sexta-feira, 17 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: AS OPINIÕES DE TRÊS ILUSTRES PINHALNOVENSES


Teimando em fazer história nos Mundiais de Orientação de Desporto Escolar, a Escola Secundária de Pinhal Novo regista em Madrid a sua quarta presença consecutiva na competição. Ouçamos as opiniões de dois dos seus atletas e ainda do grande obreiro deste projecto, o Professor Daniel Pó.
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“Considero que tem sido muito importante passar por esta fase de aprendizagem em relação às competições internacionais, nomeadamente no que respeita à capacidade de lidar com a pressão. Também o contacto com outras culturas e o conhecimento sobre a realidade de cada país ao nível da Orientação tem sido algo que me tem motivado bastante.

Em relação ao ano anterior sinto-me melhor preparado, devido à preocupação em organizar treinos e estágios especificamente para esta competição. Isso vem-se reflectindo nos resultados que temos vindo a obter, sendo muito interessante observar a evolução que tive e compará-la com a evolução que as outras selecções apresentam desde o ano anterior, na Escócia.

A primeira competição de Distância Longa revelou-se mais exigente do que esperava. No entanto, graças ao trabalho desenvolvido nos últimos meses e à dinâmica que existe nesta equipa, superámos as dificuldades, conseguindo, neste momento, estar a disputar um lugar no pódio colectivamente. Apesar do resultado positivo, eu e a equipa sentimos que podemos melhorar mais, pelo trabalho que ainda conseguiremos desenvolver e pelas “arestas” que certamente iremos “limando”.

Um episódio engraçado que se passou na prova de Distância Longa foi protagonizado por toda a comitiva Portuguesa. O nosso colega de equipa, Bruno Jesus, foi o último a partir. Tal como se estava a passar com todos os atletas portugueses, estivemos à espera que chegasse no sentido de o apoiar. A dada altura a expectativa era tão grande que acabámos por simular, por várias vezes, a sua chegada ao “200”. Como sempre, fruto da relação existente, a organização e a delegação espanholas acolhem-nos de “braços abertos”. Pelo que vi e senti até agora, considero ser esta uma das melhores organizações de campeonatos e provas em que já participei.”

Paulo Pereira (ES Pinhal Novo)



“Um dos aspectos que mais destaco prende-se com o conhecimento de outras realidades e culturas. O outro aspecto está directamente relacionado com a preparação que temos tido para este evento, levando a que, apesar de ter subido de escalão este ano, não ter sentido o que normalmente acontece nestas situações, ou seja, dificuldades de adaptação a novas exigências e menor competitividade. Embora pratique Orientação há apenas dois anos, senti uma grande evolução, atenuando assim o diferencial para os primeiros classificados.

Realizada a primeira competição, não esperava ter obtido uma classificação tão boa (12º), talvez pela referência que tinha dos atletas juvenis que observei no ano anterior, na Escócia. Porém, por melhores que sejam os nossos resultados, poderemos sempre encontrar formas de ainda os melhorar mais, utilizando a entreajuda entre os elementos da nossa equipa e da selecção, do trabalho dos técnicos e da troca e comparação de experiências com outros atletas. Um exemplo simples é a simples confrontação entre as opções realizadas em cada percurso, que considero determinantes para evoluirmos.

Destaco a entreajuda que tem havido entre todos os elementos da minha equipa e que resulta da junção das duas equipas que estiveram no Mundial ISF da Escócia no ano anterior. Gostaria de sublinhar o reforço dos laços entre todos por forma a potenciar os resultados, apoiando e motivando-se mutuamente, transmitindo confiança aos outros dentro de uma equipa muito equilibrada.

