domingo, 10 de maio de 2009

CAMPEONATO NACIONAL DE SPRINT 2008 / 2009: A ESTREIA DE MIGUEL REIS E SILVA


O Campeonato Nacional de Sprint 2008 / 2009 perfumou de Orientação o lindíssimo centro histórico da cidade de Santarém. Pelas ruas, avenidas, praças e pequenos jardins da Capital do Gótico, atletas e população partilharam um espaço e um tempo muito especiais, revelando em todo o seu esplendor a beleza deste desporto único e consagrando Miguel Reis e Silva e Raquel Costa como os grandes triunfadores da jornada.

A manhã acordou de maus modos. As nuvens encasteladas, de negras cores, não prenunciavam muito de bom, mas a temperatura amena e - pelo menos até ver -, a ausência de chuva, permitiam uma saída sem grandes contratempos. Repartindo com as Escolas do Concelho e com a IV Feira da Europa o amplo espaço do Largo Sá da Bandeira, a “tribo” da Orientação ia tomando conta das escadarias da Igreja do Seminário à medida que se escoavam os minutos para o início da prova.

Dividido em duas mangas, o Campeonato Nacional de Sprint contou com a participação de 614 atletas, distribuídos pelos escalões de Formação, Competição e Abertos. A Organização, a cargo da Secção de Orientação da Associação 20 Km Almeirim, ofereceu aos atletas um mapa urbano de inegável interesse e qualidade, apesar da linearidade de muitos dos percursos. Privilegiando a parte alta da cidade, o mapa “fugiu” aos desníveis e acabou por não deixar grande margem de manobra ao traçador. As grandes opções estratégicas, no fundo aquilo que marca a diferença, acabaram por estar limitadas por isso mesmo e este equilíbrio menos conseguido entre a qualidade da navegação e a corrida propriamente dita acabou por favorecer os mais bem preparados fisicamente.

Candeia que vai à frente…

Os ponteiros marcavam as 9h30 quando se assistiu à saída dos primeiros atletas. Com partidas de minuto a minuto, rapidamente a área da prova se viu inundada de pessoas que, correndo de mapa na mão, se misturavam com todas as outras, na pacatez das compras de fim-de-semana ou simplesmente assistindo, nas soleiras das portas ou das varandas das suas casas, a algo de tão surpreendentemente belo e natural.

No escalão de Elite, Miguel Reis e Silva (CPOC) e Raquel Costa (GafanhOri) foram mais fortes, concluindo esta primeira metade do Campeonato na vanguarda. Mais confortável a vantagem de Raquel Costa que, com 14.39, via a segunda classificada, Andreia Silva (COC) a 21 segundos de distância e a Campeã Nacional de Sprint nas duas temporadas anteriores e sua grande rival, Maria Sá (GD4C), a 46 segundos. Miguel Silva, pelo contrário, não tinha grande margem para respirar fundo. É que Marco Póvoa (ADFA), detentor de cinco títulos nacionais na distância, apesar de afastado destas lides por um longo período, é um nome a ter sempre em conta e encontrava-se a apenas três segundos.

Restantes escalões

Nos restantes escalões, registaram-se muitas confirmações e algumas surpresas, nem sempre de sinal idêntico. Em H17, João Mega Figueiredo (CN Alvito) teve em Luís Silva (ADFA) o seu principal opositor, impondo-se pela confortável margem de meio minuto. Menor vantagem alcançou Rita Rodrigues (GafanhOri) no escalão D17, ante uma super-motivada Vera Alvarez (CPOC), traduzida apenas em seis segundos. Em H20, João Ferreira (DA Recardães) mostrou o seu bom momento de forma, depois na semana passada ter sido Campeão Nacional de Sprint, mas em Orientação em BTT. Manuel Horta (GafanhOri) quedou-se a distantes 41 segundos enquanto David Sayanda (Ori-Estarreja) teve uma prestação para esquecer, não indo além do 9º lugar a 2.04 de João Ferreira. Em D20, Joana Costa (GD4C) continua a dar cartas e impôs-se à eterna rival, Mariana Moreira (CPOC) por 28 segundos.

Quanto aos Veteranos, em H35, António Aires (GafanhOri) e Domingos Nunes (Amigos da Montanha) chegaram ao fim desta primeira manga com o mesmo tempo, enquanto em D35 Susana Pontes (CPOC) impôs-se claramente a Paula Serra Campos (.COM). Em H/D40, Mário Duarte (ADFA) e Alexandra Coelho (CPOC) superiorizaram-se por 19 e 26 segundos, respectivamente, a Rui Ferreira (Orimarão) e Alice Silva (GDU Azóia). Em H45 tudo muito apertado, com apenas 24 segundos a separar o 6º classificado do primeiro, Manuel Luís (CP Armada), enquanto em D45 Luísa Mateus (COC) a partir na frente para a segunda manga, 42 segundos à frente de Palmira João (COC).

Em H/D50, Albano João (COC) e Fernanda Ferreira (DA Recardães) acumularam confortável vantagem sobre os mais directos adversários, o mesmo acontecendo com Maria São João (CLAC), em D55 e Joaquim Patrício (CN Alvito) em H60. Tudo muito “embrulhado” em H55, com Jacinto Eleutério (ADFA) e Vítor Rodrigues (CPOC) separados por apenas um segundo. Finalmente, em H65, nada a referir acerca de Armandino Cramez (Ori-Estarreja), solitário concorrente neste escalão.


