sábado, 26 de setembro de 2009

NA ORDEM DO DIA: O RELANÇAMENTO DO TRAIL-O EM PORTUGAL


A Direcção Técnica Nacional da Federação Portuguesa de Orientaçãotem vindo a manifestar o desejo de relançar o Trail-O no nossos País, assumindo-o como um dos vectores de actuação para a presente temporada. Agora, António Aires parece apostado em trazer definitivamente o tema para a Ordem do Dia.

Procurando pôr em prática aquele que é um dos objectivos da Direcção Técnica Nacional para a época 2009/2010, António Aires acaba de concretizar o interesse da Federação Portuguesa de Orientação em traçar objectivos de forma a aproveitar todo o actual trabalho que se está a realizar em redor do Trail-O. Nesse sentido, o DTN enviou mensagem a “todos os agentes que já estiveram envolvidos na organização de actividades de Trail-O, assim como para os responsáveis de clubes que já organizaram ou manifestaram interesse em organizar actividades de Trail-O”. A aposta é clara e cifra-se na criação da dinâmica necessária para lançar a modalidade definitivamente em Portugal

Dividida em cinco pontos fulcrais, a intenção do DTN define como objectivos prioritários os seguintes: (1) A criação duma Comissão de Trail-O; (2) a formação de técnicos dos clubes através da organização de um curso de “Organização de Actividades de Trail-O”; (3) criar um formato de prova estável durante 2009-2010, que leve à criação de um Calendário de Provas para a época 2011 e um respectivo Regulamento de Competições; (4) envolver neste processo as instituições de saúde que já mostraram interesse em participar no Trail-O; (5) lançar a semente da modalidade em instituições que potencialmente possam trazer praticantes.

Porque na referida missiva me é endereçado um pedido para que “faça o resumo do estado actual da ligação FPO / Instituições como resultado das diversas sinergias criadas”, irei aproveitar este espaço para fazer então o ponto da situação e reflectir sobre o momento do Trail-O em Portugal.

Um pouco de história

Como é sabido, tudo começou no Dia Nacional da Orientação, no Complexo Desportivo do Monte Aventino, aquando da realização do Troféu de Orientação do Porto. Organizada pelo Grupo Desportivo 4 Caminhos, esta foi uma prova que contou com apenas três participantes, todos eles do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada, mas que se revelou extraordinariamente profícua. Mérito naturalmente do clube organizador, mérito ainda do Albino Magalhães e da Diana Marli, monitores inexcedíveis de atenção e disponibilidade, mérito sobretudo dos três doentes, que fizeram questão de manifestar, junto das mais altas instâncias do Hospital da Prelada, a sua satisfação e reconhecimento pela autorização em participarem na iniciativa.

A dinâmica estava criada e o número de participantes na actividade seguinte, duplicou. Foi no Parque do Carriçal, na segunda etapa do Park Matosinhos Tour, ainda e sempre pela mão do Grupo Desportivo 4 Caminhos. As duas iniciativas que se seguiram – Almeirim e Santo Tirso - acabaram por não ser bem sucedidas, face às condições atmosféricas particularmente adversas. Finalmente, no segundo dia do Portugal O’Summer, o Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro abriu as suas portas ao Trail-O, para uma actividade organizada pelo Clube Ori-Estarreja. Dividida em parte teórica e em parte prática, a actividade teve em Bruno Nazário o seu principal responsável e contou com a participação de 35 atletas (28 dos quais do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada).

Está feito, resumidamente, o ponto da situação. Poderá acrescentar-se a calendarização duma actividade de Trail-O já no próximo dia 4 de Outubro, em Alijó (“Douro de Orientação”, 2ª prova da Taça de Portugal, da responsabilidade do Clube OriMarão) e em 15 de Fevereiro, na Figueira da Foz (“Portugal O’Meeting 2010, da responsabilidade conjunta do COC e Ginásio Figueirense).

Sem atletas não há provas, sem provas não há atletas

O estado actual do Trail-O vive duma dinâmica estruturada em moldes precários. Sem atletas não há provas, sem provas não há atletas. Fruto do esforço e da boa vontade de alguns clubes que começam a demonstrar sensibilidade para esta problemática, tem-se avançado com algumas iniciativas. Mas se não é fácil pedir aos clubes que disponibilizem recursos para este tipo de actividades, não é menos fácil encontrar atletas.

