terça-feira, 2 de junho de 2009

NA ORDEM DO DIA: RELÓGIOS GPS, SIM OU NÃO?


A Federação Internacional de Orientação acaba de actualizar o seu Regulamento de Competições de Orientação Pedestre. Do conjunto de alterações introduzidas, destaca-se essa proibição do uso de relógios GPS que providenciem qualquer tipo de ajuda à navegação dos atletas. Um assunto que está a suscitar as mais variadas reacções e que se encontra, definitivamente, na Ordem do Dia.

A IOF acaba de divulgar o novo Regulamento de Competições de Orientação Pedestre [ver AQUI
]. Integrando algumas das determinações sugeridas na reunião da sua Comissão de Regulamentos, que teve lugar em Helsínquia em 24 e 25 de Janeiro, o documento entrou precisamente ontem em vigor e aplica-se exclusivamente aos eventos organizados no âmbito da IOF, sejam eles eventos WRE, provas da Taça do Mundo ou Campeonatos do Mundo.

Entendido como uma necessidade de melhorar ou detalhar certos aspectos das vertentes organizacional e competitiva, o novo Regulamento foi aceite de forma pacífica pela comunidade orientista. A excepção vai para essa determinação acerca daquilo que os atletas podem “transportar e usar” durante a corrida e que, no ponto 21.3, é definido como “mapa e sinalética fornecidos pela organização, e uma bússola.”

Podem os relógios GPS auxiliar na Orientação?

De fora fica todo e qualquer equipamento que possa constituir um auxiliar de navegação, com os relógios GPS à cabeça. Fornecendo com exactidão elementos tão importantes como a distância e a altitude, todos os relógios GPS constituem, indubitavelmente, uma ajuda à navegabilidade dos atletas. Estão neste caso os modelos Forerunner 405/305, desenvolvidos pelos americanos da Garmin e tão populares entre os orientistas do mundo inteiro. Entre outros aspectos, essa popularidade advém do facto do seu software ser compatível com o QuickRoute, uma ferramenta informática criada pelo sueco Mats Troeng e que permite a análise pormenorizada da performance do utilizador.

A regra, contudo, admite uma excepção no seio desta vasta gama de equipamentos agora banidos. Trata-se dos relógios GPS sem visor, caso do Globalsat BT-335 Data-logger, o qual dispõe precisamente das mesmas funcionalidades e é compatível com o QuickRoute.

“Totalmente contraproducente”

A atleta checa Eva Jurenikova contesta a nova regra, considerando-a “um passo atrás para a Orientação”. Jan Kocbach vai mais longe e espera “no interesse da modalidade, que as Federações nacionais não acatem a determinação da IOF.” Pasi Ikonen, número 11 do ‘ranking’ mundial, classifica estas notícias como “muito tristes”. Para o atleta finlandês, “os treinos são o principal objecto de análise, mas são igualmente importantes os elementos acerca de performance em condições excepcionais de exigência e stress, como é o caso das competições internacionais.” E termina afirmando que “perder-se-á uma importante base de informação se as organizações impedirem a recolha desses elementos”.

Mats Troeng, um dos melhores atletas mundiais (é o 14º classificado do ‘ranking’ da IOF) e criador do QuickRoute, considera a decisão “totalmente contraproducente”. E explica porquê: “Os esforços da IOF deveriam centrar-se nas medidas tendentes a tornar o nosso desporto mais atractivo. Possibilitar aos melhores atletas partilharem as suas opções de corrida com fãs do mundo inteiro confere uma maior visibilidade à Orientação e torna-a mais atractiva. Impedir isto não é, seguramente, atractivo.” E termina desejando que a regra 21.3 “seja revogada o mais rapidamente possível”.

