho que cada um por si, na sua tarefa, tenha desenvolvido.

Confira toda a informação sobre o XI Meeting de Orientação do Centro AQUI.

[Fotos gentilmente cedidas por Carlos Monteiro]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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