domingo, 19 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: MAIS UM PUNHADO DE OPINIÕES


Os Campeonatos Mundiais de Orientação de Desporto Escolar ISF 2009 aproximam-se do fim, mas ainda há tempo para percebermos as reacções de mais alguns protagonistas desta grande festa da Orientação.


“Esta foi e está a ser a melhor experiência no estrangeiro que alguma vez tive. O nível competitivo do escalão em que me encontro é altíssimo, e com a prova que realizei hoje, em que perdi cerca de 2 minutos, fiquei somente em 23º. Se isto sucedesse em Portugal teria alcançado com facilidade um pódio, o que é demonstrativo do nível dos estrangeiros presentes no WSCO’09.

Fiquei deveras impressionado com a cumplicidade e amizade entre os elementos da nossa Selecção. A relação com as diferentes comitivas é igualmente agradável.

Relativamente à organização, está de acordo com as minhas expectativas. A única nota negativa vai apenas para as cerimónias de entrega de prémios, onde faltaram os hinos nacionais.”

Rafael Miguel (Escola Secundária Estarreja)


“Está a ser uma experiência nova, sem dúvida muito enriquecedora e mais uma base para um futuro orientistas que espero melhor. Todo o ambiente é fantástico, dentro e entre as diferentes comitivas. O nosso grupo é animadíssimo, sempre com um grande espírito e atitude perante tudo e todos – é fabuloso. Demonstrativo disso mesmo são as constantes salvas aos atletas nacionais que completam as suas provas. Em termos competitivos, os meus resultados não foram os melhores, de acordo com as minhas expectativas e aquilo que poderia ter alcançado. Vários foram os erros sem sentido ou de simples desconcentração, em ambas as provas, o que custou sem dúvida um lugar na classificação bem mais ambicioso. Por outro lado, a experiência alcançada e novas sensações – da grandes pressão e nervosismo existentes, do nível competitivo, dos terrenos fantásticos... -, é algo único e de grande enriquecimento. As prestações do grupo foram formidáveis e provam que estamos ao nível de qualquer outra selecção.

Em termos de experiências engraçadas, posso referir a novidade que foi o dormir em casa de colegas nossos, no meu caso literalmente no “fim do mundo”, numa casa de campo, num monte, entre os animais e a ruralidade. Foi sem dúvida engraçado. Também de referir o nosso “grito de guerra”!!!

A organização desiludiu-me um pouco, num ou noutro aspecto, como a entrega de prémios da Distância Longa, a má qualidade da comida ou o não cumprimento de alguns horários. De resto tem sido excelente e, no que respeita aos terrenos e percursos, foi muito bom.”

Miguel Ferreira (Escola Secundária Palmela)


“Esta foi a minha primeira experiência internacional e a primeira impressão não foi muito má. Em relação aos outros atletas tenho algumas limitações, mas mesmo assim consegui não ter uma má prestação nas duas provas.

Uma experiência que me marcou mais neste mundial foi a Cerimónia de Abertura em que nós, portugueses, fizemos mesmo uma grande festa.

Em relação à organização acho que os mapas estão muito bons, a par dos percursos. Quanto à entrega de prémios e outros elementos técnicos, a organização deixa algo a desejar.”

Tiago Baltazar (EB 2,3 Navegador R. Soromenho)


“Até agora o Mundial está a ser uma experiência fantástica. Nunca tinha ido a nenhum, por isso não sabia bem o que iria encontrar. Uma coisa que eu tinha a certeza que haveria era um enorme número de participantes, por isso esse facto não me surpreendeu. Pelo contrário, em relação às competições, o tipo de relevo foi uma grande surpresa. Eu sabia que o relevo tinha muito desnível mas nunca imaginei que fosse assim tanto! Contudo, adorei ambas as competições, tanto tecnicamente como fisicamente.

Outro factor que muito me surpreendeu foi a facilidade de convívio com pessoas de outras nacionalidades. Fiz muitos amigos de diferentes origens, alguns mais difíceis de compreender que outros. Mas no fim compreendíamo-nos sempre. Resumidamente, o mundial está a ser uma experiência muito emocionante, competitiva e divertida. Estou a adorar.

A Cerimónia de Abertura foi um dos momentos do mundial que eu achei mais divertido. Enquanto fazíamos o desfile, nós (os portugueses) apoiávamos todas as equipas dos diferentes países por onde passávamos. Começávamos a gritar feitos malucos, a bater palmas…Fazíamos isto a todos e alguns até retorquiam fazendo-nos o mesmo. Até socializámos com os chineses, apesar de não percebermos o que eles diziam.

