domingo, 1 de novembro de 2009

XVII CAMPEONATO IBÉRICO DE ORIENTAÇÃO PEDESTRE: QUE LÁSTIMA!


No melhor pano cai a nódoa. A expressão não poderia adquirir maior propriedade face ao sucedido esta manhã, na prova de Distância Longa que encerrou o XVII Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre – Toledo 2009. A troca de dois pontos levou à anulação dum bom número de percursos, manchando irremediavelmente uma festa que até estava a ser bem bonita.

No encerramento do XVII Campeonato Ibérico de Orientação Pedestre, as novidades vindas de Toledo não são, de facto, as melhores. Uma troca de pontos comuns a alguns percursos (entre eles o de Elite Masculino) fez com que a Direcção e Supervisão da prova se decidisse pela anulação dos mesmos. Como consequência directa dessa tomada de posição, assistiu-se à supressão dos resultados desta terceira etapa no apuramento dos vencedores dos respectivos escalões enquanto, colectivamente, não se sabe muito bem como será decidida a atribuição do próprio título ibérico de 2009. E falta saber ainda que contas irá fazer a Federação Portuguesa de Orientação no que concerne a esta etapa da Taça de Portugal, afinal cumprida por todos mas validada apenas para alguns.

Ainda assim, individualmente, tivemos campeões ibéricos de Distância Longa em oito dos doze escalões envolvidos, com seis títulos a sorrirem aos espanhóis contra apenas dois do lado português. Ona Rafols Perramón levou à risca o dito que “não há duas sem três” e foi de novo a grande vencedora no escalão Sénior Feminino. A atleta gastou 1.03.06 a completar o seu percurso, batendo a portuguesa Maria Sá por 2.39. A espanhola Alicia Gil Sanchéz, com um registo de 1.11.01, fechou o pódio. Eduardo Gil Marcos (Cadetes Masculinos), Anna Amigó Beltran (Veteranos I Femininos) e Antónia Sanchéz Martínez (Veteranos II Femininos) imitaram Ona Rafols Perramón e chamaram a si, duma assentada, os três títulos em disputa ao longo destes dois dias..

Em Cadetes Femininos, a espanhola Marina Garcia Castro impôs-se às portuguesas Vera Alvarez e Rita Rodrigues, respectivamente segunda e terceira classificadas. Isabel Sá (Juvenis Femininos) e Jorge Correia (Veteranos I Masculinos) alcançaram merecidas vitórias ante Ana Coradinho e Joaquim Sousa, respectivamente. Última nota para o escalão de Juniores Masculinos e para mais um empolgante duelo entre António Martínez Pérez e Tiago Romão. Venceu o espanhol por escassos 19 segundos, vingando a derrota da véspera nessa emocionante prova de Sprint.

Enquanto aguardamos as reacções deVicente Tordera, o Director da Prova, e de António Aires, Director Técnico Nacional, aproveite e deixe-nos também a sua opinião acerca do sucedido.

Os resultados podem ser consultados em
http://www.orientoledo.com/resultados_larga.htm.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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14 comentários:

Jorge Fortunato disse...

Penso que a decisão do júri técnico foi a mais justa.
Por-se-ia a hipótese de acabar a prova no ponto antes do que estava mal marcado, que no escalão de HE era a cerca de 3/5 do percurso, mas ai', para alem de serem quebradas regras poderia não ser justo para os atletas que decidiram "poupar" forças para um final mais forte. E e' muitas vezes na ponta final que se decidem os vencedores nas distancias longas.

Mário Santos disse...
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Mário Santos disse...
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Jorge Fortunato disse...

in “IOF competition rules 2009, pag. 21”: "24.15 The results must be based on competitors’ times for the whole course. No changes may be made to these times on the basis of split times."

Tinhamos assim 2 hipoteses: ou ficava ou se anulava.

Mário Santos disse...
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Luís Santos disse...

Não compreendo porque falam em "situações iguais" com decisões diferentes.

Não há "situações iguais" na orientação. Cada prova tem as suas peculiaridades e especificidades.
Cada caso é um caso e deve ser decidido à luz dos Regulamentos e tentando ferir o menos possível a verdade desportiva.

