segunda-feira, 21 de setembro de 2009

VI TROFÉU GAFANHORI: A OPINIÃO DE LUÍS SANTOS


Que bem sabe fazer Orientação num mapa destes e com percursos destes. Sábado, numa zona inicial acessível, o mapa era ainda um objecto demasiado estranho na minha cabeça e ao 2º ponto fiz logo asneira que me fez perder 5 minutos. Os pontos seguintes foram bons desafios técnicos e surpreendentemente também físicos pois era preciso subir muito mais do que é normal nesta zona do Alentejo. Fui indo, fui controlando, contente por fisicamente não me estar a custar muito, mas sem conseguir fazer bons azimutes e falhando por vezes entre pontos de referência muito próximos.

No domingo tudo foi diferente. Apesar de ser no mesmo mapa, parece que descobri um mapa diferente durante a minha prova. Os primeiros 8 pontos feitos numa zona que era um autêntico emaranhado de vegetação e pedras (no sábado nem me apercebi que fosse uma zona rochosa, mas no domingo fartei-me de escalar, contornar e saltar de pedra em pedra) correram-me razoavelmente bem. Depois, uma ligação longa e a aproximação à zona da Arena. É sempre uma sensação diferente estarmos a fazer a nossa prova e ouvir o som do ‘speaker’ ao longe, mesmo quando ainda não percebemos o que ele diz. E é fantástico as coisas que sentimos só por ir a um ponto de espectadores.

Lembro-me de estar a chegar ao ponto junto com um atleta do CP Armada (José Amândio, percebi eu depois ao ver os resultados) e de entrar na clareira meio perdido em relação ao ponto que queria, ouvir o Tiago a comentar que o Miguel Silva já não ia bater o tempo do Jorge Fortunato e pensar que ninguém viu a minha "figura triste" a aproximar-me do ponto de espectadores... Depois de picar, tínhamos uma subida a pique (uns 70/80metros?) e descolei do atleta do CP Armada naquela subida. Sentia-me bem mas ele tinha mais força. Ainda ouvi o ‘speaker’ a dizer que o Jorge Baltazar acabara a sua prova com 42 minutos. Olhei para o relógio e pensei... ‘Levo 41 e ainda me falta o loop...’ Isto tecnicamente está a correr-me bem, mas devo estar a correr demasiado descontraído... O Jorge não é assim tão melhor que eu... :-)

E lá fui na parte final ao despique com o atleta do CP Armada, conseguindo uma pequena vitória por chegar à frente dele. Claro que o despique provavelmente só estava na minha cabeça, pois ele nem me deve ter ligado nenhuma e eu nem fazia a mais pequena ideia se ele partira antes ou depois de mim, mas numa prova de Orientação são tantos os factores motivacionais, os maus momentos, as pequenas vitórias, que é impossível tentar explicar a alguém como é rico em emoções um pequeno percurso (4,2kms) numa prova regional como esta.

Mas mesmo numa prova regional tem que haver qualidade técnica. Qualidade nos percursos e no mapa. Se isso faltar, as emoções alteram-se e passamos a parecer um adepto de futebol fanático a barafustar com um árbitro daqueles que rouba mesmo. No domingo até ouvi alguém queixar-se ao meu lado durante a prova que "tinha estado ao lado de uma pedra enorme que não estava no mapa". Sorri interiormente porque num terreno daqueles, com um mapa daqueles, tudo me bateu certo e tudo teve que ser rigorosamente seleccionado para não me perder no meio de tantos pormenores que o terreno tinha. E se algo falha num sítio daqueles, não é por o piso estar torto. É de certeza por não saber dançar...

Luís Santos
Clube Português de Orientação e Corrida



[foto gentilmente cedida por Armando Santos]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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