sábado, 19 de dezembro de 2009

JULIÁN OLAVARRÍA ESPINOZA: "TEMOS MUITO QUE APRENDER"


Como leitura de fim-de-semana, marcamos encontro com a Orientação num País que desperta paixões. Julián Olavarría Espinoza é o nosso convidado especial e é ele quem nos abre as portas da Orientação no Chile. Um pedacinho precioso de prosa que o Orientovar tem o orgulho e a honra de poder apresentar, numa Entrevista donde se extraem palavras de amor e esperança.

Nascido a 7 de Agosto de 1960 na cidade de Coyhaique, no extremo Sul do Chile, Julián Olavarría Espinoza é Sub-Oficial Maior da Força Aérea e vive actualmente em Santiago do Chile, a capital do País. Pratica Orientação desde 1986, ano em que se realizou o primeiro Campeonato Inter-Forças Armadas no Chile. Do seu vasto currículo destacam-se o terceiro lugar no Campeonato Sul-Americano (Santa Cruz do Sul, RS, 2007) na categoria H45B e a vitória no mesmo evento e categoria em 2008.

Em 2009, participou com excelentes resultados nos 5 dias de Orientação do Brasil na categoria H45A e foi um dos formandos do Curso IOF Adviser em Santa Cruz do Sul, ministrado pelo “nosso” Rui Antunes. Foi esse o ponto de partida para uma conversa que dá a conhecer uma pessoa apaixonada pela Orientação, num País onde está (quase) tudo por fazer. É precisamente essa Entrevista que passamos a reproduzir.


Orientovar - Falar de Orientação no Chile é algo que nos deixa cheios de curiosidade. Pedia-lhe que abordasse um pouco da realidade deste desporto no seu País e a forma como tudo começou.

Julián Olavarría Espinoza – Entre nós, a modalidade teve o seu arranque no ano de 1984, com a realização de um Curso de Orientação em Santiago do Chile, ministrado por instrutores brasileiros a um grupo de Oficiais e Professores de Educação Física das Forças Armadas Chilenas. Mais tarde, em 1985, com a criação da Escola de Educação Física do Exército, começou a sua difusão no meio militar. No ano seguinte disputou-se o primeiro Campeonato Inter-Forças Armadas do Chile, com a participação do Exército, Armada, Força Aérea, Forças Policiais e Policia de Investigação. Estes Campeonatos têm lugar anualmente e disputam-se nas categorias de Alunos das Escolas Matrizes das Forças Armadas e Quadros Militares das mesmas Forças Armadas.

Entre os anos de 1993 e 1994 a Orientação sofreu um impulso importante quando, por intermédio de Dietrich Kuhnemuth, um alemão apaixonado pelo Chile e por este desporto, nos chegaram cartógrafos suecos para a execução dos primeiros mapas a cores. Através da Confederação das Forças Armadas realizaram-se diversos Cursos de Orientação no Chile, ministrados por conceituados técnicos do Brasil, da Suécia e outros. Entre eles destacaria Sérgio Brito e Barros e mais tarde Carlos Alberto Xavier, que formaram os primeiros cartógrafos do País e que desenvolveram enormes esforços para difundir e elevar o nível deste formoso desporto.

Orientovar - A Federação de Orientação do Chile é membro associado da IOF – Federação Internacional de Orientação. Qual a implementação da modalidade no país, quantos clubes e praticantes existem no Chile e quantos eventos são realizados anualmente?

Julián Olavarría Espinoza – O Chile é, actualmente, um dos 21 membros associados da IOF. A disciplina que se pratica até ao momento é a Pedestre, embora no presente ano tenhamos começado a experimentar a Orientação em BTT com a realização de alguns eventos. O número de clubes é escasso, como escasso é o número de eventos durante o ano, o que torna muito difícil a prática da modalidade bem como a elevação do seu nível competitivo. Para o ano de 2010 apresentaremos um Calendário de Provas com um número mínimo de dez etapas.


Orientovar - Em termos pessoais, qual a sua ligação à modalidade?

Julián Olavarría Espinoza – A título pessoal, estou ligado a este formoso desporto desde 1986, aquando da realização do primeiro Campeonato Inter-Forças Armadas do Chile, competindo pela Força Aérea. Participei também em todos os Cursos ministrados no Chile por estrangeiros, entre os quais brasileiros e suecos.

Actualmente desempenho funções de Técnico de Orientação na Escola de Formação do Pessoal de Sub-Oficiais da Força Aérea, para além de possuir competência na elaboração de mapas. Nos anos de 2000 e 2001, por motivo de comissão nos Estados Unidos, participei em diversas provas de Orientação nos Estados da Virginia, Maryland e Pensilvânia. Aí tive oportunidade de experimentar diferentes tipos de provas e terrenos muito variados, com os quais adquiri muita experiência e que agora, de alguma maneira, procuro transmitir aos meus alunos.

Orientovar – O que representa para si a Orientação?


Julián Olavarría Espinoza – Representa muito, já que é um desporto fascinante. Apesar de não ter um desenvolvimento importante no meu país, tenho-me esforçado para assistir e participar nalguns eventos no Brasil, buscando a necessária experiência de modo a partilhá-la com outros e contribuir para o desenvolvimento deste desporto no Chile.

Orientovar - Esteve recentemente no Brasil, num Curso ministrado pelo IOF Adviser português Rui Antunes, e depois em Santana do Livramento, onde participou nos 5 Dias de Orientação. Quer relatar-nos um pouco dessa experiência e de que forma este tipo de contactos é importante para o desenvolvimento da Orientação no Chile?

Julián Olavarría Espinoza – Foi uma experiência muito enriquecedora, uma vez que nos confronta com a nossa realidade face ao desenvolvimento do desporto a nível mundial. Creio que toda a experiência que se possa recolher neste tipo de eventos, aprender com pessoas que têm muito mais experiência como técnicos e cartógrafos, é enriquecedora. Espero poder transmiti-la aos meus alunos e a todos os demais que praticam Orientação no Chile. Temos muito que aprender, necessitamos de formar muita gente para alcançar importantes avanços.

Orientovar - O que é que faz mais falta à Orientação no Chile para se afirmar como uma modalidade de todos e para todos?

Julián Olavarría Espinoza – No Chile, em geral, faltam políticas desportivas fortes que fomentem a prática desportiva, a tornem atractiva. Por outro lado, tal como acontece no Brasil, é necessário incluir a Orientação no currículo escolar para criar a necessidade de formar os técnicos e cartógrafos com responsabilidades ao nível do ensino e do fomento da disciplina desportiva.

Orientovar - Quais os seus grande objectivos no curto e médio prazo?


Julián Olavarría Espinoza – Objectivos a curto prazo, já em 2010 ter um calendário de eventos durante todo o ano com um aumento progressivo do número de participantes. A médio prazo, formar cartógrafos e técnicos, sendo esta a única forma de difundir a modalidade e retirá-la da esfera das Forças Armadas, onde o seu desenvolvimento se processa de forma demasiado lenta. Capacitar professores de Educação Física para o ensino e a prática da Orientação nas Escolas e Universidades. Motivar aqueles que já praicam Orientação para a participação em provas internacionais, tais como o Campeonato Brasileiro e o Campeonato Sul-Americano.
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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