terça-feira, 28 de abril de 2009

CAMPEONATO IBÉRICO DE ORI-BTT: RESENHA HISTÓRICA


Às portas do V Campeonato Ibérico de Orientação em BTT, aqui fica uma resenha daquilo que foram as anteriores edições do evento.

A proposta surgiu em Janeiro de 2005 e “era pegar ou largar”, nas palavras de Augusto Almeida, então presidente da Federação Portuguesa de Orientação. A Portugal era dada a primazia de organizar o I Campeonato Ibérico de Ori-BTT e, face à premência dos “timings” e à escassez de mapas novos utilizados na disciplina, o evento foi incorporado no programa do Campeonato Nacional de Ori-BTT 2005.

Organizado pela aeGIST – Associação de Estudantes Graduados do Instituto Superior Técnico, o I Campeonato Ibérico de Ori-BTT decorreu no primeiro fim-de-semana de Junho, junto à Lagoa de Óbidos. Duas distâncias (curta e longa), seis escalões (seniores, jovens e veteranos, masculinos e femininos) e doze títulos em disputa, proporcionaram a Portugal uma retumbante vitória sobre os nossos vizinhos espanhóis. Daniel Marques, em Seniores Masculinos, e Marco Martins e Ana Porta Nova, em Jovens Masculinos e Femininos, respectivamente, acumularam vitórias nas Distância Curta e Longa. Os restantes títulos ficaram na posse dos Veteranos Luísa Mateus (Curta), Fernanda Moedas (Longa), Paulo Mourão (Curta) e Luís Sousa (Longa). Amparo Gil I Brotons salvou a face da Espanha, ao vencer ambas as distâncias no escalão Sénior Feminino. Contas feitas, vitória portuguesa tanto em masculinos (62 – 41) como em femininos (58 – 36) e um total de 120 – 77 favorável às nossas cores.

O mais apertado de sempre

Em 2006, o Campeonato Ibérico transferiu-se para Espanha. Córdoba foi palco da segunda edição do evento, que decorreu a par com o Campeonato de Espanha 2006, numa organização de Los Califas. Portugal foi o vencedor, mas as contas não foram, desta feita, tão fáceis de fazer.

No sector masculino, Portugal fez o pleno de títulos em disputa. Em seniores, Daniel Marques voltou a não dar qualquer hipótese à concorrência, arrebatando os títulos ibéricos de Distância Média e Distância Longa no escalão Sénior Masculino. Eduardo Sebastião fez igualmente a “dobradinha” em veteranos, com a curiosidade de ter partilhado o título de Distância Média com o também português Filipe Reinote, devido ao facto de terem concluído a prova exactamente com o mesmo tempo. No escalão Jovens, Nuno Cristiano venceu a Distância Longa e viu Guilherme Marques sagrar-se campeão ibérico de Distância Média. Portugal concluiu com 60 pontos, mais 11 do que a Espanha.

No sector feminino foi tudo mais apertado e a Espanha acabou por se impor. Os seis títulos em disputa foram repartidos por três atletas, sendo duas espanholas e apenas uma portuguesa. Ainda em idade de Juvenil, Ana Filipa Silva iniciava aqui uma brilhante carreira, juntando ao título nacional de Distância Longa e à vitória na Taça de Portugal 2005 / 2006, os títulos ibéricos de Distância Média e de Distância Longa. As espanholas Amparo Gil I Brotons e Conchi Ureña Perez “bisaram” nos escalões de seniores e veteranas, respectivamente. No final, um parcial de 58 – 52 favorável à Espanha não foi suficiente para anular a diferença pontual verificada no sector masculino e, globalmente, a vitória coube novamente a Portugal por escassos cinco pontos (112 – 107).

Portugal, pois claro!

Em 2007 coube a vez a Grândola receber o III Campeonato Ibérico de Ori-BTT. Integrado no 3º Troféu Ori-BTT de Grândola e no Grândolabike 2007, o evento teve lugar no fim-de-semana de 26 e 27 de Maio e foi organizado pelo Clube da Natureza de Alvito. Portugal voltou a dominar em ambos os sectores, sendo desta feita no sector feminino que mais se evidenciou a nossa superioridade.

