segunda-feira, 30 de março de 2009

CAMPEONATO NACIONAL DE ESTAFETAS 2008 / 2009: A FORÇA DO COC


Decorreram na manhã de ontem os Campeonatos Nacionais de Estafetas 2008 / 2009. O mapa da Cabreira, em Vieira do Minho, foi palco privilegiado duma verdadeira festa, feita de saborosas vitórias e de amargos infortúnios. Porém, ainda e sempre, festa!

Por força da mudança da hora, o dia amanheceu mais tardiamente, forçando uma alvorada precoce a todos quantos quiseram participar nesta verdadeira festa. Porque duma festa se tratou. Numa modalidade onde os fracassos e os sucessos são muito vividos “para dentro”, a Estafeta acaba por trazer para primeiro plano um aspecto pouco desenvolvido entre os orientistas: o espírito de grupo. E esse, claramente, manifestou-se aqui a todos os níveis, criando um ambiente de grande competitividade e emoção, “dentro e fora das quatro linhas”.

Uma Arena num espaço natural perfeito, percursos traçados com especial cuidado, permitindo acompanhar muito de perto o desenrolar dos acontecimentos e, ainda e sempre, uma Serra da Cabreira de invulgar encanto e beleza, foram trunfos duma organização quase perfeita do Clube de Orientação do Minho. E dizemos “quase” porque faltou, a nosso ver, alguém que conhecesse suficientemente bem os intervenientes, tivesse o apoio necessário para acompanhar com rigor o desenrolar dos acontecimentos e a capacidade de os relatar. Aí sim, a festa teria sido perfeita!

A “desforra” de Tiago Romão e a vitória do COC

Capitalizando o grosso das atenções, as provas destinadas aos escalões de Elite não frustraram as expectativas. No sector masculino, a maior experiência do COC acabou por prevalecer sobre a juventude do Ori-Estarreja. Atentando nos resultados da véspera, com Diogo Miguel e David Sayanda a sagrarem-se campeões nacionais de Distância Longa nos respectivos escalões e Jorge Fortunato a alcançar uma moralizadora sexta posição na Elite, dir-se-ia que a turma estarrejanense partia com alguma vantagem. A verdade é que Jorge Fortunato e Joaquim Sousa travaram intenso duelo no primeiro percurso, com saldo favorável aos de Estarreja por apenas 19 segundos. A situação repetiu-se no segundo percurso, agora com David Sayanda a perder 28 segundos para Celso Moiteiro. Isto fez com que se reeditasse esse verdadeiro duelo de titãs entre Diogo Miguel e Tiago Romão, à entrada para o derradeiro percurso. Desta feita, porém, Tiago Romão foi claramente superior ao seu adversário, fazendo uma prova ao seu melhor nível e concluindo com o tempo total de 1.58.56, contra 2.01.06 do Ori-Estarreja. O COC recupera assim um título que lhe fugia há cinco anos, o segundo da sua carreira no escalão de Elite.

Com uma equipa muito homogénea, o CPOC acabou por confirmar aquilo que dele se esperava, concluindo na terceira posição com 2.04.01. Responsável pelo primeiro percurso, Miguel Silva entregou na segunda posição o testemunho a Nélson Graça. Este, mercê duma prova espectacular, lançou Alexandre Alvarez para a derradeira etapa na segunda posição, a escassos sete segundos do COC e dois segundos à frente do Ori-Estarreja. Mas a pressão sobre Alexandre Alvarez revelou-se demasiado forte e o CPOC viu fugir-lhe um título que até já foi seu, bem recentemente, na época de 2006 / 2007. Nas quarta e quinta posições concluíram GD4 Caminhos e Associação 20 km Almeirim, mas a enorme distância do trio da frente. A ADFA acaba por ser a grande derrotada destes Nacionais, tendo em linha de conta o seu historial recente, com cinco títulos nos últimos sete anos. Marco Póvoa esteve brilhante no primeiro percurso, assegurando a passagem do testemunho na primeira posição. Só que um “missing point” de Elísio Roque acabou de vez com as aspirações da turma eborense.

COC faz a “dobradinha”

Quanto às senhoras, não se registaram surpresas e o COC acabou por fazer uma tão esperada quanto merecida “dobradinha”. Com um bom percurso, Catarina Ruivo deu o mote às suas colegas, assumindo desde logo a dianteira, apesar da boa oposição de Lídia Magalhães (ADFA). Confirmando a sua boa forma, Maria Sá (GD4 Caminhos) dominou em toda a linha o segundo percurso, conseguindo anular cinco dos treze minutos perdidos inicialmente pela sua colega de equipa, Céu Costa. Com a ADFA “em queda livre”, o GD 4 Caminhos a lançarem para a luta Isabel Bonifácio, o seu “elo mais fraco” e as restantes equipas já fora de combate, Patrícia Casalinho limitou-se a gerir a vantagem. Os 2.27.24 da turma do COC, contra 2.51.29 do GD4 Caminhos e 3.02.33 da ADFA, respectivamente segunda e terceira classificadas, espelham bem a supremacia da turma vencedora. Esta acaba por ser a primeira vitória da equipa do COC na Elite Feminina, quebrando sete anos consecutivos de domínio da ADFA.


GafanhOri, pois claro!

