segunda-feira, 15 de junho de 2009

EM TEMPO DE BALANÇO: A TEMPORADA 2008/2009 VISTA POR HUGO BORDA D'ÁGUA


Neste início de semana, retomamos a auscultação dos responsáveis dos clubes nacionais acerca da temporada orientística que chega agora ao fim. E recomeçamos da melhor forma, com Hugo Borda d’Água a assumir o ponto de vista da turma ribatejana do COAC.


HUGO BORDA D’ÁGUA
COAC – CORUCHE OUTDOOR ADVENTURE CLUB

“A vontade move montanhas”


Orientovar - Enuncie os momentos mais significativos da época e refira o próximo grande desafio?

Hugo Borda d’Água - No que respeita ao COAC, tínhamos como um dos grandes objectivos para esta época aproveitar a oportunidade única de existirem várias provas da Taça de Portugal perto de Coruche para conseguirmos elevar o número de inscritos. Após o NAOM '09 conseguimos manter 15 a 20 pessoas inscritas nessas provas da Taça de Portugal, como na maioria das restantes (Taça FPO Sul e Ori-Alentejo), sendo esse um dos aspectos mais significativos da época do clube.

Na Orientação Nacional, há sem dúvida a salientar os excelentes resultados nos Mundiais de Desporto Escolar, que confirmam mais uma vez o potencial dos jovens nacionais. Neste âmbito, os excelentes resultados internacionais na disciplina de Ori-BTT foram outro aspecto de especial relevo.

Se o COAC se quer afirmar na Orientação nacional, precisa de estar representado em todas as provas da Taça de Portugal, independentemente da localização, aliando à quantidade a qualidade. Por aqui passam os principais desafios do clube. Com uma situação económica tremendamente complicada, extremas dificuldades nos transportes, entre outras condicionantes, será difícil essa representação em todas as provas da Taça de Portugal e manter a presença nas restantes, mas sonhar não custa... Relativamente à qualidade, os jovens do COAC vivem na sua maioria próximos entre si, perto de mapas e da floresta. Estes são os aspectos que o clube precisa continuar a aproveitar para treinar, aumentando o número de treinos e treinando cada vez melhor. Mas... evoluir na modalidade só é possível com dedicação e trabalho, sempre ouvi dizer que “a vontade move montanhas”. Sobre os desafios da Orientação Nacional em geral, recorro a uma frase do Director Técnico Nacional numa entrevista à Revista de Atletismo há uns meses atrás: "Temos de aproveitar cada chama que se ateia". Penso que este é o grande desafio, aproveitar todas as oportunidades para o crescimento da modalidade.

Orientovar - Comparativamente à época anterior, que avaliação faz da evolução da modalidade?

Hugo Borda d’Água - As mudanças levadas a cabo pela actual direcção da Federação Portuguesa de Orientação, como o cargo de Director Técnico Nacional e o Grupo de Selecção, entre outras, foram aspectos bastante positivos para a modalidade e que certamente vão dar os seus frutos. O número de pessoas a experimentar/conhecer a modalidade continua a aumentar mas, ou porque outros a abandonam ou os novos apenas vão esporadicamente, o número de inscritos em provas da Taça de Portugal não sofreu um considerável aumento. No entanto, no que à participação diz respeito, como já vem sido habitual, o grande problema centrou-se nas provas Regionais. São vários os factores que levam a este problema, com especial foco na crise financeira que atravessamos, castigando muitas vezes organizações que tudo fizeram para proporcionar excelentes momentos de Orientação. A solução, essa não é trivial (se houver), mas se nada for alterado estas provas têm um futuro muito complicado.

Relativamente às organizações, no geral estiveram em bom plano, embora com momentos menos bons em algumas situações. No que à Taça de Portugal diz respeito, penso que existiram organizações “semi-perfeitas” e outras (poucas felizmente) onde a qualidade ficou alguns furos abaixo do esperado.

Outro dos aspectos positivos a destacar nesta época, diz respeito à presença da modalidade nos meios de comunicação, chamando a atenção de curiosos a irem experimentar a modalidade. No entanto, um factor onde a modalidade não evoluiu, diz respeito ao número de clubes. A divulgação e expansão da modalidade passa, entre outros aspectos, pelo aparecimento de novos clubes, sobretudo em zonas onde já há mapas de Orientação ou existem condições para os mesmo passarem a ser uma realidade. Mais uma vez, a resolução não é fácil mas possível.

Por último, o Dia Nacional da Orientação, uma excelente ideia, que certamente crescerá e terá um impacto muito maior ano após ano.

Orientovar - Um voto para o Clube e para a Orientação em Portugal na próxima temporada?

Hugo Borda d’Água - No que respeita à Orientação nacional, que os resultados internacionais dos atletas portugueses batam as melhores expectativas, começando pelos quatro Campeonatos a decorrer neste Verão. Por outro lado, que a qualidade organizativa das provas nacionais esteja num nível ainda mais elevado e claro, constatar-se um aumento no número de praticantes e conhecedores da modalidade. Além disso, que os Mundiais de ORI-BTT em 2010 sejam mais uma organização nacional de elevada qualidade.

Relativamente ao COAC, os votos são acima de tudo os essenciais: Apoios para continuarmos a "sobreviver" e ter uma base que nos permita evoluir em termos competitivos. Sem estes votos se tornarem realidade, não fará sentido efectuarem-se outros.



Veja também nesta rubrica as opiniões de
- Luís Santos, CPOC [
AQUI]
- Jacinto Eleutério, ADFA [
AQUI]
- Paulo Fernandes, LEBRES DO SADO [
AQUI]
- António Amador, ORI-ESTARREJA [
AQUI ]
- Daniel Raposo, COALA [
AQUI]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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