quarta-feira, 1 de julho de 2009

EYOC SERBIA 2009: QUATRO DELICIOSOS TESTEMUNHOS


Juntamente com os relatos dos principais responsáveis pela comitiva portuguesa, chegam-nos hoje mais quatro testemunhos imperdíveis de quatro verdadeiros campeões. Filipe Salgado, Pedro Silva, Rita Rodrigues e Isabel Sá dizem de sua justiça.


Está a ser a minha primeira competição internacional e estou a gostar imenso, gostava de vir a repeti-la, pois tenho a certeza que vou crescer e evoluir como atleta e como pessoa, pois temos um grupo bastante coeso em que todos se dão bem.

Estamos em Kopaonik, que é absolutamente fantástico e tem florestas inacreditáveis a uma altitude muito próxima dos 2000 metros. É um local excelente para praticar Orientação, tanto pela exigência técnica como física, visto que a altitude influencia a nossa respiração e performance, pelo que achei bom termos chegado três dias antes da competição. Para além das coisas boas ao nível da Orientação e de paisagem, a Sérvia também tem coisas negativas, tal como o facto de não podermos beber água da torneira porque está contaminada e em algumas zonas o lixo, em vez de ser recolhido, é queimado dentro dos contentores.

Os treinos têm sido fantásticos, pois temos treinado em grupo para ver como cada atleta navega neste terreno e para aumentar o espírito e a união de cada equipa. Tem sido extraordinário aprender com atletas como o Mega e como o Paulo Pereira, porque para além de muita experiência, de serem excelentes atletas e pessoas, têm-me ajudado a ambientar a este tipo de competições.

Quanto à competição, gostávamos de surpreender nas Estafetas. Quanto a mim gostava de ficar nos 65 primeiros na Distância Longa e fazer o melhor possível no Sprint. Estamos prontos para dar o nosso melhor e para - quem sabe -, provocar alguma surpresa.

Filipe Salgado



Esta é a minha primeira participação no EYOC e está a ser espectacular por agora, começando pela viagem, em que conheci muitos países nos quais nunca tinha estado, tal como Itália, Eslovénia, Croácia. Foram diversos os momentos engraçados que tivemos durante a nossa viagem, que apesar de ser cansativa devido a ser longa foi divertida.

No treino de hoje observou-se que estes mapas exigem uma certa qualidade técnica e que têm um elevado relevo como nas provas selecção. Deu para perceber que ainda não estou muito adaptado a fazer provas nesta altitude, mas com mais uns dias acabarei por me habituar.

Quanto aos meus objectivos para este EYOC não tenho grandes previsões em termos de resultados porque esta é uma das minhas primeiras provas internacionais, a primeira pela selecção. Apenas posso dizer que espero um bom resultado nas nossas Estafetas e acho que vamos fazer uma boa prova porque estamos motivados para isso.

Pedro Silva



Começou em Portugal, grandes aventuras, grandes histórias, bem tanta coisa… apenas com muito tempo para explicar.

A viagem foi um pouco cansativa, mas valeu bem a pena, passar por sete países em apenas dois dias e meio é mesmo quase impossível!

Quando chegámos estava de noite, não deu para ver quase nada onde estávamos, fomos dormir e de manhã acordámos num sítio espectacular, grandes florestas, montanhas e… montanhas. Quanto à comida, tem sido bem melhor do que estava à espera, têm diferentes modos de vida e principalmente existe um grande problema, existe muito lixo nas ruas!

O primeiro treino foi uma grande experiência, realizei-o com a Ana Salgado para nos habituarmos ao tipo de terreno, apenas fizemos três pontos a ritmo de competição, era num terreno muito parecido com o da Distância Longa. Essa floresta era bastante diferente daquelas que existem em Portugal (bastante desnível e floresta um pouco fechada).

