quarta-feira, 22 de abril de 2009

TRAIL-O NO PARQUE DO CARRIÇAL: ORIENTAÇÃO PARA TODOS

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Englobado no III Park Matosinhos Tour, teve lugar na manhã do passado domingo uma Acção de Iniciação ao Trail-O, variante da Orientação vocacionada para indivíduos com incapacidade física, preferencialmente deslocando-se em cadeiras de rodas.
O Parque do Carriçal (Senhora da Hora) foi o local escolhido pelo Grupo Desportivo 4 Caminhos para levar a cabo mais uma Acção de Iniciação ao Trail-O, a segunda na Área do Grande Porto no curto período de cinco semanas. Desenrolando-se em espaços ao ar livre e utilizando os mesmos materiais da Orientação Pedestre (mapas, bússolas, balizas), o Trail-O apresenta, contudo, uma grande diferença: A actividade mental exigida, em detrimento da actividade física, e que é determinante para um bom desempenho. Este aspecto indicia que o Trail-O pode ser praticado por qualquer indivíduo, visto estar em causa um tipo de competição essencialmente intelectual.

Nesta actividade estiveram presentes seis participantes e respectivas famílias. Cinco destes atletas pertencem ao Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada (Porto), aqui devidamente acompanhados pelo Enfermeiro Amílcar Lopes, Terapeuta Luciana Silva e cinco Estagiárias do Instituto de Ciências da Saúde – Universidade Católica Portuguesa. O percurso escolhido, na distância de 600 metros, com 9 pontos de controlo e sem desníveis, revelou-se ideal para a prática do Trail-O. Os caminhos eram perfeitamente adequados às cadeiras de rodas e houve o cuidado de colocar os pontos em locais particularmente bonitos. O desafio nos pontos de decisão chegou a ser muito grande, com duas, três e mesmo quatro opções para um único ponto.

A primeira palavra vai para a determinação do Grupo Desportivo 4 Caminhos em promover e divulgar esta actividade específica, fazendo dela parte integrante dos seus maiores eventos, elevando a um expoente da maior grandeza o primado da Orientação para Todos e colocando a tónica no ideal “Todos Diferentes, Todos Iguais”. Sabemos que isto representa um esforço acrescido, implica uma preparação cuidada, exige uma logística própria e requer pessoal devidamente treinado para enquadrar os participantes, respondendo às constantes solicitações. A tudo isto o Grupo Desportivo 4 Caminhos soube uma vez mais dar a melhor das respostas, nas pessoas de Albino Daniel e Diana Marli, monitores pacientes e sempre disponíveis no acompanhamento da actividade. Uma aposta ganha, expressa nas manifestações de carinho e apreço por parte dos participantes.

É devida igualmente uma palavra de consideração e apreço pelo dinamismo dos profissionais do Serviço de Medicina Física e Reabilitação do Hospital da Prelada, pela forma como têm divulgado o Trail-O e, de forma absolutamente voluntária, vêm acompanhando os seus utentes e com eles estabelecendo uma forte empatia por via deste tipo de actividades. Louve-se igualmente a disponibilidade manifestada pela Administração daquele estabelecimento de saúde, com o imprescindível apoio logístico ao nível dos transportes.

Espera-se que estes pequenos passos se possam agigantar no futuro. Que mais organizações sigam o exemplo do Grupo Desportivo 4 Caminhos e, em articulação com associações e instituições de saúde locais, levem o Trail-O aos quatro cantos de Portugal.

Para rematar, nada melhor do que ouvir os intervenientes e perceber, no alcance das suas palavras, que o esforço de quem organiza acaba por ser compensado por tamanha alegria e emoção.
Sónia Amaral - “Foi muito divertido ter feito equipa com a Terapeuta Luciana. Ela estava muito atenta às exposições do monitor e às minhas. Fiquei mesmo satisfeita por vê-la tão empenhada e a curtir a cena. Foi divertido vermos o Norte e o Sul… a curva faz assim… não pode ser o B… Fiquei muito animada por também a poder ensinar.”


António Jamba - “Uma experiência inovadora que nos enquadra e não nos deixa para trás numa cadeira de rodas. Uma forma de juntar o útil ao agradável, aprendendo e divertindo-nos.”

Clarinda Costa - “Foi muito motivador poder fazer a prova com o meu marido e a minha filha. Passámos mais tempo juntos e lutámos os três pelo mesmo, tentando acertar no maior número de pontos possível. Só a partir do meio da prova é que comecei a perceber e gostava muito de repetir a experiência, agora que já estou mais por dentro do assunto.”

Mabília Lima - “Foi agradável, simpático e ajudou a desanuviar os nossos pensamentos que são, por vezes, um bocadinho mórbidos. Quanto à prova, conferenciava com as minhas acompanhantes e chegávamos a um consenso. Não acertámos em três pontos… paciência. Da próxima vez levo os óculos.”


Carlos Duarte - “Fez-me recordar os tempos de tropa, nos Fuzileiros, numa época especial da minha vida, vivida com intensidade, e também me aguçou a curiosidade e a vontade de querer fazer mais. Feita assim, com a minha mulher, fortalece e enriquece os laços familiares e motiva mais assuntos para conversa. Esta prova fez-me sentir com capacidades para voltar a fazer aquilo que fazia quando estava fisicamente a 100%. Esperemos que volte a haver mais. Desde que fisicamente não haja contra-indicações, estou apto e com vontade de continuar. Gosto destes desafios e, se possível, mais difíceis ainda.”
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Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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