quinta-feira, 5 de novembro de 2009

PELO BURACO DA FECHADURA...


Uma semana recheada de emoções e da mais pura adrenalina, é isso que espera os amantes das Corridas de Aventura ao longo da próxima semana. O Estoril Portugal XPD Race 2009 está aí à porta e o nosso convidado de hoje, Alexandre Guedes da Silva, ajuda-nos a espreitá-lo pelo buraco da fechadura.

O Estoril Portugal XPD Race está de regresso. Com mais força, mais emoção, mais e maiores desafios e igualmente com mais responsabilidade e outro peso, visto estar em causa o apuramento do Campeão Mundial de Corridas de Aventura 2009. Com partida e chegada ao Estoril, o evento decorre já a partir do próximo domingo e tem o seu término previsto para a manhã do sábado seguinte, dia 14. Serão 5 etapas e 21 secções para aproximadamente 900 km e 120 horas de prova em regime “non-stop” e em completa autonomia, o que faz deste Estoril Portugal XPD Race 2009, indiscutivelmente, a prova mais “extreme” alguma vez realizada no nosso país.

Alexandre Guedes da Silva é o grande mentor do projecto, liderando uma vasta e voluntariosa equipa que o coadjuva em funções tão importantes como o controlo de pontos de passagem, a logística, a assistência às equipas, a segurança e muitas outras tarefas essenciais à boa condução da prova. E foi precisamente com ele que o Orientovar falou e cuja conversa aqui se procura reproduzir, tão fielmente quanto possível.


Orientovar – Consegue precisar no tempo o início desta verdadeira aventura que é o Estoril Portugal XPD Race 2009?

Alexandre Guedes da Silva - Se quisermos, este é o culminar dum projecto que começou em 1998, quando decidimos avançar com as Corridas de Aventura em Portugal. Alguns companheiros desse tempo entretanto desligaram-se, muitos outros permanecem com outros projectos e este Estoril Portugal XPD Race surge na sequência desse movimento. Para sermos mais precisos, há quatro anos a Junta de Turismo da Costa do Estoril lançou-nos o desafio que aceitámos e na edição deste ano atingimos ‘la crème de la crème’, o topo dos topos.”

Orientovar – O modelo de prova esteve sempre pensado na sua cabeça para ser assim ou, posto doutra forma, quantas vezes teve de reformular o projecto inicial e qual a última vez em que o fez?


Alexandre Guedes da Silva – A primeira coisa a reter é que este é um trabalho de equipa. E ainda bem que assim é porque, se fosse apenas meu, o mais certo é o resultado ser um ‘aborto’ completo (risos). O pessoal discute muito, ‘zanga-se’ mas acaba por conseguir desafios inesquecíveis. Relativamente à edição deste ano do Estoril Portugal XPD Race, tivemos sempre presente uma enorme condicionante que é a crise. Tudo foi feito com muito carinho mas também com muitas dificuldades. A falta dum “major sponsor” leva-nos a ir buscar ao mais fundo de nós a necessária força anímica para admitirmos que “sem caroço… não há palhaços”. Quanto a reformulações, foram algumas e, sobretudo, de última hora. Sermos obrigados, por questões meramente burocráticas, a alterar 30 kms de percurso a três dias do evento foi a última ‘peripécia’…

Orientovar - “A mais longa e exigente prova de Aventura da Península Ibérica”. Este é um ‘slogan’ para vender a prova ou, de facto, é mesmo assim?

Alexandre Guedes da Silva – Quanto a isso não tenha dúvidas, mas o melhor é fazer essa mesma pergunta, na chegada, a todos quantos vivenciaram a experiência. Posso afirmar que este é um desafio que tem a particularidade das características físicas e psicológicas se interceptarem sensivelmente a meio da prova. O grau de exigência física vai decrescendo com o passar do tempo mas aí começa a vir ao de cima a exigência psicológica. E com 4, 5, 6 dias de prova, este será mesmo um enorme exercício de resistência psicológica. E um exercício fabuloso de Orientação.


Orientovar – Cinco etapas, vinte e uma secções, novecentos quilómetros de prova. Mas por onde?

Alexandre Guedes da Silva – É um enorme ponto de interrogação, literalmente. Mas vai começar e acabar no Estoril, isso posso adiantar desde já.

Orientovar – Serão 59 equipas participantes de 30 países diferentes. Chamaria a atenção para alguma em especial? Entre as equipas portugueses, é expectável um lugar nos 20 primeiros?

Alexandre Guedes da Silva – São todas equipas fortíssimas. Só as melhores estão cá e estas são mesmo as melhores do Mundo. Contudo, eu chamaria a atenção para a equipa russa Arena-Tahko / Pampilhosa da Serra. É a única equipa constituída apenas por mulheres e, dadas as características da prova, é uma equipa que nos vai surpreender. Afinal, é conhecida a maior resistência psíquica das mulheres face aos homens. Quanto à segunda parte da questão, não tenho dúvidas nenhumas. O Clube de Praças da Armada fez um 2º lugar há dois anos e, na minha opinião, a equipa está este ano mais forte ainda.

Orientovar – Sem um patrocinador principal, considera que os apoios são os necessários e suficientes?

Alexandre Guedes da Silva – Houve muito cuidado para não gastar mais do que aquilo que temos. Sabemos com o que contamos e, se não podemos ir mais além… não vamos. No meio disto tudo, a Federação Portuguesa de Orientação portou-se mal. Um Campeonato do Mundo é organizado pela Federação. Ponto! Ora a Federação não quis e alguém deve essa explicação. Na altura chamei a atenção, fiquei muito magoado mas não vou fazer guerras.

Orientovar – Nesta altura, qual a sua maior preocupação?

Alexandre Guedes da Silva – O tempo e… o tempo. O tempo que começa a escoar-se e está curto para aquilo que ainda está por fazer. E esta instabilidade atmosférica… Com o avançar dos anos estou a tornar-me muito místico e vejo esta coisa do “Verão de S. Martinho” como um acto de fé. Vamos esperar que o Santo se lembre de nós.

Orientovar - Para quem tenha oportunidade de assistir à prova, que troços recomendaria?


Alexandre Guedes da Silva – Ao longo da prova iremos ter vários pontos de espectadores que valem pela sua beleza e espectacularidade. Esses pontos irão estar bem identificados já a partir de sábado e é só consultar o ‘site’ da prova para ficar a saber. Agora aquilo que eu recomendaria mesmo é que se fizesse o exercício de ir acompanhando a prova através da Internet. Fizemos um esforço enorme nesse sentido e vai ser fabuloso acompanhar os movimentos das várias equipas no terreno. Vai surpreender toda a gente. Parece que estamos a sobrevoar a prova.

Orientovar – Algum conselho em especial aos participantes?

Alexandre Guedes da Silva – Ninguém dá conselhos a estes ‘gajos’. Todos são os melhores dos seus países, todos têm enorme experiência, quem sou eu para lhes dar conselhos. Que se divirtam, que lutem pela vitória e, se me é permitido, um conselho apenas: Durmam, se fazem favor!

Orientovar – Por fim, qual o seu maior desejo?

Alexandre Guedes da Silva – O meu maior desejo são… dois. Que tudo corra bem! Que ninguém se magoe!

Saiba mais em
http://www.arwc2009.com/pt/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

.

Sem comentários: