sábado, 27 de junho de 2009

EOC & JWOC MTBO 2009: DANIEL MARQUES, DIÁRIO DE BORDO


O dia de pausa serviu, entre muitas outras coisas, para assentar algumas ideias e colocá-las no papel. Foi assim com Daniel Marques, que fez do Orientovar fiel depositário deste autêntico ‘diário de bordo’ que agora se publica.


[Atravessámos Espanha, França, Bélgica, Holanda, Alemanha e finalmente chegámos à Dinamarca depois de percorrer 3000km em 3 dias de viagem]

Dia 22 - Chegada + Model Event + Chegada do Inácio

Chegámos ao Event Center em Hillerød de manhã onde levantámos os mapas de treino. Estávamos ansiosos para tirar as nossas bicicletas da auto-caravana e pedalar a navegar pelas terras dinamarquesas. Instalámo-nos no Parque de Campismo em Hillerød, onde planeámos ficar toda a semana. Treinámos na parte da tarde e cedo ficámos a perceber que estavam reunidas as condições necessárias para este Campeonato da Europa ter sucesso. Os terrenos e a zona envolvente tinham muita qualidade, mas era tudo muito diferente de Portugal e daquilo a que estávamos habituados, mais difícil e confuso, com florestas fechadas, com muitos caminhos mas sem muito desnível. Ficámos com a ideia que a Orientação iria exigir uma dose extra de concentração. O dia não acabara aqui, visto que fomos buscar o meu tio Inácio Serralheiro que chegou às 22h00 ao aeroporto de Copenhaga. Por motivos profissionais ele só pode estar presente no Campeonato da Europa, apesar da enorme vontade em juntar-se à nossa comitiva e continuar connosco para os 5 dias da República Checa. É a vida! Fomos dormir ao local da prova de Sprint que era perto do Aeroporto, já era tarde àquela hora e não valeria a pena voltar ao Parque de Campismo.

Dia 23 – Sprint

Após um bom pequeno-almoço, fomos afinar as "máquinas" para o primeiro dia de competição. O Joel, o Guilherme e o Paulo partiam sensivelmente na mesma altura, por volta das 11h00. Um sprint desta natureza - mapa 1:7 500 com muitos caminhos e pequenos detalhes - colocou em sentido todos os atletas. O Guilherme e o Joel não entraram bem no mapa, tiveram algumas dificuldades iniciais que acabaram por comprometer o resultado final. O Paulo Alípio também não começou da melhor forma, algumas escolhas de opção menos acertadas condicionaram uma prova acabou por se tornar positiva, dado que no segundo mapa esteve muito bem, recuperando alguns lugares perdidos. Eu considero que fiz uma prova ao meu nível, entrei bem no mapa e fiz uma primeira volta isenta de erros. O mesmo não poderei dizer após a troca de mapa, onde já nos pontos finais perdi no CP17 30 segundos numa má opção e no CP19 quase 1 minuto num erro de navegação. Os erros acontecem, tentamos evitá-los, mas nestes mapas a probabilidade de cometê-los é muito elevada. Após analisarmos os resultados, todos achámos que demos o nosso melhor e que as melhorias não poderiam ser muito significativas, visto que isto era uma prova para a qual não estávamos preparados tecnicamente. O nosso modelo de treino tem uma preparação técnica deficiente e treinar com mapa uma vez por semana (quando há condições para isso) não é suficiente se queremos melhorar os nossos resultados a nível internacional. Na parte da tarde, foi a vez do Inácio entrar em cena. Infelizmente, teve uma estreia muito atribulada. Não se apercebeu da troca de mapa e concluída a primeira volta foi logo para o ‘finish’. O resultado foi a desqualificação logo no primeiro dia. Foi algo desconcertante mas que foi encarado com o espírito de quem ri por último, ri melhor! Temos um ambiente na equipa muito bom, e isso é melhor que qualquer resultado.

Dia 24 – Média

O pessoal estava motivado, mas a verdade é que todos nós tínhamos a consciência que havia muita competitividade, tínhamos que nos superar para conseguir resultados de relevo. O local das partidas estava a cerca de 7 km da chegada, por isso tínhamos um pequeno aquecimento para fazer. O Joel fez uma prova regular, algumas más opções com um ou outro erro de Orientação, fizeram com que o seu resultado ficasse um pouco aquém das expectativas. O Guilherme por sua vez melhorou significativamente a sua prestação, numa prova longe de ser perfeita mas onde conseguiu aplicar toda a sua pujança no terreno e mostrar que já estava mais à vontade a navegar neste tipo de mapa. Eu, como partia tarde, ainda tive a oportunidade de vê-los a passar no ponto de espectadores e apoiá-los. Nuns Campeonatos desta natureza, quanto mais baixa for a posição na grelha de partida, melhor, pois os caminhos já estão mais limpos e alguns cruzamentos tornam-se mais visíveis. O Paulo Alípio, neste dia, não esteve particularmente feliz. Fez alguns erros na escolha de opção, mas o que afectou mais o seu resultado final foi o facto de o CP27 estar tombado no momento em que por lá passou e não ter detectado a sua presença, o que o fez perder cerca de dois minutos! Em relação à minha prestação, penso que fiz uma prova regular, dentro das minhas possibilidades e não fosse um erro de opção associado a uma navegação pouco eficiente ficaria no TOP-20 sem problemas. O meu erro foi no CP21 onde perdi 1.30 e como fiquei a 1.34 do TOP-10 fica a ideia que o resultado poderia ter sido bem diferente. O Inácio redimiu-se do mau começo de ontem, terminado este dia no 11º lugar. Fazer Orientação nestes terrenos não é fácil, mas o Inácio adaptou-se bastante bem, fazendo uso de toda a sua experiência e fibra.

Dia 25 – Longa

Não posso dizer que estávamos muito confiantes. Queríamos melhorar os resultados dos dias anteriores mas tínhamos a plena consciência da dificuldade que isso representava. Fizemos o nosso melhor! O Guilherme teve alguns enganos técnicos que comprometeram o resultado final, mas conseguiu compensar de alguma forma com um bom andamento, num tipo de terreno que lhe é favorável - pouco desnível e caminhos com pisos rápidos. O Joel teve um dia para esquecer, estava a fazer uma prova regular até ao CP8, altura em que teve um furo que lhe impossibilitou de continuar em prova. O Paulo não evitou alguns erros de navegação e pagou bem cara essa factura já que poderia ter ficado a meio da tabela e a verdade é que fez três erros em que perdeu aproximadamente sete minutos. A respeito do meu rendimento na Distância Longa, tenho a dizer que foi uma prova muito sofrida... onde tecnicamente, só tive dificuldades em encontrar o 5º posto de controlo e perdi dois preciosos minutos numa zona muito confusa. Foi na parte física que senti muitos problemas, nos últimos 30 minutos da competição sentia pouca força nas pernas, havia pouca energia disponível, não conseguia subir a minha pulsação para cima das 165 bpm!!! Não estava à espera de me sentir tão cansado, especialmente depois de ter treinado intensivamente desde o início do ano com um média mensal de 1050 km em 41 horas a pedalar! Em relação ao Inácio, a prova dele consistia num modelo de escolha livre, ou seja, tinha que ir a todos os CP’s presentes no mapa, mas pela ordem que ele entendesse. Não foi muito feliz, não foi além da 25ª posição e, para além de não ter acertado com a melhor forma de fazer a sequência, teve ainda erros de navegação.

Daniel Marques



[foto gentilmente cedida por Daniel Marques]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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