Apesar da redobrada experiência internacional, alguns atletas portugueses continuam a ter algumas dificuldades ao nível da expressão na língua inglesa, idioma de eleição para os contactos entre quase todas as delegações. Em muitas situações tenho servido de tradutor ou corrector. Um colega meu estava a chamar “shoes”(sapatos) a um casaco, quando tentava “negociar” uma posterior troca de equipamentos com uma atleta inglesa, procedimento comum no final destas competições."
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Fábio Silva (ES Pinhal Novo)


"Esta experiência tem sido realmente mais enriquecedora que as anteriores que tive, especialmente pela dinâmica com que tem sido encarada toda a participação e pela grande afinidade que existe entre todos os atletas, treinadores e delegados. A animação tem sido uma constante, sendo a delegação portuguesa uma das mais saudadas por todos e por quem todos parecem ter bastante simpatia. O ambiente tem sido muito saudável no seio da comitiva portuguesa desde Arraiolos, local da concentração na segunda-feira passada, onde fomos muito bem recebidos por todos e que serviu de rampa de lançamento para esta excelente participação.

Aspecto marcante nesta participação tem sido a colaboração de quem considero ser um dos ícones da Orientação em Portugal, tendo já tido de o referir em público e pessoalmente - Tiago Aires. Efectivamente, trata-se de alguém que “respira” Orientação e que é responsável pela elevação das capacidades de muitos destes atletas, pela ligação que tem com eles ao nível do seu clube, mas principalmente através do projecto OriJovem, essencial para o incremento da filiação de jovens e para o desenvolvimento da sua técnica (alguns dos participantes já beneficiam do trabalho e acompanhamento do Tiago desde o 1º OriJovem). Como sempre, exibe uma capacidade de trabalho, dinamismo e de entrega dignos de registo. A sua disponibilidade para transmitir o que sabe tem sido algo que tem contribuído para a evolução de todos, onde me incluo, como é óbvio. A nossa modalidade tem mesmo muito a beneficiar com o contributo deste jovem, a todos os níveis.

Tal como gosto de fazer, fui realizar grande parte do percurso preparado pela organização na quarta-feira como ‘Model Event’. Desta vez tive a companhia do Professor José Mateus, da EB 2,3 Cunha Rivara, ainda menos experiente que eu. Como não levámos sapatos com bicos e dada a chuva que havia caído nessa noite e que caiu durante esse treino, começámos a “patinar” desde os primeiros pontos. A natural opção por caminhos ainda agravava mais a dificuldade. A tal ainda acresceu o facto de, no final do treino, muitos atletas já terem “espezinhado” grande parte desses carreiros, tornando-os muito escorregadios. Os ténis do professor José Mateus quase pareciam uns patins, tal era o deslizamento. No final do treino, quando percorríamos um trilho íngreme numa encosta também ela bastante íngreme, as dificuldades aumentaram. Fui subindo a custo chegando ao topo e ouvindo as queixas dele. Quando olhei para trás já ele estava com as mãos na parte de cima da encosta e os pés no carreiro mas sem hipótese de os movimentar para qualquer que fosse o lado. Não tinha tracção. A parte de baixo da encosta era muito íngreme para que ele se pudesse “lançar” ou deslizar para esse lado. Teria mesmo que ser ajudado. Acabei por descer o trilho, colocar-me em segurança na parte de baixo, arranjar um ponto de apoio para o Professor, “escavar” pontos de apoio na encosta e finalmente “resgatá-lo” até uma zona menos deslizante. Há-de ser uma situação para a qual nos recordaremos por muitos anos.

Em relação a uma eventual candidatura de Portugal à organização do Mundial ISF em Orientação no ano de 2013, claramente já demonstrámos ter capacidade para organizar os mesmos. Se mesmo agora várias comitivas internacionais continuam a apontar os Mundiais ISF de 2002, realizados em Leiria, como os melhores de sempre, hoje certamente ainda será possível realizar uns Campeonatos com melhor qualidade, dada a evolução da Orientação em Portugal. Claro está que terá que haver muitas pessoas disponíveis para colaborar nesta organização."

Professor Daniel Pó (ES Pinhal Novo)
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[fotos gentilmente cedidas por Ricardo Chumbinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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