terça-feira, 21 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: O PONTO FINAL DE RICARDO CHUMBINHO

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Em jeito de balanço de mais uma participação portuguesa num Campeonato do Mundo de Orientação de Desporto Escolar, aqui fica o depoimento do Professor Ricardo Chumbinho, Coordenador Nacional de Orientação do Desporto Escolar, membro da Direcção da Federação Portuguesa de Orientação e um interlocutor muito especial do Orientovar.


Numa competição como esta, há certamente diversos aspectos a salientar ao fim de uma semana de tão intensa actividade para uma comitiva de tão grande dimensão.

Necessariamente a primeira referência terá que ser para assinalar o enorme sucesso de que se revestiu esta participação, sucesso este expresso segundo diversos indicadores logo a começar pelos resultados desportivos alcançados. Dois títulos de vice-campeão mundial individual, um título de vice-campeão mundial por equipas, 3 menções honrosas e mais 5 lugares no top-10 da classificação individual, para além de dois outros atletas que não tendo ficado nesta relação contribuíram com as suas pontuações para o título colectivo, num total de 14 atletas em grande destaque pelos resultados de excelência alcançados, fazem desta uma participação de enorme relevo em termos de prestação desportiva para o Desporto Escolar e para a Orientação nacional.

A forma como todos os atletas encararam e participaram nesta competição, com uma atitude muito séria em relação à mesma e de uma enorme generosidade enquanto no terreno face às muito duras exigências físicas dos traçados, deixando na floresta tudo o que tinham para dar, são também indicadores de um enorme sucesso em termos desportivos.

Outro aspecto em que a nossa comitiva foi absolutamente inexcedível situa-se ao nível social e de grupo. Foi absolutamente fantástica a forma como 40 atletas de diversas proveniências conseguiu de imediato transformar-se em apenas um grupo, uno e indivisível, desde o primeiro minuto deste evento. Certamente que para tal muito terão contribuído os diversos momentos de estágio que antecederam a ida para Madrid mas, principalmente, o dia da concentração em Arraiolos. O facto de os atletas de fora do Alentejo terem sido recebidos pelas famílias dos seus colegas locais foi de um valor social inestimável.

Ao longo de toda a competição a comitiva portuguesa funcionou como um bloco muito solidário, brincando em conjunto na hora de brincar, apoiando-se mutuamente nas horas de necessidade - como na épica subida do ‘200’ para o ‘finish’ na longa -, tomando as refeições sempre em conjunto, concentrando-se nos momentos de próprios em conjunto e não em pequenos grupos… enfim, uma verdadeira lição de espírito de grupo, camaradagem e solidariedade. Para além disto foi marcante a autodisciplina deste grupo, expressa no rigoroso e permanente cumprimento de todos os horários e indicações dadas pelos professores responsáveis, sem necessidade de medidas de reforço ou de qualquer outra natureza para que tudo acontecesse de forma eficiente e tranquila.

Certamente muito importante para este clima, foi também a forma como todos os técnicos e delegados se relacionaram, articularam e colaboraram entre si, desde a esfera profissional à pessoal, nas áreas técnicas e logísticas, criando assim condições que potenciaram um tão bom funcionamento de um grupo com a dimensão deste. Muitas e muitas histórias ficarão certamente por contar, mas não por lembrar, ao longo das muitas horas que estes técnicos passaram juntos em viagens, refeições, acompanhamento da competição, reuniões, etc.

Naturalmente, com este clima por parte dos alunos e dos professores, rapidamente o mesmo se tornou contagiante para as restantes comitivas, fosse por acção dos nossos jovens junto dos jovens de outros países, fosse pela interacção dos nossos técnicos e delegados junto dos técnicos e delegados das outras equipas, nomeadamente nos períodos fora da competição no Hotel. Foi assim também um evidente sucesso em termos sociais esta participação.

Algumas palavras também para a organização. Bons terrenos, bons mapas, boas provas, bom alojamento, boas refeições, boas viaturas e de modo geral simpatia por parte dos elementos da organização, foram no seu conjunto uma das notas dominantes nesta organização. O outro conjunto de notas dominantes, desta feita menos positivas, será constituído pelos quase invariáveis enormes atrasos em todos os horários do programa, excepto no que à competição diz respeito. Notou-se ainda alguma falta de articulação entre a organização técnica internacional e a nacional espanhola, que redundou muitas vezes em situações de informações e indicações contraditórias entre si, alguma evidente falta de planeamento para algumas situações, que fez com que houvesse por vezes a necessidade de improvisar soluções que nem sempre correram da melhor forma, o pouco cuidado no planeamento das actividades culturais e finalmente alguma deficiência no sistema de informação entre a organização e as delegações.

De qualquer forma o balanço é, de forma muito clara, muito mais positivo do que negativo, uma vez que algumas insuficiências detectadas não afectaram minimamente a vertente desportiva, não transpareceram para o lado dos atletas e acima de tudo foi sempre encontrada uma solução. Embora, aqui e ali, um pouco à custa da capacidade e da paciência dos técnicos e delegados.

No conjunto, não há dúvidas de que se tratou de uma participação memorável sob todos os aspectos e que irá seguramente perdurar na memória de todos quantos nela participaram.

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[fotos gentilmente cedidas por Ricardo Chumbinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO
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1 comentário:

Olive Tree Guitar Ensemble disse...

Hi, it's a very great blog.
I could tell how much efforts you've taken on it.
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