A opinião de Tiago Aires

Por cá procurámos ouvir Tiago Aires, atleta e treinador que, destes equipamentos, possui a mais positiva das impressões. Senão vejamos: “A Orientação sempre sofreu bastante pelo facto de o treinador não conseguir observar directamente o que os atletas estão a fazer. Os métodos usados (sombra, câmaras, espectadores, supersprint, entrevista, traçar no mapa) quase sempre se mostram pouco fidedignos e estes GPS vêm revolucionar completamente a análise da performance de cada atleta. Graças a eles é possível avaliar com a máxima eficácia e detalhe as hesitações, confiança, parar para ler o mapa, direcção, capacidade física em diferentes partes do terreno e momentos da prova, entre outros.”

Referindo-se à realidade concreta do clube que, juntamente com Raquel Costa, orienta, Aires adianta que “no Gafanhori já temos quatro relógios destes e têm-me dado muitos frutos na minha observação e consequente abordagem aos atletas.” Mas vai mais longe: “Ainda no último estágio da selecção consegui ter informações de atletas como a Mariana Moreira, Joana Costa, Miguel Ferreira, Tiago Baltazar, Luís Silva e outros, de forma a poder comparar e analisar todas as etapas de cada pernada. Mas há também outros que tenho imensa curiosidade em observar. Já tive oportunidade de dizer aos jovens, e volto a referir, que é fundamental ter estes relógios para podermos potenciar ao máximo os nossos treinos. Todos os jovens do Grupo de Selecção devem procurar ter o seu até ao Natal.”

“Não tem lógica aplicá-la em Portugal”

Quanto á regra da IOF, Tiago Aires é peremptório ao afirmar que “já era esperado!” O atleta explica porquê: “Sem dúvida que é possível tirar informações fidedignas do relógio, tais como a distância. Esta regra tinha de estar no Regulamento da IOF, mas não tem lógica aplicá-la em Portugal ou nas competições que não definem Campeonatos Internacionais. Particularmente em Portugal, se os atletas puderem comparar os ficheiros uns com os outros, todos temos muito a ganhar.”

À semelhança de muitos outros utilizadores deste tipo de equipamentos, Tiago Aires exprime as suas dúvidas quanto às vantagens que um atleta possa retirar em termos estritamente de navegação. É que “não é nada fácil conseguir recolher as informações que o relógio vai dando e utilizá-las adequadamente e em tempo útil”, afirma. Apesar de concordar que “obviamente, a IOF cumpre o seu papel, procurando salvaguardar possíveis vantagens momentâneas que advenham do facto do atleta saber a distância num parcial, por exemplo, para procurar o ponto seguinte, mesmo que isso não seja fácil.” É que, conclui, “há que precaver situações destas em grandes competições.”

Junte-se à discussão e enriqueça o debate, deixando aqui o seu comentário.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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19 comentários:

TIXA disse...

olá a todos,
concordo completamente com a opinião do Tiago Aires, é essencial que os nossos jovens recorram a este tipo de relógios para conseguirem detectar quais os seus "pontos fracos" de modo a serem trabalhados em treinos e a potenciar ao máximo o seu rendimento.
Falo nos jovens, porque são eles o nosso futuro.:)
Beijos
TIXA Casalinho

António Marcolino disse...

Olá
Quanto a mim esta regra não vem ajudar em nada na evolução da modalidade.
É através deste tipo de equipamento que nós conseguimos saber com a maior exactidão por onde andam os nossos atletas.
Mesmo traçando o percurso no mapa, não é de todo fiável porque existem sempre dúvidas.
E nós não conseguimos andar em todos os treinos a fazer sombra, e em provas pura e simplesmente não podemos seguir os atletas.

Cumprimentos
A.M

Fernando Andrade. disse...

Eu acho que o uso do GPS desvirtua a essência da Corrida de Orientação. Não precisamos de nos orientar porque algo o faz por nós. O mapa passa a ser lido muito "ao de leve" pois o importante é ir ao ponto e relógio leva-nos lá.
Poderá é ser criada uma outra modalidade de orientação em que há relógio, mas não há mapa. Mas se há mapa, não deve haver relógio(GPS, bem entendido).
Desculpem lá a opinião de um sujeito que só fez orientação uma vez e ainda por cima foi... desclassificado.
Abraço.
FA

Mário Santos disse...

