segunda-feira, 5 de outubro de 2009

TRAIL-O E ALIJÓ: A COMBINAÇÃO PERFEITA


A cidade de Alijó, no coração da Região Demarcada do Douro, promoveu mais um evento de Trail-O. Numa região de sonho, o sonho sonhado do Trail-O volta a ganhar expressão e vai-se transformando numa realidade.

Pela segunda vez consecutiva, uma prova da Taça de Portugal de Orientação Pedestre 2009/2010 volta a receber um evento de Trail-O. Foi na quente manhã de domingo, pelas mãos do Clube OriMarão, no âmbito do “Douro de Orientação”. Após a azáfama dum Sprint Urbano arduamente disputado, Alijó abriu as portas do seu centro urbano a seis atletas do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada (Porto), deslocando-se em cadeira de rodas, para a prova de Trail-O. A eles juntaram-se algumas dezenas de participantes sem défice de mobilidade, que assim tiveram oportunidade de experimentar o desafio da Orientação de Precisão. Mais uma grande jornada de inclusão da qual todos – mas mesmo todos(!) – saíram enriquecidos.

O percurso foi cuidadosamente elaborado de forma a contornar as barreiras arquitectónicas duma cidade que, à semelhança de muitas outras, apenas agora começa a demonstrar a necessária sensibilidade para os reais problemas da pessoa com deficiência. Num mapa à escala de 1:4 000, com equidistância de 5 metros e ligeiro desnível, os participantes depararam-se com uma sinalética bastante mais complexa, a inexistência de Pontos de Decisão assinalados no mapa, pontos de passagem obrigatórios, maior apelo à capacidade física de cada um para vencer distâncias e desníveis e, consequentemente, um grau de exigência superior ao de provas anteriores.



“Vale a pena apostar no Trail-O”

Para Paula Nóbrega, do Clube OriMarão, “vale a pena apostar no Trail-O. Não é tão complexo como talvez se possa imaginar e qualquer organização consegue accionar um percurso de Trail-O. É sobretudo compensador estar com estes atletas, fazer um bocadinho do percurso com eles e perceber a importância deste tipo de iniciativas.” Referindo-se à montagem do percurso, aquela responsável adiantou que “as maiores dificuldades resultaram da preocupação com a acessibilidade. Tivemos o cuidado de reduzir ao mínimo o recurso destes atletas a ajudas externas para progredirem, escolher criteriosamente passeios e passadeiras, criar zonas de passagem obrigatórias no mapa de forma a garantir uma maior segurança aos atletas.” A finalizar, Paula Nóbrega deixa-nos a sua perspectiva sobre aquilo que ainda falta para lançar o Trail-O em moldes definitivos no nosso País: “Já falta muito pouco. Falta realmente as organizações incluírem o Trail-O como um requisito básico para realizarem as suas provas de Orientação, tal como o fazem já com os escalões OPT. E falta a Federação Portuguesa de Orientação reunir uma equipa que coordene esta disciplina e a faça seguir por diante.”

Refira-se ainda a forma como atletas e acompanhantes foram recebidos por uma organização inexcedível de disponibilidade e simpatia. O cuidado em criar todas as condições de apoio ao grupo no decurso da prova, a partilha de informação e experiências ou a gentileza do convite para um superior “Rancho à Transmontana”, prolongando um espaço e um tempo de franco convívio, são “mimos” que apraz registar. Restará apenas reafirmar que os resultados são, uma vez mais, verdadeiramente animadores. Não tanto do ponto de vista competitivo – nem milagres seriam de esperar - mas sobretudo pela dinâmica e empenho de atletas e responsáveis que, assim, vão adquirindo um real apego à modalidade, permitindo perspectivar o seu crescimento futuro em moldes adequados e verdadeiramente sustentados.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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