sábado, 7 de novembro de 2009

LISLAINE LINK: "MEU SONHO NÃO É NADA MODESTO"


Foi no passado mês de Agosto, em Miskolc (Hungria), que assistimos à estreia do Brasil nas andanças da alta-roda da Orientação Mundial. Essa responsabilidade recaiu sobre Lislaine Link, a primeira atleta brasileira a participar num Campeonato do Mundo de Elite de Orientação Pedestre. Com 30 anos de idade acabadinhos de fazer, a atleta que vive no Rio de Janeiro e representa o Kaapora OC é hoje a ilustre convidada do Orientovar em mais uma Grande Entrevista.


Orientovar - Como é que tomou contacto com o desporto Orientação e que recordações guarda desse período inicial?

Lislaine Link - Meu primeiro contacto com uma bússola foi no Grupo Escoteiro Pindorama. Lá aprendi a ler a bússola. No entanto, somente tive contacto com um mapa de Orientação na Academia da Força Aérea, no ano de 1998. Considero este o primeiro contacto com o desporto Orientação, pois somente naquele ano tive que aliar a leitura do mapa e da bússola com a corrida.

Orientovar - Qual a sua primeira grande alegria na Orientação? E a maior decepção?

Lislaine Link - Minha primeira grande alegria veio junto com a minha primeira grande decepção. Participei numa prova de selecção na cidade de Brasília, em 1999, para compor a delegação que representaria o Brasil numa competição em Portugal. Consegui a vaga, porém não fui liberada. Por sorte, o Brasil se fez representar por outra orientista: Marion Costa.

Orientovar - Como é que compatibiliza a Orientação com toda a restante actividade?

Lislaine Link - No Brasil a maioria das competições de Orientação é realizada nos finais de semana, o que facilita a participação. Durante a semana, procuro treinar antes do trabalho.

Orientovar - Normalmente, como é que gere os seus treinos e com que frequência participa em provas de Orientação?

Lislaine Link - Meus treinos são realizados de acordo com o tempo livre que tenho. Normalmente treino sozinha e sem acompanhamento de um profissional habilitado. Meu corpo é quem determina a intensidade e a duração do esforço. Planeio minhas competições de acordo com o calendário da Confederação Brasileira de Orientação e da Federação de Orientação do Rio de Janeiro. Participo nas etapas do Campeonato Brasileiro, do Campeonato do Estado do Rio de Janeiro, do Campeonato Sul-Americano e dos 5 Dias de Orientação. Quando não há competição no mês, procuro participar de algum treino do Clube ao qual pertenço – Kaapora Orientação Clube.

Orientovar - Os seus interesses na Orientação resumem-se à prática competitiva ou vão mais além, para os campos da organização, cartografia, ensino ou outros?


Lislaine Link - Sempre tive interesse em aprofundar os meus conhecimentos para além do campo competitivo, porém somente por curiosidade, pelo menos por enquanto. Já realizei os cursos de Cartógrafo – Nível 1, de Juiz de Orientação e de Traçador de Percursos.

Orientovar - Já conseguiu arrastar muitas pessoas da sua roda de amigos para praticar Orientação?

Lislaine Link - Minhas maiores amizades são de orientistas. As que não são orientistas já foram, em algum momento, apresentadas a esse desporto. No entanto, consciencializar as pessoas para praticarem desporto e melhorar a qualidade de vida não é uma tarefa fácil. A Orientação tem a vantagem de ser um desporto para todos, pois considera não só a idade e o sexo, mas também o nível de dificuldade. É um desporto que une a família e cria grandes desafios pessoais, além de nos manter em contacto com a natureza.

Orientovar - Ser a primeira atleta brasileira a marcar presença num Campeonato do Mundo de Orientação Pedestre causa em si que tipo de emoção?


Lislaine Link - Senti-me honrada com a oportunidade de representar o Brasil numa competição de tão alto nível. A felicidade e o orgulho que senti ao carregar a bandeira do Brasil na Cerimónia de Abertura e vê-la tremular nas arenas de competição são inenarráveis.

Orientovar - Como é que sentiu o WOC Miskolc 2009 e que aprendizagens resultaram dessa experiência?

Lislaine Link - Fiquei muito emocionada em participar do WOC Miskolc 2009. Foi uma experiência incrível, na qual vivenciei a rotina de um atleta de ponta, somada às responsabilidades da Comissão Técnica, uma vez que a delegação do Brasil se resumia a uma única pessoa: eu. Aprendi muito sobre determinação, confiança, apoio, etc. Aprendi também que não basta treinar, tem que se treinar muito, muito mesmo. Aprendi a valorizar cada esforço da Comissão Técnica. Aprendi sobre amizade através do desporto.


Orientovar - Num país - e num Continente - onde a Orientação ainda é uma criança, que ponto da situação faz e quais os grandes obstáculos que se colocam à evolução da modalidade?

Lislaine Link - Para a Orientação se desenvolver no Brasil é necessário investimento na cartografia de áreas novas com qualidade. Esse é o primeiro passo de muitos. A Confederação Brasileira de Orientação contribui em muito para isso, promovendo cursos de Cartografia. Em seguida, há que se divulgar mais o desporto, aqui tipicamente militar. Com mapas novos, divulgação e boa organização, a Orientação vai crescer de modo consolidado. Nesses dez anos de Confederação, o Brasil filiou mais de 9 mil atletas. É um começo modesto, para um futuro promissor.

Orientovar - O que conhece da Orientação em Portugal?

Lislaine Link - Conheço os brilhantes atletas militares de Orientação. Sei também que enfrentam dificuldades para treino e na própria viagem ao Campeonato Mundial Militar de Orientação. Este ano pude observar de perto o desempenho no Mundial civil e constatei a garra e o esforço da equipe durante a competição. Já tive oportunidade de ver alguns mapas de Portugal e achei-os excelentes. Quando tiver a oportunidade, gostaria muito de participar de um evento em Portugal. Quem sabe nas próximas férias!

Orientovar - Quer partilhar connosco o seu maior sonho?


Lislaine Link - Meu sonho não é nada modesto. Primeiramente, quero ver a equipe do Brasil participar regularmente dos Campeonatos Mundiais, de modo a adquirir experiência. Depois, quero escutar o Hino brasileiro ecoando no final desses mesmos Campeonatos.




Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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4 comentários:

Kaapora disse...

Bela entrevista da nossa campeã!

ugor disse...

Great interview! Very nice!
I LOVE BRASIL!!! :)

Elzinho disse...

Para o alto e avante, este é o perfil de uma grande campeã. Um abraço.

Rachel disse...

Sempre será minha ídola neste esporte!! Tudo que sei na orientação devo a ela... me ensinou muito!!!!