A organização do evento não foi perfeita, tendo algumas falhas mas nunca nada de muito importante. Para um evento deste tipo, tão grande e difícil de organizar, acho que os espanhóis estão a conseguir ser bastante eficientes. Apesar da ocorrência de alguns pequenos problemas, a organização esforçou-se ao máximo para os resolver e fizeram um bom trabalho.”

Inês Domingues (EB 2,3 Guilherme Stephens)



“O aspecto que mais me tem marcado tem sido o convívio entre toda a comitiva portuguesa, principalmente com os atletas com quem ainda não tínhamos uma relação tão próxima. Desde logo devido ao treino conjunto realizado na Gafanhoeira e pela recepção realizada pelos atletas e respectivas famílias dessa localidade, levando a que os próprios atletas da Escola Cunha Rivara se tornassem muito mais extrovertidos, comunicando muito mais facilmente com todos.

O aspecto mais importante está relacionado com a presença do Tiago Aires, por este ser o responsável por uma maior união do grupo, facto muito notado não só nos dias de competição mas também fora da competição, pela animação que o caracteriza. Em relação ao excelente convívio que têm existido com as outras comitivas, hoje, na Cerimónia da Entrega de Prémios, uma atleta da Bélgica (Flandres) dirigiu-se para junto da comitiva portuguesa e afirmou que o fez por saber que, estando perto de nós, teria a certeza que estaríamos a apoiar todas as cerimónias de entrega de prémios, podendo ela também manifestar esse apoio sem se sentir isolada, pois grande parte das comitivas não são tão animadas nem sociáveis como a portuguesa. Relatou também que tem muita pena de não estar no nosso hotel, visto as comitivas que estão no seu hotel não serem sociáveis.

Duma forma global, a organização tem demonstrado grandes capacidades para organizar eventos desta dimensão, parecendo não haver grandes falhas entre os sectores o que denota muito trabalho prévio.”

Miguel Mouco (Escola Secundária Pinhal Novo)



"Os aspectos mais marcantes têm sido o espírito de grupo, a união, a animação e a constante motivação, essenciais para a obtenção de bons resultados. É muito bom ouvir o apoio da comitiva quando estamos a chegar. Na prova de Distância Média, por exemplo, nos 200 metros de subida muito íngreme até à chegada, certamente consegui fazer melhor devido ao grande apoio que recebi por parte dos meus colegas portugueses.

Infelizmente os resultados que obtive não corresponderam as minhas expectativas as quais, tendo eu sido medalha de prata no ano anterior, eram muito elevadas. No entanto, o 7º lugar da prova de Distância Média, tendo sido obtido no escalão de Selecções de Iniciados, muito mais competitivo, está praticamente ao nível do ano anterior. Fiquei surpreendido com o nível encontrado este ano que não me permitiu melhores resultados, embora claramente melhor preparado. O apoio dos técnicos foi fundamental para me convencer que eu não estou mal. Preciso de melhorar o meu nível técnico, aproximando-o do nível físico, pelo que coloco já como objectivo futuro o Mundial 2011, em Itália, como último ano de juvenil e beneficiando de uma maior experiência.

Estou extremamente satisfeito com a participação portuguesa, não só pelos resultados mas por toda a animação, união, e constante entreajuda. Destaco as medalhas de prata obtidas pela Vera Alavarez e pela Inês Catalão, ambos excelentes resultados. O resultado da Vera tem maior expressão por ter sido obtido no escalão de equipas de selecção mas a Inês conseguiu superar-se de uma forma extraordinária.

A troca de impressões com outros atletas sobre provas, treinos e mapas em geral é extremamente enriquecedora. Ajuda-nos a perceber alguns aspectos como a sua preparação e pensar na aplicação dos mesmos na nossa actividade. Nos aspectos de carácter mais social, consegui melhorar a relação com as outras comitivas. Certamente a melhoria do “meu inglês” terá contribuído significativamente.

A situação mais engraçada ocorreu no dia da visita a Madrid, quando ficámos presos no elevador de acesso à bancada superior do estádio Santiago Barnabéu. Disseram-nos que o problema seria resolvido no espaço de um ou dois minutos, mas achei engraçado a preocupação e forma de actuar do segurança do elevador, senhor já de alguma idade que estava visivelmente atrapalhado. Felizmente o problema resolveu-se ao fim de dez minutos, tendo sentido um grande alívio, pois já não estava tão divertido como inicialmente. Durante esse período pude tirar umas fotografias bem interessantes.

Tendo já participado no Mundial ISF em Edimburgo, considero que este ano em termos de logística se encontra tudo muito bem organizado, a um nível que não esperava assistir. De forma geral, não desvalorizando o esforço realizado pela organização de Edimburgo, considero que esta organização se tem apresentado a um nível bem superior à do ano anterior. Vê-se claramente que houve um grande esforço da organização, felicitando e esperando que a Espanha organize muitos mais eventos de Orientação.

