domingo, 5 de abril de 2009

ALEXANDER SHIRINIAN: ORIENTAÇÃO, UM MODO DE VIDA


Alexander Shirinian, um dos maiores pilares da Orientação nacional, está de regresso a Portugal. Em 6 anos – entre finais de 1995 e 2001 – Shirinian revolucionou por completo a modalidade, modernizando-a, tornando-a apelativa e competitiva e permitindo-nos encurtar distâncias para o que de melhor se vai fazendo lá fora. No cair do pano sobre os Nacionais de Distância Longa, o Orientovar falou com ele na Serra da Cabreira e traz-lhe agora algumas curiosas impressões.

Orientovar – Está de regresso a Portugal, um país que representa muito para si...

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Alexander Shirinian – Gosto muito de Portugal, claro. Passei aqui cinco ou seis anos e, para mim, Portugal é o meu segundo País.

Orientovar – O seu trabalho em Portugal faz de si uma referência da nossa Orientação. De que forma sente isso?

Alexander Shirinian – Não tenho nenhuma opinião formada a esse respeito. Na altura em que vim para Portugal, em finais de 1995, era necessário fazer muitos mapas, traçar percursos e melhorar a qualidade e capacidade das organizações de provas. Foram essas as tarefas que tentei desenvolver, de acordo, aliás, com o que me foi solicitado pelo Presidente da Federação Portuguesa de Orientação na altura, Higino Esteves. A única coisa que estava prevista e não consegui fazer foi a questão dos treinos, do trabalho técnico com os atletas. Os meios, contudo, não davam para mais. Não foi por culpa dele.

Orientovar – Em que estado encontrou a Orientação portuguesa quando cá chegou?

Alexander Shirinian – Existia Orientação, claro. Porém, comparativamente com outros países, era muito fraca do ponto de vista técnico. Ao nível da participação, não havia representatividade nos escalões de Formação. Havia inúmeras provas apenas com dois, três, quatro miúdos…

Orientovar – Quais os objectivos deste seu regresso a Portugal?

Alexander Shirinian – Estou cá para trabalhar com alguns clubes e com as selecções no desenvolvimento de estágios técnicos. A minha saúde já não me permite trabalhar tanto mas ainda me sinto com capacidades para treinar com os atletas. Sinto-me ainda com capacidades para transmitir os meus conhecimentos a técnicos, cartógrafos, traçadores de percursos e dirigentes.

Orientovar – A Orientação portuguesa está no bom caminho?

Alexander Shirinian – Sim. Recuando ao ano de 1995, primeiro cheguei eu. Depois organizámos o primeiro Portugal O’Meeting em 1996, chegaram outros cartógrafos, começaram a vir atletas estrangeiros para participar em provas… A Orientação portuguesa deu, então, um salto gigantesco. Sem pretender ofender ninguém, parece-me que, actualmente, esse desenvolvimento não é tão evidente. Sinto que, de alguma forma, se estagnou um pouco. Portugal deveria apostar mais na troca de experiências com técnicos estrangeiros. Não apenas eu, claro, mas com outros técnicos também. Se bem que a minha vantagem seja a de que falo português.

Orientovar – Quer pronunciar um desejo para a Orientação portuguesa?


Alexander Shirinian – Que no futuro a Orientação não seja apenas uma grande modalidade em Portugal. Que seja, sobretudo, um modo de vida para os portugueses.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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