segunda-feira, 13 de abril de 2009

2009 ISF WORLD SCHOOL CHAMPIONSHIP ORIENTEERING MADRID: AS EXPECTATIVAS DA PROFESSORA INÊS BARROSO


Quem a conhece bem, define-a como dinâmica e voluntariosa. Da conversa que manteve com o Orientovar, ressalta uma enorme franqueza e sensatez. Falamos da Professora Inês Barroso, (reincidente) chefe da comitiva portuguesa que parte amanhã rumo a Madrid e ao grande desafio que constituem os Campeonatos Mundiais de Orientação do Desporto Escolar ISF 2009. É essa pedacinho de saboroso diálogo que partilhamos aqui e agora.

Orientovar - Quem acompanha a modalidade, percebe a importância que o Desporto Escolar tem no seu contexto evolutivo. Mas percebe também que o desenvolvimento da Orientação no meio escolar está muito longe de ser o desejável. Que análise faz da situação actual?

Professora Inês Barroso - Ao nível do Desporto Escolar, a Orientação tem, no presente ano lectivo, 68 Grupos/Equipa, o que perfaz um número superior a um milhar de praticantes. São integrados, na sua maioria, por projectos de escolas das Direcções Regionais de Educação (DRE) do Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, embora já se verifique uma representatividade significativa por parte das DRE Centro e Alentejo. A DRE Alentejo, por exemplo, regista um crescimento quantitativo e sobretudo qualitativo, dos seus praticantes – saliente-se que a comitiva nacional que participa no Campeonato do Mundo da ISF 2009, apresenta 16 alunos (em 40) oriundos desta região.

São naturais as dificuldades em desenvolver modalidades como a Orientação, a Vela, o BTT, a Canoagem, … uma vez que exigem saída da escola para espaços adequados de treino, estão condicionadas pelas questões climatéricas e requerem muito tempo disponível para treinos significativos. Acresce ainda o facto de serem modalidades pouco desenvolvidas no âmbito dos Programas curriculares de Educação Física, o que exige um trabalho de maior esforço e dedicação.

No Desporto Escolar, o que fazemos questão de realçar é que a modalidade tem crescido e tem-se afirmado em termos de desenvolvimento! A Orientação constitui uma das modalidades em que mais atletas de topo nacional têm surgido a partir do trabalho que é realizado pelas escolas e esses resultados têm-se repercutido em campeonatos nacionais e internacionais da modalidade.

Orientovar - A articulação entre Desporto Escolar e Desporto Federado continua longe de ser a ideal. Essa é uma realidade também na Orientação, apesar dum evidente esforço por parte da DGIDC e sobretudo da FPO, no sentido de inverter a tendência. Na sua perspectiva, quais as causas desta situação e que mecanismos deveriam ser introduzidos no sentido de se conseguir uma mais adequada interacção entre ambos os contextos?

Professora Inês Barroso - No âmbito dos objectivos do Ministério da Educação e da filosofia que o Desporto Escolar preconiza, o trabalho deve ser desenvolvido, em parceria, por todas as instituições inerentes, para que os jovens do nosso país possam ter acesso à prática regular de actividade física. Os sistemas educativo e desportivo estão a desenvolver vários projectos em conjunto, para que se continue a assegurar e a proliferar estratégias de enriquecimento das condições de prática de actividade física.

A Direcção Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular e a Federação Portuguesa de Orientação têm um protocolo de cooperação que regula uma parceria estabelecida e ambas as entidades têm um entendimento e uma comunhão de ideias e de projectos com vista ao crescimento da modalidade.

Refiramos, como exemplos, a existência de projectos para a organização conjunta de provas, a articulação que tem existido a propósito de toda a participação no ISF 2009, o convite feito à FPO para incluir um técnico na comitiva Madrid 2009, a colaboração da DGIDC no 11º OriJovem, a participação de estruturas federadas na organização de eventos escolares, participação do Desporto Escolar em provas FPO, etc.

Orientovar - Quanto à nossa participação em Madrid, o que conhece destas quatro dezenas de jovens e que comentário lhe merece a forma como foi conduzido o seu processo de selecção e preparação para os Mundiais ISF?

Professora Inês Barroso - Na sequência do que referi na questão anterior, poderemos afirmar que o processo de selecção e de preparação dos alunos que vão para o Campeonato do Mundo da ISF 2009 foi francamente positivo e talvez o melhor que alguma vez se fez na modalidade. Desporto Escolar e FPO procuraram encontrar estratégias e formas de actuação que fossem operacionais, exequíveis e justas. De realçar o esforço e o empenho da FPO, bem como o excelente trabalho do Dr. Ricardo Chumbinho; o qual, sendo o Coordenador Nacional da modalidade no Desporto Escolar e fazendo parte dos órgãos sociais da FPO, deu um inexcedível contributo em todo o processo.


Orientovar - O historial recente em Mundiais ISF coloca responsabilidades acrescidas à nossa representação. Pessoalmente, de que forma sente essa realidade?


Professora Inês Barroso - Do ponto de vista pessoal, penso que o mais importante é dignificar o nosso país! Do meu conhecimento sobre o trabalho que tem sido desenvolvido pelos alunos e professores que compõem esta comitiva, tenho a certeza de que Portugal será dignificado! Estou certa de que todos se irão esforçar e fazer o melhor que lhes for possível!

Orientovar - Que expectativas leva “na bagagem” no que respeita àquilo que os nossos jovens serão capazes de fazer em termos de resultados?

Professora Inês Barroso - Atendendo a que esta é a maior representação de sempre num Campeonato ISF realizado no estrangeiro, e a que é também, provavelmente, uma das que melhor conjunto médio de atletas apresenta, é óbvio que tenho algumas expectativas…

Registe-se que dos 40 alunos que estarão em Madrid, 32 estão no top-10 da Taça de Portugal FPO nos escalões em que competem. Parece-me legítimo esperar bons resultados, particularmente da selecção de juvenis femininos, havendo também alguma expectativa relativamente à selecção de iniciados masculinos. Existem ainda muito bons valores em todas as restantes equipas.

No entanto, volto a frisar: a nossa ambição é que cada um de nós represente bem o nosso país! Mais importante que uma medalha é ninguém se lesionar, ser esforçado e dedicado, ter um comportamento exemplar em termos sociais e desportivos, desfrutar da oportunidade de participar num Campeonato do Mundo… Se cumprirmos estes requisitos, os bons resultados competitivos surgirão por inerência.


Orientovar - Aceita partilhar connosco o seu maior desejo?

Professora Inês Barroso - O meu maior desejo é que este Campeonato, possa constituir um marco de vida “fabulosamente inesquecível”, para cada um dos alunos participantes!

[foto gentilmente cedida por Ricardo Chumbinho]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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