domingo, 15 de novembro de 2009

À NOITE TODAS AS BALIZAS SÃO PARDAS


Culminando um dia repleto de provas de Orientação de âmbito local, o Clube Ori-Estarreja fez disputar a primeira etapa do seu Circuito de Orientação Nocturno.

Perímetro Florestal das Dunas de Ovar, 6 horas da tarde. Há muito que as tonalidades cinzentas dum sábado carrancudo cederam lugar ao mais escuro dos céus. As nuvens carregadas vão-se fazendo anunciar aqui e ali por chuviscos passageiros, mas o vento rijo que sopra de sul segreda-nos que se aproxima uma noite de vendaval. Não tarda nada, doze temerários atletas embrenhar-se-ão no coração da floresta ao encontro dos seus mistérios. E das balizas que, munidas de bandas reflectoras, se fazem anunciar à distância sob a luz dos frontais que cada um transporta consigo.

Três percursos, três distâncias diferentes (2,5 km, 4,1 km e 7,0 km) e o ‘luxo’ do sistema SI Card, num verdadeiro desafio aos sentidos e à capacidade de navegação de todos e cada um. O terreno limpo facilita a progressão e minimiza riscos de acidentes, mas ainda assim impõem-se cautelas redobradas. Uns ramos secos que estalam sob os pés, uma aranha-de-cruz inadvertidamente desalojada da sua teia, dois pássaros que se levantam estremunhados do chão num voo cego para parte incerta…

Devaneios à parte, os pontos lá vão sendo vencidos um a um e, no final, a unanimidade de opiniões dá conta dum bom par de experiências e aprendizagens novas, num todo enriquecedor a vários títulos. Uns consideram que “chega a ser mais fácil encontrar os pontos de noite que de dia graças à banda reflectora neles colocada e que os assinala a distâncias consideráveis”, enquanto outros falam do ritmo de progressão mais lento, de como pensam que já avançaram mais do que acontece na realidade, da adaptação que isso implica em termos de leitura de mapa. Para Maria Sá, do GD4C, esta foi “uma experiência fantástica” mas lamenta que haja provas que, “só por terem as três letrinhas mágicas [ranking regional norte], atraem trezentas ou mais pessoas e aqui, com um desafio tão interessante e com um percurso tão bem montado, não está cá ninguém”.



“Venham experimentar uma nocturna”

Para Diogo Miguel, um dos responsáveis pela organização do evento, “a ideia do Circuito resultou da constatação duma fraca afluência às provas locais em épocas anteriores. Daí termos chegado à conclusão que só inovando conseguiríamos atrair mais pessoas. Como este tipo de eventos é raro em Portugal e há muita gente que nunca fez provas nocturnas, pensámos em avançar com o Circuito.” A segurança dos participantes é um dos aspectos que deve merecer particular atenção por parte de quem organiza um evento deste género. É isso, pelo menos, que se infere das palavras de Diogo Miguel: “O mapa do Furadouro é mais amplo, esta é uma floresta aberta e, por isso mesmo, mais seguro. Será talvez um mapa mais fácil, mas acaba por ser perfeito para aqueles que se iniciam neste tipo de provas.”

Um dos aspectos que penalizam esta 1ª etapa do Circuito de Orientação Nocturno reside no baixo índice de participação. Mas a esse propósito, o atleta e organizador tem uma explicação: “Atrasámo-nos um bocadinho com a divulgação do evento, criámos para o efeito um blogue mas apenas o lançámos há duas semanas, mas esperamos que nas próximas venha mais gente.” A finalizar, um desafio: “Este mapa do Furadouro já não é novo, foi utilizado por variadíssimas vezes e pode pensar-se que já não tem segredos. Todavia, como diz o melhor atleta espanhol, Roger Casal, à noite todas as balizas são pardas. Uma boa maneira de reaproveitar o mapa é introduzi-lo numa prova nocturna. Aqueles que pensam que a Orientação já não tem segredos, venham experimentar uma nocturna. Vão ter uma surpresa!”

A segunda etapa do Circuito está agendada para o dia 3 de Abril de 2010. Mais informações em
http://www.orilocais.blogspot.com/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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