terça-feira, 16 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR AFONSO PIMENTEL


A ronda pelos clubes prossegue hoje com o ponto de vista de Afonso Pimentel e do COA. Em causa, ainda e sempre, o balanço de mais uma temporada que finda.


AFONSO PIMENTEL
COA – CLUBE DE ORIENTAÇÃO E AVENTURA

“Levar a Orientação às empresas”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o próximo grande desafio?

Afonso Pimentel - As grandes competições internacionais (WRE’s). Não só pelo superior aspecto organizativo e competitivo, mas acima de tudo como grande montra da modalidade, onde a interacção dos povos acaba por ser o que de mais relevante fica para os seus participantes, justificando a recorrente vinda a Portugal, onde espero que o Portugal O’Summer se constitua como o grande legado do WMOC'08.

Como se prova, não são as competições das Elites que fazem o grande movimento “orientista”, mas o que chamaria de “convívio competitivo” entre aqueles tantos que nenhuma aspiração a se conotarem como atletas têm, mas que por um prisma laranja e branco correm mundo.

No entanto os grandes eventos dedicados à pura competição que aí vêm para o nosso País, são fundamentais para o constante evoluir da modalidade e das organizações. Que sejam tão bons ou melhores que o WMOC'08, que é já uma bitola de grande nível, demonstrativa da nossa capacidade.

Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução da modalidade?

Afonso Pimentel - Provavelmente devido ao sentimento negativista generalizado a que muitos chamam de “crise”, a modalidade também se ressentiu, particularmente em duas áreas:
- No número médio de participantes, que de acordo com as vertentes que maior dispêndio exigem, assim foi maior a sua quebra relativa Corridas Aventura – ORI BTT – ORI Pedestre;
- No apoio das entidades oficiais, particularmente das autarquias, que devido aos cortes orçamentais por via dos repetidos orçamentos do Estado, reflectindo a bendita “crise”, acabaram por criar grandes problemas a algumas organizações, os quais também nós não fomos excepção.

Retirando a problemática da conjuntura actual, penso que estamos numa fase de maturidade que se vai reflectindo num patamar muito próximo entre as organizações, aproveitando para expressar a minha total concordância com o novo modelo de avaliação das organizações, muito mais focado no essencial das provas e não no que lhe é acessório.


Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima temporada?

Afonso Pimentel - Estatisticamente não está fácil suplantar a dimensão de praticantes, pelo que por acção de um vasto quadro competitivo, nacional, regional e local, já há alguns anos se vai fazendo um enorme esforço para incitar a proliferação de actividades. No entanto julgo que é hora de parar e raciocinar porque não conseguimos ir mais além. O equilíbrio entre o custo e o retorno que as provas vão proporcionando, particularmente sem apoios institucionais como se viu este ano, é cada vez mais desmotivador para quem, com tanto esforço e voluntariado, vai contribuindo para angariar pouco mais do que cansaço. Assim, e apesar da louvável onda imaginativa que se vai vendo por parte dos clubes para “inventar” pequenas acções que lhes traga alguma compensação, por irrisória que seja, elas apenas adiam o descortinar duma solução de fundo.

Neste contexto, a sustentabilidade da modalidade e dos clubes em particular, não passará então pela multiplicação de provas, mas eventualmente (digo eu) por se encontrarem novos adeptos para a modalidade, junto dos locais onde ainda não fomos (ou só timidamente) e todos nós invariavelmente nos encontramos – no local de trabalho! Levar a Orientação às empresas, às instituições públicas, a um qualquer “aglomerado humano”, entrar-lhes pela “casa adentro”, obrigando-os a não nos ignorarem, será porventura o grande desafio, pois visto está que não chega estarmos só prontos para os bem receber com as nossas simpáticas organizações.



Veja também nesta rubrica as opiniões de


- Luís Santos, CPOC [AQUI]
- Jacinto Eleutério, ADFA [
AQUI]
- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
AQUI]
- António Amador, ORI-ESTARREJA [
AQUI
]
- Daniel Raposo, COALA [
AQUI
]
-Hugo Borda d’Água, COAC [
AQUI]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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