sexta-feira, 17 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: O LONGO DIA DA LONGA


Como se um “Diário de Bordo” se tratasse, aqui ficam as impressões da terceira jornada desta estada em Alcala de Henares, no dia em que foi para o terreno a prova de Distância Longa.

Mais um dia a começar bastante cedo com o pequeno-almoço às 07:30, uma vez que algum tempo depois se daria a saída dos autocarros para o primeiro momento de competição deste Mundial: a prova de Distância Longa!

Algum tempo antes da hora limite definida pelos técnicos, já todos os atletas se encontravam concentrados no ‘hall’ do hotel, preparados para embarcar. O ambiente era de grande calma e serenidade, sem quaisquer demonstrações de nervosismo ou pressão mas, ao mesmo tempo, denotando uma enorme compenetração e atitude positiva face à competição. À medida que as equipas iam comparecendo no local destinado, o respectivo técnico encarregava-se de proceder com os atletas a importantes confirmações antes do embarque: SI Card, bússola, peitoral e identificação, algo sem o qual ninguém poderia iniciar a prova.

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As confusões do costume

À hora destinada pela Organização deu-se o embarque em autocarro com destino ao local de prova. Chegados ao mesmo, a comitiva concentrou-se na área reservada para o efeito e alguns técnicos foram fazer um importante reconhecimento ao local e confirmação de procedimentos. Nesta altura verificou-se a continuidade das surpresas proporcionadas pela organização e que são já habituais neste mundial, com os atletas a depararem-se no pré-start com uma indicação contrária àquela que havia sido claramente transmitida na reunião técnica da véspera. Ao contrário do que era esperado, haveria uma chamada no pré-start ao minuto - 30, não sendo possível entrar na mesma antes disso!

Seguiu-se de imediato outra surpresa, indiciadora de alguma falta de articulação: um dos elementos com responsabilidade na organização técnica pretendia proibir os técnicos que entrassem na zona de ‘pré-start’ de saírem para irem ao ‘finish’ ou a qualquer outra zona. Tratava-se de uma proibição não só desprovida de qualquer sentido como ainda contrária às indicações da véspera na já referida reunião.

Após alguma discussão com a comitiva Portuguesa, uma vez que essa disposição contrariava a estratégia definida e para além disso não fazia sentido, foi solicitada a intervenção do Comité Técnico Internacional que nos deu razão! De facto, havia sido articulado na véspera que os técnicos se distribuiriam pelos diversos pontos críticos de toda a área, para que todos os atletas, em qualquer momento antes e depois de terminarem a sua prova, pudessem sentir-se apoiados: na zona de aquecimento, no local destinado a deixar as mochilas para transbordo para a chegada, à entrada para o pré-start, à chegada à zona de partidas, junto ao -3 e nas chegadas.
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Uma bela surpresa

Dada a hora de início e fim da prova, a organização previu para este dia uma refeição no campo. Para surpresa de todos - desta vez bastante positiva! -, esta refeição foi constituída, ao invés do esperado saco com almoço volante, por dois pratos quentes servidos no local e tomados em tendas de campanha do exército. Excelente! Seguiu-se uma demorada e algo conturbada Cerimónia de Entrega de Prémios, com o sistema de som a não funcionar, o que obrigou uma jovem voluntária da organização a falar sem qualquer apoio… ao ar livre e com vento… para mais de 500 pessoas! A eficácia deste esforço inglório é fácil de imaginar…

Por todos estes motivos verificou-se novo atraso no plano de transportes, o que originou a impossibilidade de ir ao Hotel tomar banho antes da programada visita cultural a Alcalá de Henares. Na verdade a comitiva saiu do terreno e teve apenas uma breve passagem pelo Hotel para simples mudança de roupa, sempre apressados pela organização. Afinal para se chegar ao local e ter de esperar cerca de 45 minutos até ao início da visita pedonal!
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Um guia turístico chamado... Daniel Pó

Entretanto lá teve inicio o ‘tour’, guiado por três jovens que rapidamente foram substituídas pelo Professor Daniel Pó, tal a dificuldade demonstrada em estabelecer comunicação relativamente aos conteúdos de um documento-guia… que estava em Inglês! Tratou-se de uma visita deveras cansativa, depois de um dia que começou muito cedo e teve uma longa e dura prova de Distância Longa de permeio, mas com dois ou três aspectos extremamente valiosos. Falamos da casa de Miguel De Cervantes, do Hospital onde trabalhou Santo Inácio de Loyola, do antigo Teatro ainda em funcionamento e da monumental e verdadeiramente espectacular Universidade de Alcala de Henares, edifício antiquíssimo e repleto de história, desta vez guiado por um profissional.

Finalmente… regresso ao hotel. Mais uma excelente refeição ao jantar, dispensa da habitual reunião técnica formal com as equipas e… descanso! O dia que se segue será de folga em termos competitivos, com uma muito ansiada visita à capital espanhola.
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[fotos gentilmente cedidas por Ricardo Chumbinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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