Gostaria de pedir a todos, mesmo os que obtiveram resultados menos bons, que se motivem e continuem a praticar esta modalidade maravilhosa, seguindo em frente e treinando para conseguir melhores resultados.

Luís Silva (Escola Secundária Pinhal Novo)



“Confesso que estou bastante surpreendido pela positiva com todo este programa, que juntou uma parte cultural e de ‘fair-play’ a um Campeonato do Mundo. Já estive no JWOC, WOC, TPL, WorldCup, EYOC…, mas nestes campeonatos o ambiente é diferente. O programa do evento é bastante extensivo e composto por um planeamento muito ambicioso mas que me parece ter toda a lógica, tendo em conta que um dos pilares é o convívio e a formação dos jovens. Como técnico convidado em nome da Federação Portuguesa de Orientação, é para mim um orgulho e um privilégio poder ajudar estes jovens que conheço, na grande maioria bastante bem, dos OriJovens. Já tive oportunidade de dizer aos atletas que eles são um grupo fantástico, com quem é fácil trabalhar tendo em conta a sua ambição e dedicação. Estou completamente rendido ao ambiente que se tem vivido neste dias e penso que isto vai claramente no sentido que temos tentado trabalhar no OriJovem e que aqui está a funcionar na perfeição: “Fortalecer o grupo para melhorar cada um individualmente”. A juntar a isto, a amistosa e descontraída relação que temos tido entre os professores, tem formado na minha opinião um dos momentos mais agradáveis que tenho vivido nas Selecções.

São muito fortes as sensações quando estamos à espera dos atletas, e quando eles demoram a chegar. Mas mais fortes ainda são quando não os esperamos tão rápido e eles aparecem com grande classe, num palco onde estão os melhores do mundo, lutam e deixam a pele na floresta (como foi referido pelo Jose Samper sobre a atitude dos portugueses). A juntar a isto, ter toda uma comitiva a gritar, apitar, bater palmas, correr, etc., é simplesmente MARCANTE!

Um dos episódios mais caricatos e que mais me fez sofrer, foi a demora na publicação nos escalões D2-Escola e D1-Selecção. Realmente não se compreende porque é que todos os escalões eram actualizados menos estes.

Quer ao nível do programa do estágio bem como nos resultados alcançados pelos Portugueses as expectativas têm sido ultrapassadas, ainda mais tendo em conta a melhoria qualitativa e quantitativa que estes campeonatos têm vido a sofrer nas últimas edições. A nível organizativo, penso que têm havido algumas falhas que não deveriam acontecer num Campeonato do Mundo, mas que felizmente nos mapas e na verdade desportiva não há nada a apontar.

Portugal tem todas as capacidades para realizar seja que competição for, como se provou recentemente com o WMOC e no passado com a Taça do Mundo, o Campeonato do Mundo Militar e inclusive com o ISF que se realizou já em Portugal, na Marinha Grande, em 2002.

Tiago Aires (Federação Portuguesa de Orientação)

[fotos extraídas da página oficial do evento em http://picasaweb.google.es/webmaster.femado/WSCO2009MiddleDistanceRace#]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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1 comentário:

Manuel Delgado disse...

Margarido,

Parabéns pela fantástica reportagem que conseguiste, à distância, fazer deste evento: campeonato do mundo de desporto escolar.
Gostaria de deixar uma análise que fiz aos resultados das equipas esquecendo os lugares que acabaram por ocupar nas tabelas classificativas. Aquilo para que procurei olhar foi para a diferença entre o tempo total das nossas equipas e as equipas vencedoras. Em qualquer dos casos essa diferença é inferior a uma hora, sendo muitíssimo inferior no caso de duas equipas femininas.
Antes de registar os números (retirados da página da prova) em que me baseei para escrever o parágrafo anterior gostaria de felicitar toda a comitiva que condignamente nos representou, deixar um forte abraço para o Margarido e também um grande abraço para aqueles dos muitos leitores do ORIENTOVAR que lerem este comentário.
Manuel Delgado
Os números:
MH1SL
SUECIA 03:24:41
PORTUGAL 04:16:44
diferença: 00:52

MH2SC
LETONIA 03:30:50
PORTUGAL 04:27:32
diferença: 00:57

MH2SL
INGLATERRA 02:46:43
PORTUGAL 03:40:55
diferença: 00:54

WD1SC
SUECIA 03:24:02
PORTUGAL 04:15:37
diferença: 00:51

WD1SL
SUECIA 03:32:37
PORTUGAL 03:49:54
diferença: 00:17

WD2SC
LETONIA 03:49:54
PORTUGAL 04:08:38
diferença: 00:19

WD2SL
INGLATERRA 02:55:30
PORTUGAL 03:43:53
diferença: 00:48