domingo, 19 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: A PALAVRA ÀS GRANDES PROTAGONISTAS


Depois das enormes emoções da jornada e que renderam a Portugal duas medalhas de prata individuais, prioridade às grandes protagonistas, Vera Alvarez e Inês Catalão.

Quais eram as vossas expectativas no ISF?

Vera – Eu já tinha grandes expectativas para o Mundial deste ano devido aos resultados do ano passado, mas tinha consciência que era mais difícil por competir em Selecção. Sinceramente não pensei alcançar o 2º lugar, apenas queria ficar melhor classificada do que na Distância Longa, pois aí senti que podia ter alcançado um resultado bem melhor do que o 5ºlugar.

Inês – Depois da prova de Distância Longa me ter corrido muito mal e de ter alcançado apenas o 21ºlugar, nesta prova o meu objectivo era ficar nos dez primeiros lugares. A prova acabou por me correr muito melhor do que eu estava à espera e consegui chegar ao 2º lugar! Nunca imaginei.

O que acharam deste Mundial de Desporto Escolar?

Vera - Foi muito engraçado. Os mapas eram muito interessantes e com muito desnível, sendo fundamental a parte física. Ficamos bem alojados embora a alimentação nem sempre fosse a melhor. A organização fez um bom trabalho sendo que apenas teve algumas falhas ao nível do incumprimento de horários. O ambiente é sempre maravilhoso entre as comitivas dos diversos países.

Inês – Estou a gostar de tudo, nunca tinha participado numa competição deste género e acho fantástico este ambiente!

Relativamente aos mapas, já tendo treinado no mapa do Model Event, o que acharam destes novos mapas? E dos percursos?

Vera – Eu gosto muito deste tipo de mapas pois podem-se escolher várias opções, o que em Portugal é difícil de encontrar. Preparamo-nos muito para este facto quando cá estivemos a treinar no mapa do ‘Model Event’ mas, na minha opinião, nas provas só em raras excepções haviam escolhas de opções realmente interessantes. Este era o grande defeito dos percursos, os quais, por vezes, se pareciam com uma prova de estafetas pois na zona de um ponto existiam muitos pontos, cada um diferente por escalão. Para este mapa ser perfeito, para mim, seria mais plano pois o desnível era imenso, tendo eu hoje 155 metros de desnível em 2,3 quilómetros!

Inês – Gostei muito dos mapas e dos percursos. Tenho alguma facilidade neste tipo de terreno pois tem de se tomar atenção ao mapa para escolher as opções adequadas para contornar o desnível. Na minha opinião, o estágio de preparação para o Mundial foi determinante para os resultados alcançados.

Quando é que sentiram que iam alcançar um bom resultado?

Vera – Bem, sinceramente, durante a prova não tive a sensação de que teria um bom resultado em comparação com as restantes atletas do meu escalão, pois a competição é muito mais acentuada que o ano passado. O percurso, no geral, correu-me bem, apenas fiz uma pior opção pois ia a uma velocidade que não me permitiu ler o mapa a tempo. Também cometi muitas hesitações na parte final chegando a não ter a certeza se estava a ir bem para um ponto. Só quando cheguei é que realmente me apercebi que o meu tempo era bom, depois de perguntar os tempos a algumas atletas inglesas. Mantive-me bastante tempo na primeira posição, com muitas esperanças de aí me manter. Infelizmente, isso não aconteceu mas já fiquei muito contente com o meu lugar e, principalmente, com os resultados de toda a comitiva.

Inês – No início da prova não estava muito confiante devido ao resultado anterior mas com o decorrer da prova fui ganhando confiança… Senti que a prova me estava a correr muito bem porque estava com um bom ritmo e não cometia erros. Apenas, no final da prova, cometi algumas hesitações. Quando ia no sprint final o Tiago Aires disse-me que estava com um excelente resultado, o 2º lugar. Só acreditei realmente quando vi os resultados afixados.

O que pensaste quando os teus colegas te apoiaram na recta final?

Vera – É sempre motivador ter pessoas a puxar por nós. Eu na parte final já estava completamente esgotada, fiz quase toda a recta para o 200 e o sprint final a andar, sendo estes numa subida bem acentuada. Mesmo assim, foi grande o apoio dos restantes atletas. A nossa comitiva está muito unida e damo-nos todos muito bem.

Inês – Quando entrei na parte final já ia um pouco desanimada e com vontade de andar pois já tinha hesitado um pouco na parte final. Assim que vi os meus colegas TODOS a puxar por mim ganhei motivação e fui a correr!


E agora que o ISF está no fim, que metas para o futuro?

Vera – Para já, o meu objectivo é ir ao EYOC 2009. Uma vez lá, quero tentar ficar no primeiro terço, seria já muito bom. Sendo assim, para os próximos anos o EYOC será sempre um objectivo, melhorando de ano para ano os resultados. Também gostava muito de participar no Mundial de Desporto Escolar daqui a dois anos, mas não sei se será possível uma vez que não tenho equipa de Escola. Espero que continuem a apoiar o desporto escolar e que levem equipa de Selecção.

Inês – Por enquanto, estou focada em ser apurada para o EYOC, depois veremos…

Ficam muitas histórias, mais experiências, novas expectativas. Que mensagens deixam aos mais novos que acompanham a vossa presença no ISF?

Vera – Para conseguirem chegar aqui, esforcem-se ao máximo e conheçam o maior tipo de terrenos que conseguirem. Acreditem que vale a pena, é realmente compensador obter estes resultados.

Inês – O futuro está nos mais novos, por isso dediquem-se, treinem e tentem alcançar os vossos objectivos.


[foto gentilmente cedida por Ricardo Chumbinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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