terça-feira, 28 de abril de 2009

HUNGARIAN MTBO CUP: O BALANÇO DE JOÃO FERREIRA


Depois de recuperar um pouco das canseiras duma viagem que irá certamente ficar na história por várias razões, João Ferreira faz aqui o balanço da sua participação na Hungarian MTBO Cup.

“Espectacular” foi das palavras mais vezes proferidas nestes três dias porque era assim que estava tudo: o ‘model event’, a organização, os mapas, o tempo, o alojamento, a comida, a competição, o terreno, tudo muito bom, espectacular.

Relativamente à competição em si, acho que está à vista de todos o nível com que nos deparámos neste WRE. Parecia um autêntico Campeonato do Mundo ou da Europa, "toda a gente" estava presente, muitos grandes nomes, muito bons atletas. Toda a envolvência que foi criada pela organização esteve perfeita. A ‘speaker’ Maria Cutova, que tão bem seguiu todo o evento, não deixou escapar nada e ajudou à "festa". Uma inovação: Existia um género de ‘radar’ que media a velocidade de passagem dos atletas na partida para o triângulo, mostrando-a aos espectadores, o que gerava uma competição pela velocidade máxima nesse espaço. Gostei muito mesmo do mapa, diferente daquilo a que estamos habituados mas muito desafiante.

Prova de sábado, descoberta total! Tanto do terreno como do mapa, dos adversários e até da minha forma física e técnica. A parte inicial era muito técnica e perdi cerca de um minuto para o primeiro ponto, mas logo percebi que estava perante uma orientação diferente, tinha que aplicar conhecimentos de orientação pedestre, esquecer muitas vezes a orientação pelos caminhos porque eram demasiados. Durante toda a prova muitos atalhos feitos, muito tempo ganho em opções fora de caminhos e que bem que o terreno ajudava a estes cortes, fácil progressão com as BTT. Cheguei ao fim da prova com uma satisfação interior enorme pois adorei a forma como tínhamos que "olhar" o mapa, o correr ao lado dos melhores do mundo, o ter ficado em 39º lugar a seis minutos do top-15 entre os cem atletas presentes, o ser júnior e conseguir "bater-me" como sénior, por tudo isto já tinha valido a pena aquela viagem.

Algo que fica marcado nesta viagem é a noticia de última hora recebida na sexta-feira e o facto de ter sido convocado para o Campeonato do Mundo de Seniores em Israel e que foi mesmo uma grande surpresa!

Depois de um dia bom no sábado, faltava só completar os quase 38 km da Distância Longa. Uma partida em massa dos 98 atletas com a sua envolvência tradicional. Três mapas, o primeiro e o segundo eram parecidos pois as zonas eram as mesmas, só algumas opções mudavam, tornando a prova muito mais física e baixando o nível técnico. O terceiro mapa mudava a escala para 1:10 000, sendo por isso mais técnico e menos físico. Fiz aproximadamente 39 minutos no primeiro mapa, 47 minutos no segundo e 19 minutos no último. Algumas más opções custaram ao todo seis minutos. Fisicamente senti-me um pouco cansado a partir do segundo mapa, residindo aí a grande diferença de tempos. Já sabia que ia ser uma prova mais complicada para mim por ser muito mais física e eu ainda não estar na minha melhor forma.

Gostei bastante destes dias passados com os companheiros de aventura Daniel e Susana. Mais uma experiência bastante enriquecedora e que abre o apetite para as competições que se avizinham (Itália, WRE em Maio, ainda estamos a estudar a possibilidade de ir ou não, Dinamarca e Israel).

O Daniel está sem dúvida de parabéns. A competição está muito forte e ele conseguiu impor-se perante grandes adversários como o russo Campeão do Mundo Ruslan Gritsan, entre muitos outros. Penso que tem boas possibilidades no Europeu e no Mundial de fazer grandes resultados para o nosso país. A Susana também esteve bem ao ‘bater-se’ lado a lado com as suas rivais. Penso que estivémos os três bem.

AH é verdade...o sonho mais perto depois da convocatória para Israel. :)

Saiba mais na página de João Ferreira em
http://www.joaoferreira.net/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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