segunda-feira, 21 de setembro de 2009

VI TROFÉU GAFANHORI:O VEREDICTO DE MANUEL DIAS


“Tiago Romão tem de aparecer dentro de 40 segundos se quiser bater o tempo de Alvarez no ponto de espectadores”. Sábado, na Longa, o Alexandre tinha passado nesse controlo com um crono incrivelmente baixo e Tiago Aires, antecipando informação ao microfone, fez-nos sofrer pela espera de cada um dos outros concorrentes. Mas o atleta do CPOC foi menos feliz na 2ª parte e terminou com 59.37, um segundo atrás de Celso Moiteiro. Mega fez melhor (58.13), apesar do tempo perdido no ponto antes do de espectadores – e o ‘speaker’ tinha-nos dado conta desse percalço (ainda estou para saber como tinha ele informação sobre o que se passava nas redondezas aparentemente fora do seu alcance visual). Romão, com uma segunda parte muito equilibrada, averbou um tempo que só podia ser de vitória: 57.37. A vantagem dos quatro primeiros distribuía-se por dois minutos. Só faltava Miguel Silva, que fora dos últimos a partir e passara no ponto de espectadores a perder 2 minutos para Alvarez. Agora imaginem como é que o Tiago Aires relatou a chegada do Miguel à meta com 51.51, ou seja, quase 6 minutos de vantagem sobre o tempo de Romão.

A vivacidade da locução, o completo domínio das rivalidades específicas em todos os escalões e o caprichoso evoluir da competição fizeram da arena de Almargem um palco de emoções só possível num evento de alto nível. Apesar das duas meias horas que andei no mato, tive a sorte de viver, minuto a minuto, os momentos mais empolgantes desta jornada alentejana.

No domingo de manhã (Média) cheguei à arena uma boa meia hora antes do início das partidas e cruzei-me com um grupo de elite que conversava à volta do pódio. Creio que eram o Paulo Franco e o Miguel Silva a falar com o Jorge Fortunato, sentado este na posição mais alta do estrado. Não resisti: “Menino, vê se saltas daí, que esse lugar não é teu.” Rimo-nos todos, está claro. E não é que o Fortunato, após um modesto 11º lugar no sábado, venceu mesmo a prova de domingo? Foi outra sequência de impressionantes ‘flashes’ sonoros, com Tiago Aires a envolver a audiência nos meandros do cálculo mental para antever as hipóteses de cada atleta à passagem no ponto de espectadores. Houve até casos de projecção do tempo final com base nessa primeira parte do percurso e comparando com as prestações do dia anterior. E tudo isto sem descurar a atenção à meta, onde o júnior Luís Silva vingava a vitória de Pedro Silva na véspera, mas sem o brilho de Rita Rodrigues que, no mesmo percurso, retirou mais de 3 minutos ao vencedor masculino.

Assinalada foi também a vitória de Patrícia Casalinho, que teve direito, pelo segundo dia consecutivo, a traçar e comentar o seu percurso para a assistência – um luxo à altura dos grandes eventos.

O Sprint de sábado à tarde no Vimieiro foi outro festival, com a parte final da prova a mudar a escala de 1:4 000 para 1:2 000. Desenrolava-se quase tudo à nossa frente, num parque bem aberto, e a luta foi renhida: Miguel Silva bateu Moiteiro por 9 segundos e houve mais sete atletas separados do vencedor por menos de um minuto. O último deles foi Paulo Franco que, tendo sido um dos últimos a partir e tendo assistido à evolução dos concorrentes anteriores, fez de memória os 16 pontos desse quase OriShow final. Parece mentira, mas foi o que me contaram e ele não mo desmentiu. Nesse lote estiveram também Tiago Leal (atenção à velocidade deste rapaz!) e Pedro Nogueira, que viria a lesionar-se no domingo (já não bastava o azar de Lídia Magalhães no CISM).

Mais apertada ainda foi a luta para o primeiro lugar feminino, com Patrícia Casalinho a impor-se a Ana Coradinho por apenas 5 segundos. E nós a assistirmos a tudo isto em directo, com a informação sonora a antecipar os acontecimentos. Foi mesmo emoção ao rubro, como o Tiago gosta de dizer e conseguiu proporcionar.

Manuel Dias
Individual



[foto gentilmente cedida por Armando Santos]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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