quarta-feira, 14 de outubro de 2009

WMOC 2009: PORTUGUESES COM BALANÇO POSITIVO


Teve lugar esta manhã – madrugada em Portugal – a primeira de duas séries qualificatórias da prova de Distância Longa do Campeonato do Mundo de Veteranos de Orientação Pedestre. Os nossos atletas voltaram a alcançar lugares meritórios, com particular destaque para a 6ª posição de José Fernandes.

Lithgow, pequena cidade australiana situada 140 quilómetros a oeste de Sidney, recebe a segunda metade do Campeonato Mundial de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2009. Duas séries qualificatórias e a final de Distância Longa são pontos altos dum programa que terminará no próximo sábado. É lá que desde a passada segunda-feira se encontra a comitiva portuguesa, a qual teve oportunidade de entrar hoje em acção.

Estranhamente, a organização ainda não disponibilizou os resultados (estas coisas, pelos vistos, pegam-se!), pelo que servir-nos-emos das impressões plenas de actualidade e oportunidade, gentilmente fornecidas por Joaquim Sousa (é dele igualmente a foto que ilustra este texto).

Notas de sinal contrário

Competindo no escalão H40, António Amador concluiu a sua prova num desconsolador 52º lugar, o que levanta as mais sérias interrogações quanto ao apuramento para a final A. Inscritos à partida 72 atletas, facilmente se constata que só uma grande prova levará António Amador a recuperar 16 posições e, assim, entrar no quadro principal da derradeira final destes Mundiais. Mas ouçamos as impressões do atleta: “Após o Model Event sabíamos das dificuldades que nos esperavam. Iniciei a prova com calma para evitar cometer erros nos primeiros pontos, mesmo assim falhei o segundo perdendo algum tempo mas consegui sair dos 6 primeiros pontos, todos numa grande zona de escarpados de grandes dimensões, sem comprometer a prova. Ao olhar para o resto do percurso pensei não ter problemas de maior mas do 9 para o 10, um ponto relativamente simples, subi pela linha de água errada e nunca mais me consegui localizar, tive de voltar novamente até perto do 9 para voltar a fazer a opção fazendo uma pernada de uns cinco minutos em mais de 28 (!) … Quando controlei o ponto já ia com mais de 1:03h de prova e a saber que a qualificação para a final estava fora de possibilidades. Ainda assim continuei a minha prova fazendo os seguintes 16 pontos de controlo em cerca de 28 minutos o que deu um tempo total de mais de 1h31.

No escalão H50, José Fernandes fez uma prova notável, alcançando o 6º lugar na sua série (49 atletas inscritos) e confirmando assim a sua grande aposta nesta prova de Distância Longa do WMOC 2009. São dele as seguintes palavras: “Iniciei a prova com muito cuidado, porque ao recolher o mapa vi que os primeiros cinco pontos eram numa zona muito técnica com muitas rochas e escarpas de grande e menor dimensão, tudo isto no meio de uma vegetação classificada de V2, onde a progressão logicamente era bastante lenta. Até ao quarto ponto não tive qualquer problema, mas na ligação para o quinto ponto tive uma opção que me afastou do melhor caminho e tive de contornar uma escarpa gigantesca para depois ter que subir cerca de 15 metros, que pela melhor opção não seria necessário. Depois disso perdi alguns segundos no ponto sete e, no ponto dez, numa zona um pouco incaracterística com muitas pedras dispersas, perdi cerca de um minuto por interpretar que a pedra onde estava o meu ponto estava um pouco mais afastada de uma grande escarpa, que era a minha referência para o procurar. Até ao ponto catorze segui em boa velocidade, voltando a perder algum tempo no ponto quinze, por avistar um ponto à distância, que me fez desviar da minha trajectória por se situar muito perto do meu e num elemento idêntico. Daí até ao final segui sem qualquer problema, consciente que o meu tempo era bastante bom para o primeiro dia das qualificações para a final de Distância Longa.

