domingo, 8 de novembro de 2009

GRANDE ENTREVISTA: ANTÓNIO RODRIGUES E O PRIMEIRO ANO DE MANDATO


Foi precisamente há um ano que assistimos à eleição dos Corpos Sociais da Federação Portuguesa de Orientação para o Quadriénio 2008-2012. Volvido todo este tempo, trazemos hoje ao Orientovar o seu Presidente da Direcção, António Rodrigues. É dele o balanço de 365 dias de mandato.


Orientovar - Um ano na vida duma pessoa é muito tempo. Em termos pessoais, neste ano o que é que mudou?

António Rodrigues - Quando se chega a uma idade respeitável as mudanças quer pessoais, quer profissionais, são mais raras mas neste último ano o casamento do meu filho foi de facto uma mudança acentuada. Somos menos lá em casa.

Orientovar - Diariamente, que tempo dedica em média à actividade federativa? Estava preparado para que fosse assim? Ainda consegue tempo para jogar xadrez?

António Rodrigues - Não se pode dizer exactamente quanto tempo dedicamos a uma actividade como esta, porque não é como um trabalho em que entramos a uma hora e saímos a outra. Mas posso dizer que tenho uma ocupação intermitente ao longo do dia pois, para além das reuniões normais de Direcção e o despacho regular com os serviços da FPO, discuto e resolvo muitos assuntos por e-mail que durante uma dia normal podem chegar em média às três dezenas. Se juntarmos a isso a minha vida profissional, a colaboração no CPOC e na Cooperativa para a Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados do qual sou tesoureiro, podemos concluir que o tempo para o xadrez é curto embora não nulo.

Orientovar - Em Dezembro do ano passado, dizia em Entrevista à Revista de Atletismo que “se alguma vez tiver que o fazer, estou preparado para dar um murro na mesa.” Ao cabo dum ano de mandato, deu muitos murros na mesa?

António Rodrigues - Quem me conhece sabe que não é o meu caminho preferido para a resolução de problemas. Essa frase foi colocada como título da entrevista embora não se adapte ao meu estilo de liderança. Por curiosidade e para responder à pergunta digamos que por duas ou três vezes tive de falar mais grosso.

Orientovar - Neste ano que passou, que aspectos elegeria como os mais marcantes do seu mandato até ao momento?

António Rodrigues - Elegeria dois aspectos, um negativo e outro positivo. O negativo tem a ver com o não desenvolvimento da Comunicação no seio da Federação como eu a tinha pensado, é um aspecto em que temos ainda muito que trabalhar. O positivo foi sem dúvida a contratação do Director Técnico Nacional que veio revolucionar o desenvolvimento da Orientação em muitos aspectos.

Orientação - Com apoios escassos e sem encontrar um patrocinador forte, percebe-se um esforço tremendo por parte da Direcção da FPO na gestão de recursos e contenção de despesas. Qual o actual estado de saúde financeira da Federação? Estamos melhor do que estávamos há um ano atrás?

António Rodrigues - Realmente os apoios são escassos para tudo aquilo que gostaríamos de fazer e de apoiar. Mas se estamos como estávamos há um ano, estamos melhor do que há dois anos, porque a realização do Campeonato do Mundo de Veteranos em 2008, com o trabalho esforçado de três centenas de voluntários, dotou a FPO de meios materiais e financeiros que nos permitiram neste último ano apoiar alguns projectos de Escolas de Orientação e apoio a atletas de Alta Competição.

Orientovar - No início do seu mandato, referia como prioritários os dossiers “Campeonato Mundial de Orientação em BTT Montalegre 2010” e “Director Técnico Nacional”. Que avaliação faz da intervenção da FPO nestes dois particulares aspectos?

António Rodrigues - Em relação ao Campeonato do Mundo de Orientação em BTT está definida uma grande equipa para continuar a trabalhar nestes nove meses que faltam para a sua realização, e estou certo que com a Coordenação do Eduardo Oliveira iremos ter outra vez a organização duma grande Prova Internacional. Em relação ao Director Técnico Nacional - e como já mencionei - foi uma excelente contratação, não só pelo lugar que por razões financeiras estava há algum tempo desocupado, como pela pessoa em si. O António Aires vive a Orientação no dia a dia e já assumiu diversas pastas que deram à Orientação uma nova organização.

Orientovar - Os níveis de participação na Orientação Pedestre continuam a descer ligeiramente, a perda de participantes na Ori-BTT e nas Corridas de Aventura é drástica. O que é que se está a passar? Como é que se inverte este estado de coisas?

António Rodrigues - Como facilmente se entende, as razões destas quebras são conjunturais dada a situação de crise que se vive em Portugal e no Mundo. Especificamente em relação à Orientação, não vejo motivos para essas quebras. Continuamos com um nível de provas com qualidade semelhante ao últimos anos e os quadros competitivos não se alteraram mas, em tempo de opções, também os praticantes têm de escolher as provas em que participam e quanto maior a logística necessária maior é a quebra de participantes.

Orientovar - Ultimamente, tem-se falado com alguma insistência em Trail-O. Vê nisto uma espécie de capricho da parte de alguns ou sente que o movimento tem “pernas para andar”?

António Rodrigues - O Trail-O é uma variante da Orientação que tem todas as condições para se implementar em Portugal. No início, como em quase tudo, é necessário algumas vontades individuais, que depois são enquadradas e desenvolvidas, e nesse sentido estamos a desenvolver o projecto com a intervenção do Director Técnico Nacional. Esperamos, a médio prazo, que o Trail-O seja uma realidade mais constante nas nossas provas, com intervenção das entidades ligadas à deficiência e o apoio duma comissão específica para organizar os futuros quadros competitivos nas suas duas vertentes, Paralímpica e Aberto.

Orientovar - Apontada no início como uma das grandes apostas da Direcção à qual preside, a Comunicação e Imagem revelou-se um “ilustre ausente”neste ano que leva de mandato. Parece, todavia, que há uma grande novidade a curto prazo e que se prende com a reactivação da “Orientação em Revista”. Quer levantar-nos um pouco da “pontinha do véu”?
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António Rodrigues - Como já referi a Comunicação e Imagem foi até agora o pilar que menos se desenvolveu no último ano e disso se ressentiu a Revista que necessitava duma reformulação que não houve oportunidade de fazer. Num futuro próximo, com uma pessoa dedicada a este assunto, espero inverter a situação. Em relação à Revista existe um projecto de relançamento que está em análise financeira e que quando for implementado terá a colaboração inestimável do amigo Margarido.

Orientovar - Citando ainda as suas palavras na Entrevista à Revista de Atletismo: “Espero poder chegar ao fim destes quatro anos, olhar para trás e ver que a missão foi cumprida.” Ansioso que estes quatro anos de mandato cheguem rapidamente ao fim?

António Rodrigues - Os anos passam ao seu ritmo e não é por desejar que eles passem depressa ou devagar que isso acontece. Calma e serenamente vamos trabalhando no dia a dia para merecer a confiança que em nós foi depositada e no fim do mandato teremos a certeza que tudo fizemos para levar esta missão a bom porto.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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