domingo, 19 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: A PALAVRA A DUAS CAMPEÃS


Recuperando as emoções da jornada de ontem, auscultamos agora as impressões das outras duas atletas portuguesas que alcançaram lugares de honra na prova de Distância Média. Tempo de ouvirmos Joana Costa e Mariana Moreira, respectivamente 5ª e 6ª classificadas no escalão de Juvenis Femininos – Selecção.

Quais eram as vossas expectativas no ISF?

Joana Costa – A ideia que tinha era a de que este ano seria mais difícil obter grandes resultados, já que estaria a competir por selecção e, cada ano que passa, a competição e o nível dos atletas vai aumentado. O ano passado não sabia o que era correr e competir no ISF e, assim sendo, parti para as provas sem grande pressão e sem a noção do que me esperava. Este ano, e já com um passado de óptimos resultados em diferentes escalões, esperava alcançar um resultado que constasse nos 6 primeiros lugares. Seria difícil, mas não impossível, já era uma vitoria. A Distância Longa não foi uma prova perfeita, perdendo algum tempo devido a más escolhas ao nível de opção a tomar e a algum cansaço físico, contudo um 7º lugar não é de todo um resultado com que possa estar desiludida e deu bastante motivação para a prova de Distância Media.

Mariana Moreira - Não sei exactamente quais eram as minhas expectativas, mas tinha noção de que o nível de competição que iria encontrar era um pouco mais baixo do que o nível competitivo que já tinha encontrado noutras competições internacionais em que participei, como o EYOC. Também sabia que ao participar no escalão de Selecção, obter bons resultados individuais era mais difícil do que se participasse num escalão de Escola, e por isso, não sabia se era possível alcançar um lugar entre as primeiras. Porém, à medida que o tempo foi passando, a nossa confiança foi aumentando, o que nos permitiu obter bons resultados. Penso que o facto de ter perdido algum tempo na Distância Longa e de me ter classificado em 8º lugar, fez-me acreditar que se a prova de Distância Média me corresse bem, era possível alcançar um lugar entre as 6 primeiras, o que se sucedeu.

O que acharam deste ISF?


Joana Costa - Penso que foi notória a preocupação por parte da organização para que este ISF corresse de forma perfeita, com um bom ambiente gerado entre os diferentes países e um bom programa. Contudo penso que houve algumas falhas ao nível da alimentação.

Mariana Moreira - Ao nível da organização, penso que houveram algumas falhas. Na minha opinião, a alimentação não foi a melhor, pois apesar de ser quase sempre do nosso agrado, não era a que melhor se adaptava às nossas necessidades. Ao nível técnico, penso que correu praticamente tudo bem, só não gostei do facto de no meu e noutro escalão, os resultados não terem saído durante quase duas horas, o que nos causou um enorme stress. No geral, apesar de ainda não ter chegado ao fim, estou a gostar bastante de estar aqui.

E relativamente aos mapas? E ao terreno?

Joana Costa - Os terrenos apresentaram bastante desnível, pormenores de relevo e tornaram bastante desafiante a competição, obrigando os atletas a conciliar o esforço físico intenso com a leitura do mapa. Na minha opinião os percursos demonstraram opções que aproveitaram todos esses pormenores do mapa e foi necessário ter bastante atenção as zonas altas e baixas e interpretá-las correctamente, já que uma má leitura e posterior má opção poderia ser fatal no resultado.

Mariana Moreira - Gostei bastante do mapa, apesar de o achar demasiado físico. Achei que os percursos eram mais fáceis do que estávamos à espera. As pernadas não se demonstraram tão técnicas como as que tínhamos trabalhado. O mapa era desafiante pelas principais características que apresentava, mais nomeadamente todo o declive e detalhes de relevo que nos levava a tentar escolher a melhor opção. Penso que os percursos apelavam mais às nossas capacidades físicas. O tipo de terreno era interessante e diferente daquele que podemos encontrar em Portugal.

Estavas à espera do resultado de hoje? E quando é que sentiste de que estavas a fazer um bom resultado?

Joana Costa - Inicialmente a prova iria relevar-se bastante física, sem muitas dificuldades ao nível técnico. Tal como o Tiago diz, devemos encarar essas subidas e a dureza do percurso como uma sorte e uma vantagem em relação às melhores atletas, já que é nessas alturas que poderemos ficar com menos distância ao nível de tempo, do que num percurso muito difícil ao nível técnico. Sentia-me melhor que na Distância Longa, apesar de ter perdido algum tempo em algumas opções e em diversas hesitações, devido sobretudo a elevada quantidade de pontos na mesma zona e de pormenores de relevo. Contudo, estava bastante motivada, os erros foram poucos e com a ajuda de toda a comitiva pensei que iria ter um bom resultado.