O segundo treino que realizámos foi no terreno onde irá ser a prova de Estafetas. Dividimo-nos em cinco grupos e baseou-se numa competição em que o principal objectivo era ver qual dos grupos conseguiria ir mais a direito «red line» (conseguimos ver isso porque cada grupo levava um GPS). Foi um treino bastante engraçado e não tive tantas dificuldades pois o terreno também ajudava, tinha muitos pântanos, também muito desnível e principalmente muito técnico. Foi dos treinos que para alguns deu muito que falar… por exemplo para a Ana Salgado que ficou num pântano com lama até acima dos joelhos!

Na globalidade está tudo a ser do melhor! Espero que continue assim, embora que daqui a um dia vamos entrar na verdadeira competição e ai espero conseguir melhor resultado no Sprint ou nas Estafetas, visto que nas Distância Longa é mais difícil, porque distâncias longas não são o meu forte! Está tudo muito entusiasmado na comitiva portuguesa, vamos ver o que vai suceder.

Rita Rodrigues


Depois de três dias seguidos de viagem, chegámos finalmente à montanha de Kopaonik, o monte mais alto da Sérvia e igualmente nosso destino. Kopaonik é, posso afirmar com certezas, uma das montanhas mais impressionantes onde já estive. A floresta é magnífica, a paisagem envolvente fascinante e o ambiente em redor é espectacular. Aqui sentimo-nos pequeninos. Não são os adversários que nos fazem sentir assim, é o que está ao nosso redor que é de uma beleza e força que nos fazem sentir tão insignificantes no meio de tanta natureza, no meio de tanto esplendor.

O alojamento é impecável, provavelmente o melhor de todos os quatro EYOC em que felizmente já tive oportunidade de participar. A alimentação igualmente, contrariando as expectativas.

Quanto aos terrenos e aos treinos que já fizemos, posso descrever a floresta como difícil, dura e desafiante. Apesar disto, é fascinante ver a facilidade e a coragem com que o ‘Zé Portuga’ navega nestes terrenos. Sinto-me orgulhosa ao ver especialmente os mais novos encarar estes terrenos como se estivessem em casa. E esta atitude revela-se nos resultados dos seus treinos, como podemos constatar depois pelos GPS. A maior dificuldade a nível físico é a progressão, que pelo tempo que aqui se faz sentir está muito molhada e torna difícil e extremamente cansativo correr a ritmos fortes. Por outro lado, como o terreno é muito exigente tecnicamente, não é possível impor grandes ritmos se queremos ser perfeitos tecnicamente.

Vendo tudo isto, creio que as minhas maiores expectativas para a comitiva se debruçam para a prova de Estafetas, competição esta onde a garra, a vontade, o sacrifício, o esforço e a dedicação são mais fundamentais. E não há dúvida nenhuma, especialmente para quem cá está, que se há sentimentos que se vivem neste comitiva, são esses.

Quanto às minhas expectativas pessoais, desde cedo sabia que onde poderia estar melhor seria na Longa, visto que será mais técnico que físico. Relativamente ao Sprint, à partida não me sentia muito à vontade com esta prova, porém o que aqui temos visto é que este será bastante exigente tecnicamente e que boas opções e provas tecnicamente perfeitas serão a chave para o sucesso. Assim sendo, creio que poderei fazer um Sprint melhor do que esperava e por isso mesmo optei por partir em primeiro para tentar diminuir os factores de desconcentração, com o objectivo de ser tecnicamente perfeita.

Outro facto que gostaria de referir é a atitude, o comportamento que esta comitiva apresenta em 2009, tão diferente daquela que se vivia em 2005, no EYOC da República Checa. Esta situação resulta evidentemente de todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido e igualmente da postura, da responsabilidade e da dedicação com que todos, independentemente da idade, apresentam. Quaisquer que sejam os resultados, sinto-me nestes dias, orgulhosa de pertencer a este grupo, orgulhosa de ser portuguesa.

Isabel Sá







[fotos de Raquel Costa]

Saudações orientistas.


JOAQUIM MARGARIDO
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