O projecto “Bicas no Rovisco Pais – Desporto Adaptado”, recentemente inaugurado no Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Rovisco Pais, parece ser um caminho possível para a captação de atletas para o Trail-O. Tal como as escolas são o viveiro onde deve incidir todo o trabalho de captação de jovens talentos, parece-me que as instituições de saúde deverão estar na primeira linha de actuação quando de Trail-O se trata. Particularmente se já houver um trabalho minimamente estruturado, casos do referido Hospital Rovisco Pais e do Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão. Mas também do Hospital da Prelada, onde se encontra em fase de preparação um projecto que visa a criação dum Grupo de Desporto Adaptado, ou ainda de Hospitais e demais instituições que tenham no seu âmbito de acção a pessoa com deficiência motora.

“É importante que se criem condições dentro dos Hospitais”

Aquando da Sessão de Inauguração do Projecto “Bicas no Rovisco Pais – Desporto Adaptado”, tive oportunidade de conversar com a Dra. Leila Marques, Presidente da Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes. Porque julgo serem realmente importantes, das suas impressões extraio o seguinte: “O desenvolvimento dum projecto desta natureza dentro dum Hospital é realmente uma fonte de excelência, dado que estamos a trabalhar com atletas com especificidades muito particulares. É importante que se criem condições dentro dos Hospitais, se motive, se dê a conhecer; mas depois é fundamental, logo de imediato, articular com Clubes e Associações para que os atletas passem a ser rapidamente integrados nos circuitos ditos normais do Desporto Para Todos.”

São ainda de Leila Marques as seguintes palavras: “Devemos investir na captação de atletas, na formação de técnicos, na formação de classificadores médico-desportivos, para que realmente possamos criar uma base bastante alargada da pirâmide para depois chegarmos lá acima.” E a concluir: “É desejável que este tipo de iniciativas seja alargado a mais instituições de saúde.”

O que é realmente importante

Regressando a António Aires, qualquer um dos cinco objectivos elencados por si é importante. Todavia, o mais importante é aquele que visa o envolvimento por parte das instituições no processo. Sem isso, tudo será muito mais difícil! Criar uma Comissão de Trail-O é realmente importante, cursos e calendários de provas merecerão certamente toda a atenção a seu tempo, mas é realmente naquilo que é definido como “lançar a semente da modalidade em instituições que potencialmente possam trazer praticantes” que reside o busílis da questão. E para isso a Federação Portuguesa de Orientação vai ter de encontrar os parceiros certos para, em conjunto, protocolar com as entidades competentes as intervenções julgadas necessárias e convenientes.

Dotar as instituições de saúde de cartografia específica para o Trail-O, apostar na formação de pessoal de Saúde – enfermeiros e fisioterapeutas -, conferir-lhes a possibilidade de se organizarem em Grupos de Orientação de Desporto Adaptado inscritos na Federação Portuguesa de Orientação, apoiar tecnicamente esses grupos no sentido de organizarem as suas próprias provas e estender ao mesmo tempo esta dinâmica à Federação e aos Clubes, parece-me um caminho adequado. As implicações logísticas ao nível das necessidades especiais neste tipo de atletas são enormes e, numa instituição de saúde, são mais facilmente torneadas. E depois o número de participantes será sempre substancialmente superior, como se percebeu no Hospital Rovisco Pais, em contraposição com as demais provas, onde esse número só não é desanimador porque as pessoas não se deixam desanimar com duas letras.

Deixe o seu comentário

Está na altura de todos nos fazermos ouvir. Pegando nos pedidos do Director Técnico Nacional, façam chegar nomes de voluntários para a Comissão de Trail-O, informem de outros orientistas que tenham experiência / interesse no Trail-O e enviem sugestões relativamente a este processo inicial. Podem fazê-lo por e-mail para
dtn@fpo.pt ou contactar directamente António Aires através do telemóvel 96 023 60 11. E não se esqueça ainda de deixar aqui o seu comentário. A sua opinião conta!

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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