sexta-feira, 17 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: NO RESCALDO DA PROVA DE DISTÂNCIA LONGA


Enquanto aguardamos a chegada de notícias frescas de Madrid – o dia foi dedicado à cidade dos Austrias e de Lope de Vega, com passagem pelo “Santiago Bernabéu” – fazemos a análise dos resultados da jornada de ontem.

As expectativas duma medalha para as cores portuguesas na prova de Distância Longa saíram frustradas. Vera Alvarez e o seu 5º lugar foi o melhor que conseguimos, mas a globalidade dos resultados aponta claramente para um desempenho meritório por parte dos nossos jovens atletas.

Se para uns, os resultados podem ser algo decepcionantes, há grandes vitórias pessoais no seio do grupo. Estar a competir num Campeonato do Mundo é, em si mesmo, já uma tremenda vitória. Estão aqui nomes que soarão bem alto nos próximos anos e é com a fina-flor da Orientação mundial que nos batemos. Há certamente uma enorme evolução da modalidade em Portugal, mas não nos podemos esquecer que não somos os únicos a evoluir.

Veja-se o caso da vizinha Espanha que é, na óptica geral, a grande surpresa destes mundiais até ao momento. O factor “casa” conta, certamente, mas duas medalhas de ouro e uma de prata, a título individual, e aspirações legítimas a quatro pódios colectivos, não são obra do acaso. Notam-se aqui já os resultados práticos do trabalho que a FEDO – Federação Espanhola de Orientação vem desenvolvendo desde Setembro de 2007, em particular após a criação do Centro de Alto Rendimento e da instituição dos programas vocacionados para a Alta Competição.


Suécia, pois claro!

No “medalheiro” geral, melhor do que a Espanha só mesmo Suécia e Inglaterra. Naturalmente favoritos, os suecos apresentam-se em Madrid apenas com equipas do escalão de Juvenis. Às três medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, o combinado nórdico soma ainda a liderança provisória de três das suas quatro equipas nos escalões respectivos. Competindo em todos os escalões, os ingleses conquistaram até ao momento duas medalhas de ouro, uma de prata e duas de bronze. Colectivamente, as equipas britânicas arriscam-se mesmo a fazerem-se representar em todos os pódios, à excepção do escalão de Juvenis Masculinos – Escola, onde parecem já claramente afastadas.

Apesar de não ter ainda sentido o doce sabor da vitória, a Letónia é, com duas medalhas de prata e quatro de bronze, a turma que mais vezes subiu ao pódio até ao momento. Colectivamente, seis das suas oito equipas estão igualmente muito bem posicionadas para alcançarem medalhas, o que é bem demonstrativo da enorme evolução que a modalidade continua a sentir naquele país do Báltico. Áustria com três medalhas de prata, França com uma de bronze e Escócia com uma de ouro, fecham o restrito grupo de países ganhadores. Sobretudo a Escócia merece uma particular referência, com um saboroso triunfo a mostrar claramente o impulso que os últimos Campeonatos do Mundo disputados em Edimburgo trouxeram à Orientação jovem daquele país. Nos antípodas está a República Popular da China, ainda e sempre a aprender mas já com um ou outro resultado interessante e que denota também uma certa evolução.

Amanhã é outro dia

Voltando a Portugal e aos nossos atletas, as atenções centram-se agora naquilo que poderão alcançar na prova de Distância Média de amanhã. Já se percebeu que os mapas e os percursos estão ali para valorizar os títulos em disputa e ninguém espera facilidades. Mas uma melhor conhecimento do terreno já nos confere outro conforto e segurança, a motivação no seio do grupo é muito forte e esta é uma distância onde nos sentimos mais à vontade (vejam-se as medalhas alcançadas em Edimburgo, precisamente na prova de Distância Média). Todos os atletas que alcançaram lugares no top-10 da prova de Distância Longa – Teresa Maneta, João Cascalho, Vera Alvarez, Joana Costa e Mariana Moreira – têm potencial para chegar ao pódio, mas é de esperar muito mais e melhor de todos os outros, sobretudo no escalão de Juvenis Masculinos – Selecção. Isabel Sá parece já recuperada do traumatismo sofrido no joelho e também ela é capaz dum resultado bem melhor e que lhe assente à justa medida da grande atleta que é.

No capítulo colectivo, para além do terceiro lugar provisório da EB 2,3 Cunha Rivara no escalão de Juvenis Femininos – Escola, há mais três equipas que podem almejar um lugar no pódio: ES Pinhal Novo, em Juvenis Masculinos – Escola e as turmas de Juvenis Femininos – Selecção e de Iniciados Femininos – Selecção. Tudo em aberto e expectativas ao rubro, porque amanhã é outro dia!

[slideshow baseado em fotos extraídas da página oficial da prova]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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