Boa tarde,

Também tenho um Garmin Forerunner 305, já há cerca de 3 anos e meio.

Dou um prémio a quem me conseguir ensinar como é que consigo navegar com ele numa prova de orientação. LOL

Acho que isto é um falso problema. Uma coisa são relógios, com monitor cardíaco (caso do meu) e receptor de GPS (passivo). Outra coisa são dispositivos de GPS (activos) como alguns utilizados para Navegação GPS, como nos rallys Dacar e semelhantes.

Uma coisa é usar o relógio GPS (passivo) para a posteriori analisar a nossa performance. Outra é utilizar qualquer tipo de GPS como ajuda à navegação.

Alguém acredita que algum atleta competindo para fazer o mínimo tempo possível numa prova de orientação, consegue tirar algum partido dum relógio com GPS passivo incorporado, que não seja a monitorização cardíaca e a contagem do tempo?

Como é que o atleta pode tirar partido do seu dispositivo com GPS, se não tem hipótese de programar rotas, check points, o que quer que seja, visto que só vê o mapa quando parte? E mesmo que fosse possível programar um relógio GPS com as coordenadas de cada CP, como é que o atleta o faz sem as coordenadas de cada CP e sem ter o mapa na memória do relógio GPS? E quanto tempo levaria a programar um percurso? Nunca o conseguiria em tempo útil.

Penso que este é um falso problema. Faz-me lembrar não quererem pôr o chip na bola, preferindo que se assinalem golos que não o são ou que não se assinalem os que o são.

O meu Garmin 305, já me permitiu provar a uma organização duma prova (que por acaso era do meu Clube), a júri técnico, supervisor, FPO e CA da FPO que não tinha efectuado aquilo de que era supostamente "acusado" e que servia de motivo para me ter desclassificado numa prova em Jan de 2007 (com o argumento de que no meu percurso poderia ter obtido vantagem). E assim não ficaram suspeições.

Acho que os relógios do género do Garmin 305 e modelos semelhantes de outras marcas, em nada violam essa regra da IOF com a qual concordo. Para navegar só se deve usar a "cabeça", o mapa e a bússola. Estes dispositivos em nada facilitam nenhum destes aspectos relacionados com a orientação, mas permitem estudar a performance depois, pelos dados recolhidos de modo passivo.

Esta é a minha opinião. Acho que não vale a pena levantar problemas onde eles não existem. Até porque se forem analisar os atletas que têm este tipo de "equipamentos", verificarão que continuam a fazer missing points, a ter erros em provas, a fazer opções menos boas... a que se deve isso então? Estão a fingir? Então porque não tiram vantagem dos seus relógios GPS? Nós é que não sabemos, mas pelos vistos até tiram cafés...

Saudações,

Mário

Mário Santos disse...

Lendo a regra à letra, nem relógio se pode levar (só autoriza "mapa, bússola e sinalética"). Até porque se for um relógio de ponteiros, poderemos determinar os pontos cardeais utilizando os mesmos e o Sol, e com isso poderemos estar a tirar vantagem dum equipamento adicional.

Isto é tudo muito bonito, mas depois vamos vê-los em grandes eventos internacionais a aplicarem GPS aos atletas para os vermos num écran em tempo real e na Internet.

Estes senhores não devem ter mais nada para fazer, porque se tivessem dedicavam-se a mudar aquela estúpida regra que permite desclassificar um atleta, mesmo que se consiga provar que passou e controlou no CP. A tal regra estúpida que nos manda picar no mapa em caso de falha da estação, mas que depois no final permite que mesmo assim o atleta seja desclassificado. Para que servem então as casas de reserva do mapa? Para inglês ver? Isso sim... era sobre isso que estes gurus deveriam estudar.

Saudações,

Mário

Nuno José disse...

