sábado, 17 de outubro de 2009

WMOC 2009: 6º LUGAR DE JOAQUIM SOUSA NO FECHO DOS CAMPEONATOS


A floresta de Clandula State recebeu a última prova dos Campeonatos Mundiais de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2009. Correndo a final A de Distância Longa, Joaquim Sousa voltou a ser o melhor atleta português ao alcançar o 6º lugar no escalão M35.

Chegaram ao fim os Campeonatos Mundiais de Veteranos de Orientação Pedestre WMOC 2009. Aguardadas com enorme expectativa, as finais da prova de Distância Longa ofereceram-nos mais um grande resultado de Joaquim Sousa, à semelhança do que havia acontecido no Parque Olímpico de Sidney, na final de Sprint. O atleta concluiu a sua prova com o tempo de 1.04.26, apenas a 3.01 do terceiro classificado, o Campeão do Mundo de Sprint Nick Barrable (Grã-Bretanha) e a 4.54 do vencedor, o neo-zelandês Carsten Joergensen.

No breve relato enviado sobre este derradeiro dia de provas, Joaquim Sousa faz questão de salientar o mapa, “muito bom para a Orientação, com percursos bem conseguidos, num terreno excelente, com grandes linhas de água sempre ladeadas de muita pedras e escarpados intransponíveis o que fez com que tivéssemos muita atenção em todas as pernadas.” No tocante à prova em si, o atleta confessa: “Tal como tinha pensado, comecei muito rápido e depois de encontrar o primeiro ponto pensei que poderia fazer uma excelente prova, mas talvez por ir a pensar já no final, esqueci-me que ainda ia a começar, desci para o ponto 2 já um pouco a frente e isso foi o suficiente para perder cerca de dois minutos na pernada. Depois disso tentei correr mais rápido mas devido ao desnível acentuado do terreno já não deu para recuperar o tempo perdido. Andei sempre bem e apenas para o penúltimo ponto não vi uma passagem numa cerca e dei uma volta um pouco maior, perdendo aí o 5º lugar uma vez que fiquei em 6º a apenas 10 segundos do 5º.”

A infelicidade de José Fernandes

No escalão M50, após duas séries qualificatórias de grande nível, José Fernandes era outro atleta sobre quem recaía o grosso das atenções para a grande final de hoje. Infelizmente, as coisas não podiam ter corrido pior e uma saída de mapa deitou por terra as esperanças do atleta e também as de todos nós. Mas deixemos que seja o próprio a contar: “Depois das duas provas de qualificação e já mais habituado ao tipo de cartografia e tipo de percursos, estava bastante confiante numa boa prestação na final A, tanto mais que sabia que a condição física com que aqui cheguei me permitia andar mais rápido do que nos primeiros dias. Quando recolhi o mapa para partir, fiquei maravilhado com o que vi, pois estava perante um mapa e um percurso como até hoje poucas vezes experimentei. Quis iniciar desde logo a fazer tudo depressa e isso custou-me um erro para o primeiro ponto; segui para o segundo ponto, uma pernada muito longa, que fiz num bom tempo.”

Até aqui, as coisas nem estavam a correr mal. O pior veio depois: “Para o terceiro ponto escolhi uma opção que rapidamente vi não ser a melhor, daí o querer seguir rápido para recuperar algum tempo. Isto levou-me a passar uma reentrância sem me aperceber e seguir por outra em tudo idêntica à que eu procurava, mas que me conduziu para o limite do mapa e logo fora dele. Disto só me apercebi já na carrinha em que regressamos ao nosso alojamento, pois depois de passar cerca de dez a doze minutos no local onde pensava estar o meu ponto de controlo sem o encontrar, decidi que a minha prova acabava ali. Regressei à Arena, no inicio sem saber muito bem por onde ia, pois como mais tarde constatei estava fora do mapa.”

Manuel Dias em excelente plano

Tal como José Fernandes, também Manuel Dias teve um excelente desempenho nas séries de qualificação, a gerarem natural expectativa quanto a um grande resultado na final A do escalão M55. Resultado esse que acabou por se cifrar na 13ª posição com o tempo de 59.26, cotando-se claramente como um dos resultados de maior prestígio para a Orientação portuguesa nestes mundiais. A prova teve no australiano Paul Pacque o grande vencedor, com Manuel Dias a concluir a sua prova a menos de um minuto do top-10, superando claramente o 20º lugar da final de Sprint.