Nos escalões mais jovens, também já não é novidade para ninguém a qualidade do trabalho desenvolvido lá para os lados de S. Pedro da Gafanhoeira por Tiago Aires e Raquel Costa. A verdade é que todo esse trabalho começa a dar grados e suculentos frutos, com a conquista de quatro títulos nacionais em seis possíveis. Atribuídos pela primeira vez na história dos Campeonatos, os títulos nacionais de Estafetas no escalão de Iniciados foram ambos para o GafanhOri. No sector feminino, o grande derrotado foi o GD 4 Caminhos, enquanto no sector masculino a vitória do Ori-Estarreja parecia assegurada depois de Luís Tomé ter perdido mais de 23 minutos para Marcelo Aguiar no segundo percurso. Mas João Cascalho fez uma prova sensacional, recuperando uma enorme desvantagem e arrancando um triunfo bem suado e bem sofrido. Inês Catalão, Ana Anjos e Teresa Maneta, por um lado, João Pedro, Luís Tomé e João Cascalho, por outro, acabam desta forma por gravar a ouro o seu nome no historial duma prova que leva já quinze edições.

Em Juvenis Femininos, o “missing point” de Nádia Silva atirou o CPOC para fora da corrida, proporcionando ao GafanhOri – de Rita Rodrigues, Ana Salgado e Inês Pinto - a mais folgada de todas as vitórias. Nádia Silva não terá picado um ponto que toda a gente viu que "picou", precisamente no ponto de espectadores. Os entusiásticos gritos de incentivo terão impedido a atleta de ouvir o sinal sonoro e o Supervisor da prova, Rui Morais, com base nos regulamentos da IOF, não teve alternativa senão desclassificar a equipa. Perde assim o CPOC um título, perdem também Vera Alvarez, Mariana Moreira e Nádia Silva uma vitória que lhes assentaria com inteiro mérito e acaba por sair beliscada a própria verdade desportiva. CPOC que chegou ao título em Juvenis Masculinos, graças às excelentes prestações de Gonçalo Cruz, Paulo Pereira e Miguel Ferreira. Nos Juniores Masculinos a vitória do Ori-Estarreja foi alcançada praticamente ao sprint sobre um GafanhOri que vendeu muito cara a derrota. Rafael Miguel e Miguel Mouco foram superiores aos “gafanhotos” Jorge Coelho e Filipe Salgado nos dois primeiros percursos. A superioridade de Manuel Horta veio ao de cima no decisivo percurso, mas Fábio Pereira soube suportar a pressão e garantir o triunfo, ainda que por margem escassa. Finalmente, nas Juniores Femininas, nova vitória do GafanhOri, de novo ante a turma do GD 4 Caminhos. Começaram mal as alentejanas, com Lena Coradinho a perder mais de treze minutos para Joana Costa, hipotecando logo à partida as aspirações da equipa. Jogando com os elos mais fracos no segundo percurso, o desequilíbrio pendeu agora para o lado do GD 4 Caminhos e o impensável aconteceu. Isabel Salgado recuperou onze minutos à custa duma “pouco acertada” Maria Oliveira e a escassa diferença entre os dois clubes levou a decisão para o derradeiro percurso. Aí, o desacerto foi, desta feita, de Isabel Sá, ante uma prova melhor conseguida de Ana Coradinho, ainda que longe de ter sido perfeita.

Triunfos repartidos

O CPOC de Alexandra Coelho, Sandra Silva e Susana Pontes foi um vencedor esperado em Veteranos Femininos I, ante a boa réplica do COC onde pontificou de forma bem vincada Anabela Vieito, a fazer um segundo percurso explosivo mas que se viria a revelar insuficiente. Em Veteranos Masculinos I, nova vitória do COC, com Jorge Silva, Luís Tenreiro e Jorge Oliveira a levarem a melhor sobre a ADFA, dos consagrados Francisco Cordeiro, Jorge Correia e Hélder Costa, ainda que por escassa margem. ADFA que teria a sua vingança em Veteranos Masculinos II – como era, aliás, esperado -, graças aos préstimos de Mário Duarte, Manuel Santos e Santos Sousa.

Em Veteranos Femininos II, Luísa Mateus, Maria Palmira e Isabel Monteiro deram ao COC o quarto título nacional de Estafetas 2008 / 2009 e o 25º no número total de títulos alcançados nas quinze edições da competição. A lista de vencedores encerra com o Ori-Estarreja em Veteranos Masculinos III. Um Ori-Estarreja que viu o campeão nacional de Distância Longa, Gil Rua, ceder catorze minutos e meio para Francisco Coelho (Clube TAP) logo no percurso inicial. O panorama agravou-se no percurso seguinte, com Armandino Cramez a ceder mais de dezasseis minutos a Luís Sousa. Mas o impensável aconteceu no derradeiro percurso. Coelho dos Santos “perdeu as asas” e os aviadores despenharam-se. José Salgado levou de vencida o seu adversário directo por quase quarenta minutos (!) e deu ao Ori-Estarreja a mais inesperada de todas as vitórias.


Em resumo, COC e GafanhOri, com quatro títulos cada, são os grandes vencedores destes Nacionais de Estafetas 2008 / 2009, secundados pelo CPOC e Ori-Estarreja, ambos com um par de títulos. A ADFA fecha o leque de equipas ganhadoras, com uma vitória. O Ori-Estarreja,com 32 vitórias em 15 edições da prova, continua a ser a equipa que mais vezes subiu ao lugar mais alto do pódio. Nesta lista o COC deu um pulo enorme, segue agora no segundo lugar com 25 títulos e ultrapassou a ADFA, que soma menos um. Uma última palavra para o GD 4 Caminhos, que regressa à Senhora da Hora sem títulos na bagagem, situação que acontece pela primeira vez nos últimos cinco anos. É certo que foi vice-campeão em cinco escalões, mas esta é uma consolação que terá sabido, seguramente, a pouco.

Consulte os resultados completos em
http://www.pontocom.pt/actividades/2009CNDLE/resultados.php.

Saudações orientistas.

JOAQUIM MARGARIDO

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