Eu tenho um logger GPS sem visor já por causa disto, achei logo que um visor podia-me ajudar. E será que pode? Assim à 1ª vista parece que não, mas se for um atleta menos experiente sim pode. Passo a explicar.

Com um garmin destes novos consigo facilmente duas ajudas: Altitude e distância percorrida. Assim se fizer um azimute e for olhando pro relógio, sei se já ando perto do ponto ou não. Mas sinceramente, o tempo que se perde a preparar isto para um atleta de topo não serve, agora para mim ganhava logo uns segundos podem ter a certeza.

Já agora hehe para quem não sabe e não costuma ir ao forum, pode ir a www.orienta-te.com e experimentar o routegadget e ou traçar o seu percurso ou colocar lá o seu traçado de GPS.

Mário Santos disse...

Talvez também devam inserir uma regra para proibir o pessoal que ainda conta os passos para saber a distância que percorreu. LOL

Vitor disse...

Totalmente de acordo com o Mário Santos.
Compreende-se a preocupação da IOF com a evolução destes dispositivos, e não me escandaliza nada que proíbam aqueles que de facto possam adulterar a essência da modalidade.
Mas considerar que o Garmin Forerunner 305 pertence a esse lote é no mínimo "ridículo" ou revela pura ignorância.
Em relação á indicação da distância, será que também vão proibir os ciclometros na Ori-BTT?

PS:O Orientovar continua a marcar pontos,estando mais uma vez em cima do acontecimento.

adcabroelo disse...

Olá!
Sinceramente acho a regra desnecessaria, não acredito que alguém tire partido das informações fornecidas por esses aparelhos, mesmo a distância percurrida até porque seguindo a azimute (raramente é a melhor opção excepto mapas como o de Sábado passado) á sempre obstáculos a evitar, logo a distância é diferente.
Mas no meu caso não estou preocupado, como utilizo o FRWD é só deixar o relógio/monitor em casa e utilizar apenas a unidade receptora/gravadora que transporto no braço.
Abraços, Cesário

adcabroelo disse...

Há e já agora posso levar água!!!

Nuno Pires disse...

Olá a todos!

Esta já é uma velha questão para mim... estava mais ou menos à espera que uma regra destas aparecesse, tendo em conta os 'velhos do restelo' que normalmente pululam pelos organismos que regulamentam o desporto.
O exemplo dado pelo Mário é claro no paralelismo, e perdoe-me o Fernando, a falta de conhecimento específico leva a esta tomadas de opinião nada fundamentadas.
Já em 2006 tive a oportunidade de responder à questão se usava o GPS a praticar Orientação, num fórum, e o porquê da sua 'inutilidade' na hora da verdade. Quem compete pelos melhores lugares, ao carregar um relógio destes, só está a levar peso a mais...

Para não estar a traduzir tudo, copio o que escrevi na altura na integra... tenho uma opinião já bem formada desde então, sustentada pela experiência acumulada no manuseio de GPS destes e dos com mapas e que pouco ou nada mudou entretanto.

"I don't 'use' a GPS in competition...

This doubt of you is very common and rules are clear... Navigation must be made with map and as an option with the compass... Even with you saying you have not done any O runs, will try to explain as detailed as I can... and you I will understand my position, I think...

Last years where good to new small GPS like FR series and other brands, like Timex, Suunto, Midas and FRWD, as I know about... FR series is the only that has some 'navigation' capabilities, but no maps, so every discussion about carriyng a FR or any other GPS (in my opinion) does not give any advantage to the runner.

FR opened this discussion about Orienteers simply because it has a developed display, while other brands are 'displayless' or 'watch-like'. In some the only visible info is power led and GPS signal led...

Time is crutial, and when you start, you get the map, so there's no way to mark remote coordinates... Based on what? Are you willing to spend time and concentration, browsing menus and buttons? I doubt!!! There's no human that can do better than the 'old' compass navigation.... My compass needle stabilizes in less that one second... How much seconds any GPS digital compass need to 'stabilize'? If you stop to check your surrounding and rotate yourself without moving, which compass keeps working?