Da deliciosa crónica enviada para o Orientovar - e que publicamos já a seguir -, respiga-se que “as desistências de Jan Solli e Etienne Bousser, candidatos ao ouro em M55 e M60, e também a do nosso José Fernandes em M50, atestam bem a dificuldade das finais A de Distância Longa nestes Mundiais de Veteranos que terminaram hoje na Austrália. O meu 13º lugar deixa-me, por isso, inteiramente satisfeito. Nestas três provas disputadas perto das Blue Mountains (duas qualificatórias e final), nem sempre com certeza fiz as melhores escolhas de itinerário, mas não cometi nenhum erro grave de navegação.”

Francisco Coelho foi 39º

O veterano mais veterano deste leque de “sete magníficos”, Francisco Coelho, teve uma participação meritória na final A do escalão M65, terminando a sua prova no 39º lugar com o tempo de 1.13.01. Com este resultado, o atleta vinga a prova menos conseguida na final A de Sprint, trazendo deste WMOC uma recordação que o deixa satisfeito e com a certeza de ter alcançado um bom par de objectivos traçados à partida. Venceu o sueco Rune Radestrom, repetindo o título mundial alcançado em Portugal no ano transacto.

Passando às finais B, começamos por António Amador e por esse 9º lugar (resultados preliminares) com o tempo de 1.24.49. De acordo com as impressões do atleta, a prova até nem correu mal, mas… “Iniciei a prova com vontade de terminar da melhor forma esta participação no meu primeiro WMOC e conseguir pelo menos uma prova ao nível do que sou capaz, mas ao pegar no mapa vi que a tarefa não seria fácil. Como já foi referido, a quantidade de elementos rochosos e curvas de nível indicava, como se veio a confirmar, que seria a prova mais dura deste conjunto de provas. Após um 1º ponto sem qualquer problema aparecia uma pernada de cerca de 1,5 km cruzando várias linhas de água (com os respectivos desníveis) e várias escarpas intransponíveis. Apesar de tomar uma opção correcta, mais uma vez cometi um erro na aproximação ao ponto perdendo muito tempo. Após esse desaire continuei a prova sem grandes problemas, com opções correctas, perdendo algum tempo em algumas aproximações a pontos devido à necessidade de uma análise atenta aos vários elementos, mas nada significativo.”

José Pires, Margarida Rocha e… Paulo Becker

Quanto aos restantes portugueses presentes na final B, José Pires e Margarida Rocha tiveram bons desempenhos nas escalões respectivos de M50 e W50. José Pires concluiu no 13º lugar com o tempo de 1.03.44, enquanto Margarida Rocha foi a 8ª classificada, completando a sua prova em 8º lugar com um registo de 50.21. Uma palavra final para Paulo Becker, solitário atleta brasileiro presente nestes Mundiais, e para o seu moralizador 6º lugar na final B do escalão M45, com o tempo de 1.14.20.

A festa chega ao fim, com a Cerimónia de Encerramento marcada para as 18h00 de amanhã (8 da manhã em Portugal) em Tumbalong Park, Darling Harbour. Para Joaquim Sousa, José Fernandes e António Amador, amanhã será também dia de regresso a Portugal, com saída de Sidney às 22h00, passagem por Kuala Lumpur e Londres, chegada prevista a Lisboa às 23h00 de segunda-feira e viagem de carro até ao Norte onde a aventura do WMOC 2009 terminará já madrugada de terça-feira adentro. O resto da comitiva permanecerá na Austrália até final do mês.

Campeões do Mundo de Distância Longa


São estes os novos Campeões do Mundo de Distância Longa:

Masculinos
M35 – Carsten Joergensen (Nova-Zelândia)
M40 – Alexey Morozov (Rússia)
M45 – Michael Thierolf (Alemanha)
M50 – Warren Key (Austrália)
M55 – Paul Pacque (Austrália)
M60 – Andy Hemsted (Grã-Bretanha)
M65 – Rune Radestrom (Suécia)
M70 – Rodrigo Slavins (Letónia)
M75 – Sveinung Bleikvin (Noruega)
M80 – Helmer Ekberg (Suécia)
M85 – Hermann Wehner (Austrália)

Femininos
W35 – Natasha Key (Austrália)
W40 – Cath Chalmers (Austrália)
W45 – Pavlina Brautigam (Estados Unidos)
W50 – Natalia Deconescu (Estados Unidos)
W55 – Jennifer Bourne (Austrália)
W60 – Patrícia Aspin (Nova Zelândia)
W65 – Sharon Crawford (Estados Unidos)
W70 – Birgitta Thunell (Suécia)
W75 – Maureen Ogilvie (Austrália)
W80 – Pella Rye (Grã-Bretanha)

Tudo para conferir em
http://www.wmoc2009.orienteering.asn.au/ e em www.joaquimsousa.com.

[foto gentilmente cedida por Joaquim Sousa]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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