Mariana Moreira - Por um lado acreditava que seria possível um bom resultado, tendo em conta que a prova de Distância Longa não tinha sido perfeita, pois perdi algum tempo em alguns pontos. Mas por outro lado, sabendo que o percurso de hoje teria muito desnível, as minhas expectativas não eram as melhores, já que “o meu forte” não são as subidas. À medida que a prova ia decorrendo, sabia que não estava a falhar quase nada, pelo menos tecnicamente, mas no final do percurso senti que o facto de não ter tido força para subir toda a última parte a correr me podia ter prejudicado, o que realmente sucedeu.


Quando abordavam o ponto 200, o que sentiam e o que pensavam ao ouvir os colegas portugueses a gritar por vocês?

Joana Costa - A comitiva foi fantástica. Desde praticamente o 8º ponto já se ouviam os berros e o apoio. Desde antes do ponto 200 ate ao ‘finish’ estávamos perante uma grande subida e só pensei que era o final e que tinha de passar a chinesa e a letã que estavam a minha frente. Era o momento em que tinha que dar tudo e arranjar forças onde nunca pensava que existiam. Ter toda a comitiva a gritar por nós é uma grande forma de motivação e faz-nos acreditar que é possível, que somos capazes de dar tudo até ao fim.

Mariana Moreira - É de facto muito motivante ter a noção de que temos uma “plateia” a apoiar-nos e a puxar por nós. Dá-nos sempre força saber que não estamos sozinhos a atravessar uma dificuldade. Claro que é tudo uma questão psicológica, já que ninguém está claramente a fazer força por nós, mas é fundamental sentirmos a “força para acreditar” que nos tentam transmitir, e isso penso que a nossa comitiva conseguiu sempre fazer. Eu já ouvia os gritos e o apoio da nossa delegação desde o 8º ponto, o que mostra que de facto era mesmo muito intenso todo este apoio que nos foi transmitido.

E agora que o ISF está a chegar ao fim, que metas tens para o futuro?

Joana Costa - Cada vez mais temos a aprender, mapas e terrenos diferentes a que podemos ter contacto para crescer na modalidade. Esta é sem dúvida uma grande oportunidade para competir com atletas estrangeiros, comparar o nosso nível e lutar para sermos cada vez melhores, saber lidar com a pressão. Para o futuro gostaria de desenvolver mais a parte técnica, hesitar menos, ter mais confiança em mim e acreditar mais no mapa. Em termos de competições mais importantes, gostaria de representar o pais no EYOC e JWOC que se realizarão brevemente, com busca a bons resultados.
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Mariana Moreira - Chegando agora ao fim, penso que, como qualquer atleta, quero continuar a evoluir e gostaria muito de continuar a representar a nossa Selecção, não nesta competição (pois este foi o meu último ano), mas sim noutras competições internacionais, como a participação que brevemente pretendo efectuar no EYOC e no JWOC. Na minha opinião, uma boa evolução passa pela participação em diversas provas, em diversos treinos, sendo essencial poder ter acesso a diversos tipos de mapas e de terrenos, o que por vezes só é possível através da ida a outros países e da participação em importantes competições.

Ficam muitas histórias, mais experiências, novas expectativas. Que mensagem deixas aos mais novos que acompanharam a vossa presença no ISF?


Joana Costa - Sem duvida que os mais novos são o futuro da modalidade e é com eles e com a sua evolução que Portugal poderá estar representado da melhor maneira. Todos os mais novos, com esforço e vontade, poderão passar por todas estas experiências, contactar com várias culturas e países, viajar e fazer história. Cada vez mais são criadas condições para que isso aconteça. Só é necessário não desistir e, mais que tudo, ter amor à modalidade.

Mariana Moreira - Aos mais novos penso que é importante transmitir que, apesar de hoje sermos nós a estarmos aqui, eles são o futuro da nossa modalidade. Daqui a uns tempos, são eles que vão estar no nosso lugar, são eles que vão estar “aqui” a representar o nosso país, e para isso só é preciso dedicarem-se, nunca desistirem, acreditando sempre que nada é impossível!

[foto gentilmente cedida por Ricardo Chumbinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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