Daniel Marques seria de novo o grande vencedor da prova de Distância Média mas acabaria por ver a sua invencibilidade “ibérica” quebrada na prova de Distância Longa, com Javier Saz Alcubierre a tornar-se no primeiro atleta masculino a conquistar um título ibérico para a Espanha. E não foi o único, uma vez que Jorge Garcia Pardos venceu o título ibérico de Jovens, igualmente na Distância Longa. Quanto aos restantes títulos, falaram português: Eduardo Sebastião “bisou” no escalão de Veteranos e Pedro Neto sagrou-se campeão ibérico de Jovens na Distância Média. Assim sendo, vitória portuguesa por 58 – 48.

Quanto às senhoras, saliente-se a particularidade dos seis títulos terem sido distribuídos por seis atletas diferentes. Em Jovens, Ângela Silvério e Ana Filipa Silva chegaram à vitória na Distância Longa e na Distância Média, respectivamente. Nos Seniores, triunfos de Maria Amador (Distância Longa) e Susana Pontes (Distância Média). Finalmente nos veteranos, Fernanda Moedas triunfou na Distância Longa, cabendo a Conchi Ureña Perez (Distância Média) o único título ibérico feminino para a Espanha. Portugal alcançou um triunfo expressivo neste sector (61 – 43), o que lhe conferiu uma não menos expressiva vitória final por 119 – 91.

Um Ibérico desorganizado

O Campeonato Ibérico da passada época teve lugar novamente em Espanha, em Buitrago del Lozoya, nos dias 7 e 8 de Junho. Integrada no Campeonato de Espanha de Ori-BTT 2008, o evento mereceu forte contestação dos presentes em múltiplos capítulos, com a organizada a cargo da Federação Madrilena de Orientação a cotar-se muitos furos abaixo do expectável e desejável.

Começando pelo sector masculino, a primeira referência vai para a anulação da prova de Distância Média de Elite Masculina, com a consequente não atribuição do título ibérico. Ainda neste escalão, mas no que à Distância Longa diz respeito, o título ficou na posse do espanhol David Soria Miguel. Nos Veteranos, Eduardo Sebastião (Distância Média) e Daniel Simon Santamaria (Distância Longa) repartiram os títulos. Quem não deu hipótese foi Luís Pires que chamou a si ambos os títulos no escalão de Jovens. Resultado: Portugal – 44; Espanha – 40.

No sector feminino, a supremacia portuguesa foi mais evidente, com natural destaque para o “bis” de Susana Pontes no escalão de Seniores. Alice Silva e Ana Filipa Silva, respectivamente nos escalões de Veteranos e Jovens, trouxeram para Portugal os títulos ibéricos de Distância Média, deixando a Conchi Ureña Perez e a Miren Andueza Arina a primazia na Distância Longa. No final, Portugal venceu com um parcial de 60 – 51 neste sector e um total de 104 – 91.
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Resumindo…

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Em resumo, dos 47 títulos até hoje atribuídos, Portugal arrecada a “parte de leão” com 34 (19 no sector masculino e 15 no sector feminino). Daniel Marques e Eduardo Sebastião são os maiores “açambarcadores”, com cinco títulos cada, seguidos de muito perto pela jovem Ana Filipa Silva, com quatro, e por Susana Pontes, com três. Do lado espanhol, a veterana Conchi Ureña Perez é a mais ganhadora, com quatro títulos ibéricos no seu currículo, contra três títulos de Amparo Gil I Brotons.

Finalmente, apresentamos os nossos “dezasseis magníficos” para Ourém. Em Jovens, Ana Filipa Silva e Margarida Colares voltam a fazer dupla no sector feminino, enquanto a representação masculina estará a cargo de João Ferreira e do “regressado” Guilherme Marques, três anos depois de Córdoba e desse saboroso título de Distância Média. Em Seniores, a única novidade em relação ao Campeonato Ibérico de 2008 é a inclusão de Mário Guterres na equipa Masculina, em estreia absoluta, ao lado de Daniel Marques, Joel Morgado e Paulo Alípio. Quanto às senhoras, Susana Pontes, Rita Guterres, Maria Amador e Joana Frazão voltam a ter a responsabilidade de elevar o mais alto possível o nome de Portugal. Quanto aos Veteranos, Alice Silva terá ao seu lado outra estreante, Ana Gomes, enquanto Eduardo Sebastião “apadrinhará” José Marques nestas andanças.


[agradecimentos a Acácio Porta Nova, Eduardo Oliveira, Francisco Conejo, Joaquim Patrício e Jorge Simões, cujas colaborações foram fundamentais para a viabilização deste trabalho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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