Another discussion is about the capabilities of displaying the lap distance, but also Polar watches allow this and even top Orienteers rely on pace counting... in the dense forest, GPS acuracy is far from what a top runner can do counting paces!!!

In conclusion, my opinion is: GPS is for recording only and there's no way to gain any advantage with it. Each time you think about having the GPS with you, you're losing contact with map and terrain...

I do Orienteering for two years now and I am learning and improving, both physically and well as technically. I will never be a good Orienteer, cause I started too late and I run like a old lady... Technically improving, because I train in forest as much as I can (with maps) and I use the GPS for post analysis, checking all the errors and deviations... scanning and calibrating the map based on the track points registered... Physically improving, because my FR gave me the motivation to beat myself every time i run without map. I don't like to run without navigation, so at least there's one adversary (me, from the last runs)...

I don't know what you do for sport, but if you like to run, try Orienteering, you will have new sensations: good and bad, as you became 'lost... Try not to run too fast than you think and see the map and terrain... Remember the turtle and the rabbit tale...
"

Sei que sou um dos primeiros utilizadores do FR305 em Portugal, com a primeira actividade registada a 10 de Junho de 2006, no GP do RA4. Ultimamente passei para o FR405, porque é mais um 'relógio do dia a dia', e que a qualquer momento pode passar a gravar os percursos.

Ou há alguém na IOF que sabe mais que todos nós juntos e descobriu a pólvora ou estamos perante mais um caso de 'analfabetismo digital'!!!

bo disse...

Navegar com um equipamento do tipo relógio (forerruner) é impossivel, mas é possivel seguir um track de um atleta que tenha feito o percurso antes. Ainda assim é impossivél manter um ritmo competitivo (só em ori-pedestre...). As vantagens (evolução técnica, promoção/atractividade) do uso destes equipamentos até ver são superiores às desvantagens (batota).

bo disse...

Outra coisa...suspeito que isso tem por trás outros int€r€ss€s. A garmin roubou grande parte do mercado da Polar...a Suunto tb está a tentar massificar.

Fernando Andrade. disse...

OK, meus amigos!
Já vi que "meti água" no meu comentário. A minha safa é ter-me assumido como um nabo na matéria. Caso contrário já tinha armado aqui uma g'anda "caldeirada".
Claro que quem tem experiência da modalidade é que pode dar opiniões esclarecidas. Eu apenas tenho uns conceitos muito rudimentares, mas achei o tema interessante e "botei faladura".
Olhem, desculpem qualquer coisinha.
Grande abraço.
FA

Luís Santos disse...

O texto com o qual mais me identifico é aquele que faz referência à IOF mencionando os "velhos do Restelo".

Para quem ainda não andava por cá recordo que esta é a mesma IOF que proibia as provas de sprint porque estragava a "pureza" da competição. E só depois de se ver completamente ultrapassada pela Park World Tour é que lá cedeu e criou o sprint.

Esta é a mesma IOF que acha que as longas se fazem todas a 1:15000 e obriga a utilizar esta escala em mapas que pura e simplesmente ficam ilegíveis porque têm demasiado detalhe para tal escala...

É a mesma IOF que vê um atleta ser filmado a picar o ponto de espectadores com centenas de pessoas a apladi-lo e desclassifica-o porque o sistema "achou" que o atleta não tinha controlado o ponto.

Mas esta também é a mesma IOF que num Campeonato do Mundo (Japão) autoriza os treinadores e auxiliares a andar dentro duma área de prova aos gritos para os seus atletas que o ponto é ali e que a seguir e acolá, coisa que nem se vê nem nas provas dos infantis, mas aconteceu mesmo num Mundial.

E é a mesma IOF que, salvaguardando o espectáculo, prejudica a justiça desportiva obrigando os atletas das finais a nunca partir com mais de 2 minutos de intervalo decidindo títulos mundiais com base em "comboios". Quem apanhar o melhor comboio...