A hora de todas as decisões

As quase duas horas de intervalo entre ambas as mangas serviram para recuperar energias e confraternizar. O tempo lá se ia aguentando e, no amplo recinto, falava-se de tudo e de nada. Uns aproveitavam para espreitar os stands da Feira da Europa, subordinados ao tema “Criatividade e Inovação”, apreciando os trabalhos manuais dos alunos, numa mescla de simplicidade e bom gosto, onde grandes nomes das artes e da cultura se associavam aos usos e costumes dos vários países. Outros inundavam cafés e pastelarias, ao encontro de “arrepiados” de Almoster, “celestes” de Santa Clara ou “queijinhos do céu” do Convento das Donas, doçaria de fazer perder a cabeça mesmo aos mais exigentes. Outros ainda passeavam ao sabor dum tempo feito repouso, apreciando os pormenores das fachadas, deleitando-se com o colorido dos azulejos ou com o requintado desenho do ferro forjado dos varandins. De comum, a todos eles, essa necessidade de saber lidar com a pressão. Que alguns – na verdade, muito poucos! – não aguentam, desistindo de alinhar na segunda manga.

Aquilo que não passava duma ameaça, acaba por se concretizar. Faltam poucos minutos para o início da segunda manga e a chuva começa a cair. Felizmente não será por muito tempo, mas a verdade é que os primeiros atletas acabarão por partir sob a intempérie. O piso está particularmente escorregadio e o risco acrescido de choques e quedas impõe sérias cautelas. Curiosamente os incidentes acabarão por suceder em muito menor número e gravidade que na primeira manga, onde se assistiram a algumas situações que só não acarretaram consequências de maior por mero acaso (que o diga a ucraniana Masha Semak, vítima dum ponto colocado no mais inimaginável dos sítios, por detrás duma estátua sem visibilidade e sem qualquer hipótese de fuga). Quanto ao mapa, bom, é o mesmo da primeira manga, inclusivamente com pontos praticamente coincidentes, minimizando mais ainda o desafio…

Migeul Silva e Raquel Costa seguram vantagem

Miguel Reis e Silva voltou a impor a sua superior condição física, alcançando o mais valioso título da sua carreira e quebrando um jejum de cinco anos, altura em que, com a camisola do CLAC, dominou em toda a linha o escalão de… Juvenis! Marco Póvoa foi um digno vencido, conseguindo segurar muito bem o segundo lugar ante a oposição de Diogo Miguel (Ori-Estarreja) e Pedro Nogueira (ADFA), que tudo fizeram para chegar mais além. No que à Elite Feminina diz respeito, apesar da prova notável de Maria Sá, Raquel Costa soube igualmente segurar a vantagem trazida da primeira manga, recuperando um título que lhe fugia desde a época de 2002 / 2003.

Nos escalões etários mais jovens, João Mega Figueiredo, João Ferreira e Joana Costa repetiram as vitórias da primeira manga, alcançando saborosos triunfos. E se para o popular Mega esta é a repetição do título alcançado no ano transacto no mesmo escalão e Joana Costa recupera um título que foi seu em 2005 / 2006 como Juvenil, João Ferreira faz aqui uma muito saudada estreia com um título que lhe assenta com inteiro merecimento. Já no que ao escalão de D17 diz respeito, Vera Alvarez recuperou os seis segundos de desvantagem trazidos da primeira manga, impondo-se a Rita Rodrigues por dez segundos, vingando a derrota nos Nacionais de Distância Longa e chegando ao primeiro título nacional da sua carreira.

Muitas confirmações e uma decepção chamada Susana Pontes

Em Veteranos, foram vários os atletas que “bisaram” o triunfo e chegaram, com maior ou menor dificuldade, ao título nacional. Começando pelo escalão H35, António Aires desempatou a seu favor, alcançando um título que estaria longe das cogitações de muitos e, quiçá, do próprio. Em D35, Susana Pontes viu-se traída por um sempre desconcertante “mp”, disso tirando partido Paula Serra Campos, que assim repete o título alcançando o ano transacto na dupla jornada de Póvoa e Meadas e Castelo de Vide. Mário Duarte, Albano João, Jacinto Eleutério, Maria São João e Armandino Cramez souberam gerir bem as vantagens alcançadas na primeira manga e chegaram ao título nacional com inteiro merecimento, nos escalões respectivos.

Em D40, Anabela Vieito (COC) recuperou os 28 segundos de desvantagem em relação a Alexandra Coelho, recuperando um título que lhe fugiu nas duas épocas anteriores. Também Palmira João, em D45, soube "dar a volta ao marcador", relegando a sua colega de equipa Luísa Mateus para a segunda posição. Em D50, Isabel Monteiro (COC) venceu este parcial por 26 segundos sobre Fernanda Ferreira, ainda assim insuficientes para que a atleta do DA Recardães subisse ao lugar mais alto do pódio e recuperasse um título que lhe fugia há sete anos. A última referência vai para Joaquim Patrício que, à semelhança de Fernanda Ferreira, cedeu alguns segundos nesta manga para Francisco Coelho (Clube TAP), sem com isso hipotecar uma saborosa vitória, a 17ª do seu pecúlio em Campeonatos Nacionais e o 7ª nesta particular variante.

Consulte os resultados completos em
http://www.ori20.net/resultados.html.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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