terça-feira, 24 de março de 2009

ESPAÇO CARTOGRAFIA: A VERSÃO ACTUAL DO NOVO REGULAMENTO


Após um longo interregno, o “Espaço Cartografia” está de regresso, e logo com um documento da maior importância. Trata-se da versão actual do novo Regulamento de Cartografia, aqui apresentada em primeira-mão por Luís Santos. Uma deferência que o Orientovar regista com profunda emoção e reconhecidamente agradece.


O Regulamento de Cartografia tem a sua versão anterior aprovada em Março de 2003. A actual proposta foi submetida a discussão pública no “site” da Federação Portuguesa de Orientação e debatida em Reunião de Clubes no dia 22 de Fevereiro, em Brotas (Mora). A versão actual - e que se não for definitiva estará muito próxima disso - deverá ser levada a aprovação na próxima Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Orientação, ainda sem data marcada.

Em relação à versão que foi disponibilizada no “site” da Federação Portuguesa de Orientação, as principais alterações que decorreram do debate na Reunião de Clubes e de posterior análise do documento foram as seguintes:

1 – Clarificar o que são condições de acesso a cada Curso e o que são condições de acesso a um nível de Cartografia. As condições de acesso aos Cursos estão agora exclusivamente no artigo 3º e as dos níveis de Cartografia estão entre o 7º e o 11º. A questão que levantou dúvidas sobre a necessidade de ter actividade regular e três mapas desenhados para aceder ao nível 2 de Cartografia foi realmente removida, ficando apenas para acesso ao nível 3, onde o grau de exigência já será maior.

2 – Surge um novo artigo (24º), em complemento do artigo 23º, que traça os deveres do detentor dos direitos do mapa. Permite, principalmente, o acesso da Federação Portuguesa de Orientação aos mapas e sua utilização e cedência para actividades de treino ou outras no interesse da modalidade, bem como permitir a utilização de direitos sobre mapas em clubes entretanto desvinculados da licença na Federação Portuguesa de Orientação e prever penalizações a Clubes que não permitam o normal desenvolvimento da Orientação.

Para além destas alterações posteriores à versão do documento divulgado no site Federação Portuguesa de Orientação, destaco as seguintes alterações que irão ser implementadas:

- Até aqui a Direcção Federação Portuguesa de Orientação só podia atribuir e/ou cassar licenças. Com o novo Regulamento e mediante parecer do Departamento de Cartografia, a Direcção passa a ter o poder de penalizar os cartógrafos que façam trabalhos de má qualidade, diminuindo o seu nível de cartografia, restringindo o âmbito de trabalho desses cartógrafos nos mapas a desenhar e obrigando-os a apresentar novos trabalhos de qualidade para poderem reaver o seu nível anterior;

- Até aqui, sempre que um Supervisor não tinha capacidade de avaliar um mapa, era solicitado ao Departamento de Cartografia que escolhesse alguém para o ir homologar. Essa situação agora não se coloca. A responsabilidade da homologação é inteiramente do Supervisor do evento. Caso ele não se sinta capacitado para homologar o mapa, deverá ser o Conselho de Arbitragem a definir com o Supervisor a forma de resolver o problema (o assunto nem se devia colocar pois um Supervisor deveria ter sempre qualidade técnica suficiente para avaliar um mapa, pois se não a tiver, não tem também qualidade para um trabalho responsável de Supervisão).

- Surge um novo artigo (21º) a regulamentar a área de impressão de mapas. A impressão de mapas deverá ser sempre realizada numa empresa certificada pela Federação Portuguesa de Orientação com base nos padrões de qualidade definidos pela IOF. Caso a qualidade de impressão seja fraca e haja reincidência nessa fraca qualidade, as empresas poderão perder essa licença.

- Muito importante o novo artigo 23º sobre os deveres dos detentores dos direitos dos mapas. Até aqui estava regulamentado que os clubes deveriam enviar mapas impressos para a Federação Portuguesa de Orientação (30 exemplares). Contam-se pelos dedos de uma mão os clubes cumpridores. Os serviços da Federação Portuguesa de Orientação estão agora a encetar um esforço de recuperação do histórico perdido (não faz sentido que a Federação Portuguesa de Orientação não possa aceder aos próprios mapas que regista e homologa mas é o que acontece actualmente – há uma lista mas não há os mapas).

Assim que for aprovado o Regulamento, passam a ser solicitados três passos aos clubes que produzem os mapas em três momentos diferentes:

- Quando o mapa está tecnicamente concluído deve ser enviado para a Federação Portuguesa de Orientação em ficheiro “ocad” (quando o mapa se enquadre em eventos de Taça FPO ou de Taça de Portugal a responsabilidade pela homologação do mapa e sua validade para atribuição de registo é do Supervisor, mas quando o mapa seja criado para outros efeitos - campos de treinos, provas locais, mapas de escolas, pedidos de proprietários, etc. - o acto de envio implica avaliação para se proceder a um eventual registo).

- Quando os arranjos gráficos estão concluídos, a imagem do mapa deve ser enviada (basta um dos percursos) para o Departamento de Cartografia avaliar se os arranjos cumprem as regras definidas – conforme explicitadas no artigo 19º.

- Posteriormente ao evento ou entregues aos Serviços da Federação Portuguesa de Orientação durante o mesmo deverão ser enviados para a Federação Portuguesa de Orientação dez exemplares de mapas do evento (com ou sem percursos) só para que a Federação Portuguesa de Orientação possa ficar sempre com suporte papel dos mapas registados e utilizados.

Ainda não estão definidas as datas e as Acções de Formação que irão ser realizadas em 2009 mas já irão seguir um novo programa formativo. O curso de nível 1 abordava até aqui apenas aspectos muito teóricos (prática só com mapas a escalas muito próximas e a preto e branco) e agora a introdução das várias especificações (ISOM, ISSOM e BTT) serão abordadas logo no nível 1 tal como o conhecimento do OCAD. O OCAD, as normas de Ori-BTT e as especificações para mapas de sprint estavam completamente dissociadas do plano de formação de cartografia e irão passar a constar desse plano.

Os principais objectivos destas alterações visam ter um Regulamento que seja entendível mas principalmente que seja realizável, objectivo que nem sempre era conseguido na versão anterior. E visa também, a custo de uma maior carga de trabalho do Departamento de Cartografia, propiciar um maior acompanhamento da produção de mapas e do trabalho dos cartógrafos, de forma a aumentar a responsabilização de quem trabalha mas também de forma a acompanhar e promover quem o mereça para que a Orientação portuguesa e a qualidade dos eventos possa ficar a ganhar com este Regulamento pelo menos a médio/longo prazo.

Luís Santos


[Consulte AQUI a versão actual do novo Regulamento de Cartografia]

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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