domingo, 22 de março de 2009

CAMPEONATO REGIONAL DA DRELVT EM ORIENTAÇÃO: AS IMPRESSÕES DE RICARDO CHUMBINHO


No rescaldo do Campeonato Regional da DRELVT (Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo) em Orientação, o Orientovar foi ao encontro do Coordenador Nacional do Desporto Escolar para a Orientação, Professor Ricardo Chumbinho, que gentilmente se dispôs a partilhar connosco as suas preciosas reflexões.


Orientovar – No final destes Campeonatos, que balanço se pode estabelecer?

Ricardo Chumbinho – Há dois factos que gostaria de salientar pela positiva. Em primeiro lugar, a realização de um Campeonato Regional fora da Península de Setúbal, particularmente na zona da Lezíria / Médio Tejo. De há muitos anos a esta parte que os Regionais, salvo uma ou outra excepção meramente pontual, se vêm realizando na zona de Setúbal em função do dinamismo que esta região apresenta em termos escolares na modalidade. Saúda-se o facto de a Equipa de Apoio às Escolas (EAE - antigos CAE’s) ter tomado a iniciativa de organizar este evento na sua região, algo que penso nunca ter acontecido. Por outro lado, é de saudar a co-organização entre uma estrutura escolar e uma estrutura associativa com o apoio da FPO na retaguarda, o que é mais um indicador da excelente inter-penetração que cada vez mais vai existindo entre os dois subsistemas do sistema desportivo, com benefícios para ambas as partes.

Pela negativa há a registar o facto de este regional evidenciar alguma assimetria quanto ao desenvolvimento da modalidade na zona da DREL, uma vez que diversas EAE’s não apresentaram equipas ou alunos individuais à competição, sendo ainda que algumas outras apenas o fizeram de forma meramente residual. De resto, esta assimetria não é exclusiva da Orientação e dentro da Orientação não é diferente do que se verifica a um nível mais macro, quando nos colamos num nível de análise DRE’s (Direcções Regionais de Educação). A modalidade está claramente mais desenvolvida em Lisboa e Vale do Tejo e no Norte, tendo uma expressão ainda pouco evidente no Centro e Alentejo (embora aqui com excelentes resultados de uma das suas escolas) e sendo inexistente no Algarve.

Orientovar – Que análise faz dos aspectos meramente competitivos, nomeadamente em termos de resultados?

Ricardo Chumbinho - Quanto aos resultados verificados diria que, de um modo geral, espelham uma realidade já conhecida e esperada: Uma supremacia normal por parte das equipas e individuais de Setúbal, com 2 títulos colectivos em 4 possíveis e outros tantos individuais, mas com um total de 18 alunos apurados para os nacionais num total de 32 da DRELVT. Também eram esperadas as vitórias das equipas e individuais femininas da zona de Sintra, alicerçadas principalmente em duas grandes figuras como são Vera Alvarez em Iniciados e Mariana Moreira em Juvenis, conseguindo assim um excelente conjunto de resultados mas que acaba, infelizmente, por não ser o reflexo de um desenvolvimento quantitativo da modalidade na região.

Gostaria de destacar ainda a presença de duas equipas fortíssimas como foram a ES Santa Maria, em Juvenis Femininas, com 3 atletas nas 3 primeiras posições e a ES Pinhal Novo, em Juvenis Masculinos, com 6 atletas nas 7 primeiras posições. Ainda uma palavra para um importante pólo de desenvolvimento da modalidade no Concelho de Palmela, uma vez que os 17 alunos deste concelho apurados para os nacionais representam mais de 50% dos apurados de toda a DRELVT. Finalmente, apraz-me constatar a existência de alguns alunos com bons resultados e apurados individualmente para os nacionais em diversas escolas da zona da Lezíria / Médio Tejo, o que é indício de que poderemos, a médio prazo, ter outros importantes pólos de desenvolvimento da modalidade.


Orientovar – Como é que vê a enorme discrepância verificada nalguns tempos em relação aos vencedores?

Ricardo Chumbinho – É impossível não reparar na assimetria verificada nos resultados individuais em alguns escalões, com muito tempo a separar em alguns casos os atletas melhor classificados dos restantes. Todavia, ao contrário de considerá-la negativa por se verificar esse fosso, prefiro encará-la como um sinal claro do elevado nível a que alguns dos alunos formados no Desporto Escolar já chegaram, como são os casos de Mariana Moreira, Vera Alvarez, Miguel Ferreira, Luís Silva, Paulo Pereira e Miguel Mouco entre outros. Encare-se também como dado importante o facto de, apesar da presença destes já conhecidos nomes da modalidade a nível nacional, termos tido muitos outros atletas com pontuações acima dos 700, alguns deles quase "ilustres desconhecidos", como foram os casos de Oleksandr Zaikin, Margarida Colares, Marta Ferreira, Pedro Silva, Bruno Jesus, Mykola Zaikin, Ricardo Singéis, Samuel Antunes, Nuno Lourenço, Fábio Silva e Ricardo Reis.

Este facto é bem sinal de que a aposta do desenvolvimento da modalidade passa incontornavelmente pelo Desporto Escolar e que as estruturas associativas locais - os Clubes - têm que desenvolver estratégias que lhes permitam apoiar e colher frutos do trabalho que se vai fazendo nas escolas, dando-lhe uma importância idêntica ao que já acontece no topo da pirâmide. De resto é conhecida esta valorização do Desporto Escolar por parte da FPO, bem como assim do respectivo Director Técnico Nacional, que tem na concepção de um modelo operacional de potencialização da relação entre Escolas e Clubes, um dos pontos fortes da sua estratégia de desenvolvimento para a modalidade.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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