sexta-feira, 26 de junho de 2009

BULGÁRIA: 8 PROVAS EM 9 DIAS


Manuel Dias e Norman Jones participaram, de 13 a 21 de Junho, em quatro eventos na costa búlgara do Mar Negro: Parkova Kupa Burgas, Kupa Strandzha, Kupa Begun e Kupa Bulgária. Dessa experiência muito gratificante aqui fica o relato, na primeira pessoa.

Em termos competitivos, a Orientação na Bulgária, pelo menos em Veteranos, pareceu-me estar sensivelmente ao nosso nível, ou talvez um nadinha abaixo. Ambos tivemos, em todas as provas, classificações muito honrosas: eu venci as quatro competições, o Norman obteve dois 2ºs, um 3º e um 5º lugar.

As organizações ficam um pouco aquém do padrão a que estamos habituados. Nos dois primeiros eventos não havia sinalética no mapa (cada um construía a sua própria sinalética, a partir de uma lista com a descrição de todos os pontos de controlo) e nunca houve água no final das provas. Mas os percursos e os mapas (salvo no segundo evento) eram correctos e interessantes, particularmente na Kupa Begun, organizada pelo clube Variant 5 que tem uma especial ligação à Suíça, e na Kupa Bulgaria, promovida pela Federação desde há 33 anos.

Não nos podemos queixar da falta de variedade: fizemos um sprint em parque, outro em dunas, e provas em floresta desde o muito limpo ao muito verde. Impressionou-nos favoravelmente a dinâmica das entregas de prémios, distinguindo muita gente em pouco tempo, e com distribuição de rebuçados e bolachas para todos os miúdos com menos de 10 anos, chamados ao palco pelos seus nomes e formando em grupo. Muita rapidez e muita alegria. No último dia, cada um recebeu uma bússola.
Nas Elites, o destaque foi naturalmente para o “búlgaro voador” Kiril Nikolov, que os portugueses conhecem do POM e também dos WOC e da Tiomila.

É caro passar 12 dias na Bulgária?

Não. O preço das passagens aéreas é variável, mas o aluguer do carro foi em conta e a alimentação e alojamento são muito mais acessíveis que em Portugal. A organização disponibilizava dormidas em quartos múltiplos por 3 a 5 euros por pessoa/noite, embora nós só tenhamos sabido disso depois de já termos reservado hotéis por nossa iniciativa e evidentemente um pouco menos económicos.

Por 5 a 10 euros come-se sem limitações em qualquer restaurante, incluindo o do hotel. Fruta, legumes, queijo e iogurte são da melhor qualidade, o que proporciona uma riquíssima variedade de saladas. Os menos glutões ficarão satisfeitos com uma “shopska” ou uma “shepherd’s salad”, que custam entre 2 e menos de 5 “leva” (1 lev = 0,50 €). Os pratos mais caros de carne e legumes, cozinhados numa espécie de chapa/forno e assim trazidos à mesa, custavam, no nosso último hotel, o equivalente a 6 ou 7 euros e eram suficientes para 2 pessoas “normais”.


Culturalmente falando, a Bulgária tem tanto para ver que duas semanas não chegam para nada, mas uma guia como a nossa querida Petya consegue em meia dúzia de passeios deixar uma boa ideia desse riquíssimo património natural e histórico. Das termas romanas de Varna ao castelo de Veliko Tarnovo, onde alguns cruzados do séc. XIV puseram ponto final na sua viagem a caminho de Jerusalém. Das bem conservadas casas rurais de Brashlyan aos túmulos trácios do vale de Kazanlak. Da resistência russo-búlgara de 1877 em Shipka ao massacre arménio de 1915, em ambos os casos por obra do vizinho opressor turco. Dos calhaus sagrados de Beglik Tazh, “descobertos” há meia dúzia de anos, ao mosteiro de Aladzha, cujas celas foram escavadas na rocha há mais de um milénio. E - porque não? – dos passeios de barco pelos rios Ropotamo e Veleka às antigas colónias gregas do Mar Negro transformadas hoje nas turísticas praias de Varna, Burgas ou Primorsko.

E que estima têm os búlgaros por Portugal? Alguma hão-de ter. Não andámos à procura de marcas dessa ligação, mas saltou-nos à vista um “Restaurante Hispano-Português” em Plovdiv. E, nessa mesma cidade, por uma diferença de duas horas não assistimos a um concerto de António Eustáquio, no dia 12 de Junho. No dia 23, a caminho do aeroporto de Sófia, demos de caras com um grande cartaz anunciando um espectáculo da fadista Ana Moura para o dia 27.

Aqui fica a notícia em jeito de sugestão para o próximo ano. Se alguém estiver interessado, fale connosco lá para Abril ou Maio. É que a pesquisa através da Net, pelo menos desta vez, revelou-se pouco frutuosa, desde logo porque a página da Federação Búlgara é apenas em cirílico. Valeu-nos um contacto pessoal em Sófia.

Manuel Dias


[Legenda da foto-montagem: 1. As entregas de prémios começavam sempre chamando à zona do pódio as crianças com menos de 10 anos. Uma explosão de entusiasmo e encantamento; 2. Desmontando as chegadas no final da Kupa Begun; 3. Kiril Nikolov não deu hipóteses a ninguém na Kupa Bulgaria. No 3º dia, saiu para o “chasing start” com quase 15 minutos de avanço. Impressionante foi a recuperação de Ivan Sirakov, que saltou de 5º para 2º lugar; 4. Maya Nedyalkova e Katya Stoyanova, as duas melhores juniores búlgaras. A Maya é filha de Petya Koleva, a nossa insuperável guia, e a Katya foi seleccionada para representar a Bulgária no JWOC.]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

Tiago Romão disse...

Grande Manel!!! Sempre ao mais alto nível... E já a fazer conhecimentos para a malta que vai ao JWOC... ehehe
Quando lá estiver, vou perguntar à Katya se ela confirma esta história toda.. ehehe

Grande abraço
Tiago Romão