quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PORTUGAL O'SUMMER 2009: A MAGIA DO TRAIL-O


O Portugal O’Summer 2009 e os seus responsáveis quebraram barreiras, encurtaram distâncias, suprimiram diferenças e ajudaram a apontar novos caminhos. Foi na manhã de ontem, na Tocha, com a disputa da prova de Trail-O, iniciativa que marca o próprio evento.
“Inesquecível!” Foi esta a afirmação unânime de todos quantos participaram na prova de Trail-O, levada a cabo na manhã de ontem na Tocha, no âmbito do Portugal O’Summer 2009. Evento maior do calendário de Orientação Pedestre e que assinalará o arranque da Taça de Portugal 2009/2010, o Portugal O’Summer é uma organização do Clube Ori-Estarreja, da Câmara Municipal de Cantanhede e da Federação Portuguesa de Orientação.

Ontem, segundo dia de provas, o evento contou com a realização duma prova de Trail-O, disciplina da Orientação especificamente vocacionada para a pessoa portadora de deficiência motora, deslocando-se em cadeira de rodas. Participaram nesta iniciativa 27 utentes do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada – Dr. Domingos Braga da Cruz (Porto), que aqui se deslocaram na companhia dos seus familiares, devidamente enquadrados por nove profissionais de saúde. Menor foi a participação dos utentes do Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Hospital Rovisco Pais, em cujas instalações decorreu a prova, resumida a sete atletas.

Apresentação teórica

Com algum atraso em relação ao previsto, a actividade foi precedida duma apresentação teórica sobre os fundamentos da Orientação enquanto modalidade desportiva e da sua variante de precisão, o Trail-O. O excelente polidesportivo do Rovisco Pais encheu-se duma plateia atenta e interessada para escutar o Seleccionador Nacional, Professor Bruno Nazário, provar - ainda que virtualmente! – o desafio da Orientação, colocar dúvidas e responder a questões.

Seguiu-se o almoço, servido na sombra e frescura dum magnífico relvado junto ao Centro do Evento e à Piscina. A atenção, disponibilidade e simpatia dos elementos ligados ao Clube Ori-Estarreja calaram bem fundo nos presentes, incansáveis nos elogios à Organização em geral e, em particular, à magnífica sopa de legumes com massa e feijão da Maria Silva, uma verdadeira especialista na arte de bem cozinhar.

António Jamba e Carlos Duarte, dois verdadeiros especialistas

O início da tarde levou os participantes ao encontro das emoções do Trail-O, agora já “a sério”, de mapa e cartão de controlo na mão. O percurso foi traçado em redor do moderno e funcional pavilhão Dr. Santana Maia, em mapa à escala de 1:1 500, construído a partir de Mapa-Base da Câmara Municipal de Cantanhede e com trabalho de campo e desenho de Nuno Leite (Julho de 2009). Nove pontos de decisão com três balizas em cada ponto, tal foi o desafio proposto a 21 atletas em cadeira de rodas, extensivo a acompanhantes, pessoal de saúde e demais público (entre os quais muitos participantes no evento maior que é o Portugal O’Summer). Apesar de todos serem vencedores nesta extraordinária jornada, para a história aqui ficam os nomes dos atletas com honras de pódio.

Classificações:

1º António Jamba (MFR – Hospital Prelada) – 9 pontos
1º Carlos Duarte (MFR – Hospital Prelada) – 9 pontos
3º José Jerónimo Ferreira (MFR – Hospital Prelada) – 8 pontos
3º Regina Pires Alves (MFR – Hospital Prelada) – 8 pontos




“O Trail-O é realmente uma modalidade muito exigente”

Responsável maior por esta actividade particular, Bruno Nazário confessou-se encantado pela forma como tudo decorreu: “As pessoas aderiram e perceberam a mecânica do Trail-O. É uma sensação muito boa porque vê-se que as provas podem ser realmente inclusivas. Na mesma prova, no mesmo dia, facilmente conseguimos fazer com que existam actividades para aqueles que querem fazer Orientação Pedestre e para os praticantes de Trail-O.” A terminar, um desafio às restantes organizações da Taça de Portugal: “Espero que consigam fazer eventos desta natureza. Não necessita de ser oficial, com classificação e tudo o mais, mas que abra a possibilidade a todos de tomarem contacto com a modalidade. E não apenas às pessoas com limitações motoras, mas também aos próprios atletas de Orientação, que faz-lhes muito bem, porque o Trail-O é realmente uma modalidade muito exigente.”

Nuno Leite, o Director da Prova, alinhava pelo mesmo diapasão, desdramatizando eventuais entraves de natureza organizativa: “Não é complicado montar uma prova destas. Basta ter os meios humanos adequados, uma ou duas pessoas com conhecimentos da actividade e como é que ela deve ser preparada em termos técnicos. Depois é apenas uma questão de dar apoio aos participantes nas dúvidas e questões que eventualmente possam ser colocadas.”

“Esta nova ferramenta constitui uma mais-valia”

Em representação do Hospital Rovisco Pais, a Dra. Marília de Campos manifestou-se “surpreendida pela positiva, pela adesão, pela participação e pelo resultado que pudemos ver na alegria dos participantes, essencialmente.” Segunda unidade de saúde do país a possuir um mapa de Orientação (depois do Centro de Medicina de Reabilitação do Alcoitão), aquela profissional de saúde entende que “esta nova ferramenta constitui uma mais-valia, num espaço privilegiado para a prática desportiva e sobretudo da modalidade de Orientação. O novo mapa irá permitir a realização deste tipo de actividades, enquadrando-as no grande objectivo de integração social da pessoa portadora de deficiência que é o projecto ‘Bicas no Rovisco Pais’. E dirigido não apenas aos nossos utentes internados mas possibilitando, inclusive, a organização de actividades com parceiros, nomeadamente com o Hospital da Prelada, que está sempre convidado.”

Fim de festa

Precedendo a Cerimónia de Entrega de Prémios, o Hospital da Prelada, na pessoa da Dra. Liliana Rocha, teve oportunidade de agradecer ao Clube Ori-Estarreja e ao Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Hospital Rovisco Pais o convite e o terem proporcionado momentos tão especiais a todos, oferecendo a ambos um bonito medalhão.

Seguiram-se palavras de apreço pela forma como decorreu a actividade e felicitou-se o Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro – Hospital Rovisco Pais por ser agora detentor dum mapa de Orientação. Por último, Carlos Duarte, em representação dos utentes do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada – Dr. Domingos Braga da Cruz, deixou um testemunho que emocionou todos os presentes, vincando bem o desejo de, num futuro próximo, também o Hospital da Prelada poder vir a ter o seu mapa de Orientação, permitindo retribuir ao Hospital Rovisco Pais a gentileza do convite.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

António disse...

Agradeço ao Joaquim Margarido toda a participação que teve contribuindo para o sucesso deste evento. O seu envolvimento foi fundamental quer para a realização quer para a aderência com que podemos contar.

António Amador