quinta-feira, 26 de março de 2009

PELO BURACO DA FECHADURA...


O próximo fim-de-semana promete dois dias da mais espectacular Orientação. Nas magníficas paisagens da Serra da Cabreira, em Vieira do Minho, terão lugar os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas, numa organização do Clube de Orientação do Minho. Com a preciosa colaboração de José Fernandes, o Director da Prova, vamos pois espreitá-los, pelo buraco da fechadura.

Orientovar - Como é que o Clube de Orientação do Minho vê mais esta grande prova de confiança por parte da Federação Portuguesa de Orientação, ao ser-lhe atribuída a responsabilidade de organizar os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas?

José Fernandes - Foi com grande satisfação que o Clube de Orientação do Minho recebeu mais esta prova de confiança da Federação Portuguesa de Orientação. Já organizamos por várias vezes Campeonatos Nacionais durante a última década e é sempre com muita responsabilidade e entusiasmo que assumimos essa tarefa.

Orientovar - Da fase de candidatura até à concretização do evento quais os passos mais importantes dados pela Organização destes Campeonatos?

José Fernandes - A organização destes Campeonatos foi inicialmente atribuída ao clube Trampolins de Santo Tirso. Todavia, as dificuldades surgidas na selecção de terrenos que reunissem características adequadas a uma competição como são os Campeonatos Nacionais de Distância Longa e de Estafetas, conduziram à inviabilização da sua organização nessa zona. Foi então que surgiu o convite, por parte da Federação Portuguesa de Orientação, no sentido de sermos nós a organizar os referidos Campeonatos. Aceitámos de imediato o desafio e, como tínhamos um projecto a curto prazo para regressar com grandes competições à Serra da Cabreira, apenas antecipámos esse projecto, apresentando-o à Câmara Municipal de Vieira do Minho, que o acolheu com bastante agrado. A partir daí foi garantir o trabalho de Cartografia em tempo útil e conseguir alguns apoios que são imprescindíveis para colocar de pé um evento desta natureza.

Orientovar - Que significado tem para o .COM o regresso a Vieira do Minho e àqueles mapas?

José Fernandes - A serra da Cabreira, para além de, na minha opinião, ter algumas zonas florestais que são do melhor que existe em Portugal para a prática de uma Orientação exigente e ao mesmo tempo agradável, tem também uma carga emocional muito grande para nós. Foi aí que, em 1998, um grupo muito reduzido de pessoas do qual eu fazia parte, pôs de pé, pela primeira vez em Portugal, um evento de quatro dias todos eles em floresta. Isto numa altura em que o sistema de controlo ainda era feito em cartão, os percursos eram marcados nos mapas com uma matriz montada no momento, as sinaléticas eram coladas à mão e era também manual a “ensacagem” dos mapas. Nestas condições, tivemos no segundo dia de prova 770 atletas na floresta, entre os quais a então campeã mundial de Distância Média, a austríaca Lucie Boom, que não se cansou de nos felicitar pelo nosso trabalho. Essa prova para nós foi mítica porque nos encorajou para organizações futuras e sobretudo fez "escola" no nosso país.

Orientovar - Em matéria logística, quais as grandes dificuldades organizativas e com que apoios contam?

José Fernandes - A logística duma prova com esta dimensão, organizada no meio do nada, é sempre bastante pesada. Porém, o facto de termos a Câmara Municipal de Vieira do Minho como parceiro, simplifica-nos bastante a tarefa, principalmente no que respeita a equipamentos mais pesados. Para além da Câmara temos contado também com apoios de menor dimensão das Juntas de Freguesia locais, dos Bombeiros e de algumas empresas e marcas.

Orientovar - Na sua perspectiva, que aspectos do Programa merecem o devido destaque?

José Fernandes - Penso que os pontos fortes são, sem dúvida, aqueles que estão ligados à competição e os locais que escolhemos para as Arenas dos dois dias. Extra-competição, recomendaria também aos atletas que usufruam do programa cultural que a Câmara Municipal de Vieira do Minho pôs à sua disposição, no sábado à noite.

Orientovar - Pessoalmente, que importância atribui ao facto de ser o Director duma Prova com a responsabilidade destes Nacionais?

José Fernandes
- É a terceira vez que sou Director de um evento da Taça de Portugal, organizado pelo .COM. Contudo, o facto de se tratar de uns Campeonatos Nacionais, apesar de não ter uma responsabilidade acrescida, tem no entanto um sabor especial pois a componente técnica e física dos percursos tem necessariamente que subir, para que haja uma competição justa. Essa parte constitui um desafio aliciante. No entanto, nas duas vezes anteriores em que dirigi a organização de uma prova, sentia-me bastante mais resguardado, pois com a minha maneira discreta de ser não era muito conhecido. Agora tenho um grupo demasiado grande de amigos na Orientação para passar despercebido e daí ter a consciência plena de que desta vez o grau de observação vai subir.


Orientovar - No tocante às provas, qual o seu maior desejo?

José Fernandes - O meu maior desejo é que no dia 29, às 13 horas, haja muita satisfação em todos os atletas e que o motivo dessa satisfação tenha a ver com o que se passou durante os dois dias de prova.

Orientovar - Gostaria de realçar ou reforçar um ou outro aspecto a todos quantos se deslocarem a Vieira do Minho no próximo fim-de-semana?

José Fernandes - Queria apenas que os muitos atletas que nos vão honrar com a sua presença aproveitem da melhor maneira a sua estadia no concelho de Vieira do Minho, que se entreguem à competição mantendo o desportivismo que caracteriza a nossa modalidade e sobretudo que fiquem com vontade de voltar, seja por puro prazer ou por necessidade de melhorar as suas prestações. Creio que estes são terrenos muito parecidos com aqueles que os nossos melhores atletas encontram nas suas representações internacionais, ao serviço da Selecção Nacional. Nos últimos anos despontaram em Portugal vários jovens que são já valores seguros no nosso panorama e que em certos terrenos, como as dunas da zona centro e o montado alentejano, competem quase de igual para igual com os melhores estrangeiros. Se isto acontece é porque tem havido uma grande utilização desses terrenos nos anos mais recentes, mas para se conseguir uma melhor regularidade nos resultados dentro e fora do país esses atletas terão que dominar outro tipo de terrenos mais exigentes física e tecnicamente. Em Portugal, esses terrenos situam-se no Norte do País e nós possuímos bons mapas para se desenvolver um trabalho que demorará alguns anos, mas que produzirá bons resultados seguramente. O Clube de Orientação do Minho estará sempre disponível para colaborar com os responsáveis federativos pela área de desenvolvimento dos nossos melhores valores, seja com os seus mapas, com a sua experiência ou com ambos.


Mais informações em
http://www.pontocom.pt/actividades/2009CNDLE/.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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