Felizmente nem tudo é mau. E só estou a escrever estas linhas porque, apesar de gostarem muito do nosso desporto e de o quererem defender intransigentemente são mesmo "Velhos do Restelo" os que aprovam regras como esta do GPS...

Saudações,
Luís Santos

Fernando Andrade. disse...

Para alívio de consciência resolvi voltar ao assunto em

http://cidadaodecorrida.blogspot.com/

Abraço
FA

Rui Marques disse...

A regra pode ser má, porque como muita gente aqui diz é uma valiosa ferramenta de análise da evoluação de um atleta.

Mas eu também me coloco no lado da IOF (embora não sei quais foram os motivos para criar esta regra) e meto-me a pensar e se de repente alguém inventa ai um relógio (ou faz alguma adaptação) que permite tirar vantagens do seu uso? Vamos dizer na regra que apenas se podem usar os Garmin Fore runner 305 e mais este e mais aquele?

No entanto evitando que seja usado qualquer um, estamos a ser coerentes e a evitar problemas de dualidade de analise agora e no futuro quando houver uma maior evolução tecnológica. Não se trata de ser ou não velho do restelo, trata-se apenas de precaver potenciais aproveitadores dessa permissão.

Pessoalmente, deveria ser permitido usar gps mas ensacados ou uma solução parecida. O atleta quando entra para o -1, liga o relógio, ensaca-o e no fim depois de cortar a meta desliga-o, na presença da organização. Não sei se este tipo de solução existe ou não, mas julgo que seria bastante util poder fazer isto.

Abr,
Rui Marques

Mário Santos disse...

Olá Rui,

Se vamos ser coerentes, então temos de proibir tudo, ensacados ou não. Quem garante à organização que o GPS escondido não pode depois ser utilizado durante a prova com vantagem para o atleta? Teremos de começar a passar por um portal tal como nos aeroportos para certificar que não levamos nenhum extra não autorizado.

Tão pouco devem ser autorizados relógios, pois as regras dizem: mapa, bússola e sinalética. Com relógio, pelo tempo posso ter uma noção do espaço percorrido e tirar vantagens a partir daí.

Além de que estar a levar mochilas com equipamento, é mais próprio das Corridas de Aventura do que de uma prova de orientação.

E tal como alguém já aqui disse, também nada de velocímetros nas bicicletas, pois dão a distância percorrida... enfim, continuo a achar que se está a inventar um problema onde ele não existe.

Estes modelos de relógio de que aqui temos falado são essencialmente relógios, com monitor cardíaco incorporado e que por acaso também recolhem dados de localização geográfica para posterior análise e não para utilização activa. Não temos de especificar modelos, mas sim características que poderão dar vantagens se utilizadas... e estas de que temos falado, não dão qualquer vantagem e tão pouco são passíveis de ser utilizadas e nos casos em que o poderiam ser isso não é possível em tempo útil.

A IOF devia discutir, sim, a questão da Base Station que não apita e em que o atleta cumprindo as regras marca na casa de reserva do mapa e depois é desclassificado. Isso sim é que era importante discutir, até porque acontece com bastante frequência.

Saudações,

Mário

Mário Santos disse...

A IOF acaba por "desmistificar" a regra quando pergunta e responde:

"What is allowed?

The IOF is aware of the increasing popularity of GPS-based position recording devices over the last years as a tool for post-race analysis of performance and to share route-choice information etc.

This is welcomed, and it is not the intention to prohibit such usage. The IOF, therefore, wants to make it clear that any position recording device that is not capable of informing the athlete about position or navigation during the race, is allowed."

Ou seja, na prática, todo e qualquer dispositivo GPS não activo, do qual o atleta não possa tirar partido para saber qual o seu posicionamento e para navegar, será autorizado e até bem-vindo.

Penso que a manter-se a regra, a IOF acabará por ter de fazer uma lista dos modelos autorizados e dos modelos não autorizados, à luz deste critério. Desse modo, acabar-se-ão as dúvidas.