Dou como exemplo o maior erro cometido pelo meu clube em Montemor-o-Novo onde cometemos exactamente o mesmo erro que aqui (duas estações com códigos trocados). Apesar da situação ser exactamente igual o tratamento e a resolução da situação não foi porque na especificidade dessa prova, quando a situação foi detectada havia escalões inteiros que ainda não tinham começado a sua participação, por isso a organização decidiu corrigir a posição dos pontos para salvar esses escalões o mais depressa possível.

Posteriormente e pelas características de uma prova de sprint (é mais fácil aos atletas validarem que estão comprovadamente no local onde o ponto deveria estar) os atletas que passaram lá no intervalo de 30 minutos em que se registou o erro acabaram por ser prejudicados em comparação com os restantes porque decidiu validar-se a prova tal e qual como estava.

Quando um ponto está mal marcado ou há uma troca desta natureza, já é impossível ter verdade desportiva para todos os atletas, por isso há que ter bom senso para conseguir discernir qual a situação que vai afectar o menor número de atletas.

Na minha opinião a melhor solução neste Ibérico também seria contar com a prova até ao ponto anterior. O Jorge refere que assim o esforço dos atletas que se guardaram para o final seria inútil. E eu pergunto: com esta solução, não foi inútil na mesma? Não foi assim inútil o esforço de todos os que foram a Toledo no domingo? Dando razão ao Mário Santos, já repararam quais são os principais beneficiados de uma decisão de anular percursos? São os que não põe lá os pés... Infelizmente a IOF é castradora neste tipo de situações e impede-nos de optar por vias alternativas ao não fazer nada e ao cancelar tudo.

Saudações desportivas,
Luís Santos

PS: E não estamos a falar no mais grave... Depois de ouvida a explicação do responsável do clube organizador, como é possivel num Campeonato Ibérico, os marcadores de pontos irem marcar pontos sozinhos... Essa é que é a grande irresponsabilidade desta situação...

Mário Santos disse...
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Luís Santos disse...

Mário, continuas a incorrer no erro de procurar jurisprudência para situações onde isso não pode acontecer.

Imagina agora que se determinava que sempre que houvesse uma situação destas se utilizava a solução que defendes (e que eu também considero uma das melhores). Passava a ser sempre cortada a ligação antes e a depois. O problema é que, se os atletas à priori já soubessem que a solução seria essa, voltaria a haver uma tremenda injustiça entre o atleta que passa lá, dá com a situação, cansa-se à procura de outro ponto e vai para o resto da prova e o outro atleta que sabe do problema antes de começar a sua prova e aproveita aquelas ligações para não ir ao ponto podendo até ir preparar as ligações seguintes porque já sabe que o tempo está parado entre o ponto X e o ponto Y. Como vês, é uma solução desprovida de bom senso.

Cumprimentos,
Luís Santos


PS: Referes que em Montemor foram poucos atletas mas houve atletas afectados. Se leres um dos meus parágrafos, quando uma organização comete um erro destes, acabou-se a verdade desportiva. Não vale a pena estares a frizar o óbvio. Já não há salvação possível. Haja a solução que houver, já não há verdade desportiva para todos, por isso é que eu refiro que é preciso escolher a melhor forma de minimizar os danos nessas situações. Na nossa prova, a minimização de danos foi corrigir os pontos rapidamente. Aqui, em Toledo, já há factores distintos. Há sempre factores distintos de evento para evento e de erro para erro...

Mário Santos disse...
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Luís Santos disse...

Também não é assim tão simples.

Se as provas fossem SEMPRE anuladas nestas circunstâncias, um atleta mal disposto a quem a prova esteja a correr mal, pode pegar num ponto, escondê-lo e assim acaba com as provas dos outros todos também...

Mesmo que haja erro, pode considerar-se que a melhor solução é não mexer nos resultados...

Saudações,
Luís

Mário Santos disse...
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Mário Santos disse...
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Luís Santos disse...

O trabalho (muito) que desenvolvi na organização de eventos levou-me a perceber que HÁ mesmo atletas capazes de tudo para fazer batota. A situação que tu achas tão abominável e que só a minha fértil imaginação seria capaz de produzir já aconteceu numa prova de OriBTT do meu anterior clube (CDCE) em Setúbal.

Desagrada-me o tom que utilizas pois não é por escrever sobre batotas que passo a ser batoteiro e os meus pontos de vista são claros para quem pense um pouco nas frases que mais repito.

Saudações desportivas a todos,
Luís Santos

Mário Santos disse...
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