Sousa e Coelho quase seguros

Joaquim Sousa voltou a fazer uma excelente prova, como aliás se pode constatar pelo seu 9º lugar final no escalão M35 (28 atletas inscritos). Também ele nos deixa o relato da sua prova: “Comecei com algum receio pois não tinha bem a certeza que tipo de terreno ia encontrar e, ainda por cima, estive com dor no estômago toda a manhã (não sei porquê, mas sempre que tenho uma prova – seja importante, ou não - acuso sempre um pouco de stress, mas que desaparece logo que pego no mapa e começo a correr). Hoje não foi diferente, parti um pouco receoso pois a primeira parte do percurso era logo no meio dos penhascos, mas logo que dei com o 1º ponto fiquei tranquilo, só que mesmo devagar não vi o 2º ponto (estava a dois ou três metros dele, mas como a baliza era das velhas não a vi no meio da vegetação). Depois segui e para o ponto 5 fui ao caminho com medo de cair ao penhasco mas mesmo assim andei no meio da vegetação à procura do ponto; mas a escarpa do ponto estava numa zona limpa, perdi algum tempo e fui um pouco desanimado pois tinha visto a pedra quando lá cheguei mas não fui lá por estar numa zona limpa. Dai para a frente fui sempre em ritmo médio, e só depois até ao fim foi rolar mais forte para tentar uma classificação razoável. No final do primeiro dia fiz o 9º tempo, a cerca de 4 minutos do 1º lugar, mas como somos poucos atletas vou ter que me aplicar amanhã para conseguir um lugar na final A.

Participando no escalão H65, o decano da comitiva portuguesa, Francisco Coelho, obteve um excelente 20º lugar na sua série, entre 62 atletas inscritos. São dele as seguintes palavras: “Parti bastante intranquilo, o que me levou a perder cerca de 8 minutos no 1º ponto, mas depois consegui superar esta intranquilidade e a pouco e pouco fui melhorando a minha prestação. Depois de passar os meus primeiros 3 pontos no meio das pedras, a prova correu-me bem, não cometi erros e assim terminei a minha prova de 3 quilómetros com o tempo de 52 minutos, esperando que com este tempo consiga um lugar na final A. Gostei da prova, e espero que amanhã me corra melhor.”

Manuel Dias, imparável

Menos bem esteve Margarida Rocha, 41ª classificada no escalão W50, entre 70 atletas inscritas à partida. Na decisiva série qualificatória de amanhã, a nossa atleta vai ter de suar as estopinhas para recuperar meia dúzia de posições e, assim, entrar na grande final de sábado. Aqui ficam igualmente as suas impressões: “Comecei a prova com muito cuidado, porque vi que o inicio do percurso tinha 6 pontos numa zona de muitas rochas e grandes escarpados. Fui muito bem até ao 3º ponto, ao avistar um ponto com características semelhantes desviei-me um ponto, mas de imediato rectifiquei. Parti para o ponto 7, desci a encosta até à linha de água, ai perdi algum tempo porque procurava o ponto antes uns 100 metros, mas uma enorme escarpa à direita ajudou a localizar-me. Nesse ponto levava 25 minutos o que era óptimo porque o resto do percurso era mais acessível, só que a partir do 8 ponto foi desgraça total. Para o ponto 9 sai um pouco à esquerda, mas para o ponto 11 com uma distância a 50 metros fiz 9,37, completamente perdida e com duvidas se tinha marcado o ponto 10. A partir do momento que encontrei o ponto 11 tudo correu normal, mas o tempo foi passando e terminei com 1.04.12 o que me vai custar pela certa o apuramento para a final A.

Quanto aos restantes atletas portugueses, José Pires foi o 42º classificado na sua série do escalão H50, o que praticamente o afasta da final A. O atleta foi muito prejudicado pelo facto de ter pegado na sinalética de outro escalão, tendo perdido cerca de 20 minutos no primeiro ponto, o que condicionou irremediavelmente o resto da prova (que por sinal até nem correu mal). Finalmente, Manuel Dias foi o 6º classificado no escalão H55, numa série onde estavam inscritos à partida 61 atletas.

Amanhã (mais logo!) há mais

Resta acrescentar que, após a prova, a comitiva regressou à Pousada onde se fez o jantar confeccionado por António Amador e Joaquim Sousa (o qual, de acordo com este último, “estava muito bom, modéstia a parte”). Neste momento a hora é de repouso, com novas emoções a concentrar as maiores expectativas já na prova de amanhã (Francisco Coelho será o primeiro atleta português a partir, isto quando forem 9h32, 23h32 em Portugal, ou seja, dentro de pouco mais de quatro horas.

Saiba mais em
www.joaquimsousa.com

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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