sábado, 4 de julho de 2009

JWOC 2009: ENTREVISTA COM BRUNO NAZÁRIO


Atenções viradas de novo para o JWOC 2009. Numa conversa onde o optimismo foi a nota dominante, o Orientovar reproduz a conversa mantida com o seleccionador nacional, Bruno Nazário, a propósito da participação portuguesa no Campeonato do Mundo de Juniores de Orientação Pedestre.


Orientovar - Neste JWOC vamos poder ver em acção a ‘geração de ouro’ da Orientação portuguesa. Que significado é que isto pode ter e que expectativas estão criadas?

Bruno Nazário – O Diogo Miguel, o Tiago Romão e o Jorge Fortunato são atletas que nos dão esperanças num resultado digno de relevância. Não é uma expectativa exclusivamente nossa em relação a eles, mas eles próprios têm elevadas expectativas. Temos focado muito o aspecto da Estafeta e pensamos, depois do que estes mesmos atletas fizeram no EYOC 2007, que é possível um bom resultado. Quem sabe, até, entrar nos dez primeiros, o que seria muito, muito bom. Em termos individuais, um dos grandes objectivos é a prova de Distância Média. Qualquer um destes três atletas, a meu ver, tem lugar na final A desta prova, assim as coisas corram normalmente. E depois, na final, penso que um lugar nos trinta primeiros é possível.

Quanto aos restantes, para os miúdos que vêm do EYOC esta participação destina-se principalmente para ganhar experiência. O Campeonato é desgastante, terão ainda pela frente uma viagem muito dura de mil e tal quilómetros, no dia seguinte vão competir, pelo que não é espectável algo de transcendental. E depois temos o Manuel Horta, que muita gente tem tendência a descartar, mas que eu sei que, se as coisas lhe saírem bem, é igualmente um atleta que não podemos deixar de fora. Quem sabe, até, não chegaremos a ter quatro atletas na final da prova de Distância Média.

Orientovar – Que preparação específica foi levada a cabo com vista a esta participação?

Bruno Nazário – Este foi o primeiro ano em que arrancámos com o projecto de desenvolvimento dos grupos de selecção e os estágios não foram tantos quanto desejaríamos. Mas tivemos sempre a preocupação de escolher locais onde os terrenos se adequassem àquilo que iríamos encontrar, como por exemplo este das provas de selecção em terreno montanhoso muito parecido com aquilo que teremos no JWOC. E depois, quando fizemos estágios noutros sítios como por exemplo em Mora, tentámos encontrar mapas com muito relevo, onde treinámos situações que provavelmente iremos apanhar, como pernadas ao longo da curva de nível, pernadas em subida, pernadas em descida, ou seja, muitas situações relacionadas com o desnível, que irá estar bem patente nestes mapas das regiões montanhosas do Trentino.

Orientovar – Qual a motivação dos atletas?

Bruno Nazário – Tenho falado muito com eles, mas sobretudo com o Tiago Romão. O Tiago, de cada vez que começa a falar, diz logo que está motivadíssimo. Acho que nem precisamos de lhes dar mais motivação, eles próprios têm essa motivação. Aquilo que penso que temos que fazer é mesmo gerir as expectativas. Um dos atletas com quem tenho trabalhado mais – até por ser do meu clube – é o Diogo Miguel. Colocámos desde o início da época o JWOC como um grande objectivo e o Diogo tem na sua cabeça fazer um resultado, senão igual àquele que fez em 2007, na Hungria, no Sprint, pelo menos muito parecido. Mas ele tem que saber que ali vai estar a competir com os melhores atletas do Mundo, todos eles trabalharam para estarem bem exactamente naquela altura e, no Sprint, muitas coisas podem acontecer. Eu acho que eles têm capacidade para fazer coisas fenomenais, mas também não se podem desmotivar se as coisas não correram exactamente como eles esperam. Acho que têm mais que capacidades para fazerem resultados excepcionais, é só preciso ter esse cuidado de se moderarem um bocadinho. Mas temos que nos nivelar por cima, sermos ambiciosos, porque eles são realmente a ‘geração de ouro’ e têm que se assumir como tal.

Orientovar – A uma geração de ouro, outra geração se segue. Estão já aí a ‘fazer a ponte’ o João Mega, a Ana Coradinho, a Isabel, a Joana, a Mariana Moreira…

Bruno Nazário – Sobretudo nas miúdas é fantástico. Até há uns tempos atrás tínhamos apenas a Isabel Sá, a Joana Costa e a Mariana Moreira e agora apareceram muitas miúdas da Gafanhoeira, o que é espectacular. E temos muitas destas miúdas cada vez mais perto umas das outras, o que é fundamental para o nível subir. Penso mesmo que os próximos anos, nos Juniores, em termos de resultados vão ser liderados pelas senhoras. Temos um campo feminino claramente mais forte do que o masculino. Isso permite-nos continuar a sonhar, até porque o trabalho que vai sendo desenvolvido destina-se a que não haja quebras entre as gerações. Será perfeitamente normal que apostemos alguns dos nossos recursos na formação e na descoberta de novos talentos, para que possam ir aparecendo sempre atletas de topo.

[entrevista efectuada em 27 de Junho de 2009, no decorrer do XI Grande Prémio do RA4, Praia da Vieira]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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